Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Natal, empresários e astronautas que não andam na lua

Terra a nascer fotografada a partir de um satélite lunar ©NASA
Há uns anos, um pai, com um diagnóstico fatal a curto prazo, quis prevenir os filhos e explicar-lhes que Jesus estava à espera, para o receber em breve. Um dos pequenos perguntou como é que o pai sabia que Jesus o ia receber no Céu: «Meu filho, há tantos anos que eu O recebo na Eucaristia e Ele, agora, não me ia receber?».

Preparar o Natal é caminhar intensamente para o encontro com Cristo. O passo em que o Papa tem insistido mais é a Confissão sacramental; outra etapa é participar na Eucaristia em que, de uma forma imediata, recebemos o próprio Cristo.

Recordo que, nos anos 80, o CEO de uma marca muito conhecida de «blue jeans» veio a Lisboa em negócio. No meio da agenda apertada de reuniões, já sabia onde ia assistir à Missa cada dia, porque tinha encarregado a secretária de telefonar antecipadamente a informar-se dos horários de várias paróquias. Para um lisboeta da época aquilo era surpreendente. Em primeiro lugar, pela capacidade de ultrapassar obstáculos, porque aquele empresário não falava português e provavelmente a secretária teve dificuldade em se fazer entender e obter a informação. Depois, pelos recursos, porque naqueles anos as chamadas internacionais a partir de Portugal eram caríssimas, embora fosse barato telefonar de outros países. Recordo que alguns engenheiros da EDP, que souberam da lista, resolveram ampliar a ideia: assim nasceu uma listagem completa, para toda a cidade de Lisboa, que circulou por muitas mãos, em fotocópias. Anos mais tarde, com o aparecimento da internet, a lista ficou «online», cada vez mais exaustiva e actualizada, e, em época mais recente, o «site» do Patriarcado encarregou-se de disponibilizar a informação.

A caminho do encontro do Natal, pergunto-me como se comportaria, nas minhas circunstâncias, o CEO de uma multinacional de «blue jeans».

Foto do twitter de Mike Hopkins
À falta de informação sobre a estrela do Natal, vale a pena navegar nas páginas pessoais de alguns astronautas, por exemplo https://twitter.com/astroillini, para ver fotografias de cometas deslumbrantes no céu estrelado, planetas vibrantes, a Terra muito ao longe e a Lua muito ao perto... Além das imagens, no meio dos «tweets», encontram-se testemunhos mais pessoais. Dennis Sadowski, reuniu no «Catholic News Service» de Abril deste ano declarações de bastantes astronautas. A beleza do céu é tão impressionante que é comum eles sentirem o impulso de se referir a Deus. Muitos rezam o terço dentro da «cúpula» da nave, uma sala forrada de janelas, por onde se vê o Universo a 360º. Outros vão ler a Bíblia para a cúpula. Está no «Youtube» a célebre mensagem dos astronautas da Apollo 8, na noite de Natal de 1968, que consistiu em lerem em voz alta a parte do Génesis que descreve a Criação.

A propósito do Natal, chamou-me a atenção o empenho de alguns astronautas para não perderem a Eucaristia. Por exemplo, em 2013, Mike Scott Hopkins, que se convertera uns anos antes, conseguiu autorização para levar a Eucaristia para o espaço, para poder comungar durante os longos meses da sua missão na ISS (International Space Station). Na cúpula, rodeado de estrelas, sentia-se verdadeiramente numa catedral. «Quando se contempla a Terra deste observatório único e se admira toda a beleza natural que existe, é difícil não se sentar ali e perceber que tem de haver um poder maior que fez isto». Pelos vistos, não é pouco comum os astronautas terem acesso à Comunhão durantes as missões espaciais.

Para todos, católicos, protestantes, muçulmanos, a experiência de viver a umas centenas ou milhares de quilómetros da Terra dá uma perspectiva muito forte do que é importante. «Acho que, por aqui, não há um único ateu», dizem os «tweets» de vários deles.

Uma das mordomias que a NASA oferece aos astronautas durante o voo é a possibilidade de terem uma vídeo-conferência com a personalidade que escolherem. Recentemente, o astronauta Mark Vande Hei pediu para conversar com o Papa Francisco. Vamos ver o que a NASA consegue. Pode ter sorte, porque a NASA já conseguiu que em 2011 o Papa Bento XVI falasse durante 20 minutos com a tripulação da ISS (a vídeo-conferência pode ver-se em www.youtube.com/watch?v=81jAmb_e1pg).

José Maria C.S. André
Spe Deus
4-XII-2016

Evangelho do dia 4 de dezembro de 2018

Naquela mesma hora Jesus exultou de alegria no Espírito Santo, e disse: «Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos simples. Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, nem quem é o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar». Depois, tendo-Se voltado para os discípulos, disse: «Felizes os olhos que vêem o que vós vedes. Porque Eu vos afirmo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram, ouvir o que vós ouvis e não o ouviram».

Lc 10, 21-24

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Seja a Luz do Mundo

A diferença

A independência de Portugal comemora-se anualmente no dia 1 de Dezembro, sem grande entusiasmo. Num recanto aconchegado da capital, discursam três ou quatro personalidades, comparecem uns populares patriotas e espreitam os turistas. Que é aquilo? Que faz ali aquela meia dúzia de pessoas com gravata? Há muitos anos que a cerimónia deixou de ser notícia e a maioria dos lisboetas ignora aquela tradição.

Na história que se ensinava nas escolas há umas décadas, a Restauração da Independência, a 1 de Dezembro de 1640, parecia uma gesta gloriosa, devida à clarividência de um punhado de heróis. Hoje, passada essa época em que se atribuía carácter divino à soberania nacional, sabe-se melhor o que aconteceu: a Catalunha e a Andaluzia revoltaram-se contra o domínio de Castela e o Rei de Espanha teve de escolher. Como optou pela Catalunha, o parêntese aberto em 1581 fechou-se em 1640 e Portugal voltou a ser independente. E assim se conservou, até hoje.

A história é feita de diferenças, de independências e de amizades. Faz parte do plano divino que cada pessoa, cada família, cada cidade, cada nação, tenha o seu próprio estilo. Pedro Aguiar Pinto, promotor de um conhecido blogue intitulado «Povo», inspirou-se numa frase da radiomensagem de Pio XII no Natal de 1944: «O povo opõe-se à massa, vive da liberdade e da consciência de cada um». De facto, a verdadeira multidão não é a massa indistinta – marchando ao estilo das paradas comunistas, com fatos de macaco da mesma cor –, num povo livre, a espontaneidade individual harmoniza-se com o contributo dos outros para enriquecer o conjunto.»
Santo Agostinho notou que cada espécie animal actua invariavelmente de maneira uniforme. Conhecem-se os pássaros pela forma dos seus ninhos, os animais pelas suas tocas, mas as construções humanas são todas diferentes. Porquê? A razão é que Deus nos criou livres para que a diversidade acontecesse. Nas sociedades humanas, a uniformidade é o fruto da preguiça, da desistência de fazer render os próprios talentos. As mentes catalogadas, repetitivas, são asfixiantes. Não sentimos uma rejeição instintiva quando entramos num bairro em que todos os edifícios são iguais? Numa praça em que todas as pessoas vestem da mesma maneira?

Há uma razão para não dar valor à cópia de uma obra de arte. É verdade que, com um pouco de técnica, é possível pintar quadros iguais às maiores obras-primas, esculturas indistintas das melhores esculturas do mundo. Há cópias tão perfeitas que os próprios especialistas ficam com dúvidas sobre qual das versões é verdadeira. Fazer um museu com peças copiadas seria baratíssimo... Contudo, Deus não nos criou livres para fazermos cópias mas para sermos originais. Cada um de nós está chamado a dar um contributo singular, que só ele pode dar.

Alguns amigos recordam um almoço com S. Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei, que, sendo espanhol, no final, brindou com eles por Aljubarrota, símbolo da independência portuguesa. Do ponto de vista dele, foi graças a essa independência que a mensagem do Evangelho se estendeu-se por mais regiões do mundo. Realmente, a visão dos santos supera a perspectiva dos pequenos interesses, acolhe a diversidade das pessoas e das sociedades como fonte de riqueza espiritual e cultural. Os santos vêem o mundo com os olhos de Deus e, também por isso, Deus revê-Se neles.

Foi este um dos temas da viagem apostólica do Papa Francisco a Myanmar:
– «Que belo, ver os irmãos unidos. Unidos não significa iguais. A unidade não é uniformidade (...). Cada um tem os seus próprios valores, as suas riquezas e também as suas carências. (...) A paz constrói-se com o coro das diferenças».

– «A paz é isto: a harmonia, a harmonia. Neste nosso tempo, experimentamos uma tendência mundial para a uniformidade, para fazer tudo igual. Isso é matar a humanidade. É uma colonização cultural. Temos de compreender a riqueza das nossas diferenças e perceber que dessas diferenças surge o diálogo».

– «Não devemos ter medo das diferenças. Um é o nosso Pai. Nós somos irmãos. E se discutimos, discutamos como irmãos. Estimemo-nos como irmãos. Penso que só assim se constrói a paz. Procurai construir a paz. Não vos deixeis uniformizar pela colonização cultural. A verdadeira harmonia divina faz-se com as diferenças».

Resumindo tudo isto, algumas agências de comunicação noticiaram que o Papa se tinha esquecido de falar de paz em Myanmar.
José Maria C.S. André
03-XII-2017
Spe Deus

Evangelho do dia 3 de dezembro de 2018

Tendo entrado em Cafarnaum, aproximou-se d'Ele um centurião, e fez-Lhe uma súplica, dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre muito». Jesus disse-lhe: «Eu irei e o curarei». Mas o centurião, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; diz, porém, uma só palavra, e o meu servo será curado. Pois também eu sou um homem sujeito a outro, mas tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: “Vai”, e ele vai; e a outro: “Vem”, e ele vem; e ao meu servo: “Faz isto”, e ele o faz». Jesus, ouvindo estas palavras, admirou-Se, e disse para os que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não achei fé tão grande em Israel. Digo-vos, pois, que virão muitos do Oriente e do Ocidente, e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus.

Mt 8, 5-11