Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A Carta aos Romanos

Há cerca de 2 mil anos, S. Paulo escreveu uma carta aos romanos, que continua a ser um dos textos da Bíblia mais estudados, pela inesgotável riqueza teológica, em particular, os últimos 14 versículos do capítulo 1 (o versículo 18 até ao 32), que têm a forma de um raciocínio dedutivo: A ocasiona B, B produz C... É um encadeamento inflexível, que descreve uma aluvião a abater-se sobre a dignidade humana quando o homem se afasta de Deus. Esse afastamento tem consequências tão graves? É esse o ponto: sim, tropeça-se nesse ponto, resvala-se, perde-se o equilíbrio e acaba-se numa derrocada fragorosa.

Poucas sociedades experimentaram até ao fim esta sequência dramática, porque, na maior parte das civilizações, os sinais de alarme despertaram as consciências e evitaram que se caísse nos últimos degraus da humilhação humana. É interessante ler o tal raciocínio dedutivo.

Versículo 21: «Tendo conhecido Deus, não O glorificaram nem Lhe deram graças».

– A queda começa pela perda do sentido da verdade: «extraviaram-se em raciocínios vãos e a sua mente insensata ficou na obscuridade».

Versículo 23: «Por isso [a conclusão decorre como um silogismo], foram abandonados aos desejos do seu coração, Deus entregou-os a uma impureza que desonra os seus próprios corpos».

– Derrubada a verdade, desmorona-se a moral, em particular a compreensão da dignidade humana: «como substituíram a verdade de Deus pela mentira (...), Deus entregou-os a paixões vergonhosas». A carta aponta a contracepção e a homossexualidade como exemplos mais flagrantes da corrupção: «as mulheres substituíram as relações naturais... os homens arderam em desejos uns com os outros».

Versículo 28: «Como não se preocuparam por reconhecer Deus [o ponto inicial], entregou-os a um sentimento depravado»...

– Demolido o alicerce da verdade, arrasada a moral, entra em decomposição a própria pessoa e as relações sociais: «estão cheios de toda a iniquidade, de malícia, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros, maledicentes, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, arrogantes, inventores de maldades, desobedientes aos pais, insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia».

Versículo 32: «Os quais, conhecedores da justiça de Deus [o ponto de partida]... não somente praticam tais coisas como aprovam os que as praticam».

Alguns convencem-se de que S. Paulo exagerou. Afinal, negar que exista um Valor absoluto (negar que exista Deus) não implicaria cair no fundo da depravação. Talvez rejeitar os princípios fundamentais da justiça não leve a ser profundamente injusto. Se calhar, praticar a injustiça não implica desonrar e destruir o próprio corpo.

A Carta aos Romanos aborda o assunto do ponto de vista teórico, mas quando vemos a sociedade ocidental assistimos a este desastre colossal. Primeiro, alguns deixaram de ter Deus no coração, passaram a ter vergonha dEle, depois afastaram-se da rectidão ética, deixaram crescer os egoísmos, relaxaram os costumes. Veio a condescendência com o divórcio, a seguir a eliminação do compromisso no casamento. Quando demos por ela, a sociedade entusiasmou-se com a contracepção, em detrimento da exigência do amor responsável (o Papa Paulo VI foi lapidado por não acompanhar este progresso). A contracepção passou ao aborto. Seguiu-se o elogio da homossexualidade e, logo a seguir, a equiparação do casamento a uma relação homossexual. Ontem, o Parlamento português aprovou na generalidade cinco propostas para legalizar a morte de seres inocentes.

Com um veneno adicional, também previsto na Carta aos Romanos: quase todos os que propuseram e aprovaram estes projectos tiveram o cuidado de não destapar essa intenção nas recentes eleições. Cumpriram o que faltava: «Desleais, sem coração, nem misericórdia».
José Maria C.S. André

Amamos apaixonadamente este mundo

O mundo espera-nos. Sim! Amamos apaixonadamente este mundo, porque Deus assim no-lo ensinou: "sic Deus dilexit mundum...", Deus amou assim o mundo; e porque é o lugar do nosso campo de batalha – uma formosíssima guerra de caridade – para que todos alcancemos a paz que Cristo veio instaurar. (Sulco, 290)

Tenho ensinado constantemente com palavras da Sagrada Escritura: o mundo não é mau porque saiu das mãos de Deus, porque é uma criatura Sua, porque Iavé olhou para ele e viu que era bom [Cfr. Gen. 1, 7 e ss.]. Nós, os homens, é que o tornamos mau e feio, com os nossos pecados e as nossas infidelidades. Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus.

Pelo contrário, deveis compreender agora – com uma nova clareza – que Deus vos chama a servi-Lo em e a partir das ocupações civis, materiais, seculares da vida humana: Deus espera-nos todos os dias no laboratório, no bloco operatório, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no lar e em todo o imenso panorama do trabalho. Ficai a saber: escondido nas situações mais comuns há um quê de santo, de divino, que toca a cada um de vós descobrir.

Eu costumava dizer àqueles universitários e àqueles operários que vinham ter comigo por volta de 1930 que tinham que saber materializar a vida espiritual. Queria afastá-los assim da tentação, tão frequente então como agora, de viver uma vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas. (Temas Actuais do Cristianismo, 114)

São Josemaría Escrivá

Verdade, liberdade, caridade

A luz que Jesus irradia é o esplendor da verdade. Qualquer outra verdade é apenas um fragmento da Verdade que Ele é e que volta para Ele. Jesus é a Estrela Polar da liberdade humana: sem Ele, ela perde a orientação, porque sem o conhecimento da verdade a liberdade perverte-se, isola-se e reduz-se a estéril arbítrio. Com Ele, a liberdade reencontra-se, reconhece a sua vocação para o bem e exprime-se em acções e comportamentos caridosos.

(Bento XVI-  Discurso à assembleia plenária da Congregação para a Doutrina da Fé em 10/II/2006)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Recorramos ao bom pastor

Tu, pensas, tens muita personalidade: os teus estudos (os teus trabalhos de investigação, as tuas publicações), a tua posição social (os teus apelidos), as tuas actividades políticas (os cargos que ocupas), o teu património..., a tua idade – já não és nenhuma criança!... Precisamente por tudo isso, necessitas, mais do que outros, de um Director para a tua alma. (Caminho, 63)

A santidade da esposa de Cristo sempre se provou – e continua a provar-se actualmente – pela abundância de bons pastores. Mas a fé cristã, que nos ensina a ser simples, não nos leva a ser ingénuos. Há mercenários que se calam e há mercenários que pregam uma doutrina que não é de Cristo. Por isso, se porventura o Senhor permite que fiquemos às escuras, inclusivamente em coisas de pormenor, se sentimos falta de firmeza na fé, recorramos ao bom pastor, àquele que – dando a vida pelos outros – quer ser, na palavra e na conduta, uma alma movida pelo amor – àquele que talvez seja também um pecador, mas que confia sempre no perdão e na misericórdia de Cristo.


Se a vossa consciência vos reprova por alguma falta – embora não vos pareça uma falta grave – se tendes uma dúvida a esse respeito, recorrei ao sacramento da Penitência. Ide ao sacerdote que vos atende, ao que sabe exigir de vós firmeza na fé, delicadeza de alma, verdadeira fortaleza cristã. Na Igreja existe a mais completa liberdade para nos confessarmos com qualquer sacerdote que possua as necessárias licenças eclesiásticas; mas um cristão de vida limpa recorrerá – com liberdade! – àquele que reconhece como bom pastor, que o pode ajudar a erguer a vista para voltar a ver no céu a estrela do Senhor. (Cristo que passa, 34)

São Josemaría Escrivá

Serenidade para corrigir

Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim
como o pai ao filho a quem quer bem. Provérbios 3:12
É impressionante a autoridade moral de quem quase nunca se irrita. A irritação costuma ser vista como manifestação de uma personalidade forte, decidida, segura, enérgica. No entanto, é exactamente ao contrário.

Personalidade forte possui aquele que se sabe dominar. Irritar-se diante das atitudes dos outros é sempre o mais fácil. Não costuma exigir grande esforço. Basta dar rédea solta ao orgulho que todos levamos dentro.

Pelo contrário, quem se mantém sereno e se domina a si mesmo inspira respeito aos outros. E é deste respeito que lhe vem essa autoridade moral para corrigir quando é necessário.

Quantos pais não conseguem repreender os seus filhos com eficácia porque o fazem sem a necessária serenidade! A repreensão, para produzir o seu fruto, necessita de um momento adequado e de palavras oportunas que ajudem de verdade. O objectivo da repreensão não é demonstrar “quem é que manda aqui” mas conseguir que os filhos melhorem.

Porque os pais ― e todos os educadores em geral ― têm o dever de educar, mas isso não lhes dá o direito de humilhar.

Por isso, é necessário ter sensibilidade para pensar no que se vai dizer, procurar o momento oportuno e falar a sós com o interessado. Há pessoas que o sabem fazer tão bem que dá gosto ser corrigido por elas. Saímos animados a melhorar.

Mas para que isto seja possível não se pode esquecer um sábio “pormenor” de capital importância: pôr-se no lugar daquele que vai ser corrigido. Perguntar-se com calma: «Como gostaria que me dissessem as coisas se estivesse na situação desta pessoa?». Não se esqueçam os pais de que já foram filhos com essa mesma idade.

Isto anima a saber intercalar algumas palavras de afecto que afastem a impressão de que se corrige por desgosto pessoal. Mostrar uma verdadeira confiança. Um filho deve pensar: «O meu pai corrige-me porque gosta de mim. Porque quer o meu bem. E ele confia em que eu vou melhorar».

A confiança é essa virtude recíproca que se recebe na medida em que se dá. Quando confiamos abertamente em alguém, essa pessoa esforça-se com coragem, sente-se reconhecida e tende a retribuir-nos, agradecida. E os pais têm de mostrar, com palavras e sobretudo com atitudes, que confiam nos seus filhos.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria