Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Amor ao próximo na Quaresma e sempre

Estamos em pleno tempo quaresmal e, certamente, porque queremos ser bons fiéis de Jesus Cristo, fizemos os nossos propósitos para viver muito bem este tempo litúrgico. A Paixão e Morte do Senhor, que surge como o cume da Redenção do homem, orienta a nossa vida, que deve ser mais abnegada na oração e na preocupação pelos outros. À oração vamos buscar a intimidade com Deus, que nos ilumina a inteligência, vigoriza a vontade e purifica os nossos afectos, incentivando-os a amar o bem, a fazermos o bem e a ter como nossos, tanto quanto nos for possível, os problemas das pessoas que convivem connosco todos os dias. Por obrigação de caridade devo dar-lhes mais atenção e tentar tornar a sua vida mais agradável.

Tanto quanto dependa de mim, é a elas que me obrigo a estar mais atento perante as suas necessidades. Mais e melhor as devo compreender. E sempre, ajudar no que precisem.

Para que esta atitude se torne realidade, tenho de saber que os meus juízos sobre elas só lhes são benéficos, em primeiro lugar, quando correspondem à verdade e jamais a algumas impressões superficiais, fáceis de aceitar e difíceis de dominar, quando vão unidas a algum mal-estar que o seu modo de ser me provoca. Rapidamente, confundo o que me choca com a sua realidade. E esta não pode ser positiva.

Em segundo lugar, quando o meu juízo está alicerçado na caridade, que é paciente, benigna e tudo suporta, como a define S. Paulo. Esta virtude, que deve caracterizar as atitudes dos filhos de Deus, não significa passividade ou indiferença perante os outros. Pelo contrário, é a mola do amor que lhes devo ter. E o amor quer o bem de quem sou amigo. Por isso, se algum aspecto do seu comportamento não é objectivamente adequado, devo, com suavidade e com fortaleza, fazer aquilo que Jesus Cristo nos ensinou com a correcção fraterna. Em privado, e depois de rezar longamente pela pessoa a quem a vou fazer, de me mortificar para que tudo corra da melhor forma, dir-lhe-ei com calma, suavidade e fortaleza, o que, em consciência, julgo que não está bem no seu procedimento.

Um cristão não critica: reza; não emite juízos fáceis sobre os outros, que podem ser temerários, se não são minimamente fundamentados e caluniosos se não correspondem à verdade. Além disso, a obrigação que temos é rezar pela santidade dos outros. Devo desejar, do fundo da minha alma, que os outros sejam verdadeiramente santos, isto é, bons cristãos que põem em prática o que Jesus nos legou como norma de conduta: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Não temos o mínimo dever de criticar os outros. É um vício que podemos ganhar facilmente, sempre que ao lidar com o próximo, me esqueço da sua condição de filho de Deus, que mereceu, tanto como eu, o Sangue que Cristo verteu no Calvário pela nossa Redenção. Criticar por futilidade ou por má-língua alguém é esquecer que ofendemos não apenas essa pessoa, mas sobretudo a Deus, que é seu Pai, Jesus Cristo, seu irmão, que deu a vida para que ela se salvasse e o Espírito Santo, que através do seu dom do conselho não nos inspira o juízo negativo, mas o que está de acordo com a caridade. Também Nossa Senhora, sua mãe desde a Cruz, se encherá de pena por ver um seu filho a maltratar com tanta falta de fraternidade um seu irmão.

Estamos na Quaresma, tempo de penitência e de conversão. Não será de fazer um propósito franco e corajoso para este período? Não criticar ninguém; antes, rezar por todos: por aqueles com quem simpatizo e com os que não tenho facilidade de relação.

Decerto que Deus Pai ficará contente por descobrir mais solidariedade entre os seus filhos, que Deus Filho verá com mais satisfação os resultados do Sacrifício da sua vida e Deus Espírito Santo sentirá uma maior liberdade para sugerir atitudes mais difíceis de tomar. Também a nossa Mãe, Nossa Senhora, a medianeira de todas as graças, regozijar-se-á pelas suas petições constantes pelos seus filhos que conduziram a tão salutares resoluções.

Sejamos corajosos, confiando mais na ajuda da graça de Deus do que nas nossas forças. Deus apoia todo o que quer fazer a sua vontade, mesmo que ela possa custar ou corresponder a uma espécie de marcha-atrás em relação a um vício muito assumido.  

(Pe. Rui Rosas da Silva – Prior da Paróquia de Nossa Senhora da Porta Céu em Lisboa in Boletim Paroquial de Março de 2012, seleção do título da responsabilidade do blogue) 

O Evangelho do dia 23 de fevereiro de 2016

Então, Jesus falou às multidões e aos Seus discípulos, dizendo: «Sobre a cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem, mas não imiteis as suas acções, porque dizem e não fazem. Atam cargas pesadas e impossíveis de levar, e as põem sobre os ombros dos outros homens, mas nem com um dedo as querem mover. Fazem todas as suas obras para serem vistos pelos homens. Trazem mais largas as filactérias, e mais compridas as franjas dos seus mantos. Gostam de ter os primeiros lugares nos banquetes, e as primeiras cadeiras nas sinagogas , das saudações na praça, e de serem chamados rabi pelos homens. Mas vós não vos façais chamar rabis, porque um só é o vosso Mestre, e vós sois todos irmãos. A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é o vosso Pai, O que está nos céus. Nem façais que vos chamem mestres, porque um só é o vosso Mestre, Cristo. Quem entre vós for o maior, seja vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. 

Mt 23, 1-12

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Evangelho do dia 22 de fevereiro de 2016

Tendo chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os Seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus disse-lhes: «E vós quem dizeis que Eu sou?». Respondendo Simão Pedro, disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Respondendo Jesus, disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão filho de João, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas Meu Pai que está nos céus. E Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus».

Mt 16, 13-19

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Bom Domingo do Senhor!

Roguemos ao Senhor que nos faça gozar do esplendor do Seu Reino tal como nos narra o Evangelho de hoje (Lc 9, 28b-36) e fez ver a Pedro, João e Tiago. Permite-nos, Senhor, que um dia venhamos a montar a nossa tenda junto de Ti, de Elias e Moisés!

Jesus Cristo ouvi-nos e atendei-nos!

«Levou-os, só a eles, a um monte elevado»

São João Damasceno (c. 675-749), monge, teólogo, Doutor da Igreja
Homilia para a festa da Transfiguração; PG 96, 545

Noutros tempos, no monte Sinai, o fumo, a tempestade, a escuridão e o fogo (Ex 19, 16ss.) revelavam a extrema condescendência de Deus, anunciando que Aquele que dava a Lei era inacessível [...] e que o criador Se fazia conhecer pelas suas obras. Mas agora, tudo está cheio de luz e de esplendor. Porque o artífice e o Senhor de todas as coisas veio do seio do Pai. Não abandonou a morada que Lhe pertencia, isto é, o Seu assento no seio do Pai, mas desceu para estar com os escravos. Tomou a condição de servo e tornou-se homem na sua natureza e no seu comportamento (Fil 2, 7), para que Deus, que é incompreensível para os homens, pudesse ser compreendido. Por Si e em Si, Ele mostra o esplendor da natureza divina.

Outrora, Deus tinha estabelecido o homem em união com a Sua própria graça. Quando insuflou o espírito de vida no novo homem formado do barro, quando lhe comunicou o que tinha de melhor, honrou-o com a Sua própria imagem e semelhança (Gn 1, 27). Deu-lhe o Paraíso como morada e fez dele o irmão íntimo dos anjos. Mas, como escurecemos e fizemos desaparecer a imagem divina debaixo da lama dos nossos desejos desregrados, o Misericordioso decidiu-Se a uma segunda comunhão connosco, muito mais segura e extraordinária do que a primeira. Permanecendo na elevação da Sua divindade, aceita também o que está abaixo dela, criando em Si mesmo a natureza humana; mistura o arquétipo com a imagem e, nela, mostra hoje a Sua própria beleza.

O Seu rosto resplandece como o sol porque, na Sua divindade, Ele Se identifica com a luz imaterial; por isso Se tornou o Sol de justiça (Mal 3, 20). Mas as Suas vestes tornam-se brancas como a neve, porque recebem a glória por revestimento e não por união, por relação e não por natureza. E «uma nuvem de luz os cobriu com a sua sombra» tornando sensível o resplendor do Espírito.