Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Senhor, com o teu auxílio lutarei

O canto humilde e gozoso de Maria, no "Magnificat", recorda-nos a infinita generosidade de Nosso Senhor com os que se fazem como crianças, com os que se abaixam e sabem sinceramente que não são nada. (Forja, 608)

Não esqueçais que santo não é o que não cai, mas o que se levanta sempre, com humildade e com santa persistência. Se no livro dos Provérbios se comenta que o justo cai sete vezes ao dia, tu e eu – pobres criaturas – não nos devemos estranhar nem desalentar perante as misérias pessoais, perante os nossos tropeços, porque continuaremos em frente, se procurarmos a fortaleza n'Aquele que nos prometeu: Vinde a mim todos os que andais cansados e oprimidos, que eu vos aliviarei. Obrigado, Senhor, quia tu es, Deus, fortitudo mea, porque foste sempre Tu, e só Tu, meu Deus, a minha fortaleza, o meu refúgio, o meu apoio.

Se verdadeiramente desejas progredir na vida interior, sê humilde. Recorre constantemente, confiadamente, à ajuda do Senhor e de sua Mãe bendita, que é também a tua Mãe. Com serenidade, tranquilo, por muito que te doa a ferida ainda não sarada da tua última queda, abraça de novo a cruz e diz: Senhor, com o teu auxílio lutarei para não parar, responderei fielmente aos teus convites, sem temer as encostas íngremes, nem a aparente monotonia do trabalho habitual, nem os cardos e pedras do caminho. Sei que a tua misericórdia me assiste e que, no fim, acharei a felicidade eterna, a alegria e o amor pelos séculos sem fim. (Amigos de Deus, 131)

São Josemaría Escrivá 

O homem vestido de branco

Hoje (12/05/2017), na oração na Capelinha, o Papa Francisco denomina-se a si próprio «o homem vestido de branco», aplicando a expressão usada pela Irmã Lúcia ao escrever o terceiro Segredo de Fátima. Os Pastorinhos nunca tinham visto o Papa e, na época, e tão longe da cidade, não havia imagens disponíveis. Por isso, a terrível visão do terceiro Segredo de Fátima teve também um matiz difícil de perceber. Quem era aquela multidão fiel ao «homem vestido de branco», que é dizimada pelas forças do mal? Quem é essa personagem vestida de branco? Algum tempo mais tarde, Lúcia percebeu claramente a resposta.

Em Fátima, Francisco identifica-se directamente com essa figura. Na visão, o homem vestido de branco avança por um monte de desolação, rodeado por uma grande multidão que se mantém fiel, e sofrendo o combate encarniçado dos que se lhe opõem. Não luta, não ataca, não responde com violência à agressividade de que é vítima, e, no momento culminante, ele próprio é abatido.

João Paulo II, atingido no dia 13 de Maio na Praça de S. Pedro, mal recuperou a consciência, ainda no hospital, pediu a documentação escrita pela Irmã Lúcia. As circunstâncias e o facto de o Papa ter sobrevivido às balas daquele profissional do crime sugeriam uma relação muito directa com Fátima. Depois de capturado pela polícia italiana, o que o assassino, Ali Agca, não entendia era a razão de o Papa estar vivo. Soube-se, de fonte da prisão, que quando alguém lhe falou das aparições de Fátima, ele ficou sumamente interessado.

Francisco, ao chamar a si mesmo «o homem vestido de branco», retoma o sentido profundo da visão do terceiro Segredo. O líder que cai, atingido pela hegemonia do mal, não é apenas um Papa alvejado por um Ali Agca. E aquela multidão fiel que derrama o seu sangue com o homem vestido de branco não é apenas imagem dos mártires do século XX. A visão refere-se à grande apostasia em que caiu uma parte importante do globo e ao combate contra a Igreja. O livro do Apocalipse tem uma página semelhante, quando fala da serpente fazendo guerra à Mulher, a uma mulher que é Mãe, e ao seu Filho.

Desabam sobre o Papa e a Igreja os pecados dos católicos e a loucura dos gentios, os preconceitos, as difamações. A cada momento da história, dá a impressão de que Deus perde batalhas e que aqueles que O seguem estão em desvantagem. Tudo isso é verdade, mas há um plano que escapa à visão dos homens. Foi essa a visão do terceiro Segredo. Deus vê. Deus é fiel.

Ao chamar-se a si «o homem vestido de branco», Francisco indicou a esta multidão que enche a esplanada de Fátima – e a todos aqueles que aqui estão em espírito – que eles são o imenso povo fiel.
José Maria C.S. André
12-V-2017

terça-feira, 12 de maio de 2020

O Segredo de Fátima

À medida que o tempo passa, acredito mais no Segredo de Fátima. 

Nesse Segredo que desassossega, que nos arranca de casa, dos livros, da cidade e nos lança, anualmente, para a imensidão das estradas. Eu acredito num «não sei quê» que esse Segredo derrama em nós: uma porção de confiança, de abandono e de aventura. Uma vontade de tornar a vida mais que tudo verdadeira. De tornar generosos os projetos e fecundos os laços que nos ligam aos outros. De tornar absoluta a nossa sempre frágil Esperança.

À medida que o tempo passa, vou conhecendo pessoas cujo tesouro interior foi descoberto, ampliado nos caminhos de Fátima. Pessoas que contam histórias simples, misturadas com sorrisos e lágrimas. Histórias de um Encontro tão parecido ao que teve uma rapariga da Judeia, de nome Maria.

Que têm os peregrinos de Fátima? Têm o vento por asas e a lonjura por canto.
Têm a conversão por caminho e a prece ardente por mapa. São filhos de uma promessa que se cumpre dentro da vida.

Gosto dessa frase de Vitorino Nemésio que diz: “em Fátima, a Humanidade 
inteira passou a valer mais”. Gosto, porque nos caminhos longos, imprevistos e profundos de uma peregrinação isso nos é ensinado como uma evidência humilde e apaixonante.
José Tolentino Mendonça

Porque é que nós, homens, nos entristecemos?

"Bem-aventurada, porque acreditaste!", diz Isabel à nossa Mãe. A união com Deus, a vida sobrenatural, vai sempre unida à prática atraente das virtudes humanas: porque "leva" Cristo, Maria leva a alegria ao lar de sua prima. (Sulco, 566)

Não deis o mínimo crédito aos que apresentam a virtude da humildade como um amesquinhamento humano ou como uma condenação perpétua à tristeza. Sentir-se barro, recomposto com gatos, é fonte contínua de alegria; significa reconhecer-se pouca coisa diante de Deus: criança, filho. E haverá maior alegria do que a daquele que, sabendo-se pobre e débil, se sabe também filho de Deus? Porque é que nós, homens, nos entristecemos? Porque a vida na terra, não se passa como nós, pessoalmente, esperávamos e porque surgem obstáculos que impedem ou dificultam a satisfação do que pretendemos.

Nada disto acontece quando a alma vive essa realidade sobrenatural da sua filiação divina. Se Deus é por nós, quem será contra nós. Que estejam tristes os que se empenham em não se reconhecerem filhos de Deus, tenho eu repetido sempre. (Amigos de Deus, 108)

São Josemaría Escrivá

Santo Rosário - Quarto Mistério Doloroso



Jesus Toma a Sua Cruz

Sobre os Teus ombros doridos, repousa agora a Cruz que, desde sem­pre, Te estava reservada.
Enfraquecido como estás, uma noite inteira sem dormir, o sofrimento atroz do Getsémani, as vergastadas, os encontrões, deixaram-Te quase sem forças.
O Teu Espirito está como que aturdido pelos insultos, as palavras soe­zes, o ódio e a raiva que vês nos homens que Te rodeiam e que toda a noite Te atormentaram.
Para os judeus, príncipes dos sacerdotes e os outros do Sinédrio, és um inimigo e há que exacerbar ao máximo a multidão dos simples, analfa­betos, pouco mais que brutos, para que peçam mais e mais sofrimentos, mais e mais troça e escárnio. Só descansarão quando te virem morto, pregado na Cruz. Há o secreto medo que os Teus discípulos que se con­tam por milhares, acorram em Teu auxílio, se sublevem e subvertam facilmente toda uma turba de pobres homens e mulheres ávidos de um chefe, de um líder contra os odiados opressores romanos.
Para estes últimos, não passas de um divertimento. Algo que sai da ro­tina. Julgam que não têm qualquer responsabilidade; não lavou as mãos do assunto, o seu chefe, Pôncio Pilatos?

E onde estou eu, Senhor? No grupo turbulento, inconsciente e sem von­tade própria os que gritam: Crucifica-O! Daqueles que se aglomeram, ávidos de verem como é que vais aguentar o pesado madeiro?
Ou estou no meio daqueles que se limitam a cumprir ordens, sem querer saber, como nem porquê, se são justas ou injustas, e assim Te flagelei e agora Te arrasto para receberes a Cruz?
Acrescento, talvez, alguma coisa da minha lavra: uso o azorrague com mais força, fui eu quem se lembrou da coroa de espinhos, dei-Te algu­mas bofetadas por minha conta?
Ou sou, ainda, dos que, de longe, disfarçadamente, olham tudo, apavo­rados que descubram qualquer ligação conTigo, olhando em volta, pers­crutando se alguém se lembra de me Ter visto no meio dos quatro mil que alimentas-Te milagrosamente com uns pouco de peixes e pães?
Esta angústia de não saber onde estou, faz-me encolher na minha pró­pria insignificância cobarde e pusilânime. Quantas vezes me deixei ir com os outros, sem querer saber para onde ia, onde levava aquele ca­minho?
Quantas vezes inventei eu próprio algumas modificações nesses cami­nhos ínvios tornando-os mais tortuosos?
Quantas vezes não fugi e não me escondi, fiquei calado e atentei passar despercebido com medo de cair em “ridículo”, de “chocar” os outros, ou muito simplesmente de me afirmar como Teu filho e não consentir ofensa ao meu Pai na minha presença?

Descansa agora a Cruz no Teu ombro dorido, Senhor que Tu és homem, embora perfeito, sentes em todo o eu corpo esse peso enorme desse lenho duro que há-de receber o teu Corpo martirizado.
E conheces, um a um, todos os pecados de todos os homens que cons­tituem o peso dessa Cruz. Os meus também.
E eu queixo-me da minha cruz. Que é pesada, que é incómoda, que, até por vezes, me tira o sono!

Perdoa-me, Senhor, a minha insensibilidade perante a Tua Cruz. Não olhes para mim, Senhor, com o Teu olhar magoado e triste. Deixa-me respirar um pouco, tomar alento, ganhar coragem para então, postado a Teu lado, volveres para mim o Teu olhar misericordioso e, silenciosa­mente, dizeres-me: Estás perdoado; não tornes a pôr mais peso nesta tão pesada Cruz. E eu, senhor, com o coração cheio de alegria pela Tua bondade, prometo solenemente tudo fazer, com a Tua ajuda, para não tornar mais pesada a Tua Santa Cruz.