Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 9 de setembro de 2017

Homilia Santa Missa em Medelín

Queridos irmãos e irmãs!

Na Missa de quinta-feira em Bogotá, ouvimos a chamada de Jesus aos seus primeiros discípulos; esta parte do evangelho de Lucas, que começa com aquela narração, culmina com a chamada dos Doze. Entre estes dois acontecimentos, que nos recordam os evangelistas? Recordam que este caminho de seguimento supôs nos primeiros seguidores de Jesus muito esforço de purificação. Alguns preceitos, proibições e mandamentos davam-lhes segurança; cumprir determinados ritos e práticas dispensava-os da preocupação de se interrogar: Que agrada ao nosso Deus? Jesus, o Senhor, indica-lhes que obedecer é caminhar atrás d’Ele, o que os fazia deparar com leprosos, paralíticos, pecadores. Estas realidades requeriam muito mais do que uma receita, uma norma estabelecida. Aprenderam que ir atrás de Jesus implica outras prioridades, outras considerações para servir a Deus. Para o Senhor, como também para a primitiva comunidade, é de suma importância que, se nos dizemos discípulos, não estejamos agarrados a um certo estilo, a certas práticas que nos aproximam mais do modo de ser dalguns fariseus de então que do modo de ser de Jesus. A liberdade de Jesus contrasta com a falta de liberdade dos doutores da lei daquele tempo, que estavam paralisados por uma interpretação e prática rigoristas da lei. Jesus não Se limita a uma atuação aparentemente «correta», mas leva a lei à sua plenitude; e, por isso, quer colocar-nos nessa direção, nesse estilo de seguimento que implica ir ao essencial, renovar-se e envolver-se. São três atitudes que devemos plasmar na nossa vida de discípulos.

A primeira: ir ao essencial. Isto não significa «cortar com tudo» o que não se nos adapta, pois Jesus também não veio revogar a lei, mas levá-la à sua plenitude (cf. Mt 5, 17); trata-se, antes, de caminhar em profundidade rumo ao que conta e tem valor para a vida. Jesus ensina que a relação com Deus não pode ser uma fria aderência a normas e leis, nem o cumprimento de certos atos exteriores que não conduzem a uma mudança real de vida. O nosso discipulado não pode ser motivado simplesmente por um costume, porque dispomos dum certificado de batismo, mas deve partir duma experiência viva de Deus e do seu amor. O discipulado não é algo de estático, mas um movimento contínuo para Cristo; não é simplesmente a aderência à explicitação duma doutrina, mas a experiência da presença amorosa, viva e operante do Senhor, uma aprendizagem permanente através da escuta da sua Palavra. E esta Palavra, como ouvimos, impõe-nos cuidar das necessidades concretas dos nossos irmãos: pode ser a fome de quem vive ao nosso lado (assim o vimos no texto proclamado hoje: cf. Lc 6, 1-5), ou a doença como se vê na narração que Lucas apresenta a seguir.

A segunda palavra: renovar-se. Como Jesus «instava» com os doutores da lei para que saíssem da sua rigidez, também agora a Igreja é «instada» pelo Espírito para que deixe as suas comodidades e amarras. A renovação não nos deve meter medo. A Igreja está sempre em renovação (Ecclesia semper reformanda). Não se renova como lhe apetece, mas fá-lo «sólida e firme na fé, sem se deixar afastar da esperança do Evangelho que ouviu» (cf. Col 1, 23). A renovação implica sacrifício e coragem, não para nos considerarmos melhores ou impecáveis, mas para respondermos melhor à chamada do Senhor. O Senhor do sábado, a razão de ser de todos os nossos mandamentos e preceitos, convida-nos a ponderar as normas quando está em jogo segui-Lo a Ele; quando as suas chagas abertas, o seu grito de fome e sede de justiça nos interpelam e impõem respostas novas. E, na Colômbia, há tantas situações que reclamam, dos discípulos, o estilo de vida de Jesus, particularmente o amor traduzido em atos de não-violência, de reconciliação e de paz.

A terceira palavra: envolver-se. Envolver-se, ainda que para alguns isso pareça sujar-se, manchar-se. Como David e os seus homens que entraram no templo porque tinham fome e os discípulos de Jesus entraram na seara e comeram as espigas, também hoje nos é pedido que cresçamos em ousadia, numa coragem evangélica que brota de saber que são muitos os que têm fome, fome de Deus, fome de dignidade, porque dela foram despojados. E, como cristãos, ajudá-los a saciar-se de Deus; não lhes dificultar nem proibir esse encontro. Não podemos ser cristãos que levantam continuamente a bandeira de «Passagem Proibida», nem considerar que esta parcela é minha, apoderando-me de algo que absolutamente não é meu. A Igreja não é nossa, é de Deus; Ele é o dono do templo e da seara; todos têm um lugar, todos são convidados a encontrar, aqui e entre nós, o seu alimento. Somos meros «servidores» (cf. Col 1, 23) e não podemos ser quem dificulta esse encontro. Pelo contrário, Jesus pede-nos como fez aos seus discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mt 14, 16); tal é o nosso serviço. Bem compreendeu isto Pedro Claver, que celebramos hoje na Liturgia e, amanhã, venerarei em Cartagena. «Escravo dos negros para sempre»: foi o seu lema de vida, porque compreendeu, como discípulo de Jesus, que não podia ficar indiferente perante o sofrimento dos mais abandonados e ultrajados do seu tempo, mas tinha de fazer algo para o aliviar.

Irmãos e irmãs, a Igreja na Colômbia é chamada a comprometer-se, com mais ousadia, na formação de discípulos missionários, como foi indicado por nós, Bispos reunidos em Aparecida no ano de 2007. Discípulos que saibam ver, julgar e agir, como propunha aquele documento latino-americano que nasceu nestas terras (cf. Medellín, 1968). Discípulos missionários que sabem ver sem miopias hereditárias; que examinam a realidade com os olhos e o coração de Jesus, e julgam a partir daí. E que arriscam, atuam, comprometem-se.

Vim aqui precisamente para vos confirmar na fé e na esperança do Evangelho: permanecei firmes e livres em Cristo, de tal modo que O espelheis em tudo o que fizerdes; abraçai com todas as vossas forças o seguimento de Jesus, conhecei-O, deixai-vos convocar e instruir por Ele, anunciai-O com grande alegria.

Peçamos por intercessão da nossa Mãe, Nossa Senhora da Candelária, que nos acompanhe no nosso caminho de discípulos, para que, colocando a nossa vida em Cristo, sejamos simplesmente missionários que levem a todos a luz e a alegria do Evangelho.

Felicidade

Para mim o que é a felicidade?

Diria que, sobretudo, é uma satisfação íntima, interior, que me traz tranquilidade.

Parece uma definição simples e pouco elaborada
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Não cedo à tentação de entrar em considerandos mais ou menos subjectivos – mas nem por isso menos verdadeiros – e volto, portanto a afirmar: ser feliz é estar tranquilo.

É que, na verdade, não me parece, que possa existir uma coisa sem a outra, ou, talvez melhor dito, não é possível ser feliz sem estar tranquilo.

A tranquilidade pode resumir-se na certeza de que o que faço, penso ou desejo, é exequível, está ao meu alcance, não num futuro qualquer que não sei se existirá, mas hoje, agora!

Assim, o que possa desejar será, em princípio absolutamente legítimo mas, mais que isso, lógico porque se trata de que o que sinto – sei de certeza - me faz falta para ficar mais coerente, humano, atingindo a unidade de vida com que sonho.

Repito: faz-me falta!

Talvez que aqui esteja a “chave” da questão: o que me faz falta para ser o que desejo ser.

Logo, para mim, a felicidade, é este conhecimento, esta certeza: Unidade de vida!

(ama, reflexões, 23.06.2016)

O optimismo cristão

Temos de ser optimistas, mas com um optimismo que nasce da fé no poder de Deus.

O optimismo cristão não é um optimismo adocicado, nem tão pouco uma confiança humana em que tudo correrá bem.
É um optimismo que mergulha as suas raízes na consciência da liberdade e na segurança do poder da graça; um optimismo que leva a exigirmo-nos a nós próprios, a esforçarmo-nos por corresponder em cada instante aos chamamentos de Deus. (Forja, 659)

Tarefa do cristão: afogar o mal em abundância de bem. Nada de fazer campanhas negativas, nem de ser anti-nada. Pelo contrário: viver de afirmação, cheios de optimismo, com juventude, alegria e paz; olhar para todos com compreensão: os que seguem Cristo e os que O abandonam ou não O conhecem.
Compreensão, porém, não significa abstencionismo, nem indiferença, mas actividade. (Sulco, 864)

O Senhor – repito – deu-nos o mundo por herança. Temos de ter a alma e a inteligência despertas; temos de ser realistas, sem derrotismos. Só uma consciência cauterizada, só a insensibilidade produzida pela rotina, só o estouvamento frívolo podem permitir que se contemple o mundo sem ver o mal, a ofensa a Deus, o dano por vezes irreparável para as almas. É preciso sermos optimistas, mas com um optimismo que nasça da fé no poder de Deus – Deus não perde batalhas – com um optimismo que não proceda da satisfação humana, duma complacência néscia e presunçosa. (Cristo que passa, 123)

A alegria, o optimismo sobrenatural e humano, são compatíveis com o cansaço físico, com a dor, com as lágrimas – porque temos coração –, com as dificuldades na nossa vida interior ou na tarefa apostólica.
Ele, «perfectus Deus, perfectus homo», perfeito Deus e perfeito homem, que tinha toda a felicidade do Céu, quis experimentar a fadiga e o cansaço, o pranto e a dor..., para que percebermos que para ser sobrenaturais temos de ser muito humanos. (Forja, 290)

Nosso Senhor quis que os seus filhos, que recebemos o dom da fé, manifestemos a visão optimista original da criação, o «amor ao mundo» que palpita no cristianismo.
Portanto, não deve faltar nunca entusiasmo no teu trabalho profissional nem no teu empenho por construir a cidade temporal. (Forja, 703)

Esse desalento, porquê? Pelas tuas misérias? Pelas tuas derrotas, às vezes contínuas? Por uma queda grande, grande, que não esperavas?
Sê simples. Abre o coração. Olha que não está tudo perdido. Ainda podes continuar, e com mais amor, com mais carinho, com mais fortaleza.
Refugia-te na filiação divina: Deus é teu Pai amantíssimo. Esta é a tua segurança, o ancoradouro onde lançar a âncora, aconteça o que acontecer na superfície deste mar da vida. E encontrarás alegria, força, optimismo, vitória! (Via Sacra, 7, 2)

Dantes eras pessimista, indeciso e apático. Agora, estás totalmente transformado: sentes-te audaz, optimista, seguro de ti mesmo..., porque finalmente te decidiste a buscar o teu apoio só em Deus. (Sulco, 426)

São Josemaría Escrivá

Teresa de Calcutá e Diana de Gales, 20 anos depois

Queira Deus que a vida infeliz de Diana e a sua tristíssima morte tenham desmentido, de uma vez por todas, o disparatado conto da menina que, por casar com um príncipe, é muito feliz para sempre.

Foi no dia 5 de Setembro de 1997 que o mundo foi surpreendido com a morte da Madre Teresa de Calcutá, fundadora das Missionárias da Caridade e prémio Nobel da Paz, que a 26 de Agosto completara 87 anos. Alguns dias antes, mais precisamente no último dia do mês de Agosto desse ano, uma outra notícia chocante, no sentido mais literal e dramático do termo, causou consternação mundial: Diana Spencer, princesa de Gales pelo seu casamento com o herdeiro do trono britânico, morreu em Paris, vítima de um brutal acidente automobilístico.

Há quem diga que, para Deus, não há coincidências. A verdade é que nada faria suspeitar que aquelas duas pessoas tão diferentes, se iriam encontrar em vida e também na hora da morte. Com efeito, não obstante pertencerem a diferentes confissões cristãs, a princesa Diana tinha procurado na Madre Teresa algum apoio. Por sua vez, a santa dos mendigos de Calcutá morreu quando estava, precisamente, a preparar uma cerimónia religiosa em sufrágio da sua amiga Diana, falecida apenas uns dias antes. Não era de esperar esta amizade, mas a fama da benemérita religiosa católica já há muito tinha ultrapassado as fronteiras da sua Igreja, sendo mundialmente reconhecida e respeitada pela sua santidade. Também foi, como é da praxe em relação aos verdadeiros discípulos de Cristo, violentamente criticada, sobretudo pela sua denúncia dos excessos da sociedade consumista e pela sua corajosa defesa do direito à vida dos nascituros.

Diana Frances Spencer, também conhecida por Lady Di, e Agnes Gonxhe Bojaxhiu que, em religião, foi a Madre Teresa de Calcutá, estavam, em termos humanos, nos antípodas: Diana era jovem, elegante, bonita e princesa; Teresa era idosa, pequenina, e – que me desculpem os que, como eu, são devotos da santa – bastante feia. Enquanto Diana vivia entre reis e príncipes, morava em palácios reais, vestia lindamente e usava diademas e outras jóias magníficas, Teresa de Calcutá percorria os bairros de lata, entre os mendigos mais miseráveis, sempre vestida com o seu pobre sari branco debruado a azul, com um único adereço: um pequeno crucifixo ao ombro.

Paradoxo: aquela que tudo tinha para ser feliz, não o era; e, aquela que nada tinha do que muitos entendem indispensável para a felicidade, era felicíssima! Com efeito, a princesa, apesar de todo o glamour e esplendor da sua condição real, era uma pessoa profundamente infeliz, mas a pequenina religiosa, sem quaisquer bens, nem beleza que atraísse, irradiava uma alegria que a ninguém deixava indiferente.

No momento do acidente fatal, dadas também as circunstâncias trágicas em que o mesmo ocorreu – curiosamente, no parisiense túnel d’Alma! – foram inúmeras as manifestações de pesar pela morte da princesa de Gales. Com a morte de Teresa de Calcutá aconteceu outro tanto e, desde então, a sua popularidade só tem aumentado, graças também à sua beatificação em 2003, escassos seis anos depois da sua morte. Treze anos depois, em 2016, Agnes Bojaxhiu foi canonizada, depois de comprovado, científica e teologicamente, mais um milagre atribuído à sua intercessão.

Vinte anos volvidos sobre a tragédia que vitimou a princesa Diana e sobre a santa morte da Madre Teresa de Calcutá, talvez seja hora de fazer o balanço, certamente provisório, destas duas vidas tão diferentes que Deus, mais do que o calendário, juntou no seu derradeiro momento. Talvez seja chegada a altura de reconhecer que os nossos sonhos de poder, riqueza, fama e beleza mais não são do que pesadelos do egoísmo, porque incapazes de encher de felicidade o coração humano. Mas, quantas jovens, se lhes fosse dado escolher ser Diana de Gales ou Teresa de Calcutá, fariam sua esta última opção?! Quantos pais, até católicos, prefeririam uma filha missionária da caridade a uma filha princesa do Reino Unido?!

Talvez a infeliz vida e tristíssima morte de Diana de Gales tenha desmentido, de uma vez por todas, o disparatado conto da menina que, qual gata borralheira, casa com um príncipe e é muito feliz para sempre. Talvez seja chegado o momento de reconhecer, neste vigésimo aniversário da morte de Santa Teresa de Calcutá e da princesa Diana, que a verdadeira felicidade não está na beleza, nem na fama, nem na riqueza, nem na saúde, nem na juventude ou na elegância, mas em amar, mesmo quando se é pobre, velho, sem beleza física e, até, se vive entre os mais pobres dos pobres.

Também pode haver, e é urgente que haja, muitas princesas e rainhas santas, como a Rainha Santa Isabel de Portugal e a Santa Joana, princesa, bem como ‘primeiras damas’, governantes e deputadas que sejam igualmente virtuosas. O importante não é ter, mas ser; não é brilhar, mas servir; não é procurar a própria felicidade, mas fazer felizes os outros porque, como Jesus Cristo ensinou há dois mil anos, há mais alegria em dar do que em receber (Act 20, 35).

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador de 09.09.2017
(seleção de imagem 'Spe Deus')

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz (breviário)

Onde há ódio, que eu leve o Amor;
Onde há ofensa, que eu leve o Perdão;
Onde há discórdia, que eu leve a união;
Onde há dúvida, que eu leve a Fé.

Onde há erro, que eu leve a Verdade;
Onde há desespero, que eu leve a Esperança;
Onde há tristeza, que eu leve a Alegria;
Onde há trevas, que eu leve a Luz.

Oh Mestre, fazei que eu procure menos
Ser consolado do que consolar;
Ser compreendido do que compreender;
Ser amado do que amar.

Porque é dando que se recebe;
É perdoando que se é perdoado;
É morrendo que se ressuscita
Para a Vida Eterna.