Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Boa noite!

Recordaremos a Jesus que somos crianças. E as crianças, as crianças pequenitas e simples, muito sofrem para subir um degrau! Aparentemente, estão ali a perder tempo. Por fim, sobem. Agora, outro degrau. Com as mãos e os pés, e com o impulso do corpo todo, conseguem um novo triunfo: outro degrau. E voltam a começar. Que esforços! Já faltam poucos..., mas, então, uma escorregadela... e ei-lo!... por aí abaixo. Toda dorida, num mar de lágrimas, a pobre criança começa, recomeça a subida. – Assim acontece connosco, Jesus, quando estamos sozinhos. Pega-nos Tu nos teus braços amáveis, como um Amigo grande e bom da criança simples; não nos deixes enquanto não chegarmos lá acima; e então – oh então! –, saberemos corresponder ao teu Amor misericordioso com audácias infantis, dizendo-te, doce Senhor, que, fora de Maria e de José, não houve nem haverá mortal – e houve-os muito loucos – que te queira como te quero eu.

(São Josemaría Escrivá - Forja, 346)

Eu vou continuando a minha oração em voz alta e vós, cada um de vós, por dentro, está confessando ao Senhor: Senhor, que pouco valho! Que cobarde tenho sido tantas vezes! Quantos erros! Nesta ocasião e naquela... nisto e naquilo... E podemos exclamar também: ainda bem, Senhor, que me tens sustentado com a tua mão, porque eu sinto-me capaz de todas as infâmias... Não me largues, não me deixes; trata-me sempre como um menino. Que eu seja forte, valente, íntegro. Mas ajuda-me, como a uma criatura inexperiente. Leva-me pela tua mão, Senhor, e faz com que tua Mãe esteja também a meu lado e me proteja. E assim, possumus!, poderemos, seremos capazes de ter-Te por modelo!

Não é presunção afirmar possumus! Jesus Cristo ensina-nos este caminho divino e pede-nos que o apreendamos porque Ele o tornou humano e acessível à nossa fraqueza. Por isso se rebaixou tanto: Este foi o motivo porque se abateu, tomando a forma de servo aquele Senhor que, como Deus, era igual ao Pai; mas abateu-se na majestade e na potência; não na bondade e na misericórdia.

A bondade de Deus quer tornar-nos fácil o caminho. Não rejeitemos o convite de Jesus; não Lhe digamos que não; não nos façamos surdos ao seu chamamento; pois não existem desculpas, não temos nenhum motivo para continuar a pensar que não podemos. Ele ensinou-nos com o seu exemplo. Portanto, peço-vos encarecidamente, meus irmãos, que não permitais que se vos tenha mostrado em vão exemplo tão precioso, mas que vos conformeis com Ele e vos renoveis no espírito da vossa alma.


(São Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 15)

A política da fraternidade (Editorial)

O antigo dito latino que exorta a preparar as armas em função da paz - si vis pacem para bellum - de certa forma ressoa na mensagem de Bento XVI para o dia mundial que será celebrado a 1 de Janeiro próximo. Mas são armas diversas das que são "destinadas a matar e a exterminar a humanidade", como ressaltava Paulo VI: são necessárias de facto "sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional". E entre estas é urgente hoje a liberdade religiosa, sobre a qual o Papa reflecte a partir dos horríveis actos de violência e intolerância que sucedem sobretudo no Iraque, mas não só.

Na mensagem papal a análise considera a situação internacional no seu conjunto e afirma amargamente que nalgumas regiões do mundo "não é possível professar e expressar livremente a própria religião". Noutras, ao contrário, a intolerância e a violência afirmam-se através de "formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e de oposição em relação aos crentes e aos símbolos religiosos".

Sem se perder em ênfases retóricas e sem demasiados exemplos, que infelizmente não seria difícil enumerar, Bento XVI inicia com uma afirmação incontestável: "Os cristãos são actualmente o grupo religioso que sofre o maior número de perseguições devido à própria fé". Como no Iraque, onde precisamente em Bagdad o "ataque vil" contra a catedral sírio-católica assassinou dois sacerdotes e exterminou cerca de cinquenta fiéis, mas também noutros países asiáticos e africanos, aos danos das minorias religiosas. Enquanto que na Europa muitas forças trabalham para renegar a história e os símbolos religiosos da maioria dos cidadãos. Espezinhando pluralismo e laicidade, com o resultado de fomentar ódio e preconceito.

Negar a liberdade religiosa e obscurecer a dimensão pública da religião gera uma sociedade injusta e vai contra a paz. A afirmação é acompanhada de uma crítica radical do relativismo moral, que "é na realidade a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos". E não aceitando fundamentalismo e laicismo - que a mensagem define "formas especulares e extremas de rejeição" do pluralismo e da laicidade - o Papa repete que as religiões desempenham um papel importante no âmbito político e cultural porque podem constituir "um importante factor de unidade e de paz".

A força das afirmações de Bento XVI baseia-se na convicção de que o mundo "precisa de Deus" e na razão, que pode ser partilhada por todos (não é por acaso que Cícero é citado num texto percorrido pela consciência da especificidade judaica e cristã). E recebendo cinco novos embaixadores junto da Santa Sé, o Papa disse com clareza que a Igreja não age como um lobby e que a sua política é uma só: a da fraternidade.

GIOVANNI MARIA VIAN - Director

(© L'Osservatore Romano - 18 de Dezembro de 2010)

L'Osservatore Romano edição em língua portuguesa de 18-XII-2010

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