Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Santo Áquila e Santa Priscila

Santo Áquila e Santa Priscila moravam em Corinto e eram casados. Paulo encontrou-se com eles e ficou morando e trabalhando com o casal na fabricação de tendas. Eram originários do Ponto, e foram para Corinto quando os hebreus foram expulsos de Roma por Cláudio (41-54). Em Atos dos Apóstolos 18, temos a informação que Aquila e Priscila acompanharam Paulo de Éfeso e ali instruíram na fé em Jesus Cristo.

Arriscaram a própria vida para salvar São Paulo, conforme está escrito na Epístola aos Romanos 16,3s.: "Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, que para salvar minha vida expuseram suas cabeças. Não somente eu lhes devo gratidão, mas também todas as igrejas da gentilidade. Saudai também a Igreja que se reúne em sua casa."

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Consolar os cristãos nas suas mágoas

Ao longo destes meses, estamos a esforçar-nos por dar maior relevo à prática das obras de misericórdia. Consideremos agora uma a que Jesus Cristo se refere expressamente, ao traçar o programa do caminho cristão: as bem-aventuranças. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados [1].
Trata-se de uma obra de misericórdia que, tal como o perdão das ofensas, nos permite parecer-nos mais com Deus, imitá-Lo. Já no Antigo Testamento, o Senhor tinha dito: como alguém a quem a sua mãe consola, assim Eu vos consolarei [2]. E Jesus, na Última Ceia, manifesta esse consolo da forma mais perfeita possível, pois promete enviar o Espírito Santo, a Pessoa divina a Quem se atribui – por ser o Amor subsistente – a missão de consolar os cristãos nas suas mágoas e, em geral, de fortalecer os aflitos para superarem toda a espécie de males.
Meus filhos, observando a situação do mundo, percebemos que muitas pessoas choram, sofrem. Os dramas provocados pelas guerras causam grandes tragédias, que não nos podem deixar indiferentes: a emergência dos imigrantes ou as situações de injustiça que bradam aos céus causam muitas lágrimas. Penso, em particular, nos que estão a sofrer por defenderem a sua fé, arriscando mesmo as suas vidas.

[1]. Mt 5, 4.
[2]. Is 66, 13.

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de julho de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

quarta-feira, 6 de julho de 2022

São Thomas More foi executado nesta data em 1535

“Morro um fiel servo do Rei, mas de Deus primeiro”. Terão sido estas as últimas palavras de São Tomás More, antes de ser decapitado. A frase traduz, lealmente, a vida deste político, que chegou a ser o braço direito de Henrique VIII e que teria tido uma carreira ainda mais frutuosa, se tivesse fechado os ouvidos ao brado da sua própria consciência.

Nascido em 1478, More destacou-se como erudito homem de letras. Contra a tendência do seu tempo, defendeu que a capacidade intelectual das mulheres era igual à dos homens e deu às suas filhas uma educação rigorosa e rica.

Nomeado chanceler em 1529, foi-se tornando um colaborador cada vez mais próximo do rei. Quando começaram a chegar às ilhas britânicas ecos das revoltas de Lutero contra a Igreja, More redigiu fortes e firmes defesas da Igreja Católica, em nome de Henrique VIII, posições que valeram ao rei o título “Defensor da Fé”, atribuído pelo Papa.

A conhecida polémica resultante da recusa por parte de Roma de reconhecer a anulação do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão e o consequente afastamento do trono Inglês do poder Papal traduziram-se numa tensão terrível entre duas instituições pelas quais More sentia uma tremenda fidelidade.

O amor à Igreja falou mais alto. More recusou colaborar com as medidas anti-católicas de Henrique VIII. Absteve-se de participar na cerimónia de coroação de Ana Bolena e o Rei decidiu agir judicialmente.

Apresentaram-se falsos testemunhos e os juízes, entre os quais o pai, um irmão e um tio de Bolena, condenaram-no por alta traição.

Maria José Nogueira Pinto, que, enquanto política católica, cultiva um grande interesse e admiração pela figura deste santo, explica que o processo de More tem três vertentes importantes:

“É uma questão de consciência, mas é também o sacrifício de uma amizade, porque Thomas More e o rei tinham uma relação quase filial. E é, finalmente, uma questão de Estado, porque Thomas More percebe o que se está a passar e as repercussões de tudo aquilo que, aliás, ainda hoje se manifesta, no campo religioso”.

Para Maria José Nogueira Pinto, More é uma referência muito actual, porque “na política, continua a haver a tentação do caminho mais fácil. Uma visão pragmática, no pior sentido da palavra. Thomas More representa o oposto disso, elevando o respeito pelas convicções e pela consciência”.

Os relatos que nos chegaram dos seus últimos momentos referem que More manteve sempre a sua dignidade e até uma boa dose de humor. Quando lhe ofereceram ajuda para subir ao cadafalso aceitou, agradecido, mas logo adiantou: “Eu depois desço sozinho”.

A sua firmeza na defesa da fé valeu-lhe a canonização na Igreja Católica em 1935, tendo sido nomeado mais recentemente padroeiro dos políticos.

Filipe d’Avillez

(Fonte: ‘Página 1’, grupo Renascença na sua edição de 06.07.2010)

Santa Maria Goretti, virgem, mártir, †1902

Santa Maria Goretti ou Marieta, como também era chamada, foi uma daquelas santas que morreram pelo facto de não quererem cometer pecado. Nascida na cidade de Corinaldo, província de Ancona, Itália, Maria Goretti e sua família foram obrigados a mudar-se para o inóspito Agro Pontino, na localidade de Ferrieri di Conca, em busca de trabalho.

Seus pais trabalhavam na lavoura enquanto Maria cuidava dos seus quatro irmãos mais novos.

Pouco tempo depois, quando a menina tinha dez anos, seu pai morreu de doença grave. Sua mãe, Assunta, trabalhava duramente no campo para ganhar o sustento da casa. Além de cuidar da casa e dos irmãos, Maria aproveitava o tempo que lhe restava para correr até à Igreja mais próxima e aprender o catecismo. Aos doze anos, num domingo de Maio, pôde fazer a primeira comunhão. Apesar de ter somente doze anos, Maria Goretti era muito crescida, o que chamou a atenção de um jovem garoto de 18 anos, Alexandre Serenelli. Um dia, aproveitando um momento em que Maria estava sozinha com sua irmã mais nova, Alexandre procurou seduzi-la. Diante da resistência da jovem menina, Alexandre apunhalou-a com vários golpes. A santa foi transportada ao hospital e antes de morrer perdoou ao assassino com as seguintes palavras: "Por amor a Jesus perdoo e quero que venha comigo para o paraíso". Alexandre foi condenado a trabalhos forçados até os 27 anos, altura em que foi absolvido por boa conduta. Ele conta ter tido uma visão da pequena mártir, que o fez mudar de vida. Maria Goretti foi canonizada em 1950.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Encantos e jóias

Coroa Rainha Santa Isabel - Museu Machado de Castro
Hoje (4 de Julho) celebra-se em todo o mundo uma das figuras mais encantadoras da história portuguesa. Muitos escreveram sobre ela, mas a melhor biografia é a publicada em 2011 pelo historiador espanhol José Miguel Pero-Sanz.

Já adivinhou? É uma mulher aparentada com quase toda a realeza europeia: avós húngaros e alemães, pai aragonês, mãe de sangue alemão e siciliano. Pelo casamento com D. Dinis, ficou ligada à coroa portuguesa e indirectamente às famílias reais francesa e castelhana. Tinha um porte elegantíssimo, cabelo claro, olhos verdes, feições perfeitas. Os cronistas da época falam da «sua grande formosura, muito louvada nas cortes dos reis e dos príncipes». Media 1,76 m. Isabel era um deslumbramento, naquela época.

Sabia arranjar-se, usava bons vestidos e jóias caras. Era rainha a tempo inteiro e não deixava que alguém tivesse dúvidas a esse respeito. Até ao fim da vida, assinou sempre «Isabel, rainha de Portugal e do Algarve». Oficialmente, começou a ser rainha aos 11 de idade, embora só tenha começado a exercer funções quando entrou em Portugal, com 12 anos.

Um traço de carácter que se destacava era a autoridade natural. Mandava (mandou muito!), mas com uma ascendência tão forte que todos lhe reconheciam a liderança. O marido dizia e repetia que ela «nasceu para ser rei» (escrevia assim, no masculino) e o povo concordava, porque Isabel não precisava de puxar por uma espada para pôr em sentido os vassalos mais poderosos e ricos, pouco dados a obedecer.

Nasceu no palco das intrigas internacionais. Talvez por isso, tivesse um instinto e uma habilidade política tão extraordinários.

Naquela época, as famílias reais costumavam casar entre si, primos com primos, de modo que o flagelo da consanguinidade explica muita coisa. O caso de Isabel foi uma excepção. O seu próprio casamento com o rei português foi um dos poucos daquela época que não precisou de dispensa papal por razão de consanguinidade. Por causa dos cruzamentos entre familiares próximos ou do ambiente decadente da corte portuguesa, ou por várias razões juntas, D. Dinis foi um homem descontrolado, violento ou, como o descrevia Vitorino Nemésio, «vigoroso, com uma imaginação aguda e sensual; não lhe faltavam na sua própria casa exemplos de vida regalada». Este luxo e essa luxúria não ajudaram a formar uma personalidade íntegra e generosa. Desse descontrolo nasceram muitos filhos ilegítimos e confrontos sangrentos. Por outro lado, segundo os dados disponíveis, D. Dinis foi o primeiro rei português não analfabeto o que, só por si, diz muito sobre a rudeza intelectual daquela corte. D. Isabel tinha outra formação. Sabia latim. Ai dos padres, se alguma vez eram pouco rigorosos no latim, na presença dela!

A história descreve-nos D. Isabel como estadista profissional. Não tinha nada de frágil senhora num mundo desumano dominado por homens violentos. A sua profissão, a tempo inteiro, foi ser rainha. Administrou um património enorme, que mobilizou, com mão firme, ao serviço dos mais pobres e da cultura, e estendeu a sua acção diplomática a grande parte da Europa. Valendo-se dos laços familiares, tomou a iniciativa de intervir em muitas disputas, com tanto sentido de oportunidade e de justiça, com tanta capacidade de negociação, que resolveu conflitos aparentemente insolúveis. O correio diplomático e os enviados não paravam. A vida desta mulher é um exemplo extraordinário de capacidade de trabalho.

Em Lisboa, perto da «Loja dos Açores», existe uma lápide que pertenceu a um padrão ainda mais antigo. Traduzo: «Santa Isabel, rainha de Portugal, mandou colocar este padrão neste lugar em memória da pacificação que nele se fez entre seu marido el-rei D. Dinis e seu filho D. Afonso IV, estando para se darem batalha, na era de 1323». Recentemente, roubaram a cruz e depois a coluna do padrão. Resta a lápide, a recordar o episódio. Os poderosos preparavam-se para disputar o poder, à custa de uma guerra civil; intervém a rainha, com coragem física e inteligência rápida. Cederam o rei, o filho, os nobres.

Os êxitos das mediações nacionais e internacionais de Santa Isabel não cabem num artigo de jornal.

Em Junho de 1336, chegou-lhe a notícia de mais uma guerra, desta vez entre Portugal e Castela. A rainha pôs-se a caminho. Tinha 65 anos, eram muitos quilómetros e vários rios pelo caminho, mas não houve maneira de a convencer.

O calor apertava. Ao fim de uma semana de viagem, chegou a Estremoz, recebida com imenso carinho, mas com uma úlcera no braço. Os tratamentos não deram nada. No dia 1 de Julho a febre foi tanta que não conseguiu levantar-se para assistir à Missa. Os médicos estavam confiantes, a rainha percebeu que estava por um fio.

No dia 4, confessou-se antes da Missa, celebrada no quarto. Ainda se levantou para ir à capela. Durante o dia, conversou com as visitas, encantadora como sempre. Tudo normal, excepto que Nossa Senhora lhe apareceu, quando estava com a nora. À noite, quis que não atrasassem o jantar por sua causa. Pouco depois teve um desfalecimento e D. Afonso correu para junto da mãe. Recompôs-se, e ficaram os dois a falar das netas. Passado um tempo, advertindo que o fim se aproximava, invocou Nossa Senhora, recitou o Credo, o Pai Nosso e outras orações. A voz ficou sumida e difícil de entender. Morreu.

Era o dia 4 de Julho. Hoje, festa de Santa Isabel.
José Maria C. S. André
«Correio dos Açores», 7-VII-2014