Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Uma nova revolução industrial?

Considerações a despropósito da ‘mais antiga profissão do mundo’

Conta a lenda, mas não a Bíblia, que um belo dia Adão, ainda no paraíso, chegou tarde a casa. Eva, criada por Deus de uma costela marital, quis saber das razões da demora, mas Adão não soube justificar de forma convincente o seu atraso que, a bem dizer, não se devia a nenhum motivo especial. Como Eva não ficasse satisfeita com as explicações conjugais, depois de o marido ter adormecido, foi-lhe contar as costelas. Se faltasse mais alguma, seria de supor a existência no Éden de mais alguma criatura feminina, eventualmente de má vida!

Há quem diga que a profissão da hipotética concorrente de Eva é a mais antiga do mundo. Mas não é verdade, porque o mais antigo ofício é o de Adão, que foi guarda florestal, ou jardineiro, na medida em que foi incumbido de guardar e cultivar o jardim do paraíso. A segunda profissão mais antiga também não foi a dos rumores infamantes, porque Eva, criada logo depois de Adão, foi doméstica. As seguintes são a de pastor e caçador, que seus filhos Abel e Caim exerceram, respectivamente.

Aliás, não só não é a mais antiga, como também não é profissão nenhuma. Por muito peritos que sejam nas suas actuações, um burlão ou um homicida não são, em sentido próprio, profissionais. O acto de mercadejar com o próprio corpo também não tem, nem pode ter, a dignidade de uma profissão, precisamente pelo carácter degradante dessa acção. Nenhum direito civilizado pode admitir tal comércio, nem reconhecer, a quem o exerce, qualquer estatuto laboral. Também não deve haver qualquer protecção legal para quem tem a indignidade de a ele recorrer ou, pior ainda, para quem criminosamente se dedica à sua exploração.

Contudo, há quem fale de ‘quem trabalha na indústria do sexo’ (PÚBLICO, 18-8-2014)! Assim, como se se tratasse de uma ‘indústria’ qualquer! Ou seja, há quem trabalhe na indústria do calçado, quem trabalhe na indústria têxtil, quem trabalhe na indústria da restauração, quem trabalhe na indústria cinematográfica e … quem trabalhe na indústria do sexo! Quem aí ‘trabalha’ estaria, portanto, equiparado, para efeitos sociais e laborais, aos ‘colegas’ que prestam serviço nas outras indústrias. Sendo uma ‘indústria’ como outra qualquer, não seria ofensiva a suposição de alguém aí exercer como funcionária, ou ter uma tal mãe, e até seria honroso ser um industrial, ou empresário, do ramo. Por este andar, pouco faltaria para que se criasse uma ordem profissional da falsamente dita mais antiga profissão do mundo …

O discurso de quem reivindica direitos para estas ‘trabalhadoras’ é uma falácia, porque uma tal exigência, embora finja uma louvável preocupação social, esconde uma inadmissível cumplicidade com a infamante realidade em que são obrigadas a viver essas mulheres. O problema da escravatura não se resolve com a sua aceitação social, nem com a outorga de alguns direitos sociais aos seres humanos que são privados da sua liberdade, mas com a irradicação total dessa infra-humana condição e a perseguição de todos os que, desse modo, atentam contra a dignidade humana. O drama da prostituição não tem, também, outra possível solução.

Se não é aceitável que os meios de comunicação social colaborem no branqueamento da exploração sexual, mesmo que sob a aparência de uma mera investigação antropológica, também não é compreensível que os agentes políticos tolerem esta realidade social. De facto, parece que as entidades oficiais pouco fazem para ajudar estas mulheres, ou para punir os ‘empresários’ desta tão rendosa ‘indústria’, cujo ‘material’, ao contrário da droga, é sempre reutilizável. As instituições da Igreja católica são, praticamente, as únicas que, no terreno, prestam um serviço efectivo às vítimas desta chaga social.

Não é possível fazer da terra o paraíso que já foi mas, como a Adão, também nos foi dada a missão de guardar e cultivar este jardim. Importa preservar a natureza mas, mais importante é a defesa da ecologia humana: qualquer ser humano deve ser respeitado na sua liberdade e dignidade pessoal. Porque todas as pessoas são, sem excepção, imagem e semelhança do Criador.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada in 'Voz da Verdade' AQUI

«Minha mãe e Meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática»

Bento XVI 
Discurso de 26/02/2009 ao clero da diocese de Roma

Realmente Maria é a mulher da escuta: vemo-lo no encontro com o Anjo (Lc 1,26ss) e vemo-lo de novo em todas as cenas da sua vida, desde as bodas de Caná, até à cruz e até ao dia do Pentecostes. [...] Já no momento da Anunciação podemos captar a atitude de escuta: uma escuta verdadeira, uma escuta que é interiorizada, que não se limita a dizer sim mas que assimila a Palavra, que toma a Palavra, à qual se segue a verdadeira obediência, porque a Palavra foi interiorizada, isto é, tornou-se Palavra em mim e para mim. [...] Assim a Palavra torna-se encarnação.

Vemos o mesmo no Magnificat. Sabemos que é um tecido feito de palavras do Antigo Testamento. Vemos que Maria é realmente uma mulher da escuta, que conhecia a Escritura no seu coração. Não conhecia apenas alguns textos, mas identificava-se a tal ponto com a Palavra, que as palavras do Antigo Testamento se tornaram, sintetizadas, um cântico no seu coração e nos seus lábios. Vemos que a sua vida estava realmente imbuída da Palavra; tinha entrado na Palavra, tinha-a assimilado, e a Palavra tinha-se tornado vida nela, transformando-se depois de novo em Palavra de louvor e de anúncio da grandeza de Deus.

Nossa Senhora é palavra de escuta, palavra silenciosa, mas também palavra de louvor, de anúncio, porque na escuta a Palavra se torna de novo carne e assim torna-se presença da grandeza de Deus.

O Evangelho do dia 22 de setembro de 2015

Foram ter com Ele Sua mãe e Seus irmãos, e não podiam aproximar-se d'Ele por causa da multidão. Foram dizer-Lhe: «Tua mãe e Teus irmãos estão lá fora e querem ver-Te». Ele respondeu-lhes: «Minha mãe e Meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

Lc 8, 19-21

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Homilia na integra do Papa na Santa Missa em Holguín (Cuba)

Celebramos a festa do apóstolo e evangelista Mateus. Celebramos a história duma conversão. Ele próprio nos conta, no seu Evangelho, como foi o encontro que marcou a sua vida, introduzindo-nos numa «troca de olhares» que pode transformar a história.

Um dia, como outro qualquer, estava ele sentado à mesa da cobrança de impostos, quando Jesus passou e o viu, aproximou-Se e disse-lhe: «Segue-me». E ele, levantando-se, seguiu-O.

Jesus olhou para ele. Que força de amor teve o olhar de Jesus para mover assim Mateus! Que força deviam ter aqueles olhos para o levantar! Sabemos que Mateus era um publicano, ou seja, cobrava os impostos dos judeus para os entregar aos romanos. Os publicanos eram malvistos e até considerados pecadores, pelo que viviam separados e eram desprezados pelos outros. Com eles, não se podia comer, falar nem rezar. Eram considerados pelo povo como traidores: tiravam da sua gente para dar aos outros. Os publicanos pertenciam a esta categoria social.

Diversamente, Jesus parou, não passou ao largo acelerando o passo, olhou-o sem pressa, com calma. Olhou-o com olhos de misericórdia; olhou-o como ninguém o fizera antes. E este olhar abriu o seu coração, fê-lo livre, curou-o, deu-lhe uma esperança, uma nova vida, como a Zaqueu, a Bartimeu, a Maria Madalena, a Pedro e também a cada um de nós. Ainda que não ousemos levantar os olhos para o Senhor, Ele é o primeiro a olhar-nos. É a nossa história pessoal; tal como muitos outros, cada um de nós pode dizer: eu também sou um pecador, sobre quem Jesus pousou o seu olhar. Convido-vos a fazerdes, em vossas casas ou na igreja, um tempo de silêncio recordando, com gratidão e alegria, as circunstâncias, o momento em que o olhar misericordioso de Deus pousou sobre a nossa vida.

O seu amor precede-nos, o seu olhar antecipa-se à nossa necessidade. Jesus sabe ver para além das aparências, para além do pecado, do fracasso ou da nossa indignidade. Sabe ver para além da categoria social a que possamos pertencer. Para além de tudo isso, Ele vê a dignidade de filho, talvez manchada pelo pecado, mas sempre presente no fundo da nossa alma. Veio precisamente à procura de todos aqueles que se sentem indignos de Deus, indignos dos outros. Deixemo-nos olhar por Jesus, deixemos que o seu olhar percorra as nossas veredas, deixemos que o seu olhar nos devolva a alegria, a esperança.

Depois de olhá-lo com misericórdia, o Senhor disse a Mateus: «Segue-Me». Ele levantou-se e seguiu-O. Depois do olhar, a palavra de Jesus. Depois do amor, a missão. Mateus já não é o mesmo; mudou intimamente. O encontro com Jesus, com o seu amor misericordioso, transformou-o. E deixa para trás a mesa dos impostos, o dinheiro, a sua exclusão. Antes, ele esperava sentado para arrecadar, para tirar aos outros; agora, com Jesus, tem de se levantar para dar, para entregar, para se dar aos outros. Jesus olhou-o, e Mateus encontrou a alegria no serviço. Para Mateus e para quantos sentiram sobre si o olhar de Jesus, os compatriotas deixam de ser aqueles à custa de quem «se vive», usando e abusando deles. O olhar de Jesus gera uma atividade missionária, de serviço, de entrega. O seu amor cura as nossas miopias e incita-nos a olhar mais além, a não nos determos nas aparências ou no politicamente correto.

Jesus vai à frente, precede-nos, abre o caminho e convida-nos a segui-Lo. Convida-nos a ir superando lentamente os nossos preconceitos, as nossas resistências à mudança dos outros e até de nós mesmos. Desafia-nos dia a dia com a pergunta: Crês tu? Crês que é possível que um arrecadador de impostos se transforme num servidor? Crês que é possível um traidor transformar-se num amigo? Crês que é possível o filho de um carpinteiro ser o Filho de Deus? O seu olhar transforma os nossos olhares, o seu coração transforma o nosso coração. Deus é Pai que procura a salvação de todos os seus filhos.

Deixemo-nos olhar pelo Senhor na oração, na Eucaristia, na Confissão, nos nossos irmãos, especialmente naqueles que se sentem postos de lado, que se sentem mais sozinhos. E aprendamos a olhar como Ele nos olha. Partilhemos a sua ternura e misericórdia pelos doentes, os presos, os idosos e as famílias em dificuldade. Uma vez mais somos chamados a aprender de Jesus, que sempre olha o que há de mais autêntico em cada pessoa, isto é, a imagem de seu Pai.

Sei do grande esforço e sacrifício com que a Igreja em Cuba trabalha para levar a todos, mesmo nos lugares mais remotos, a palavra e a presença de Cristo. Menção especial merecem aqui as chamadas «casas de missão» que permitem a muitas pessoas, dada a escassez de templos e sacerdotes, ter um espaço para a oração, a escuta da Palavra, a catequese e a vida comunitária. São pequenos sinais da presença de Deus na nossa terra e uma ajuda diária para tornar vivas estas palavras do apóstolo Paulo: «Exorto-vos, pois, a que procedais de um modo digno do chamamento que recebestes; com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz» (Ef 4, 1-3).

Quero agora dirigir o olhar para Maria, Virgem da Caridade do Cobre, que Cuba acolheu nos seus braços abrindo-Lhe as suas portas para sempre, e peço-Lhe que mantenha, sobre todos e cada um dos filhos desta nobre nação, o seu olhar materno e que estes seus «olhos misericordiosos» velem sempre por cada um de vós, vossas casas, famílias, pelas pessoas que possam sentir que não há lugar para elas. Que Ela nos guarde a todos, como guardou Jesus no seu amor.

O Evangelho do dia 21 de setembro de 2015

Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus, que estava sentado na banca das cobranças, e disse-lhe: «Segue-Me». E ele, levantando-se, O seguiu. Aconteceu que, estando Jesus sentado à mesa em casa deste homem, vieram muitos publicanos e pecadores, e se sentaram à mesa com Jesus e com os Seus discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos Seus discípulos: Por que motivo come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, ouvindo isto, disse: «Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. Ide, e aprendei o que significa: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Mt 9, 9-13