Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Seja a Luz do Mundo

A diferença

A independência de Portugal comemora-se anualmente no dia 1 de Dezembro, sem grande entusiasmo. Num recanto aconchegado da capital, discursam três ou quatro personalidades, comparecem uns populares patriotas e espreitam os turistas. Que é aquilo? Que faz ali aquela meia dúzia de pessoas com gravata? Há muitos anos que a cerimónia deixou de ser notícia e a maioria dos lisboetas ignora aquela tradição.

Na história que se ensinava nas escolas há umas décadas, a Restauração da Independência, a 1 de Dezembro de 1640, parecia uma gesta gloriosa, devida à clarividência de um punhado de heróis. Hoje, passada essa época em que se atribuía carácter divino à soberania nacional, sabe-se melhor o que aconteceu: a Catalunha e a Andaluzia revoltaram-se contra o domínio de Castela e o Rei de Espanha teve de escolher. Como optou pela Catalunha, o parêntese aberto em 1581 fechou-se em 1640 e Portugal voltou a ser independente. E assim se conservou, até hoje.

A história é feita de diferenças, de independências e de amizades. Faz parte do plano divino que cada pessoa, cada família, cada cidade, cada nação, tenha o seu próprio estilo. Pedro Aguiar Pinto, promotor de um conhecido blogue intitulado «Povo», inspirou-se numa frase da radiomensagem de Pio XII no Natal de 1944: «O povo opõe-se à massa, vive da liberdade e da consciência de cada um». De facto, a verdadeira multidão não é a massa indistinta – marchando ao estilo das paradas comunistas, com fatos de macaco da mesma cor –, num povo livre, a espontaneidade individual harmoniza-se com o contributo dos outros para enriquecer o conjunto.»
Santo Agostinho notou que cada espécie animal actua invariavelmente de maneira uniforme. Conhecem-se os pássaros pela forma dos seus ninhos, os animais pelas suas tocas, mas as construções humanas são todas diferentes. Porquê? A razão é que Deus nos criou livres para que a diversidade acontecesse. Nas sociedades humanas, a uniformidade é o fruto da preguiça, da desistência de fazer render os próprios talentos. As mentes catalogadas, repetitivas, são asfixiantes. Não sentimos uma rejeição instintiva quando entramos num bairro em que todos os edifícios são iguais? Numa praça em que todas as pessoas vestem da mesma maneira?

Há uma razão para não dar valor à cópia de uma obra de arte. É verdade que, com um pouco de técnica, é possível pintar quadros iguais às maiores obras-primas, esculturas indistintas das melhores esculturas do mundo. Há cópias tão perfeitas que os próprios especialistas ficam com dúvidas sobre qual das versões é verdadeira. Fazer um museu com peças copiadas seria baratíssimo... Contudo, Deus não nos criou livres para fazermos cópias mas para sermos originais. Cada um de nós está chamado a dar um contributo singular, que só ele pode dar.

Alguns amigos recordam um almoço com S. Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei, que, sendo espanhol, no final, brindou com eles por Aljubarrota, símbolo da independência portuguesa. Do ponto de vista dele, foi graças a essa independência que a mensagem do Evangelho se estendeu-se por mais regiões do mundo. Realmente, a visão dos santos supera a perspectiva dos pequenos interesses, acolhe a diversidade das pessoas e das sociedades como fonte de riqueza espiritual e cultural. Os santos vêem o mundo com os olhos de Deus e, também por isso, Deus revê-Se neles.

Foi este um dos temas da viagem apostólica do Papa Francisco a Myanmar:
– «Que belo, ver os irmãos unidos. Unidos não significa iguais. A unidade não é uniformidade (...). Cada um tem os seus próprios valores, as suas riquezas e também as suas carências. (...) A paz constrói-se com o coro das diferenças».

– «A paz é isto: a harmonia, a harmonia. Neste nosso tempo, experimentamos uma tendência mundial para a uniformidade, para fazer tudo igual. Isso é matar a humanidade. É uma colonização cultural. Temos de compreender a riqueza das nossas diferenças e perceber que dessas diferenças surge o diálogo».

– «Não devemos ter medo das diferenças. Um é o nosso Pai. Nós somos irmãos. E se discutimos, discutamos como irmãos. Estimemo-nos como irmãos. Penso que só assim se constrói a paz. Procurai construir a paz. Não vos deixeis uniformizar pela colonização cultural. A verdadeira harmonia divina faz-se com as diferenças».

Resumindo tudo isto, algumas agências de comunicação noticiaram que o Papa se tinha esquecido de falar de paz em Myanmar.
José Maria C.S. André
03-XII-2017
Spe Deus

Evangelho do dia 3 de dezembro de 2018

Tendo entrado em Cafarnaum, aproximou-se d'Ele um centurião, e fez-Lhe uma súplica, dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre muito». Jesus disse-lhe: «Eu irei e o curarei». Mas o centurião, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; diz, porém, uma só palavra, e o meu servo será curado. Pois também eu sou um homem sujeito a outro, mas tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: “Vai”, e ele vai; e a outro: “Vem”, e ele vem; e ao meu servo: “Faz isto”, e ele o faz». Jesus, ouvindo estas palavras, admirou-Se, e disse para os que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não achei fé tão grande em Israel. Digo-vos, pois, que virão muitos do Oriente e do Ocidente, e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus.

Mt 8, 5-11

domingo, 2 de dezembro de 2018

Bom Domingo do Senhor!

Nunca descuremos a nossa vida espiritual e procuremos viver como bons filhos de Deus, estejamos sempre atentos e preparados para a Sua vinda conforme nos fala o Senhor no Evangelho de hoje (Lc 21, 25-28.34-36).

O Senhor é bom e misericordioso para com aqueles que O amam e seguem!

Tempo de preparação para o Natal

Chegou o Advento. Que bom tempo para remoçar o desejo, o anelo, as ânsias sinceras pela vinda de Cristo!, pela sua vinda quotidiana à tua alma na Eucaristia! Ecce veniet!, está a chegar!, anima-nos a Igreja.
Forja, 548

Começa hoje o tempo do Advento e é bom que tenhamos considerado as insídias destes inimigos da alma: a desordem da sensualidade e a leviandade; o desatino da razão que se opõe ao Senhor; a presunção altaneira, esterilizadora do amor a Deus e às criaturas.

Todas estas disposições de ânimo são obstáculos certos e o seu poder perturbador é grande. Por isso a liturgia faz-nos implorar a misericórdia divina: a ti elevo a minha alma, Senhor, meu Deus. E em ti confio; não seja eu confundido! Não riam de mim os meus inimigos (Sal 24, 1-3) rezamos no intróito. E na antífona do ofertório iremos repetir: espero em ti,; que eu não seja confundido!

Agora que se aproxima o tempo da salvação, dá gosto ouvir dos lábios de S. Paulo: depois de Deus, Nosso Salvador, ter manifestado a sua benignidade e o seu amor para com os homens, libertou-nos, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia (Tit 3, 5).
Cristo que passa, 7

Olhai e levantai as vossas cabeças porque está próxima a vossa redenção (Lc 21, 28), lemos no Evangelho. O tempo do Advento é o tempo da esperança. Todo o panorama da nossa vocação cristã, a unidade de vida que tem como nervo a presença de Deus, Nosso Pai, pode e deve ser uma realidade diária.

Nada mais queria dizer-vos neste primeiro domingo do Advento, quando já começamos a contar os dias que nos aproximam do Natal do Salvador. Vimos a realidade da vocação cristã, ou seja, como o Senhor confiou em nós para levar as almas à santidade, para as aproximar d'Ele, para as unir à Igreja e estender o reino de Deus a todos os corações. O Senhor quer-nos entregues, fiéis, dedicados, com amor. Quer-nos santos, muito seus.
Cristo que passa, 11

Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei (Act. II, 11), uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2, 14), a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.

É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé, aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.
Cristo que passa, 13

Procura a união com Deus e enche-te de esperança - virtude segura! -, porque Jesus te iluminará, mesmo na noite mais escura, com a luz da sua misericórdia.
Forja, 293

São Josemaría Escrivá