Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 4 de março de 2018

QUARESMA 2018

Levanto os olhos e vejo o deserto à minha frente.

Descalço-me porque quero sentir os grãos de areia nos meus pés de peregrino.
São tantos como os meus pecados!
Peregrino no deserto!
Peregrino à procura de mim, ou melhor à procura de Deus em mim.

Ao fundo vejo-O sentado numa pedra, em profunda meditação.
O diabo ronda-O, solícito, feito de palavras mansas, a querer enganar a Verdade.
Mas a Verdade não se engana, nem é enganada, permanece, porque toda ela é Amor.

Aproximo-me.
Quero ver, sentir aquela “luta”, que eu acredito e sei, será perdida pelo inimigo.

Acho que Jesus, (é Ele, sim, que eu vejo ao longe), até olha o inimigo com bondade, com misericórdia, mas ele insiste em querer enganar, no fundo em querer perder-se, cada vez mais.
Com um simples gesto, Jesus afasta-o, porque a hora passou e o inimigo já não tem argumentos, foi derrotado.

Fico quieto, imóvel, quase sem respirar, porque agora aquele que nos quer fazer perder, volta-se para mim e aproxima-se envolto numa beleza incrível.
(Ah, quisera eu que ele fosse horroroso como o pintam!)
Sinto-me vacilar, sei-me fraco, pecador, frágil e temo, temo muito.

Olho mais ao longe, para Jesus, e digo-Lhe com o meu olhar: Senhor, salva-me!

Ouço então a Sua voz dentro de mim, envolta num amor tal, que a beleza do tentador fica ofuscada por este amor.
Meu filho, estes são os dias da penitência, diz-me Jesus ao coração.
Não tenhas medo, Eu estou contigo.
Ouve o tentador, percebe bem em que falhas, em que te sentes mais fraco, em que sentes que já caíste e podes voltar a cair, e depois, agarra-te bem à minha mão, entrega-me o teu coração, e deixa que Eu faça tudo novo em ti.

O inimigo afasta-se, mas vai olhando para trás, como que dizendo: Vou agora mas hei-de voltar!

E Jesus diz sorridente: Enquanto estiveres comigo, ele voltará sempre, mas sempre será derrotado, porque o amor prevalece e é o meu amor maior do que todo o mal.

Baixo a cabeça, sorrio na alegria de Deus, e digo a Jesus cheio de amor: Obrigado, Senhor, por esta quaresma que nos permites viver!

Marinha Grande, 20 de Fevereiro de 2018

Joaquim Mexia Alves

Texto publicado no Grãos de Areia, Boletim mensal da Paróquia da Marinha Grande

Bom Domingo do Senhor!

Senhor, Tu que tudo sabes inclusive o que vai dentro de nós como nos ensina o Teu discípulo amado, João, no Evangelho de hoje (Jo 2, 13-25) ajuda-nos, Te rogamos, a ser fiéis e respeitosos guardadores da casa do Pai, que também é a Tua, fazendo dela lugar Sagrado aonde, com simplicidade mas com absoluta dignidade, Te possamos encontrar e estar conTigo.

Senhor, a Tua Igreja, que somos todos nós, merece o que há de melhor, pois ela, a cuja cabeça presides, conjuntamente com o Pai e o Espírito Santo é o nosso porto abrigo durante as tempestades e as acalmias!

Senhor, protege o Teu amadíssimo vigário Francisco e todo o corpo eclesial, que sendo formado por homens, por vezes se esquece de Ti.

Louvado sejas para todo o sempre pela Tua infinita bondade!

«Quem se exaltar será humilhado, quem se humilhar será exaltado»

Santo Isaac, o Sírio (séc. VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, 1ª série, n° 20

A humildade é uma força secreta que os santos recebem quando levam a cabo toda a ascese da sua vida. Na verdade, esta força só é dada aos que atingem a perfeição da virtude pelo efeito da graça. [...] É a mesma força que receberam os bem-aventurados apóstolos sob forma de fogo. Com efeito, o Salvador tinha-lhes ordenado que não deixassem Jerusalém enquanto não tivessem recebido a força vinda do alto (At 2, 3; 1, 4). Jerusalém simboliza aqui a virtude. E a força vinda do alto é o Paráclito, isto é, o Espírito Consolador.

Ora, isso é o que a Sagrada Escritura tinha dito: os mistérios são revelados aos humildes (Lc 10, 21). Aos humildes é concedido receber em si este Espírito das revelações que descobre os mistérios. É por isso que alguns santos disseram que a humildade cumula a alma nas contemplações divinas. Portanto, que ninguém imagine que atingiu a medida da humildade só porque em certo momento lhe ocorreu um pensamento de compunção, ou porque derramou algumas lágrimas. [...] Mas se um homem venceu todos os espíritos adversos [...], se derrubou e submeteu todas as fortalezas dos inimigos e se, então, sentiu que recebeu essa graça, quando «o Espírito der testemunho ao seu espírito», como diz o apóstolo Paulo (Rom 8, 16), aí temos a perfeição da humildade. Bem-aventurado aquele que a possui. Porque em todo o momento abraça o seio de Jesus (cf Jo 13, 25).

sábado, 3 de março de 2018

DECRETO Sobre a celebração da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja no Calendário Romano Geral

CONGREGATIO DE CULTO DIVINO ET DISCIPLINA SACRAMENTORUM

A feliz veneração em honra à Mãe de Deus da Igreja contemporânea, à luz das reflexões sobre o mistério de Cristo e sobre a sua própria natureza, não poderia esquecer aquela figura de Mulher (cf. Gal. 4,4), a Virgem Maria, que é Mãe de Cristo e com Ele Mãe da Igreja.

De certa forma, este facto, já estava presente no modo próprio do sentir eclesial a partir das palavras premonitórias de Santo Agostinho e de São Leão Magno. De facto, o primeiro diz que Maria é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja. O segundo, diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, o que indica que Maria é, ao mesmo tempo, mãe de Cristo, Filho de Deus, e mãe dos membros do seu corpo místico, isto é, da Igreja. Estas considerações derivam da maternidade divina de Maria e da sua íntima união à obra do Redentor, que culminou na hora da cruz.

A Mãe, que estava junto à cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial.

Dedicada guia da Igreja nascente, Maria iniciou, portanto, a própria missão materna já no cenáculo, rezando com os Apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo (cf. Act 1, 14). Ao longo dos séculos, por este modo de sentir, a piedade cristã honrou Maria com os títulos, de certo modo equivalentes, de Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo e, também, “Mãe da Igreja”, como aparece nos textos dos autores espirituais assim como nos do magistério de Bento XIV e Leão XIII.

Assim, resulta claramente, sobre qual fundamento o beato papa Paulo VI, a 21 de Novembro de 1964, por ocasião do encerramento da terça sessão do Concílio Vaticano II, declarou a bem-aventurada Virgem Maria “Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima” e estabeleceu que “com este título suavíssimo seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão”.

A Sé Apostólica, por ocasião do Ano Santo da Reconciliação (1975), propôs uma missa votiva em honra de Santa Maria, Mãe da Igreja, que foi inserida no Missal Romano. A mesma deu a possibilidade de acrescentar a invocação deste título na Ladaínha Lauretana (1980), e publicou outros formulários na Colectânea de Missas da Virgem Santa Maria (1986). Para algumas nações e famílias religiosas que pediram, concedeu a possibilidade de acrescentar esta celebração no seu Calendário particular.

O Sumo Pontífice Francisco, considerando atentamente quanto a promoção desta devoção possa favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana, estabeleceu que esta memória da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja inscrita no Calendário Romano na Segunda-feira depois do Pentecostes, e que seja celebrada todos os anos.

Esta celebração ajudará a lembrar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos.

Esta memória deverá, pois aparecer, em todos os Calendário e Livros Litúrgicos para a celebração da Missa e da Liturgia das Horas. Os respectivos textos litúrgicos são apresentados em anexo a este decreto, e a sua tradução, aprovada pelas Conferências Episcopais, serão publicados depois da confirmação por parte deste Dicastério.

Onde a celebração da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, por norma do direito particular aprovado, já se celebra num dia diferente com grau litúrgico mais elevado, pode continuar a ser celebrada desse modo.

Nada obste em contrário.

Sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos,11 de Fevereiro de 2018, memória da bem-aventurada Virgem Maria de Lurdes.

Robert Card. Sarah
Prefeito
+ Arthur Roche
Arcebispo Secretário

O Evangelho de Domingo dia 4 de março de 2018

Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados às suas mesas. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo, e com eles as ovelhas e os bois, deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou as suas mesas. Aos que vendiam pombas disse: «Tirai isto daqui, não façais da casa de Meu Pai casa de comércio». Então lembraram-se os Seus discípulos do que está escrito: “O zelo da Tua casa Me consome”. Tomaram então a palavra os judeus e disseram-Lhe: Que sinal nos mostras para assim procederes?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e o reedificarei em três dias». Replicaram os judeus: «Este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e Tu o reedificarás em três dias?». Ora Ele falava do templo do Seu corpo. Quando, pois, ressuscitou dos mortos os Seus discípulos lembraram-se do que Ele dissera e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus tinha dito. Estando em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos acreditaram no Seu nome vendo os milagres que fazia. Mas Jesus não Se fiava neles, porque os conhecia a todos, e não necessitava de que Lhe dessem testemunho de homem algum, pois sabia por i mesmo o que há em cada homem.

Jo 2, 13-25