Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

“Meus filhos, aquele ignem veni mittere in terram, vim trazer fogo à terra, deve-nos queimar a alma. E temos de estar decididos, absolutamente decididos, a dizer ao Senhor: ecce ego quia vocasti me!, aqui me tens!, porque me chamaste a ser cristão”, diz perante milhares de pessoas em Caracas, Venezuela

O Samaritano


Lc 10, 25-27 [i]
Próximos do próximo

Sou um samaritano e o que hoje aconteceu
comigo, tem a sua raiz há tempos atrás.

Vivia com a minha família em Sicar.
A minha vida corria bem, os negócios
prosperavam, embora tivesse que deslocar-me com frequência a Jericó o que era
assaz perigoso dada a frequência dos assaltos e atropelos praticados pelos mal
feitores que infestavam o caminho.

Um dia, sem aviso, comecei a notar sinais
alarmantes no meu corpo e, depois de observado pelo médico as suspeitas
confirmaram-se: estava a ser “atacado” pelo terrível flagelo da lepra.

Como se calcula, toda a minha vida se
transformou, não ousava sair de casa e evitava qualquer contacto com outras
pessoas sempre à espera que a minha doença fosse conhecida pelas autoridades
que me obrigariam a um exílio e imporiam uma segregação social extrema.

Um dia, porém, não pude deixar de assomar a
uma janela de minha casa para verificar a que se devia o burburinho e agitação
que percorria toda a aldeia.

Uma mulher, no meio do povo que a rodeava
cada vez em maior número contava entre lágrimas e risos, numa excitação quase
frenética, algo espantoso.

Dizia ela que tendo ido buscar água ao poço
de Jacob encontrara um judeu sentado na borda do poço que, sem mais, lhe pediu
de beber. [i]

Na sua surpresa argumentara:

«Como, sendo Tu judeu, me pedes de
beber a mim, que sou samaritana?»

[ii]

Mas,
continuava, a resposta foi ainda mais surpreendente de tal forma que regressara
a correr à aldeia a dar conta do sucedido e acrescentava:

«Vinde ver um homem que me disse
tudo o que eu fiz; será este, porventura, o Cristo?».
[iii]

Muitos ficaram excitados e correram atrás
da mulher em direcção ao poço, outros continuaram discutindo entre si tão
insólita novidade.

Eu recolhi-me de novo dentro de casa sem
saber o que pensar mas, dentro de mim algo me dizia que este assunto não
acabaria ali.

A doença avançava com rapidez e, tal como
temia, as autoridades vieram, forçaram-me a sair de casa e ir para uma furna
onde mal viviam outros dez homens com o mesmo mal.

Desesperava… as condições de vida eram
insuportáveis, ninguém ousava aproximar-se de nós e os escassos alimentos eram
atirados do alto da ravina como se fossemos animais perigosos.

Um dia, passado algum tempo, ouviam-se
gritos e agitação no caminho que passava perto do local onde nos encontrávamos
e, um de nós, arriscou-se a subir ao parapeito a dar-se conta do que acontecia.

Regressou e, ofegante, disse-nos que o tal
homem de que a mulher falara vinha pelo caminho seguido por uma multidão de
gente que o apertava e assediava com perguntas. [iv]

Tomámos uma decisão e, os dez, subimos ao
caminho e gritámos de longe:

«Jesus, Mestre, tem compaixão de
nós!» [v]
Ele viu-nos e disse-nos:
«Ide, mostrai-vos aos sacerdotes» [vi]
Não pensámos mais e
pusemo-nos imediatamente a caminho.
Dei-me conta então que o meu
corpo coberto de chagas estava limpo, a pele sã e – espantoso! – não havia
qualquer sinal de lepra!
Parei de repente e, enquanto
os outros continuavam a caminhar, voltei para trás quase gritando incontrolavelmente
graças ao Senhor Deus Todo Poderoso que operara em mim tal maravilha.
Rompendo pelo meio dos que o
rodeavam e prostrei-me a seus pés continuando a dar graças. [vii]
E foi então que a minha vida
se modificou radicalmente porque, o Mestre, disse-me simplesmente:
«Levanta-te, vai; a tua fé te
salvou».
[viii]
Sempre que tinha uma oportunidade ocorria
ao local onde me diziam que Ele estava a pregar, a ensinar, a anunciar que o
Reino de Deus estava próximo e que todos – absolutamente todos – os homens
devemos amar-nos uns aos outros.

A normalidade tinha regressado à minha vida
e retomando os meus negócios recomecei as minhas viagens a Jericó.

E, hoje, o que aconteceu – o que me
aconteceu – ao ver um pobre desgraçado estendido no chão, maltratado e ferido
por salteadores foi aproximar-me dele e prestar-lhe o auxílio que estava nas
minhas mãos prestar-lhe. [ix]

Agora, descansa na estalagem para onde o
levei e, eu, já deitado, sinto-me tão bem comigo próprio, tão – porque não
admiti-lo - orgulhoso com o meu comportamento que não posso deixar de pensar no Nazareno que me deu tão preciosa lição de vida que resumirei assim:

“Faz aos outros o que desejas que te façam
a ti”
.

(ama,
reflexões no Ano Jubilar da Misericórdia – 2)



[i] Lc 10, 25-27

Nota: Este trecho do Evangelho escrito por São Lucas poderia ser o Evangelho “oficial” do Ano Jubilar da Misericórdia.

De facto, aparte a magistral descrição da parábola proferida por Jesus Cristo, a beleza do texto, a economia das palavras, o ritmo da descrição – características deste Evangelista – põem-nos perante um autêntico quadro ou, melhor, perante um filme que se desenrola aos nossos olhos prendendo-nos a atenção e excitando os nossos sentidos.

São Josemaria recomendou: aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais

É isso mesmo que me proponho fazer.

Sob o Título: “Próximos do próximo (sugerido por um bom amigo) vou tentar personificar alguns dos personagens da parábola e, também, introduzir-me nela como observador directo.

[i] Cfr. Jo 4, 7
[ii] Cfr. Jo 4, 9
[iii] Cfr. Jo 4, 29
[iv] Cfr. Lc 17, 11
[v] Cfr. Lc 17, 13
[vi] Cfr. Lc 17, 14
[vii] Cfr. Lc 17, 15-16
[viii] Cfr. Lc 17, 19
[ix] Cfr. Lc 10, 33-35

O Evangelho do dia 9 de fevereiro de 2017

Partindo dali, foi Jesus para os confins de Tiro e de Sidónia. Tendo entrado numa casa, não queria que ninguém o soubesse, mas não pôde ocultar-Se, pois logo uma mulher, cuja filha estava possessa do espírito imundo, logo que ouviu falar d'Ele, foi lançar-se a Seus pés. Era uma mulher gentia, de origem sirofenícia. Suplicava-lhe que expulsasse da sua filha o demónio. Jesus disse-lhe: «Deixa que primeiro sejam fartos os filhos, porque não está certo tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães». Mas ela respondeu-Lhe: «Assim é, Senhor, mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, das migalhas que caem dos filhos». Ele disse-lhe: «Por esta palavra que disseste, vai, que o demónio saiu da tua filha». Voltando para casa, encontrou a menina deitada na cama, e o demónio tinha saído dela.

Mc 7, 24-30

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Audiência geral (resumo)

LocutorNão se aprende, sozinho, a esperar. Não é possível. A esperança, para se alimentar, precisa dum «corpo», no qual os vários membros se apoiem e animem mutuamente. Isto significa que esperamos, porque muitos irmãos e irmãs nos ensinaram a esperar e mantiveram viva a nossa esperança. A morada natural da esperança é um «corpo» solidário; no caso da esperança cristã, este corpo é a Igreja. Nela, os primeiros chamados a alimentar a esperança são aqueles a quem está confiado o cuidado e a orientação pastoral; e não por serem melhores do que os outros, mas em virtude dum ministério divino, que supera de longe as suas próprias forças. Por isso têm tanta necessidade do apoio orante, do respeito e compreensão de todos. Depois dos responsáveis, o apóstolo Paulo pede a nossa atenção aos irmãos e irmãs cuja esperança corre maior risco de apagar-se: os desanimados, os frágeis, os oprimidos pelo peso da vida e das próprias culpas que estão sem forças para se levantar. Nestes casos, a proximidade solidária da Igreja deve fazer-se ainda mais intensa e amorosa, sob as formas de compaixão, conforto e consolação. Como escreve Paulo aos Romanos, «nós, os fortes, temos o dever de carregar com as fraquezas dos que são frágeis e não procurar aquilo que nos agrada». Este dever não está circunscrito aos membros da comunidade eclesial, mas estende-se a todo o contexto civil e social como apelo a não criar muros mas pontes, a não pagar o mal com o mal mas vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão, a viver em paz com todos. Esta é a Igreja; e isto é o que realiza a esperança cristã, quando assume os lineamentos fortes e, ao mesmo tempo, ternos do amor. Ora o sopro vital, a alma desta esperança é o Espírito Santo; é Ele a moldar as nossas comunidades, num Pentecostes perene, como sinais vivos de esperança para a família humana.

Santo Padre:
Carissimi pellegrini di lingua portoghese, benvenuti! Quando Dio aveva stabilito di venire sulla terra, Glielo ha consentito il «sì» della Vergine Immacolata. Ella ha vissuto come tutte le donne del suo tempo; ma, nella propria vita semplice di ogni dì, diede libero transito a Dio. Fate come Maria: date a Dio libero transito nella vostra vita, e sarete benedetti!

Locutor: Amados peregrinos de língua portuguesa, sede bem vindos! Quando Deus decidiu vir à terra, valeu-Se do «sim» da Virgem Imaculada. Ela viveu como todas as mulheres do seu tempo; mas, na sua vida simples de cada dia, deu livre trânsito a Deus. Fazei como Maria: dai a Deus livre trânsito na vossa vida, e sereis abençoados!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1945

No 4º dia da sua estada em Portugal, São Josemaría esteve em Coimbra. Fez amizade com o Bispo. D. António Antunes mostrou-se disposto a apoiar o trabalho do Opus Dei na velha cidade universitária. Em poucos dias, estavam lançadas as sementes para o apostolado da Obra em Portugal.