Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 20 de junho de 2010

O egoísmo escondido

Cumpres um plano de vida exigente: madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito, és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros. Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade", és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores "pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti.

(São Josemaría Escrivá - Sulco, 739)
Título da responsabilidade de JPR

Mozart Piano Concerto D minor K 466 Maria João Pires, Pierre Boulez - Mosteiro dos Jerónimos Lisboa

Muitos cristãos no mundo, vitimas de barbaridade, recordou o Papa antes da recitação do Angelus


Vídeos com locução em espanhol sendo que as palavras de Bento XVI são pronunciadas em italiano

Antes da recitação do Angelus, pouco depois do meio-dia, da janela dos seus aposentos no Palácio Apostólico, Bento XVI voltou a denunciar a realidade de tantos cristãos vitimas de violências no mundo.

“Também na época actual são muitos, no mundo, os cristãos que animados pelo amor de Deus, assumem cada dia a cruz, tanto aquela das provações quotidianas, como aquela procurada pela barbaridade humana que às vezes exige a coragem do sacrifício extremo.”

Depois da recitação do Angelus o Papa dirigiu um premente apelo para que a paz e a segurança sejam depressa restabelecidas no Quirguistão meridional, após os graves recontros ocorridos nos dias passados. Aos parentes das vitimas e a todos aqueles que sofrem por esta tragédia o Santo Padre manifestou a sua comovida proximidade assegurando a sua oração.

Convido todas as comunidades étnicas do País a renunciar a todas as provocações ou violências e peço á comunidade internacional que envide esforços para que as ajudas humanitárias possam chegar rapidamente ás populações atingidas.

Bento XVI recordou ainda que hoje a Organização das Nações Unidas celebra o Dia Mundial do Refugiado para chamar a atenção para os problemas de todos aqueles que deixaram à força a própria terra e os hábitos familiares, chegando a ambientes que muitas vezes são profundamente diferentes.

Os refugiados desejam encontrar acolhimento e ser reconhecidos na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais; ao mesmo tempo desejam oferecer o seu contributo à sociedade que os acolhe. Rezemos para que, numa justa reciprocidade, se responda de maneira adequada a tal expectativa e que eles mostrem o respeito que nutrem pela identidade das comunidades que os recebem.

(Fonte: site Radio Vaticana)

A Igreja conta com a fidelidade dos padres também no meio das dificuldades e dos sofrimentos - Bento XVI durante a ordenação na Basílica de São Pedro


O sacerdócio nunca pode representar uma maneira de atingir a segurança na vida ou para conquistar para si uma posição social. Quem aspira ao sacerdócio para um crescimento do próprio prestigio pessoal e do próprio poder compreendeu mal na raiz o sentido deste mistério. Foi o que afirmou Bento XVI na homilia proferida na manhã deste Domingo na Basílica de São Pedro por ocasião da ordenação de 14 novos padres para a diocese de Roma.

“Quem quer realizar sobretudo uma ambição própria, atingir o próprio sucesso será sempre escravo de si mesmo e da opinião publica. Para ser considerado deverá adular ; terá de dizer aquilo que a gente quer ouvir; terá de se adaptar às modas e ás opiniões e assim privar-se-à da relação vital com a verdade, reduzindo-se a condenar amanhã aquilo que terá louvado hoje. Um homem que estabeleça assim a sua vida, um padre que veja nestes termos o próprio ministério, não ama verdadeiramente Deus e os outros, mas apenas si mesmo e paradoxalmente acaba por se perder a si mesmo.

O sacerdócio – recordemo-lo sempre - baseia - se na coragem de dizer sim a uma outra vontade, consciente de fazer crescer dia após dia, que precisamente conformando-nos á vontade de Deus, imergidos nesta vontade não será cancelada a nossa originalidade mas, pelo contrario entraremos cada vez mais na verdade do nosso ser e do nosso ministério”.

A ordenação sacerdotal, recordou depois o Papa dirigindo-se aos neo-sacerdotes grava dentro do vosso ser uma lei indelével , a nova lei, uma lei que vos leva a inserir e a fazer florescer no tecido concreto das atitudes e dos gestos da vossa vida de cada dia o mesmo amor de doação de Cristo crucificado. Já com o Baptismo e agora em virtude do Sacramento da Ordem, vós revesti-vos de Cristo. A solicitude pela celebração eucarística seja acompanhada sempre – recomendou o Papa – pelo empenho por uma vida eucarística, vivida na obediência a uma única grande lei, aquela do amor que se dá em totalidade e serve com humildade, uma vida que a graça do Espírito Santo torna cada vez mais semelhante àquela de Cristo Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, servo de Deus e dos homens.

E Bento XVI observou a concluir:

Caríssimos, o caminho que o Evangelho de hoje nos indica é o caminho da vossa espiritualidade e da vossa acção pastoral, da sua eficácia e penetração, também nas situações mais difíceis e áridas Mais ainda, este é o caminho seguro para encontrar a verdadeira alegria

(Fonte: site Radio Vaticana)

O dia da morte de José Saramago

Portugal ficou mais pobre? Se a pobreza for de espírito e a julgar pelas carpideiras, sem dúvida. A morte de José Saramago iniciou uma competição de louvores e levou uma extraordinária quantidade de sujeitos, notáveis e anónimos, a elogiar um homem que, evidentemente a título elogioso, todos acham "polémico".

É verdade que Saramago tentou a polémica. E se agora muitos aconselham a separar o autor da respectiva obra, é igualmente verdade que o conselho não possui efeitos retroactivos. Após O Evangelho... e sobretudo após o Nobel, que insuflou Saramago com uma importância proporcional à importância que um país periférico dá a essas coisas, os seus romances confundem-se frequentemente com sebentas de apoio às controvérsias públicas que o autor buscava e, na maioria dos casos, obtinha. Menos lidos do que comentados, os livros de Saramago pareciam-se com uma mera versão escrita do chinfrim que o próprio anunciava ainda antes de cada publicação e se esforçava por alimentar depois.

E tudo isso para quê? Vasculha-se a imprensa e, entre a excitação dos epitáfios, não se encontra uma voz dissonante. Saramago orgulhava-se de fomentar inimigos, mas, fora dos comentários sem rosto na Internet, aparentemente não há um com a decência de aparecer e proclamar que desprezava a obra ou que detestava o autor.

Para quem se sonhou incómodo, não haverá maior traição do que partir neste sufocante consenso. Armados de panegíricos, os adversários evitam o sectarismo de que Saramago sempre padeceu, os admiradores lembram o criador perseguido (?) e esquecem o comissário político, os alucinados exaltam a "coragem" do fiel servidor de uma ditadura (felizmente breve), os sensíveis reclamam respeito post mortem por um indivíduo que venerou uma ideologia especializada no assassínio.

Eu, que nunca gostei do escritor nem do cidadão e não mudei de ideias por causa de um destino a que ninguém escapa, faço-lhe a justiça de imaginar que, caso também aí Saramago se tenha enganado e a alma seja realmente imortal, a alma dele hoje lastime tamanha unanimidade. Pela modestíssima parte que me toca, não a terá. E não precisa de agradecer.

ALBERTO GONÇALVES

(Fonte: DN online)