Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Precariedade persistente
Precários nos querem, rebeldes nos terão." Esta frase, que há meses aparece nas nossas paredes, surpreende. Não se costumam ler por cá afirmações tão ameaçadoras. Noutros países, coisas destas são habituais, mas nós somos um povo pacato, sereno, que raramente se entrega a emoções agressivas. Nas tabernas e blogs dizem-se coisas até mais graves, mas desde os turbulentos tempos da revolução não surgem na praça pública.Antes de mais, a frase manifesta a gravidade do problema laboral. Não só o desemprego chegou ao máximo da história nacional, envolvendo quase 600 mil pessoas, mas, além dos 71 mil inactivos disponíveis que, desanimados na busca de emprego, não contam nas estatísticas, ainda há quase 900 mil trabalhadores sem contrato permanente. O total representa milhão e meio, 28% da população activa, que pretende emprego estável sem conseguir.
O fenómeno da precariedade tem passado em Portugal por fases diferentes. Nos anos 1980 e 90 sofreu uma flutuação marcada, evoluindo em simetria aos desempregados. Enquanto o desemprego subia, a precariedade descia e vice-versa. Era evidente que constituía a válvula de escape do sistema. Eram os precários que ganhavam ou perdiam emprego quando este subia ou descia.
Isso manifesta aquele que é o contributo mais forte, e mais oculto, da integração europeia para a nossa força laboral: a dualidade. A legislação comunitária, pensada para países ricos, só parcialmente pode ser aplicada por cá. Nasceu então uma elite de trabalhadores com direitos europeus, ficando o resto à margem. É essa margem precária que dá flexibilidade e permite ao mercado funcionar com desemprego muito inferior ao comunitário. Assim se finge adoptar o sistema dos parceiros, mantendo o equilíbrio à custa da injustiça.
Como é costume na hipocrisia nacional, todos sabem mas ninguém diz. Os trabalhadores desprotegidos, indispensáveis à viabilidade económica, são usados como argumento retórico mas ficam sempre à margem das políticas sociais. Entretanto, os sindicatos vão reivindicando mais direitos para os associados, esquecendo de facto quem não atinge os mínimos. Esses, incapazes de pagar quotas e sempre ameaçados de despedimento, passam ao lado dos interesses dos que os dizem representar.
Na última década, a evolução mudou, mesmo se o quadro de fundo se manteve. A partir de 2001, com o desemprego a subir, o peso dos trabalhadores a prazo, em vez de descer, aumentou todos os anos excepto nas crises de 2002-03 e 2008. Há dez anos que se situa em máximos históricos, acima de 20% do emprego por conta de outrem. Isto mostra as profundas mudanças no mercado de trabalho, não apenas por transformação estrutural, mas pela entrada de 250 mil emigrantes na década, que elevou o total de estrangeiros em Portugal a 450 mil.
Se a referida frase revela este terrível problema, falha redondamente no diagnóstico e na terapia. Inspirada no antigo mito da luta de classes e na ilusão ingénua e cómoda de um grupo de "maus" que "quer" a precariedade, anuncia rebeldia que, não só não resolveria nada, mas agravaria tudo.
É urgente uma reforma séria, profunda e realista do mercado de trabalho. Como os 900 mil precários sabem bem, garantir direitos no papel bloqueia o crescimento, única forma de criar empregos sólidos. A ilusória rigidez legal impede o ajustamento, sobretudo em época de turbulência, e prejudica todos. Pelo contrário, como se vê lá fora, uma flexibilização justa e moderada das regras, preservando os direitos essenciais, assegurando forte vigilância social e acudindo aos mais afectados, permite a justiça laboral e fomenta empregos de qualidade.
Mas, apesar de anos de fiasco evidente, os obstáculos à reforma permanecem formidáveis. Contra o realismo estão as retóricas dos autoproclamados defensores dos trabalhadores, a ilusão das seguranças aparentes e, sobretudo, os interesses dos privilegiados. É mais cómodo acusar o vácuo e prometer rebeldia. Mas a alternativa é a continuação deste marasmo social. Se rígidos se quiserem, precários continuarão
João César das Neves
(Fonte: DN online)
S. Josemaría nesta data em 1958
Durante uma estadia em Londres, em 1958, experimenta o peso da sua debilidade pessoal. “Josemaría, aqui não podes fazer nada”. Depois comentaria: “Tinha razão: eu sozinho não conseguiria nada; sem Deus, não conseguiria sequer levantar uma palha do chão. (…) De repente, no meio de uma rua por onde iam e vinham pessoas de todas as partes do mundo, dentro de mim, no fundo do meu coração, senti a eficácia do braço de Deus; tu não podes nada, mas Eu posso tudo; tu és a incapacidade, mas Eu sou a Omnipotência. Eu estarei contigo, e, haverá eficácia! levaremos as almas à felicidade, à unidade (…)! Também aqui semearemos paz e alegria abundante!”.(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)
A ECONOMIA DOS DEVERES – Mons. Hugo de Azevedo
No número 43 da encíclica «Caritas in Veritate», Bento XVI sublinha uma ideia muito importante: «Os direitos pressupõem deveres, sem os quais o seu exercício se transforma em arbítrio». Talvez nos baste recordar a definição clássica de justiça, que é: «dar o seu a seu dono»; e não «reivindicar o que é meu». Muitas vezes posso renunciar ao que é meu sem faltar à justiça; mas falto sempre à justiça quando não dou aos outros o que é deles. Logo, a justiça é primariamente um dever para com os outros; só secundariamente um direito meu: tenho direito ao trabalho, porque devo trabalhar; o direito à vida, porque devo conservá-la para pagar o que recebi de Deus, da família, da sociedade; o direito a educar os filhos, por serem os pais os primeiros responsáveis pela sua vinda ao mundo; o direito aos livros, para quem deve estudar; etc.Se reconheço o meu dever para com os outros, logo sei quais os meus direitos. Mas quando parto de mim, dos meus interesses, a lista dos direitos torna-se tão longa e confusa como a dos meus apetites. Como diz o Santo Padre, «os direitos individuais, desvinculados de um quadro de deveres, (…) enlouquecem e alimentam uma espiral de exigências praticamente ilimitada e sem critério» (ibid.). Os deveres aparecem-nos então apenas como simples compensação social dos tais direitos, e levam-nos, naturalmente, a regatear essa «paga» o mais possível, convertendo a moralidade em habilidade legalista. A sociedade começa a «funcionar» ao contrário: em vez da solidariedade, um clima de egoísmo, agressividade e até de corrupção, que conhecemos bem, infelizmente.
Se os direitos individuais procedem dos deveres, os direitos da família, do Estado, das autarquias, das empresas – de todos os «corpos intermédios», afinal - procedem e medem-se por critério idêntico. Muitas das nossas crises se explicam por vivermos para os direitos e não para os deveres. Já me dizia o velho porteiro: - «Éramos catorze filhos, de pais pobres, e nunca passámos fome. É o que eu digo a esta gente: olhem para os passarinhos; cada um a picar para comer… Cada um de nós procurava um serviço qualquer, e havia para todos! Mas esta gente nova fica para aí parada, à espera de subsídios!» Porque a verdade é que, se me dedico a servir as necessidades dos outros, não me falta trabalho; se me dedico a «realizar-me», nunca mais me aparece o trabalho ideal, por mais que o reclame do governo.
Ao esperarmos tudo do Estado, estamos a cavar a nossa própria sepultura. E, de facto, o Estado a que nos habituámos - e que supera muitos absolutismos passados – manda em tudo e muda a seu bel-prazer as próprias regras que estabeleceu, mas continuamos a esperar dele o que os servos da gleba esperavam dos velhos barões, encostando as casas às muralhas protectoras do seu senhor. Um encosto maior por cada crise… e temos a nação subjugada, e o Estado tornado presa de todos os problemas do país.
Pe. Hugo de Azevedo
Publicada por ontiano em NUNC COEPI - http://amexiaalves-nunccoepi.blogspot.com/
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