Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A formosura da santa pureza

Não se pode levar uma vida limpa sem a ajuda divina. Deus quer a nossa humildade, quer que lhe peçamos a sua ajuda, através da nossa Mãe e sua Mãe. Tens que dizer a Nossa Senhora, agora mesmo, na solidão acompanhada do teu coração, falando sem ruído de palavras: – Minha Mãe, este meu pobre coração rebela-se algumas vezes... Mas se Tu me ajudares... E ajudar-te-á, para que o conserves limpo e continues pelo caminho a que Deus te chamou: Nossa Senhora facilitar-te-á sempre o cumprimento da Vontade de Deus. (Forja, 315)

Devemos ser o mais limpos possível em relação ao corpo, mas sem medo, porque o sexo, é algo santo e nobre – participação no poder criador de Deus–, foi feito para o matrimónio. Assim, limpos e sem medo, dareis com a vossa conduta o testemunho da viabilidade e da formosura da santa pureza. (…)

Cuidai com esmero da castidade e também das virtudes que a acompanham e a salvaguardam: a modéstia e o pudor. Não olheis com ligeireza as normas, tão eficazes, que nos ajudam a conservarmo-nos dignos do olhar de Deus: a guarda atenta dos sentidos e do coração; a valentia de ser cobarde para fugir das tentações; a frequência dos sacramentos, especialmente da Confissão sacramental; a sinceridade total na direcção espiritual pessoal; a dor, a contrição e a reparação depois das faltas. E tudo isto ungido com uma terna devoção a Nossa Senhora, de modo que ela nos obtenha de Deus o dom de uma vida limpa e santa. (Amigos de Deus, 185)

São Josemaría Escrivá 

Filha pródiga

Clara Ferreira Alves escreveu uma importante confissão no livro “Fátima, 1979-2016”. Intitulada “Deus, fala comigo!”, é uma confissão corajosa, porque desafia o ateísmo austero e o cinismo engraçadista que dominam o meio intelectual. Hoje em dia, a fé ou é esmagada pela bota cardada do cientismo ou é gozada pelo engraçadismo cínico que recusa acreditar em algo superior ao “eu” pósmoderninho. Estas duas predisposições dominam os círculos bem pensantes, as faculdades, os festivais disto e daquilo, as editoras, as redações. Ao assumir o regresso à fé, Clara Ferreira Alves demonstra coragem, que é, foi e será sempre a grande virtude moral e estética do escritor. Além de corajosa, a confissão é comovente. Revela alguém que, depois da revolta clássica contra Deus, regressa à sua casa de sempre, à sua infância, à sua Rosebud teológica. “Se o homem é o princípio e o m de todas as coisas, então a solidão humana é insuportável e a extinção também”, diz Ferreira Alves de forma clara.

A escritora regressa à fé da sua infância, garantindo que a “reconversão” é mais “inclemente do que a conversão”. E acrescenta: “Do ponto de vista de quem nasceu e cresceu dentro da fé, os convertidos são uma espécie bafejada. Fizeram a viagem em sentido contrário, tiveram mais sorte”. Discordo. Como convertido, como ex-ateu, não sinto esse superior conforto ou sorte. Sinto, aliás, o oposto. Por muito que se esforce, Paulo nunca será Pedro. Por muito que se esforce, Zaqueu nunca terá a sorte do Filho Pródigo: este regressa a casa, aquele entra pela primeira vez nessa casa já na vida adulta. Zaqueu nunca sentirá a comoção pura que brota deste regresso à Ítaca religiosa, que é mais íntima do que Ítaca propriamente dita; sentir-se-á sempre deslocado, sentir-se-á uma perpétua visita e não uma peça da mobília. Não é fácil chegar a uma casa aos 35 anos.

Além disso, a fé do convertido tardio tende a ser demasiado intelectualizada, demasiado afastada do “sexto sentido” invocado por Ferreira Alves. Esse instinto moral desenvolve-se na infância e está relacionado com as memórias dos nossos pais, com os bolos que a Clara ainda menina comia em Óbidos antes da caminhada final até Fátima. Eu comia sanduíches mistas no Canal Caveira a caminho de um deserto geográfico e religioso; eram e são as melhores sanduíches mistas do mundo, mas não são grande conforto teológico. Sim é evidente que a fé tem um lado racional. As leis da física e da química remetem para uma universalidade centralizador. A moral do direito natural remete para direitos inalienáveis que não dependem de poderes terrenos e direitos positivos, mas sim de uma esfera transcendente. Esta racionalidade porém não chega. Kant não chega. É preciso o tal sexto sentido, que está mais perto de quem passou a infância com o sacho da fé na mão. Uma terra que nunca foi amanhada é difícil de quebrar. Seja como for, a divisão entre convertidos e reconvertidos é um pormenor. Acima de tudo convertidos e reconvertidos devem estar conscientes de que “haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão” (Lc 15, 7).

Henrique Raposo in Expresso
(seleção de imagem 'Spe Deus')

Aprender com Maria

«Aprendamos de Maria a falar pessoalmente com o Senhor, ponderando e conser­vando na nossa vida e no nosso coração a palavra de Deus, para que se converta em verdadeiro alimento para cada um. Deste modo, Maria guia-nos numa escola de oração, num contacto pessoal e profundo com Deus».

(Bento XVI - Encontro com sacerdotes em Roma, 22-II-2007)

Os direitos humanos em Deus

“A lei natural é um guia universal que cada um pode reconhecer, base com a qual todas as pessoas podem compreender-se e amar-se reciprocamente. Contudo, os direitos humanos enraízam-se em última análise numa participação de Deus, que criou cada pessoa humana inteligente e livre. Perdendo de vista uma sólida base ética e política, os direitos humanos permanecem frágeis, porque privados do seu sólido fundamento.”

(Bento XVI aos participantes na Assembleia plenária anual da Academia Pontifícia das Ciências Sociais em 05.05.2009)

Santo Rosário - Quinto Mistério Doloroso



Jesus Morre na Cruz

Chegou ao fim o Teu calvário. O sofrimento, os insultos, o vexame de seres despido em público, o opróbrio de seres contado entre os salteadores, tudo se consumou.

Inclinas a cabeça gotejante, e expiras.

E o mundo cobre-se de trevas. E muitos ressuscitaram.

E eu?
Coberto pelas trevas ou ressuscitado?

Inclinado em prostração pelo sacrifício tremendo, coberto de crepes, as lágrimas correndo, o corpo alquebrado pela angústia do meu Senhor morto, ou, ao contrário, ressuscitado para a vida que acabas-Te de dar-me, para a luminosa realidade de Teu filho e irmão, para a felicidade de finalmente ter sido liberto da minha escravidão ao pecado?

Como pude eu, Senhor, mergulhar nas trevas?
Como posso eu, Senhor, passear-me indiferente ao Teu sacrifício?
Como é possível que eu não me transfigure num homem novo, diferente?
Porquê não começo a caminhar em frente, para Ti, em vez dos desvios que continuamente faço, das paragens para deter-me em coisas que não valem nada, nesta minha viagem para me juntar a Ti?
Nessa Cruz onde expiras-Te, caberei eu também?
Posso, Senhor, juntar-me a Ti de braços estendidos e participar conTigo?
Porque não quises-Te Senhor, que eu fosse, ao menos, esse ladrão que levasTe, hoje mesmo, conTigo para o Paraíso?

Mais fácil, muito mais fácil teria sido, sem dúvida. Tu queres de mim, Senhor, toda a minha entrega e eu não Te dou senão bocadinhos de mim, da minha vida e, mesmo esses, de má vontade e sem determinação.
Posso eu merecer este Teu sacrifício?
Decerto que sim, mas só com a Tua ajuda, Senhor. Só com a Tua ajuda constante.
Bastará um momento, uma fracção de segundo, que me falte o Teu apoio e eu sou de novo aquele que Te flagela, que Te coloca a coroa de espinhos, que Te trespassa o peito com a lança, que Te vê morrer sem compreender nada, sem fazer nada.
Não podes, Senhor, deixar-me. Tenho de ser digno da Tua morte, tenho de merecer o Teu calvário, a Tua Cruz.

Protesto eu que a minha cruz é pesada, difícil e, no entanto, não morro nela. Pelo contrário, constantemente sinto a Tua mão a ajudar-me a carregá-la, o seu peso descansar também no Teu ombro dorido. Pois é, Senhor, mas eu não passo de um pobre pecador, desnorteado por vezes, cheio de ambições, de vaidade e fraquezas. Tenho á minha frente a Tua cruz, essa enorme cruz onde morresTe por mim.
Inclino-me contristado e com o coração compungido pela dor de Te ver
partir, de Te ver morrer.
Sei porem que ressuscitarás e que estarás sempre comigo, até que resolvas chamar-me para o pé de Ti.
Nada mais quero, nada mais desejo.

O que for preciso, Senhor, o que for necessário fazer para merecer esta Tua morte, que eu o faça com a Tua ajuda, com o alento que sabes dar, com a Tua misericórdia e bondade infinitas.
E então, quando prostrado Te adorar, quando estiver no Teu seio, dir-Te-ei:

Obrigado Senhor, pela Tua morte, sem ela não estaria aqui gozando a Vida Eterna.