Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Regina Caeli do dia 20 de Maio de 2012 (versão integral)

Imitação de Cristo, 2, 1, 2 - Da vida interior

Eia, alma fiel, para este Esposo prepara teu coração, a fim de que se digne vir e morar em ti. Pois assim ele diz: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada (Jo 14,23). Dá, pois, lugar a Jesus e a tudo mais fecha a porta. Se possuíres a Cristo, estarás rico e satisfeito. Ele mesmo será teu provedor e fiel procurador em tudo, de modo que não hajas mister de esperar nos homens. Porque os homens são volúveis e faltam com facilidade à confiança, mas Cristo permanece eternamente (Jo 12,34), e firme nos acompanha até ao fim.

Participaremos na sua maternidade espiritual

Recorre constantemente à Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da humanidade: e Ela atrairá, com suavidade de Mãe, ao amor de Deus as almas com quem fazes apostolado, para que se decidam a ser – no seu trabalho corrente, na sua profissão – testemunhas de Jesus Cristo. (S. Josemaría Escrivá - Forja, 911)

Se nos identificarmos com Maria, se imitarmos as suas virtudes, poderemos conseguir que Cristo nasça, pela graça, na alma de muitos que se identificarão com Ele pela acção do Espírito Santo. Se imitarmos Maria, participaremos de algum modo na sua maternidade espiritual: em silêncio, como Nossa Senhora, sem que se note, quase sem palavras, com o testemunho íntegro e coerente de uma conduta cristã, com a generosidade de repetir sem cessar um fiat que se renova como algo íntimo entre Deus e nós. (S. Josemaría Escrivá - Amigos de Deus, 281) 

'O tempo social europeu' pelo Prof. Adriano Moreira

Com evidentes razões, o turbilhão do Mediterrâneo, que inclui o sul europeu enquanto abrangido pela fronteira da pobreza, tem preocupado e ocupado os responsáveis e analistas, sobretudo no que diz respeito à chamada primavera árabe.

Trata-se de um movimento das populações que surpreendeu não apenas os governos locais colocados em risco de permanência, mas também as potências, sobretudo ocidentais, e europeias, que assentavam as relações com aquela área numa suposição de estabilidade.

Houve mesmo uma espécie de cobertura prudencial para a proteção da estabilidade de regimes considerados longe dos ideais democráticos ocidentais, quer admitindo com publicidade que as populações estavam longe de aceitarem e seguirem os vaticínios americanos do fim da história, parecendo-lhe apropriado manter aquilo que Fareed Lakarie chamou "democracias iliberais", com a sugerida esperança de que fossem regimes que em tempos, para a América Latina, foram chamados por Fraga Iribarne forças-tarefa a servirem um ideal com futuro, que os pessimistas consideraram uma utopia porque afirmavam que a liberdade "é um hábito estranho aos povos tropicais".

Foi a chamada primavera árabe que orientou Bertrand Badie no sentido de identificar e analisar a relação entre o tempo social, o tempo político e o tempo internacional, uma sugestão (2012) que pode animar outras previsões, mas que parece apropriada para acompanhar, do ponto de vista da situação da União Europeia, as dificuldades em que se encontra a conciliação desses tempos, sobretudo quando a fronteira da pobreza unifica o espaço, e não é de ignorar que agravamentos de conflitos no cinturão muçulmano podem ter consequências, designadamente migratórias, para o norte desse mar comum.

Aquilo que mais parece ter surpreendido as chancelarias ocidentais, a começar pelos EUA, que desenvolviam uma política de acompanhamento interessado, com destaque para o regime de Muammar Kadhafi, foi o levantamento popular sem medo, que determinou uma intervenção mal apoiada pela divisão no Conselho de Segurança. Decisão que não foi repetida quando supostos líderes fortes, como aconteceria com Mubarak e Zine el-Abidine Ben Ali, enfrentaram o mesmo fenómeno.

O que aconteceu, segundo a análise, que também é advertência, de Badie, foi que o tempo social despertou finalmente as sociedades, que chamamos civis, contra os benevolamente chamados déspotas esclarecidos, cansadas da usura dos regimes cobertos pelo abuso da semântica dos discursos, das proclamações, das solidariedades ou benevolências do tempo internacional.

Esta desafiante experiência que se desenvolve na fronteira dos europeus, agora já suficientemente abrangidos pela fronteira da pobreza, poderia trazer alguma lição esclarecedora aos desencontros de perceções europeias, às tentativas de supremacia interna à margem dos tratados da União, de difícil leitura, às divagações de uma antropologia ligeira sobre o pluralismo europeu, e também às intervenções tecnocráticas, supostas rigorosamente científicas, a servir de programa de governo de pessoas, mas estas a sofrerem um presente injusto e um futuro indecifrável.

Está às portas da Europa a demonstração de que o tempo social desafia inesperadamente o tempo político e o tempo internacional, em termos imprevisíveis. Também não é ignorado que tal desafio do social ao político não é evitado, embora seja seguramente mais adiado, quando é a convicção democrática do modelo ocidental que dá suporte aos titulares do poder político. Mas não é possível forçar a obediência ordenada, consentida, e cooperante, quando a esperança, e a confiança que dela depende, excedem a resistência exigível da solidariedade social, um dos alarmantes avisos de Hannah Arendt em diferente mas também grave circunstância.

Se a unidade europeia que os fundadores sonharam continuar a não ser firmemente praticada, a voz da Europa deixará de ser ouvida no mundo, abafada pelo desastre. É de esperar que a história nunca omita o contributo europeu, mas nesta data é de justiça que os vivos necessitam.

Adriano Moreira in DN online

Chiu! (IV)

O silêncio regenera. O silêncio é um ingrediente das espiritualidades orientais. Para o cristianismo, o silêncio é, porém, mais do que desligar emoções e amarras para imergir no nirvana da impassibilidade.

O silêncio sonha com um inesquecível encontro com Deus. “Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus.”

E desejar isso não é desejar demais? Podemos ambicionar tanto? Bento XVI falou aos céticos em Fátima: “Deus tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível”. Mas há uma condição: “para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma”. Torna-se crítico abrir uns minutos diários de solidão para robustecer a relação com Deus. Como? O “português médio” só em TV e net, tem muito por onde escolher.

Pedro Gil, diretor Gabinete de Imprensa do Opus Dei em Portugal

(Continua)