Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Mistério que enche a nossa vida de cristãos
sexta-feira, 14 de maio de 2021
17:17 há 40 anos
Nalguns casos —por exemplo no palácio da Pena, em Sintra—, havia um pequeno canhão ao lado do relógio de sol, para anunciar as horas ao longe, com um disparo. O pequeno canhão do palácio da Pena ainda lá está, como memória silenciosa daqueles estrondos que faziam esvoaçar os pássaros à hora certa.
Esta forma de marcar as horas aos ritmos da artilharia é coisa do passado, mas há 40 anos, as 17 horas e 17 minutos de 13 de Maio de 1981 ficaram marcadas com exactidão por quatro disparos, que ecoaram uma e outra vez na praça de S. Pedro, levantando revoadas de pássaros. É difícil assinalar o momento de forma mais inesquecível.
O que aconteceu às 17:17 daquele dia ainda hoje não se percebe. As balas atravessaram o corpo do Papa de lado a lado num trajecto sinuoso, fazendo inflexões misteriosas como se quisessem respeitar os órgãos vitais. Roçaram neles, um por um, mas sem os atingir.
Rasgaram sulcos profundos de que jorrou abundantemente sangue e caíram à volta da vítima ou perto do automóvel. A quinta bala não partiu porque a Browning encravou. Uma pistola profissional com uma falha mecânica?! Segundo os jornais, a pistola custara £10,000 à época (dezenas de milhar de euros a preços de hoje).
Desconcertado, o atirador supostamente infalível, com 23 anos, no auge da sua forma física, teve uma hesitação de segundos e foi agarrado por um elemento das forças de segurança, com a ajuda de vários populares, incluindo uma freira. As reportagens dos vídeos captam os rostos imóveis da multidão, pesados, calados, de olhos fixos no infinito, como se fossem personagens de cenas diferentes, cada um a olhar na sua direcção, como se não houvesse nada para ver no espaço sem fim.
Uma das balas está hoje em Fátima, como jóia da coroa da imagem de Nossa Senhora. A temível Browning está exposta em Wadowice, na Polónia. Ambas testemunham que Deus não desiste de ter a última palavra.
Depois de sair da prisão na Turquia, Ali Ağca já viajou pela Europa e já esteve novamente na praça de S. Pedro, sozinho, em homenagem ao Papa. Em entrevistas a jornais ocidentais disse que deixou um ramo de flores no local do atentado e que está contente por João Paulo II ter sobrevivido. Eram 17h17 de há 40 anos.
José Maria C.S. André
quinta-feira, 13 de maio de 2021
A Ascenção
[2]. Catecismo da Igreja Católica, n. 665.
[3]. At 1, 3.
[4]. Lc 24, 46-48.
[5]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 29-X-1972.
[6]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 3-XI-1972.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
Será que Deus realmente existe?
Sem querer entrar em polémica e respeitando o modo de ver o assunto por parte da autora do ensaio, gostaria de lançar algumas ideias para refletirmos sobre este tema de grande importância na nossa vida.
Não me proponho dar argumentos filosóficos. Proponho que pensemos sobre esta pergunta e em como dialogar sobre ela com pessoas amigas. Também com aquelas que se dizem ateias ou agnósticas.
O tema não admite argumentos simplórios. A fé é suficientemente obscura para que a nossa decisão de acreditar seja completamente livre, e é suficientemente clara para que essa decisão seja profundamente razoável.
Esse claro-escuro presente nesta pergunta faz com que as respostas a este tema não sejam similares a uma demonstração matemática.
Todos necessitamos reflectir sobre Deus para encontrar um sentido para a nossa vida. A pergunta pela existência de Deus é a mais radical que podemos fazer e aquela que terá maior influência no nosso modo de actuar nesta existência terrena, que todos sabemos ser finita.
Porque esta pergunta está intimamente relacionada com os grandes enigmas que encontramos na vida. De onde venho? Para onde vou? Porque existe a morte? Porque existe o mal? Qual o caminho para encontrar a felicidade? Que há para além da morte?
Nenhuma destas perguntas possui uma resposta científica, porque não são perguntas científicas. São as mesmas perguntas de há muitos anos para cá. Desde que o ser humano teve tempo para reflectir. Já Aristóteles afirmava há 2300 anos: “A religião é uma constante na história dos povos porque pertence à própria essência do homem”.
Sim, existem. E têm como ponto de partida a criação: o mundo material que nos rodeia e o mundo interior que “ferve” dentro de cada um de nós.
De um modo telegráfico podemos dizer que a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo material, podemos chegar ao conhecimento indireto de um Ser Supremo que é origem e fim do Universo.
Também a partir da nossa abertura interior à verdade e à beleza, com o sentido do bem moral que todos possuímos, com a liberdade e a voz da nossa consciência, com as ânsias que temos de infinito e de felicidade, detectamos sinais da existência dessa alma espiritual, gérmen de eternidade, que trazemos connosco e que, por muitos motivos, é irredutível à matéria.
Tanto o mundo que nos rodeia como o nosso mundo interior dão testemunho de que não temos em nós mesmos o primeiro princípio nem o fim último, mas participamos do Ser-em-si que não possui princípio nem fim e a quem os homens, desde tempos imemoriais, chamaram Deus.
Logo: é profundamente razoável acreditar na existência de Deus.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria
sexta-feira, 30 de abril de 2021
Respirar?
— «Meditar é uma necessidade de
todos. Meditar, por assim dizer, assemelha-se a parar e a dar um respiro à vida»
(28-IV-2021).
Todos concordarão que respirar é
importante. O que faz pensar é o que o Papa se distancie um pouco deste objectivo
tão consensual:
— «No entanto, quando é aceite no
contexto cristão, a palavra meditação assume uma especificidade que não deve
ser posta de parte».
Alguns destes aspectos peculiares
da oração cristã são de tal maneira próprios que não são partilhados por mais
nenhuma religião. Na última quarta-feira, o Papa referiu um destes elementos
centrais:
— «O cristão entra na meditação
pela porta de Jesus Cristo».
Quem participa na Eucaristia ou
assiste a alguma cerimónia litúrgica terá reparado que todas as orações ditas
pelo celebrante se dirigem a Deus Pai ou ao Espírito Santo. E todas são ditas
em nome de Jesus Cristo. Isto significa que o cristão que reza toma o lugar de
Cristo ao falar com Deus Pai ou com o Espírito Santo e é por essa identificação
que se atreve a interpelar Deus com toda a confiança.
O primeiro passo para rezar de
maneira cristã é tomar consciência daquilo que a Igreja chama a nossa «filiação
divina», que não é uma dignidade comum a todas as criaturas. O Baptismo
transforma-nos em Jesus Cristo e, portanto, em filhos de Deus, tal como Cristo
é Filho de Deus Pai. Há uma diferença, claro, mas há sobretudo uma verdade que
ultrapassa tudo o que a humanidade poderia alguma vez imaginar: pelo Baptismo,
participamos realmente da divindade de Cristo. Não da divindade de Deus Pai ou
do Espírito Santo: somos configurados com Cristo, levantados acima da nossa
natureza de meras criaturas e tornamo-nos participantes da filiação divina de
Jesus.
É este o sentido, por exemplo, deste texto de S. Pedro: «O divino poder [de Cristo] (...) alcançou-nos os preciosos e maiores bens prometidos, para que chegásseis a ser participantes da natureza divina» (II Pe 1, 3-4).
— «Quando o cristão reza, não
aspira à plena transparência de si, não procura o núcleo mais profundo do seu eu.
(...) A oração do cristão é, antes de mais, um encontro com o Outro, com “O”
maiúsculo, o encontro transcendente com Deus».
O Papa citou diversas vezes o
Catecismo para insistir neste ponto. «o importante é avançar, com o Espírito
Santo, no caminho único da oração: Cristo Jesus» (Catecismo da Igreja Católica, 2707).
Outro elemento específico da
oração cristã consiste na intensidade do empenho, porque «é um acto total da
pessoa: não reza apenas a mente, reza o homem todo, a totalidade da pessoa,
assim como não reza só o sentimento. O Catecismo especifica: “A meditação põe
em acção o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo”» — diz o Papa.
Afinal, há aqui um paradoxo
porque, quando desistimos de nos buscar a nós próprios e procuramos Deus com
todas as forças, descobrimos quem somos. Disse-o o Papa nesta quarta-feira: «Para
nós cristãos, meditar é um modo de encontrar Jesus. E assim, só assim, de nos
encontrarmos a nós mesmos. (...) Nele, encontramo-nos a nós mesmos».
José Maria C.S. André








