Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 23 de maio de 2017

O QUE É UM ABRAÇO?

Um abraço,
é um sorriso,
desenhado pelos braços,
num apertado sentir,
de um sentimento de amor,
dado ao outro,
na alegria,
ou na dor!

Monte Real, 23 de Maio de 2017

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2017/05/o-que-e-um-abraco.html

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Encontra-se no santuário de Torreciudad com D. Álvaro del Portillo e o arquitecto Heliodoro Dols. Depois de contemplar o retábulo comenta: “Com material humilde desta nossa terra fizestes material divino”.

A síndrome da presunção e a doença mental na política

Muitos de nós já se terão questionado: será que o poder transforma as pessoas, alterando-lhes a personalidade, ou será que aqueles que chegam ao poder já apresentam traços ou características de doença psiquiátrica?

É provável que ambas as hipóteses sejam verdadeiras, senão vejamos: um estudo (Davidson et al.) publicado em 2006 na revista Journal of Nervous and Mental Disease, após uma revisão de fontes biográficas de presidentes dos EUA entre 1776 e 1974  mostrou que 18 (49%) preencheram critérios que sugeriam doença psiquiátrica. Neste caso, depressão (24%), ansiedade (8%), perturbação bipolar (8%) e alcoolismo (8%) foram as doenças mais frequentemente reportadas. Também há vários relatos de que Winston Churchill sofria de depressão, a que chamava “o cão negro”. Existem ainda inúmeros elementos biográficos que levam a suspeitar que, por exemplo,  Mussolini, Mao Tse-Tung, Khrushchev e Saddam Hussein sofriam de doença bipolar.

Em 2009, num artigo publicado na prestigiada revista Brain, David Owen, médico e ex-ministro dos negócios estrangeiros inglês, juntamente com o psiquiatra Jonathan Davidson, defenderam a existência de uma doença psiquiátrica, originada pelo exercício do poder, designada por “síndrome da presunção” (Hubris syndrome). Segundo estes autores, esta síndrome, que partilha elementos com o narcisismo e a psicopatia, corresponde a um padrão de comportamento provocado pela exposição a um cargo de poder por um período variável de 1 a 9 anos. Os sintomas identificados são vários: perda de contacto com a realidade, predisposição para ver o mundo como um lugar para a auto-glorificação através do uso do poder, preocupação exagerada com a imagem e a apresentação, forma messiânica de falar acerca do que estão a fazer, utilização recorrente do “nós” em tom majestático, identificação de si próprios (ideias e pensamentos) com o Estado, como se fossem um só, excesso de autoconfiança com desdém perante os conselhos ou críticas dos outros, assumir apenas responsabilidade para um tribunal superior (história ou Deus) ao mesmo tempo que reitera a crença de que será recompensado nesse julgamento.

O ambiente de poder que rodeia a maior parte dos chefes de governo tem um impacto significativo sobre estas pessoas, mesmo as mais estáveis psiquicamente, uma vez que deixam de ter uma vida normal. Vivem muitas vezes em casas sumptuosas do Estado, rodeados de um séquito de aduladores, têm carros com motorista, seguranças, e deslocam-se em ambientes protegidos: de uma suíte VIP de um aeroporto para um palácio governamental, ou para um fórum com a elite empresarial. Ora tudo isto dá um nível de vida e um afastamento dos problemas do dia-a-dia que só algumas pessoas muito ricas podem igualar. Mas mais importante é que este estilo de vida origina ao líder político um grande isolamento. Por conseguinte, este começa a acreditar que não é igual aos outros homens. Fica emerso num mundo de ideias geradas apenas por si próprio, e aos poucos, sem se aperceber, vai perdendo o contacto com o mundo real.

A intoxicação pelo poder é um caminho que nem todos os indivíduos têm capacidade para neutralizar. Muitos acabam por ultrapassar a fronteira entre a decisão competente e a incompetência presunçosa.  Os políticos, tal como os médicos, têm a vida das pessoas que governam nas suas mãos. Nalguns casos a responsabilidade pode ser ainda maior, já que podem decidir se colocam em risco a vida dos seus cidadãos. Por exemplo, podem decidir subtrair os rendimentos das pessoas, através dos impostos, remetendo os mais frágeis para a asfixia da pobreza;  podem criar um clima de insegurança e medo, roubando a esperança no futuro a gerações inteiras; podem cobardemente incentivar a emigração ou de forma inábil obrigarem as pessoas a viver resignadamente num país onde floresce a miséria psicológica.

Importa sublinhar que a síndrome de presunção é um tema controverso e não surge, pelo menos para já, nos manuais de psiquiatria. Mas é curioso constatar que facilmente podemos identificar algumas das características descritas nalguns políticos portugueses. Seja como for, uma das formas mais eficazes de evitar os efeitos devastadores dos políticos presunçosos, é através da detecção precoce dos sinais de “intoxicação pelo poder”, tais como: a crença de que o sofrimento de um povo corresponde a lamechices, a utilização obsessiva de agências de comunicação e de eventos organizados para autopromoção, a preocupação excessiva pela imagem, a tentativa de controlo da comunicação social, o desdém pelos adversários políticos, a teimosia e a obstinação,  o recurso a retóricas políticas extravagantes e enganadoras, nas quais surgem frequentes contradições, e a persistência perversa numa política que comprovadamente não funciona.

Tal como nas psicoses, os afetados pela síndrome da presunção não reconhecem “estar doentes”, já que para eles isso é um sinal de fraqueza. Ou seja, raramente se demitem, devendo por isso serem demitidos. Para bem da sociedade e dos governantes afetados, os médicos que descreveram esta síndrome afirmam que ela tem cura, já que é propensa a desaparecer com o afastamento do poder. Finalmente, e citando Chesterton, a perfeita autoconfiança não é apenas um pecado; a perfeita autoconfiança é uma fraqueza. Os homens que acreditam “demasiado” em si mesmos estão todos fechados nos manicómios.

Pedro Afonso
Médico Psiquiatra
In jornal Público 16.05.2013

O Evangelho do dia 23 de maio de 2017

«Agora vou para Aquele que Me enviou e nenhum de vós Me pergunta: Para onde vais? Mas, porque vos disse estas coisas a tristeza encheu o vosso coração. «Contudo, digo-vos a verdade: A vós convém que Eu vá, porque se não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se for, Eu vo-l'O enviarei. Ele, quando vier, convencerá o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao juízo. Quanto ao pecado, porque não creram em Mim; quanto à justiça, porque vou para o Pai e vós não Me vereis mais; quanto ao juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Jo 16, 5-11

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Amar pelos dois: Jacinta e Francisco

Ainda no rescaldo da estadia do Santo Padre em Fátima e inebriado pela graça da canonização de Jacinta e Francisco Marto e do centenário das aparições marianas na Cova da Iria, não é fácil alinhavar umas quantas considerações que, em jeito de conclusão, ajudem a retirar, de todos estes extraordinários acontecimentos, uma lição de vida cristã.

Como tantos outros peregrinos do mundo inteiro, também eu rumei em direcção a Fátima no passado dia 11, na incerteza de saber se conseguiria chegar ao meu destino ou se, pelo contrário, ficaria retido a alguns quilómetros de distância, para depois apanhar algum transporte público que me levasse até Fátima, ou seguir até lá a pé. Graças a Deus, não tive qualquer problema em chegar e estacionar numa das artérias por onde o Papa Francisco iria passar no dia seguinte, ao entrar em Fátima, vindo de Monte Real. Foi aí também que, pela primeira vez, tive a graça de o ver e de receber a sua bênção.

Mais tarde, no santuário, estando já o Papa Francisco na Capelinha, com ele rezei o terço do rosário, a oração mariana que, em seis aparições mensais consecutivas, Nossa Senhora pediu aos videntes e a todos os fiéis que rezassem diariamente, para alcançar a salvação das almas e a paz para as famílias, para a Igreja e para todo o mundo.

À medida que anoitecia, acenderam-se milhares de velas por todo o recinto, convertido num mar de gentes simples que, como na canção brasileira, mesmo não sabendo rezar, oravam com o seu olhar, feito prece de esperança e filial devoção. Não vi os teólogos que, na comunicação social, muito gostam de questionar Fátima e a sua mensagem, nem os intelectuais que, de tanto racionalizarem o fenómeno sociológico, parecem incapazes de compreender a sua natureza profundamente humana e sobrenatural. Mas vi pessoas de todo o tipo e condição, irmanadas pela mesma fé, por igual esperança, por idêntico amor.

Permitam-me uma confissão pessoal: Fátima faz-me muito mal! Sempre que lá vou – e para lá peregrino muitas vezes ao ano! – de lá regresso abatido e desanimado. Chego como um campeão que acaba de cortar a meta, para depois sair envergonhado, como um soldado que, derrotado, abandona tristemente o campo de batalha. Ante a grandeza da fé daquelas gentes, a minha fé parece ridícula. Diante da esperança que brilha no olhar daqueles peregrinos, tantas vezes provados pelo fogo das mais cruéis provações, a minha esperança afigura-se uma futilidade pueril. A fé profunda e ardente daqueles sacrificados fiéis reduz a cinzas a minha devoção, talvez mais erudita que essa sua oração, mas tão longe daquela tão autêntica simplicidade evangélica!

É então que compreendo por que a ‘Senhora mais brilhante do que o sol’ não escolheu, para seus interlocutores, os sábios nem os poderosos deste mundo, mas três crianças analfabetas, como já em Lourdes a Imaculada Conceição se revelara à pobre Bernardete. O critério de selecção da celestial mensageira não poderia ser mais evangélico, porque o Pai, Senhor do Céu e da terra, não se revelou aos sábios e entendidos, mas aos pequeninos, porque assim foi do seu agrado (cf. Mt 11, 25-26).

Mesmo que, tecnicamente, as aparições de Fátima tenham sido visões – como o Papa Francisco confirmou no avião de regresso a Roma, ao fazer seu o comentário teológico do seu predecessor, Bento XVI, quando este era ainda prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – a verdade é que Maria apareceu em Fátima. Pouco importa, na realidade, que o tenha feito de forma sensível aos sentidos externos, ou apenas perceptível pelos sentidos internos dos videntes. Os teólogos distinguem estes dois tipos de visões mas ambos são, sem dúvida, aparições sobrenaturais: não têm a mesma ‘estrutura antropológica’, para utilizar a terminologia do teólogo Joseph Ratzinger, mas os dois são igualmente válidos e fidedignos na transmissão da mensagem transcendente, a que esta polémica algo bizantina pouco ou nada acrescenta.

Decerto, muito mais importante do que a caracterização científica do fenómeno, é a sua realização existencial na vida dos pastorinhos, nomeadamente os agora canonizados, Santa Jacinta e São Francisco Marto. Enquanto a pequena vidente foi mais sensível à necessidade de rezar e sofrer pela conversão dos pecadores, pois muitas almas há que se condenam por não haver quem por elas peça e padeça, o que mais impressionou o seu irmão foi a imensidade de Deus, consideração que o retinha, por longos tempos, em amorosa meditação.

Santa Jacinta e São Francisco falam-nos, afinal, do amor a Deus que se expressa pela oração e pelo sacrifício. E, como ambos já estão no Céu, é a nós que compete, agora, amar pelos dois.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Voz da Verdade AQUI
(seleção de imagens 'Spe Deus')