Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Impor uma ditadura sem crueldade?

O Papa Francisco classificou a ideologia de género como uma das tentativas mais graves de impor uma ditadura. O fenómeno é, de facto, gravíssimo e está a invadir vários países.

Esta ideologia é a expressão de uma sociedade decadente, sem força para curar as suas doenças, rendida a aberrações sem nexo. Surgiu como um apelo à benevolência, como um coro de perseguidos a pedir compreensão, e transformou-se num programa cada vez mais determinado de eliminar opositores. Hoje em dia, nalguns países, a tentativa de impor esta ditadura está relativamente avançada e, quanto mais poder alcançam mais os seus promotores se apercebem de que é impossível completar a tarefa sem uma dose forte de crueldade.

Este aspecto é importante, porque a ideologia de género pretendia ser a causa dos fracos e perseguidos, de modo que muitos julgavam que procuraria divulgar-se consensualmente, sem impor uma ditadura. No entanto, esta ideologia só convence uns poucos e, para alargar o seu poder, precisa de assustar e de ser cruel. Sem crueldade, nunca passará de uma leviandade marginal.

Por casualidade, ou por outro motivo, a partir de certa altura, a ideologia de género contou com amplas doações de vários dos magnates mais ricos da América do Norte e da Europa: Rockefeller, Ford, Soros, Gates, Turner, Oprah, Bloomberg... Outras causas também receberam ajuda económica, mas geralmente os apoios dispersaram-se sem que nenhuma delas chegasse a adquirir tanta consistência. Pelo contrário, a partir de certa época, a ideologia de género beneficiou de uma concentração de recursos que foi decisiva para lhe dar um estatuto respeitável e pagar a notoriedade nos meios de comunicação social. Porque um louco com muito dinheiro não faz figura de louco, é retratado como um intelectual, ou como um especialista.

No entanto, para se expandir em maior escala, não bastava ter eco na comunicação social, era preciso dominar a educação das crianças. Primeiro, localizadamente, a título experimental, evitando a oposição; depois, abrangendo de forma diluída uma maior população escolar; progressivamente, com programas mais concretos e mais agressivos.

Os protestos eram inevitáveis. Por isso, a estratégia inicial era evitar o confronto, ceder pontualmente se alguém reagisse, dar pequenos passos, aproveitando a condescendência de quem não se opunha. Mas é possível impor uma ditadura sem crueldade?

Na óptica do actual Ministério da Educação, chegou a fase da intransigência contra quem rejeitar a ideologia de género. Para já, o Governo decidiu aplicar um castigo exemplar a uma família de Famalicão que sempre recusou que os filhos assistissem a estas aulas. Os mais velhos já saíram da escola, mas para os mais novos acabou-se o precedente: ou os pais aceitam que os filhos assistam àquelas aulas, mesmo que isso só aconteça simbolicamente, ou dois dos filhos são reprovados e recuam dois anos na escola. Dois anos!

Pelos vistos, as duas crianças são alunos esplêndidos em comportamento e em todas as disciplinas. Melhor ainda, porque a punição serve de aviso ao povo, para mostrar até onde o Governo está disposto a ser cruel.

Segundo as disposições actuais, os estudantes podem passar de ano mesmo que reprovem a várias disciplinas importantes. Melhor, porque fica claro que a ideologia de género tem prioridade sobre a matemática, o português, o inglês, a história.

A Constituição da República Portuguesa estabelece que pertence «aos pais o direito e o dever de educação dos filhos»: bah!

A Constituição declara solenemente que «o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas...». Sim, até que o despacho de um Secretário de Estado diga o contrário.

Em qualquer caso, não é justo que umas crianças sofram um castigo por causa dos pais. Esse é o ponto. É preciso que o povo perceba que não há limite para a crueldade. Os pais que se opuserem publicamente à ideologia de género terão os filhos castigados de forma cada vez mais cruel.

– «É inquietante que algumas ideologias deste tipo [ideologias de género] (...), procurem impor-se como um pensamento único que determina a própria a educação das crianças» (Francisco, «Amoris Lætitia», 56). O Papa não se referia especificamente ao Governo português quando falava da ideologia de género, mas a crítica aplica-se inteira a este Ministério fanático.
José Maria C.S. André

Precisas de um bom exame diário de consciência

Repara na tua conduta com vagar. Verás que estás cheio de erros, que te prejudicam a ti e talvez também aos que te rodeiam. – Lembra-te, filho, que não são menos importantes os micróbios do que as feras. E tu cultivas esses erros, esses enganos – como se cultivam os micróbios no laboratório –, com a tua falta de humildade, com a tua falta de oração, com a tua falta de cumprimento do dever, com a tua falta de conhecimento próprio... E, depois, esses focos infectam o ambiente. Precisas de um bom exame diário de consciência, que te conduza a propósitos concretos de melhora, por sentires verdadeira dor das tuas faltas, das tuas omissões e pecados. (Sulco, 481)

A conversão é coisa de um instante; a santificação é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso, é indispensável estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar – nas novas situações da nossa vida – a luz, o impulso da primeira conversão. E essa é a razão pela qual havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos. Não há outro caminho para nos convertermos de novo. (Cristo que passa, 58)

São Josemaría Escrivá

Ajuda Divina

«(…): quem segue a vontade de Deus sabe que, no meio de todos os horrores que possa encontrar, nunca perderá uma última protecção. Sabe que o fundamento do mundo é o amor e, consequentemente, mesmo onde ninguém o pode ou quer ajudar, ele pode prosseguir colocando a sua confiança n’Aquele que o ama».

(Joseph Ratzinger / Bento XVI - “Jesus de Nazaré”)

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

A pureza nasce do amor

Vê quantos motivos para venerar S. José e para aprender da sua vida: foi um varão forte na fé...; sustentou a sua família – Jesus e Maria – com o seu trabalho esforçado...; guardou a pureza da Virgem, que era sua Esposa...; e respeitou – amou! – a liberdade de Deus que fez a escolha, não só da Virgem como Mãe, mas também dele como Esposo de Santa Maria. (Forja, 552)

Não estou de acordo com a forma clássica de representar S. José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando viveu junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade. (Cristo que passa, 40)

São Josemaría Escrivá

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Saber vencer-se todos os dias

Não é espírito de penitência fazer uns dias grandes mortificações e abandoná-las noutros. Espírito de penitência significa saber vencer-se todos os dias, oferecendo coisas – grandes e pequenas – por amor e sem espectáculo. (Forja, 784)

Mas ronda à nossa volta um potente inimigo, que se opõe ao nosso desejo de encarnar dum modo acabado a doutrina de Cristo: o orgulho que cresce quando não procuramos descobrir, depois dos fracassos e das derrotas, a mão benfeitora e misericordiosa do Senhor. Então a alma enche-se de penumbra – de triste obscuridade – crendo-se perdida. E a imaginação inventa obstáculos que não são reais, que desapareceriam se os encarássemos com um pouco de humildade. Com o orgulho e a imaginação, a alma mete-se por vezes em tortuosos calvários; mas nesses calvários não está Cristo, porque onde está o Senhor goza-se de paz e de alegria, mesmo que a alma esteja em carne viva e rodeada de trevas.

Outro inimigo hipócrita da nossa santificação: pensar que esta batalha interior tem de dirigir-se contra obstáculos extraordinários, contra dragões que respiram fogo. É outra manifestação de orgulho. Queremos lutar, mas estrondosamente, com clamores de trombetas e tremular de estandartes.

Temos de nos convencer de que o maior inimigo da pedra não é o picão ou o machado, nem o golpe de qualquer outro instrumento, por mais contundente que seja: é essa água miúda, que se mete, gota a gota, entre as gretas da fraga, até arruinar a sua estrutura. (Cristo que passa, 77)

São Josemaría Escrivá