Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 27 de junho de 2020

O Evangelho de Domingo dia 28 de junho de 2020

Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz e Me segue, não é digno de Mim. Quem se prende à sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por Meu amor, acha-la-á. «Quem vos recebe, a Mim recebe, e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a recompensa do profeta; quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá a recompensa de justo. E todo aquele que der de beber um simples copo de água fresca a um destes pequeninos, por ele ser Meu discípulo, na verdade vos digo que não perderá a sua recompensa».

Mt 10, 37-42

FOBERA PROSTASIA (a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro)

Como um menino antes de nascer
no útero materno aconchegado,
assim em teu regaço reclinado
quisera um dia, ó Mãe, adormecer;

a vida como leite em Ti sorver
e assim em paz, sem pena nem cuidado,
das veras de Teu ser alimentado
não mais do mundo mau querer saber.

Não poderás, ó Mãe, por um momento,
pousar o teu Menino sobre o solo ?
Os anjos proverão a seu sustento…

Se alguma vez do pó em que me rolo,
chega até Ti a voz do meu lamento,
larga o Menino, e pega em mim ao colo !

L. F. T.

Mosteiro de Nossa Senhora de Randol
Páscoa de 1979                               
                                       

Modelo de acolhimento

«Ao mesmo tempo, dando o seu consentimento à Palavra divina que n'Ela Se fez carne, Maria aparece como modelo de acolhimento da graça por parte da criatura humana. Unida a Cristo, juntamente com José, na vida escondida de Nazaré, presente junto do Filho em momentos cruciais da sua vida pública, a Virgem é mestra de seguimento incondicional e de assíduo serviço. Assim n'Ela, ‘templo do Espírito Santo‘, brilha todo o esplendor da nova criatura».

(São João Paulo II - Exortação Apostólica Pós-Sinodal ‘Vita Consecrata’)

«A oração de Maria é-nos revelada na aurora da plenitude dos tempos. Antes da encarnação do Filho de Deus e da efusão do Espírito Santo, a sua oração coopera de um modo único com o desígnio benevolente do Pai, aquando da Anunciação para a concepção de Cristo e aquando do Pentecostes para a formação da Igreja, corpo de Cristo. Na fé da sua humilde serva, o Dom de Deus encontra o acolhimento que Ele esperava desde o princípio dos tempos. Aquela que o Todo-Poderoso fez ‘cheia de graça’ responde pelo oferecimento de todo o seu ser: ‘Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’. ‘Faça-se’ é a oração cristã: ser todo para Ele, já que Ele é todo para nós».

(Catecismo da Igreja Católica § 2617)

Oração, meditação, retiro...

Temos necessidade de um espaço sem o bombardeamento permanente das imagens, de criar espaços de silêncio, também sem imagens, para abrir novamente o nosso coração à imagem verdadeira e à Palavra verdadeira.

(Bento XVI - Encontro com o clero de Roma em Fevereiro de 2008)

sexta-feira, 26 de junho de 2020

O olhar que salva

“BLM” –iniciais de “Black Lives Matter” (a vida dos negros importa)– pintada 
numa estátua de Cristóvão Colombo, em Miami (EUA).
Apesar de muitas e grandes infidelidades, individuais e colectivas, a tradição católica marcou positivamente amplos espaços da cultura em alguns países. Portugal é um exemplo.

Apesar da corrupção bastante generalizada entre nós, sobretudo a nível governamental, apesar do costume de atrasar os pagamentos e de faltar aos compromissos assumidos, encontramos algumas características praticamente exclusivas de ambientes católicos.

Fora desta cultura, o vandalismo que destrói monumentos é prática generalizada. Os talibãs dinamitam os Budas de Bamiyan, o Estado Islâmico destrói Palmira e o museu de Mosul, em qualquer país as estátuas dos líderes depostos não costumam durar muito no seu sítio e nestes dias muitas estátuas foram destruídas ou ameaçadas, na sequência da morte de George Floyd nos EUA.

É este o padrão. A excepção são as culturas de inspiração católica.

A Roma dos Papas continua cheia de colunas comemorativas, de arcos triunfais, de padrões a celebrar os perseguidores mais ímpios da Igreja católica. Estes monumentos conservam-se porque os Papas se preocuparam por os proteger, mesmo os de quem matou mais cristãos.

Em Lisboa, o Marquês de Pombal, que tanto mal fez à Igreja, continua a dominar a cidade do alto do seu pódio monumental e as ruas que confluem nessa praça continuam a ter os nomes de Joaquim António de Aguiar (que ficou na história com o nome de «mata-frades»), do seu colega Fontes Pereira de Melo, do Duque de Palmela, do Duque de Loulé... e, à volta, bairros inteiros ostentam nas suas ruas os nomes de maçons com diversos níveis de aversão à Igreja. Tirando os católicos, quem é que suportaria pacificamente estas homenagens aos seus perseguidores?

Até em Portugal, mal o regime anterior caiu, caíram as placas que o poderiam evocar. Até nomes de indivíduos praticamente desconhecidos foram apagados (até um tal Sinel de Cordes, nas traseiras do Técnico...). Nenhum busto de Salazar resistiu à purga, mesmo alguns que tinham especial qualidade escultórica, e, meio século depois da sua morte, ainda há alarme se alguém o recorda, mesmo que não seja para expressar apoio.

Para quem não é católico, é óbvio que os opositores devem ser apeados de todos os pedestais, artísticos ou não. O direito de vandalizar e derrubar estátuas nem precisa de demonstração, dispensa até a coerência lógica. O escritor Jaime Nogueira Pinto queixa-se no «Observador» (26-VI-2020) de que esta espécie de guerra civil iniciada nos EUA depois da morte de George Floyd, «além de violenta e revolucionária, parece ser completamente imbecil na escolha de alguns dos seus alvos: porque se se pode ainda entender a sua fúria contra os generais sulistas (...), como perceber a vandalização dos monumentos a Lincoln, o grande libertador dos negros na Guerra Civil, ou a Grant, que foi o comandante militar que venceu o Sul? E Andrew Jackson, que foi um populista e guerreou os mexicanos? E Colombo (...) que destruiu “civilizações” que eram monarquias teocráticas, esclavagistas, que faziam sacrifícios humanos aos seus deuses, ou tribos que praticavam a antropofagia… E porquê perseguir um missionário, canonizado pelo Papa Francisco? Esta gente é perigosamente lunática, não se sabe se por estupidez, se por puro e maldoso fanatismo».

Estátua de Edward Colston atirada ao mar, em Bristol
(Grã-Bretanha).
Não vale a pena discutir história, nem interessa discutir se Lee, Grant, Lincoln, Jefferson Davis, ou outros foram exemplo de virtude, porque podem ter tido alguma fraqueza que a história não registou.

O que falta aos vingadores de estátuas é o olhar bondoso que as culturas católicas aprenderam de Cristo. Mesmo quem se portou mal merece uma oração para que Deus o perdoe. E o artista que retratou com feições heróicas um horrível bandido merece um elogio pela obra que deixou.

Encontro por Lisboa e noutras cidades do país ruas com os nomes de Lenine, de Álvaro Cunhal, de Fidel Castro, do «mata-frades», do Marquês, de tantos outros... mais do que homenagem a gente manchada de sangue, parecem-me um hino de glória a uma cultura tão especial que olha com simpatia todos os seres humanos e encontra qualidade artística nas estátuas dos seus perseguidores. Talvez este olhar de bondade, tão pouco frequente no resto do mundo, nos salve, aos olhos de Deus, de muitas infidelidades, individuais e colectivas.
José Maria C.S. André