Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 2 de agosto de 2015

Francisco quer milagres (mas milagres a sério)

O Papa espera muito deste próximo sínodo sobre a família. A parte mais interessante será a conclusão final, que o Papa reservou para si. Pediu aos bispos colaborações francas, leais, que o ajudassem na sua missão, mas explicou-lhes que essa missão – confiada pelo próprio Cristo ao Papa – não era delegável.

Alguns sentiram a falta da participação activa do Papa durante as primeiras controvérsias, quando ele, em vez de tomar partido, insistia em que cada um ouvisse os outros e, sobretudo, pedia orações, orações, orações. Parece que o povo cristão tem correspondido, a julgar pelas pessoas que retomaram o terço e as paróquias que organizaram tempos de adoração eucarística.

Noutro plano, o Papa Francisco começou uma catequese muito serena, muito profunda, sobre a família. Sem dar a entender que criticava este ou aquele, propôs-se ajudar a Igreja a olhar a família numa perspectiva diferente. Passou a ser regra que, nos encontros mais concorridos do pontificado (por exemplo nas Filipinas, ou há dias em Guayaquil), o Papa escolha este tema, sempre numa perspectiva evangélica, jamais em tom polémico.

Um dos apelos surpreendentes do Papa Francisco é chorar. Num encontro memorável com milhares de padres da diocese de Roma, perguntava-lhes directamente se, naquele presbitério, se tinham secado as lágrimas. As ofensas à dignidade humana, a deslealdade na quebra dos compromissos deviam comover-nos. Onde é que estão as lágrimas?

Este apelo foi tão genuíno que ninguém o tomou por um recurso de retórica. Pelo contrário, vejo gente que finalmente percebeu a doutrina da Igreja, gente que não se convencia com declarações de direitos e de deveres, mas ficou desarmada com um Papa que admite publicamente que chora e apela aos seus padres para se comoverem.

Outro dos apelos do Papa é para experimentarmos a misericórdia de Deus, para confiarmos no seu projecto de felicidade e abrirmo-nos à contrição e à emenda de vida.

Em Guayaquil, comentando a cena das bodas de Caná, o Papa falou assim das bacias de água destinadas às limpezas. «O vinho novo, o melhor vinho, como diz o mestre-sala, nasce das tinas da purificação, quer dizer, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado; nasce do “piorzinho”, porque “onde abundou o pecado, aí sobreabundou a graça”. Em cada uma das nossas famílias e na família comum que todos formamos, não se descarta ninguém, ninguém é inútil. Pouco antes de começar o ano jubilar da misericórdia, a Igreja celebrará o sínodo dedicado às famílias (...). Convido-vos a intensificar as vossas orações por esta intenção, para que até aquilo que nos parece impuro – a água das tinas –, aquilo que nos escandaliza ou nos assusta, Deus o possa transformar em milagre, fazendo-o passar através da sua “hora” [o Papa explicou que a “hora” de Jesus se referia à sua Paixão]. A família tem hoje necessidade deste milagre».

Outro ponto importante da mensagem do Papa Francisco é que quer milagres, milagres a sério. Não se contenta com falsas soluções, aposta no milagre completo. A embrulhada já não tem remédio? Está tudo perdido? Pelo contrário, tudo se recompõe! O Papa acredita em milagres, quer uma coisa verdadeiramente divina, que nos vai chegar pelas mãos de Maria.

«Toda esta história começou porque “não tinham vinho” e tudo se resolveu porque uma mulher – Nossa Senhora – esteve atenta, soube deixar as suas preocupações nas mãos de Deus e actuou com sensatez e coragem».

O caminho de reconciliação que Deus nos aponta pode parecer áspero, na direcção oposta à felicidade. Mas não, o milagre acontece:
«O vinho melhor está para vir, para aqueles que hoje vêem tudo a derrubar-se. Segredem aos ouvidos, até acreditarem: o melhor vinho está para vir. Sussurre-o, cada um no seu coração: o vinho melhor está para vir. Digam aos desesperados e àqueles com pouco amor: tenham paciência, tenham esperança, façam como Maria, rezem, trabalhem, abram o coração, porque vai chegar o melhor dos vinhos. Deus abeira-Se sempre das periferias daqueles que ficaram sem vinho, daqueles que só têm desencorajamento para beber; Jesus tem predilecção por oferecer o melhor dos vinhos àqueles que, por uma razão ou por outra, sentem que já partiram todas as ânforas».

Por algum motivo o Papa insiste tanto na oração.
José Maria C.S. André
«Correio dos Açores»,  «Verdadeiro Olhar»,  «ABC Portuguese Canadian Newspaper»,  «Spe Deus»
02-VIII-2015

Bom Domingo do Senhor!

Façamos como o Senhor nos recomenda no Evangelho de hoje (Jo 6, 24-35) e lutemos sem cessar pelo alimento espiritual que nos conduz à vida eterna, saibamos pois separar o trigo do joio não semeando este com a nossa ambição terrena.

Senhor que cheios do Teu Espírito possamos de facto ser bons cristãos e credores do Reino dos Céus!

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a Mim não mais terá fome»

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«The Word To Be Spoken», cap. 6


Nas Escrituras, quando se fala da ternura de Deus pelo mundo, lemos que «tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito» Jesus (Jo 3,16), para ser como nós e nos trazer a boa nova de que Deus é amor, de que Deus vos ama e me ama. Deus quer que nos amemos uns aos outros como Ele ama cada um de nós (cf Jo 13,34).

Sabemos todos, olhando a cruz, até onde Jesus nos amou. Quando olhamos a eucaristia, sabemos quanto nos ama agora. Foi por isso que Se fez «pão de vida» a fim de satisfazer a nossa fome do Seu amor; e depois, como se não bastasse, tornou-Se Ele próprio o faminto, o indigente, o sem abrigo, para que vós e eu pudéssemos satisfazer a Sua fome do nosso amor humano. Porque foi para isso que fomos criados, para amar e ser amados.

sábado, 1 de agosto de 2015

«Dá-nos sempre desse pão»

Guiges, o Cartuxo (?-1188), Prior da Grande Cartuxa
Meditação 10

O pão da alma é Cristo, «o pão vivo que desceu do céu» (Jo 6, 51) e que alimenta os Seus, agora pela fé, no mundo futuro pela visão. Pois Cristo habita em ti pela fé e a fé em Cristo é Cristo no teu coração (Ef 3, 17). É na medida em que crês em Cristo que O possuis.

E Cristo é, na verdade, um só pão «pois há um único Senhor, uma única fé» (Ef 4, 5) para todos os crentes, se bem que uns recebam mais e outros menos do dom dessa mesma fé. [...] Como a verdade é única, uma única fé na verdade única guia e alimenta todos os crentes, e «um mesmo e único Espírito, que distribui a cada um os Seus dons conforme entende» (1Cor, 12, 11).

Vivemos todos do mesmo pão e cada um de nós recebe a sua porção; e no entanto Cristo é todo para nós, excepto para aqueles que destroem a unidade. [...] Neste dom que recebi, possuo totalmente Cristo e Cristo possui-me totalmente, tal como o membro que pertence a todo o corpo também o possui por inteiro. Assim, esta porção de fé que recebeste é como o pequeno pedaço que pão que está na tua boca. Mas, se não meditares frequente e piedosamente naquilo em que crês, se não o mastigares, por assim dizer, triturando-o e voltando-o com os dentes, isto é, com os sentidos do teu espírito, ele não te franqueará a garganta, ou seja, não chegará até à tua inteligência. Com efeito, como poderias compreender algo em que meditas raramente e com negligência, sobretudo quando se trata de uma coisa ténue e invisível? [...] Que, pela meditação, «a lei do Senhor esteja sempre na tua boca» (Ex 13, 9) para que nasça em ti a boa inteligência. Através da boa compreensão, o alimento passa para o teu coração, para que não negligencies aquilo que compreendeste, mas antes o recolhas com amor.

O Evangelho de Domingo dia 2 de agosto de 2015

Tendo, pois, a multidão visto que lá não estava nem Jesus nem os Seus discípulos, entrou naquelas barcas e foi a Cafarnaum em busca de Jesus. Tendo-O encontrado do outro lado do mar, disseram-lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?».  Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Vós buscais-Me não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até à vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Porque n'Ele imprimiu Deus Pai o Seu selo». Eles, então, disseram-Lhe: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?». Jesus respondeu: «A obra de Deus é esta: Que acrediteis n'Aquele que Ele enviou». Mas eles disseram-Lhe: «Que milagre fazes Tu, para que o vejamos e acreditemos em Ti? Que fazes Tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo está escrito: “Deu-lhes a comer o pão do céu”». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o Pão de Deus é Aquele que desceu do céu e dá a vida ao mundo». Então disseram-Lhe: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá jamais fome, e aquele que crê em Mim não terá jamais sede.

Jo 6, 24-35