Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A minha querida mulher, o pilar da minha passagem

Desculpem-me se hoje vos falo de alguém a quem me encontro profundamente ligado e que para a maioria de vós será apenas mais uma história de um casamento feliz.

Hoje festejamos o aniversário do nosso casamento perante Deus Nosso Senhor e permito-me acrescentar que debaixo do manto da Imaculada Conceição. Ao longo da nossa vida conjugal ela sempre foi o pilar de toda a família, sem a ajuda de Deus, da Sua Santíssima Mãe e da minha mulher tanta coisa boa que nos aconteceu ao longo de mais de 40 anos de união não teria acontecido.

Costumo dizer que ‘é uma santa’, o que ela não gosta nada que seja dito, mas se perguntarem aos netos, aos filhos, à sua Mãe, irmãos e primos, todos sem excepção estarão de acordo comigo, pois a sua permanente disponibilidade para ajudar próximo sem nada esperar em troca é verdadeiramente impressionante, que me seja perdoado antecipar o juízo do Senhor, mas estou absolutamente convicto que já lhe reservou um lugar em Jerusalém Celeste.

Defeitos, tê-los-á certamente, mas neste momento não me ocorre nenhum, pelo que seguramente que são irrelevantes em relação às qualidades.

Obrigado meu Deus pela maravilhosa companheira que ofereceste a este grande pecador, porque a Tua dávida de amor com tanto amor que ela me tem só pode ser fruto da Tua infinita misericórdia. Peço por intercessão da Imaculada Conceição que continues a nos proteger, bem como a toda a nossa família.

João Paulo Reis (texto escrito e publicado nesta mesma data em 2010, mas ao qual apenas tive de retirar o testemunho das tias, que já nos deixaram, e acrescentar um especial e carinhoso agradecimento ao Pe. ASL e ao Opus Dei que tanto me apoiam nesta caminhada. Bem-haja!)

«Cheia de graça»

Eadmero (c. 1060–c. 1128), monge inglês
A concepção de Santa Maria

Ó Maria, Senhora Nossa, o Senhor fez de ti Sua mãe singular, constituindo-te assim mestra e soberana do universo. Foi para isso que Ele te formou, pelo Seu Espírito operante, desde o primeiro instante da tua concepção no seio de tua mãe. Nossa Senhora, é essa a nossa alegria hoje. E perguntamos-te, mui doce Maria, rainha prudente e nobre: é possível colocar-te ao mesmo nível ou até a um nível inferior ao das outras criaturas?

O apóstolo da verdade pura afirma com certeza que todos os homens pecaram em Adão (Rm 5,12). [...] Mas, tomando em consideração a qualidade eminente da graça divina em ti, observo que tens uma posição inestimável; à excepção de teu Filho, estás acima de tudo o que foi criado. E concluo que, na tua concepção, não podes ter ficado ligada à mesma lei da natureza a que estão ligados os outros seres humanos. Pela graça eminente que te foi concedida, tu ficaste completamente fora do alcance de todo o pecado. Graça singular e acção divina impenetrável à inteligência humana!

Só o pecado poderia afastar os homens da paz de Deus. Para eliminar esse pecado, para trazer o ser humano de novo à paz de Deus, o Filho de Deus quis fazer-Se homem, mas de um modo tal que nada n'Ele existisse nem participasse daquilo que separa o homem de Deus. Para tal, convinha que Sua mãe fosse pura de todo o pecado. Se não, como poderia a nossa carne unir-se tão intimamente à pureza suprema e como poderia o homem assumir uma tão grande união com Deus, que tudo o que é de Deus pertencesse ao homem e tudo o que é do homem pertencesse a Deus?

domingo, 7 de dezembro de 2014

A Europa, o Mufti e o Patriarca

A grande notícia destes dias foram as visitas do Papa Francisco às instituições europeias, em Estrasburgo, e ao mundo árabe e à igreja Ortodoxa, em Ancara e Istambul, quase nos confins do califado.

A missão parecia tão difícil que o Papa começou por outra etapa, silenciosa e particular. Por volta das 17h30 saiu do Vaticano e foi à basílica de Santa Maria Maior entregar um ramo de flores a Nossa Senhora. Sem público, sem anúncio, apenas meia hora diante da imagem, inteiramente em silêncio, a rezar.

Depois deste passo preliminar, o Papa falou no Parlamento Europeu e no Conselho da Europa. Alguns grupos prometiam contestação e quiseram mesmo impedi-lo de ir, mas a recepção dos representantes dos povos europeus foi tão calorosa, que os contestatários não ficaram para a história. O Papa falou com grande clareza da responsabilidade da Europa perante Deus, afrontou as correntes que fomentam o aborto e desvalorizam a família, pediu generosidade para com a pobreza que existe pelo mundo, falou da verdade por oposição ao relativismo. Os discursos podiam ter acabado numa pateada monumental, mas os deputados sentiram que a voz do Papa ultrapassava de tal maneira o plano das lutas ideológicas que ouviram até ao fim e, depois, aplaudiram-no com entusiasmo, unanimemente.

O que convenceu um deputado favorável ao aborto a aplaudir o discurso do Papa? E aquele outro que não quer abrir as fronteiras aos pobres? E aquele que não quer reconhecer o valor das raízes cristãs da cultura europeia?...

Deixando a Europa surpreendida consigo própria, a digerir uma mensagem que não costuma ouvir, o Papa Francisco partiu para a Turquia.

A grande presença junto do Papa foi o Patriarca Bartolomeu, mas também a multidão dos muçulmanos e o Grande Mufti Rahmi Yaran. Com ele, entrou na Mesquita Azul. Tal como Bento XVI há 8 anos, o Papa Francisco respeitou a regra muçulmana de se descalçar e, como há 8 anos, tinha muito para rezar. O Mufti tinha dito a Bento XVI que seria oportuno rezar 30 segundos e o Papa começou mas, ao fim de vários minutos, em que a comitiva já não sabia o que fazer, continuava, de olhos fechados, as mãos a segurarem a cruz peitoral, a rezar. Desta vez, a comitiva do Grande Mufti estava preparada e esperou sem «stress» que o Papa Francisco acabasse de contar a Deus tudo o que levava no coração. Sob a cúpula da Mesquita Azul, o Papa Francisco disse, talvez para explicar porque precisava de tanto tempo: «além de pedir (...): agradecer a Deus, louvá-Lo, glorificá-Lo e adorá-Lo. A adoração, a adoração... é o primeiro».

O Patriarca Bartolomeu e os fiéis da igreja Ortodoxa, principal motivo da viagem, afirmaram o seu desejo de reconstituir a unidade da Igreja Católica, depois de uma separação de séculos. Houve tiradas muito solenes, como aquela frase do Patriarca saudando o Papa como o «portador do amor do Protocorifeu para com o seu irmão, o Primeiro Chamado». Dita em grego, a frase suou maravilhosamente! O «Protocorifeu» é o «principal apóstolo» ou o «primeiro entre os chefes», isto é, S. Pedro, reconhecendo assim que o Papa é o sucessor de Pedro, a quem Cristo confiou a autoridade suprema na Igreja. O «Primeiro Chamado» é o Apóstolo André, irmão de Pedro, que conheceu Cristo primeiro e foi chamar Pedro. Santo André é o símbolo da igreja Ortodoxa, que de certo modo remonta a ele.

Num estilo menos oriental, o Papa Francisco respondeu: «sinto que a nossa alegria é maior porque brota de uma fonte que nos ultrapassa, não vem de nós, não resulta do nosso empenho e dos nossos esforços, que devemos fazer, mas esta alegria vem da entrega comum à fidelidade de Deus. (...) É uma paz e uma alegria que o mundo não pode dar». E acrescentou: «André e Pedro ouviram esta promessa [de alegria] e receberam o dom. Eram irmãos, mas o encontro com Cristo transformou-os em irmãos na fé e na caridade e – nesta tarde de alegria, nesta vigília de oração – eu diria que os transformou sobretudo em irmãos da esperança».

Dias eufóricos, naquela confusão atribulada de muçulmanos e ortodoxos, de refugiados do Iraque e de cristãos. Dias que deixaram no ar a pergunta: quanto tempo falta para que se cumpra a esperança? Para já, vive-se um «ecumenismo de sangue», como disse o Papa Francisco: são muitos os cristãos, católicos e ortodoxos, assassinados todos os dias.

José Maria C. S. André

«Correio dos Açores», «Verdadeiro Olhar», «ABC Portuguese Canadian Newspaper», 7-XII-2014

«Salve, ó cheia de graça»

Catecismo da Igreja Católica 
§§ 490-493



Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria «foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão» (Vaticano II LG 56). O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como «a cheia de graça». Efectivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus.

Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, «cumulada de graça» por Deus, tinha sido redimida desde a sua conceição. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX: «Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição.»

Este esplendor de uma «santidade de todo singular», com que foi «enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição» (LG 56), vem-lhe totalmente de Cristo: foi «remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho» (LG 53). Mais que toda e qualquer outra pessoa criada, o Pai a «encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo» (Ef 1, 3). «Nele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença» (Ef 1, 4).

Os Padres da tradição oriental chamam ã Mãe de Deus «a toda santa» («Panaghia»), celebram-na como «isenta de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura». Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 8 de dezembro de 2014 - Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; porque a Deus nada é impossível . Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Lc 1, 26-38