Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 19 de março de 2021

São José

Hoje, comemoramos o grande patrono da Igreja Universal, São José. Ninguém ignora que São José é o esposo de Nossa Senhora e pai adotivo de Jesus. A Bíblia não fala muito dele. No entanto, o amor cristão faz de cada palavra do Evangelho de São Mateus um ensinamento novo para a vida. Eis alguns factos que sempre recordamos: A ordem dada a São José, de receber Maria como esposa. É o fim do Antigo Testamento e o começo do Novo. Ele é o patriarca, o grande pai. A fuga para o Egipto e a volta lembram a história de todo o povo de Israel - o Êxodo. Portanto, São José é o amigo do povo, dos pobres, dos pequeninos, dos perseguidos e dos sofredores. Da Bíblia, recebeu ele o título maior que ela costuma dar a alguém: Justo. São José era um homem "justo". Tanto a Idade Média quanto os tempos modernos lembraram muito São José como modelo para o lar e, também, para o operário. A simplicidade e a fidelidade fizeram de São José o protetor escolhido para Maria e para o próprio Jesus, bem como para todos nós.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

São Josemaría Escrivá nesta data em 1963 sobre a Festa de S. José

Festa de São José. “São José é realmente Pai e Senhor, protegendo e acompanhando no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se fazia homem. Ganhando intimidade com ele descobre-se que o Santo Patriarca é, além disso, Mestre da vida interior, porque nos ensina a conhecer Jesus, a conviver com Ele, a tomar consciência de que fazemos parte da família de Deus. E S. José dá-nos essas lições sendo, como foi, um homem corrente, um pai de família, um trabalhador que ganhava a vida com o esforço das suas mãos”, diz na homilia que hoje prega.

sábado, 13 de março de 2021

The Social Dilemma


Recentemente, assisti a um documentário feito pela Netflix que recomendo vivamente: The Social Dilemma.

Este documentário não só reaviva o importante debate sobre os perigos do mau uso das redes sociais, mas também oferece uma abordagem bastante original do tema: manipular as pessoas que utilizam as redes sociais é o fim primário das mesmas.

Isto é dito, com outras palavras, por pessoas que criaram ou trabalharam nessas redes.

A intenção do realizador do documentário, Jeff Orlowski, é bastante clara: mostrar que a manipulação e a adição geradas pelas redes não é um efeito negativo secundário tolerado, mas algo intencional e procurado como modo de ganhar dinheiro.

O verdadeiro produto não é somente o nosso tempo de atenção, mas sim a pequena e quase imperceptível mudança no comportamento de cada um de nós.  

Este documentário é uma recordação de uma verdade sempre actual: como é fácil para nós, seres humanos, entregar a nossa liberdade em troca de um pouco de distração!

E como podem ser desastrosas as consequências a médio e longo prazo se prescindirmos da nossa liberdade em troca de um pouco de circo!

É verdade que é preciso estarmos atentos àqueles que podem ser mais vulneráveis a essa manipulação: as crianças e os menores de idade. Mas, seria ingénuo pensar que, no caso dos adultos, esse perigo não existe ou é irrelevante.

A propósito disto, estão muito bem tratados no documentário os fenómenos tão actuais e perigosos da polarização e da radicalização. E são fenómenos que afetam muitas pessoas adultas que se consideram “maduras” e “bem informadas”.


O documentário também aborda um tema de grande importância no mundo actual: as fake news!

Se queremos acabar com este abuso da liberdade que é propagar notícias falsas, temos de reconhecer que existe a verdade. A sociedade, desejosa de relativizar toda a informação, não consegue sobreviver a um relativismo total.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

segunda-feira, 8 de março de 2021

S. João de Deus, †1550

"É pelo fruto que se conhece a árvore." Mt 12,33b

O Santo de hoje é muito conhecido, sobretudo no mundo português. É São João de Deus, português, nascido em Montemor-o-Novo (1495) e falecido em Granada (Espanha, a 8 de Março de 1550).

De seu nome João Cidade conta-se que, tendo transportado aos ombros um menino andrajoso que com dificuldade se deslocava, este lhe mostrou uma granada ou romã, com uma representação da Santa Cruz e, referindo-se à cidade espanhola com esse nome, lhe disse: "Granada será a tua Cruz". A seguir desapareceu.

A primeira parte da vida deste santo foi marcada por aventuras, algumas até curiosas.

Abandonou a casa paterna aos oito anos. Fez-se soldado. Trabalhou em hospitais, como simples servente. Foi criado e comerciante. Manteve um pequeno negócio de livros. Ouvindo um sermão de São João d' Ávila sentiu-se tocado. Desfez-se de todos os seus bens. Reuniu esmolas e foi cuidar de doentes, especialmente dos loucos e dos incuráveis. Entre eles, como ele próprio conta, havia paralíticos, leprosos e até mudos. "Nas horas difíceis - dizia João de Deus - é Jesus Cristo quem provê tudo e dá de comer aos meus queridos doentes".

Mantinha ele mais de oitenta hospitais, que fundara só em Espanha. Por isso, tornou-se também o Fundador dos Irmãos dos Enfermos. E foi declarado patrono dos hospitais por Leão XIII.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 5 de março de 2021

Quatro dias de susto

Sexta-feira dia 5, o Papa saiu de Roma para uma viagem de pouco mais de três dias ao Iraque. João Paulo II quis ir lá, há 21 anos, mas o pedido foi rejeitado pelo Governo da época.


A agenda de Francisco inclui obviamente a capital, Bagdad, mas também numerosas outras cidades. Entre elas, cidades martirizadas como Mosul, Qaraqosh e Erbil, onde os cristãos sofreram muito. Nos últimos anos, milhares foram mortos e uma multidão imensa teve de fugir à pressa para salvar a vida, perseguida pelo chamado «Estado Islâmico». Neste momento, restam poucos, do milhão e meio de católicos que havia em 2003, quando Saddam Hussein foi deposto. A primeira intenção do Papa é encorajar os sobreviventes e dizer à igreja do Iraque, tão duramente provada, que não é secundária, que faz parte da Igreja universal.


Outro objectivo é contactar com os muçulmanos e para isso tem encontros ecuménicos e vai à cidade de Najaf falar com o Grande Ayatollah Ali al-Sistani. Espera-se que este encontro produza bons frutos, como aconteceu em 2019 com Ahmed al-Tayeb, o Grande Imã de al-Azhar (Cairo), que subscreveu com o Papa uma declaração histórica acerca da fraternidade humana.

Na região fala-se uma língua próxima da de Nosso Senhor e a cidade de Ur é a origem do povo judeu. Abraão vivia bem instalado na grande Ur dos caldeus quando Deus lhe pediu que se pusesse em marcha, que abandonasse o património e os direitos adquiridos, o apoio da família, as garantias de segurança pessoal e económica e se pusesse a caminho de forma absolutamente singular, como Deus lhe havia de indicar.



Não era só uma questão de coragem, a proposta de se lançar no vazio só fazia sentido na base de uma confiança inabalável em Quem o convidava. Porque Abraão não foi um conquistador, cobiçando mais terras, Abraão será sempre, até ao final dos seus dias, um forasteiro, um vagabundo do espaço aberto em que o deixam habitar. Aproximando-se o fim da vida, compra aos hititas uma sepultura, onde enterra a mulher, Sara, e onde, mais tarde, o enterraram a ele, e depois o filho e as mulheres do filho. Abraão também não é um nómada no sentido habitual. Ele vive sem um chão próprio porque o seu chão é Deus.


Toda a vida de Abraão é um diálogo intenso entre a generosidade de Deus e a generosidade de Abraão.


Sara era estéril e de idade muito avançada, de modo que a família parecia caminhar para a extinção. No entanto, Deus, em quem Abraão confiava, disse-lhe «olha para o Céu e vê se consegues contar as estrelas» e acrescentou: «assim será a tua descendência» (Gen 15, 5). De facto, nasceu Isaac.


Deus pede-lhe então que ofereça Isaac em sacrifício e, mais uma vez, Abraão, mesmo sem compreender o plano de Deus, confia. Sobe com Isaac ao monte Moriá (em Salém, actual Jerusalém) para imolar o filho e aí lhes aparece um Anjo segurando a mão de Abraão e garantindo-lhe, da parte de Deus, uma linhagem numerosa. Renova-se a promessa, cada vez mais ampla:


— «Juro por Mim mesmo —oráculo do Senhor—  (...) que na tua descendência serão abençoados todos os povos da terra, porque obedeceste à minha voz» (Gen 22, 16.18).


As sucessivas alianças de Deus com Abraão são a resposta cada vez mais magnânima de Deus à generosidade cada vez mais completa de Abraão. Olhando em perspectiva a vida deste homem, o próprio Deus reconhece que tem uma espécie de dívida de amor para com ele:


— «Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair de Ur dos Caldeus» (Gen 15, 7).


Este Zigurate, na cidade de Ur dos caldeus, data do IIIº milénio antes de Cristo. Fazia parte de um complexo grandioso de templos e palácios desta enorme cidade.

É nesta Ur dos Caldeus que Francisco irá falar de Jesus Cristo, descendente de Isaac, descendente de Abraão.


As viagens de um Papa são sempre arriscadas, mas esta é mais que todas. A Igreja, de coração apertado, está a acompanhar Francisco e não vamos respirar fundo enquanto o avião não aterrar de novo no aeroporto de Roma. O Papa conta com as orações de todos (Bento XVI anunciou que ficou em casa a rezar por esta importantíssima viagem) e Francisco fez questão de pedir a Nossa Senhora que o acompanhe: como símbolo, leva consigo a imagem de Nossa Senhora do Loreto e, antes de partir, como sempre, foi à basílica de Santa Maria Maior, a mais importante basílica dedicada a Nossa Senhora, deixar o seu destino nas mãos de Maria.

José Maria C.S. André