Obrigado, Perdão Ajuda-me

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As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 1 de dezembro de 2018

As mulheres e o poder na Igreja

Muito antes da sociedade civil permitir que as mulheres exercessem cargos de chefia, já a Igreja lhes reconhecia o direito de gerirem instituições religiosas.

A Igreja, embora reconheça à mulher a mesma dignidade que atribui ao varão, não lhe permite o exercício de todas as funções eclesiais. As fiéis católicas não podem ser padres nem bispos, por um princípio que a máxima autoridade eclesial atribui ao próprio Cristo e, por isso, estão excluídas dos cargos e ministérios que exijam o carácter sacerdotal ou episcopal. Portanto, nenhuma mulher pode ser papa – a ‘papisa’ Joana é apenas uma lenda, sem correspondência com a realidade histórica – nem bispo, ou pároco.

Nas congregações religiosas femininas são, contudo, as mulheres que se governam a si próprias: não há conventos femininos que sejam dirigidos por homens. Muito antes da sociedade civil permitir às mulheres cargos de chefia – nalguns países, nem sequer chefes de família podiam ser! – a Igreja já lhes reconhecia a capacidade para gerirem instituições locais, nacionais e até mundiais. Mesmo nas entidades religiosas em que há um ramo masculino, as superioras dos conventos femininos são sempre mulheres. Houve até abadessas com jurisdição quase-episcopal, a quem competia a nomeação dos capelães conventuais, cujas faculdades ministeriais lhes eram concedidas pela superiora monástica. Essas mulheres só estavam submetidas à autoridade das suas superioras na ordem e, obviamente, ao Papa.

Há instituições religiosas que são apenas femininas, como as doroteias, e outras que são exclusivamente masculinas, como os jesuítas. Também há realidades eclesiais que são simultaneamente femininas e masculinas, mas não conventos mistos. Não obstante esta separação, homens e mulheres podem professar a mesma espiritualidade, seja ela franciscana, carmelita, dominicana, paulista, salesiana, etc.

O Opus Dei não é uma congregação religiosa, nem é equiparável a essas veneráveis instituições eclesiais: a grande maioria dos seus membros são leigos casados, que têm uma profissão e que vivem com as suas famílias. Inicialmente, o fundador, São Josemaria Escrivá, pensou que o apostolado por ele iniciado destinava-se exclusivamente aos varões, talvez porque nessa altura era ainda muito exígua a presença feminina no mundo laboral. Mas, pouco depois, Deus fez-lhe ver que a mesma actividade apostólica que desenvolvia com homens de todas as condições e profissões, deveria também realizar com mulheres e que estas deveriam ser, em tudo, iguais a eles: os apostolados do Opus Dei, masculino e feminino, são, por isso, simétricos.

Desde então, o Opus Dei, não obstante a sua unidade de espírito e de regime na pessoa do seu prelado, desenvolve a sua acção pastoral em duas vertentes: a masculina e a feminina. Também há, é certo, obras corporativas conjuntas, como podem ser as universidades, clínicas, dispensários médicos, escolas de negócios, etc., em que trabalham conjuntamente mulheres e homens do Opus Dei. Por exemplo, a AESE, uma business school portuguesa, é actualmente dirigida por uma directora-geral. Os colégios Mira-Rio e Horizonte, em Lisboa e no Porto, respectivamente, bem como a Escola profissional Val do Rio, no Estoril, são também dirigidas exclusivamente por mulheres, como aliás todos os centros femininos da prelatura.

No Opus Dei, para evitar qualquer tipo de governo pessoal, que poderia degenerar em tirania, os órgãos de chefia – local, nacional e mundial – são colegiais e as decisões são tomadas por maioria de votos. Nestes apostolados pratica-se um são ecumenismo, pela activa colaboração de pessoas que não são fiéis da prelatura e que podem não ser católicas, nem cristãs, ou crentes de outras religiões, agnósticas e ateias.

Se é verdade que há um grande paralelismo entre os apostolados masculino e feminino do Opus Dei, também é verdade que há excepções. É o caso das numerárias auxiliares: as mulheres que, por opção pessoal, se dedicam ao atendimento dos centros da Obra, femininos e masculinos, bem como das casas de convívios, retiros, etc. Cabe-lhes a administração desses instrumentos apostólicos, mas não como ‘empregadas domésticas’ das outras numerárias, nem dos numerários. As primeiras mulheres que exerceram essas funções foram a mãe e a irmã do fundador que, não sendo da Obra, contribuíram para o ambiente familiar dos centros do Opus Dei. Por isso, as numerárias auxiliares são, para os fiéis da prelatura, como se fossem a sua mãe e irmãs e, como tal, são consideradas, respeitadas e estimadas.

Como acontece em qualquer família, cada casa ou centro governa-se a si mesmo, sobretudo com as pessoas que nele vivem e que, com o seu trabalho profissional, devem prover ao seu sustento. Às vezes, recorre-se também à ajuda de pessoal externo, masculino ou feminino, como auxiliares de limpeza, jardineiros, etc. A administração desses centros compete às numerárias e, sobretudo, às auxiliares, que recebem a formação correspondente, que vai da dietética à decoração. Algumas numerárias e auxiliares também dirigem ou trabalham, com profissionalismo e competência técnica, em atelieres que se encarregam da confecção e reparação de paramentos litúrgicos, objectos de culto, restauro de antiguidades, etc. Outras há que se dedicam, também com carácter profissional, à edição e impressão de textos, direcção e docência de escolas de ciências domésticas, etc.

São Josemaria exigia às numerárias auxiliares, como aliás a todos os outros fiéis da prelatura, uma exigente preparação profissional. Também lhes pedia que estivessem a par das inovações tecnológicas relativas ao seu trabalho e, para esse efeito, visitassem as feiras internacionais do sector. Também elas, no exercício do seu trabalho, devem estar tecnologicamente actualizadas, como qualquer profissional que se preze.

Não estranha, por isso, que as numerárias auxiliares não sejam, no Opus Dei, fiéis de segunda classe. Pelo contrário, como gostava de dizer o fundador, o seu trabalho de administração dos centros é tão essencial que, na realidade, é o apostolado dos apostolados. Longe de serem as ‘gatas borralheiras’ da prelatura, ou as ‘criadas’ das numerárias e dos numerários, são autênticas profissionais que, até a nível pessoal, muitas vezes nada ficam a dever às outras numerárias, nem sequer na sua formação doutrinal. Com efeito, as auxiliares, como as outras numerárias, também fazem estudos de filosofia e teologia. Algumas são licenciadas e, por sua livre opção, podendo ser numerárias, preferiram contudo ser admitidas na prelatura como auxiliares, por se sentirem especialmente vocacionadas para essa missão.

Dora del Hoyo
Na cripta da igreja prelatícia, em Roma, onde descansaram os restos mortais de São Josemaria, entretanto trasladados para a nave central, jazem os seus sucessores, os bispos prelados do Opus Dei, beato Álvaro del Portillo e Javier Echevarria. Há lá só mais um corpo: o de Dora del Hoyo, numerária auxiliar. Apesar de tantas numerárias e numerários já falecidos – alguns dos quais foram ilustres professores universitários, ministros, bispos, deputados, embaixadores, banqueiros, cientistas, generais, artistas, etc. – a única fiel da prelatura que, até à data, repousa na cripta da igreja prelatícia foi apenas e só numerária auxiliar. A sua discreta presença naquele lugar não é publicidade enganosa, nem demagogia barata, mas a genuína expressão de uma revolucionária verdade desde sempre vivida nesta instituição: a igual nobreza de todas as profissões humanas e a comum dignidade eclesial de todos os filhos de Deus.

E não há numerários auxiliares no Opus Dei?! Sim, de certo modo há, mas não com esse nome: são os padres da prelatura, que estão igualmente ao serviço dos homens e mulheres do Opus Dei. Também eles, com o seu ministério sacerdotal, têm uma missão de serviço dos leigos da Obra e de todas as almas. Tanto nos centros masculinos como femininos, o capelão não manda, nem tem, em princípio, funções de governo, mas está ao serviço de todos, para o que for necessário. Obviamente, no que diz respeito ao seu ministério, actua sempre com a total liberdade que os fiéis do Opus Dei têm em relação às questões profissionais. Mas, do mesmo modo como as numerárias auxiliares não são menos do que as outras numerárias, os sacerdotes também não são mais do que os outros numerários.

Quando, em 1946, foi formalmente pedida à Santa Sé a institucionalização canónica do Opus Dei, alguém da cúria romana, dando-se conta da sua inovadora concepção do papel e missão do laicado, comentou que o Opus Dei tinha surgido na Igreja com cem anos de antecipação. Só vinte anos depois, com o Concílio Vaticano II, se proclamou solenemente o chamamento universal à santidade, que o fundador pregava desde 1928; e só com a promulgação da constituição apostólica ‘Ut sit’, a 28 de Novembro de 1982, fez agora precisamente trinta e seis anos, o Opus Dei pôde finalmente receber a sua configuração jurídica definitiva, como prelatura pessoal, uma estrutura eclesial análoga aos ordinariatos castrenses. Mas, noventa anos volvidos sobre a sua fundação, ainda continua a ser uma novidade no que se refere à igual condição eclesial de homens e mulheres, ao protagonismo dos leigos no apostolado cristão e – espantem-se! – ao seu salutar anticlericalismo.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador de 01.12.2018

Evangelho do dia 1 de dezembro de 2018

«Velai, pois, sobre vós, para que não suceda que os vossos corações se tornem pesados com o excesso do comer e do beber e com os cuidados desta vida, e para que aquele dia não vos apanhe de improviso; porque ele virá como uma armadilha sobre todos os que habitam a superfície de toda a terra. Vigiai, pois, orando sem cessar, a fim de que vos torneis dignos de evitar todos estes males que devem suceder, e de aparecer com confiança diante do Filho do Homem».

Lc 21, 34-36

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

200 pessoas gravaram o nome na pedra da basílica de S. Pedro

Nestas vésperas da festa da Imaculada Conceição de Maria, no próximo dia 8 de Dezembro, vale a pena recordar o caminho percorrido.

O Papa Francisco diz que a doutrina não muda, mas a Igreja progride na sua compreensão. Efectivamente, Jesus ensinou que «todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas» (Mt 13, 52). O Concílio Vaticano II descreve esta dinâmica de fidelidade e descoberta dizendo que «a Igreja é confortada pela força da graça de Deus (...) para que não se afaste da perfeita fidelidade (...) e, sob a acção do Espírito Santo, não cesse de se renovar» («Lumen gentium», 9). A graça concedida a Nossa Senhora é uma destas descobertas: Imaculada, Auxiliadora, Medianeira, Mãe da Igreja!...

Não se inventou. Mais que estabelecer uma doutrina nova, a Igreja compreendeu a necessidade de se embeber na lógica de Deus, que exalta o que é pequeno, o que parece desprezível aos olhos dos homens, para o tornar uma peça-chave da história da humanidade. A colaboração de Maria na obra da redenção faz parte desta lógica divina. Ela não é Deus, não tem a seu favor o título da omnipotência divina. A eficácia de Maria vem da graça de Deus que multiplica infinitamente a pequenez humana e torna operativa a vida dos que Lhe são fiéis. Maria amou sem reservas e Deus fê-la rainha de todo o universo.

A doutrina da Imaculada Conceição sintetiza duas verdades que a Igreja compreendeu cada vez melhor. A primeira é que Nosso Senhor não Se deixa vencer em generosidade. A segunda é que a graça transforma tão completamente os actos humanos que converte os gestos mais simples em marcos históricos, enquanto o tempo desfaz em pó as epopeias vistosas.

Ir buscar água ao poço. Preparar a refeição do marido e do Filho. Cantar com umas amigas à sombra de uma árvore. Que há para dizer?

A vida de uma mulher simples, numa pequena aldeia de um país da periferia do Império Romano, ergue-se acima de todas proezas da humanidade, de todas as conquistas e lideranças. Maria, a jovem rapariga de Nazaré, vale mais, para Deus, que todas as glórias da Terra. Proclamar a Conceição Imaculada de Maria foi a forma de a Igreja manifestar a Deus que tinha compreendido a mensagem.

Para acompanharem o Papa Pio IX na definição do dogma, reuniram-se em Roma quase duzentos bispos. Concretamente, 54 cardeais, 42 arcebispos e 98 bispos. Chegaram do outro lado do Atlântico e das costas do Pacífico e das margens do Índico. Nunca se tinha visto uma reunião internacional tão numerosa e representativa da terra inteira. Antes, Pio IX consultara cada bispo do mundo e recebera respostas afirmativas entusiasmadas. Um pequeno número de cartas perdeu-se no correio e um ou outro bispo chamou a atenção para o perigo de alimentar equívocos em ambientes protestantes. O bispo Achille Ratti, que viria a ser Papa com o nome de Pio XI, foi um dos que alertou para esse perigo. Em face das respostas, Pio IX tomou a decisão.

8 de Dezembro de 1854. O momento da proclamação foi soleníssimo. Nas basílicas antigas, as pessoas não se sentavam em bancos, mas apertavam-se em pé, de modo que, onde hoje cabem 30 mil pessoas sentadas, poderiam estar naquele dia umas 60 mil. Pio IX contou que, quando começou a ler o decreto, percebeu que não se faria ouvir no fundo da basílica mas, ao chegar à definição do dogma, Deus deu-lhe uma tal energia que a sua voz ecoou de uma ponta à outra. Ficou tão emocionado, que teve de suspender a leitura, sem conseguir conter as lágrimas. O embaixador da França relata que não foi só o Papa a emocionar-se e a derramar abundantes lágrimas. No momento em que ele se calou, «a emoção conquistou toda a assembleia. Houve um instante de interrupção e de silêncio que dizia mais que qualquer eloquência imaginável. O Santo Padre elevou os olhos ao céu a pedir a força que lhe faltava e recuperou pouco a pouco a sua voz sonora e harmoniosa que, imediatamente a seguir, transportava à extremidade do edifício as suas palavras sacramentais».

Os bispos de todo o mundo que acompanharam o Papa na cerimónia de proclamação do dogma gravaram os seus nomes em grandes letras maiúsculas na parede lateral da abside da basílica de S. Pedro, com uma pequena introdução a recordar a Nossa Senhora o que tinham feito naquele dia.

Pouco depois, a 25 de Março de 1858, Nossa Senhora apareceu em Lourdes, nos confins da França, dando-se a conhecer como a Imaculada Conceição. Quem me dera ter o nome escrito naquela parede da basílica de S. Pedro.
José Maria C.S. André

A proximidade de Deus

Ao prepararmos a eminente celebração do nascimento de Jesus em Belém, estas semanas levam nos a perceber como Deus se aproxima em cada instante de nós, nos espera nos sacramentos, especialmente nos da Penitência e da Eucaristia, mas também na oração e nas obras de misericórdia.

D. Javier Echevarría (excerto da carta apostólica de dezembro de 2016 com tradução de JPR a partir do espanhol)

Evangelho do dia 30 de novembro de 2018

Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. «Segui-Me, disse-lhes, e Eu vos farei pescadores de homens». E eles, imediatamente, deixando as redes O seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca juntamente com seu pai Zebedeu, consertando as suas redes. E chamou-os. Eles, deixando imediatamente a barca e o pai, seguiram-n'O.

Mt 4, 18-22