Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
“O descanso não é não fazer nada”
Todos os pecados – disseste-me – parece que estão à espera do primeiro momento de ócio. O próprio ócio já deve ser um pecado! – Quem se entrega a trabalhar por Cristo não há-de ter um momento livre, porque o descanso não é não fazer nada; é distrair-se em actividades que exigem menos esforço. (Caminho, 357)
Hás-de ser um carvão ardente que pegue fogo por toda a parte. E, onde o ambiente for incapaz de arder, hás-de aumentar a sua temperatura espiritual.
Se não, estás a perder o tempo miseravelmente e a fazê-lo perder aos que te rodeiam. (Sulco, 194)
Tudo o que se acaba e não contenta Deus, é nada e menos que nada. Compreendem porque é que uma alma deixa de saborear a paz e a serenidade quando se afasta do seu fim, quando se esquece de que Deus a criou para a santidade? Esforcem-se por nunca perder este ponto de mira sobrenatural, nem sequer nos momentos de diversão ou de descanso, tão necessários como o trabalho na vida de cada um. (Amigos de Deus, 10)
O direito à alimentação
São muitas as denominações da pobreza, mas seguramente avulta, com todas as consequências nefastas, a que diz respeito à alimentação.
É por isso que, para tornar evidente a prioridade desta exigência básica, Don Reeves, em vez de perder tempo a construir conceitos, preferiu passar à enumeração das evidências. Organizou por isso esta série: a pobreza é a falta de leite de mãe por falta de alimentação ou crianças demasiadamente esfomeadas para estarem atentas na escola; pobreza é viver em multidão sob um pedaço de plástico em Calcutá, amontoado numa barraca durante uma tempestade em São Paulo, ou sem casa em Washington, D. C.; pobreza é ver o filho morrer por falta de uma vacina que custa cêntimos e por nunca ter sido visto por um médico; pobreza é um boletim de inscrição que o interessado não sabe ler, um pobre professor numa decrépita escola, ou a completa falta de escola; pobreza é sentir-se desamparado, sem dignidade ou esperança.
Esta importância básica do direito à alimentação, que não é difícil relacionar com o direito à vida, mesmo antes de lhe acrescentar a exigência da vida com dignidade, está reconhecida na chamada segunda geração de direitos humanos, e expressa nas disposições dos artigos 22.º a 26.ª da Declaração de Direitos quando afirma: "Todo o homem tem direito a um nível de vida adequado à saúde e ao bem-estar de si próprio e da sua família, incluindo alimentação, vestuário, casa e assistência médica e necessários serviços sociais, e o direito à segurança no caso de desemprego, doença, incapacidade, velhice e outra falta de recursos em circunstâncias que ultrapassem o seu controlo".
Na indagação feita por Michael T. Snarr e D. Neil Snarr (2002), é concluído que a deficiente nutrição é responsável pela morte de número incalculável de crianças na área da geografia da fome, frequentemente por causa das guerras, e praticamente, nessa data tão próxima, na área de pobreza, então ainda toda ao sul do globo, com um número superior na Ásia, sendo que um terço das crianças de menos de cinco anos de idade dos países chamados em desenvolvimento contribui para o total dos mortos. Estas indagações, enriquecidas com mais perspectivas e conclusões, obrigam a repensar no alargamento das fronteiras da pobreza, agora a norte do Mediterrâneo, e a considerar a urgência de intervenções que evitem a inclusão, na sequência da deslocação da fronteira, de efeitos semelhantes.
E uma das observações relevantes do conjunto de ensaios que nessa data foram recolhidos numa meditação introdutória aos Global Issues (Lynne Rienner Publishers, Inc.) é a que salienta o papel insubstituível da agricultura para enfrentar este desafio global. Em primeiro lugar, apelando aos governos para interpretarem com largueza de vistas os direitos das crianças, em todos os domínios mas com especial atenção à questão da alimentação, e não olhando ao facto de a convenção sobre os direitos das crianças ter ou não ter sido ratificada, mas olhando responsavelmente para os factos para além das palavras da convenção. Depois, para além das leis e dos recursos orçamentais destinados a esse dever do Estado social, apelando ao instinto humanitário e a um sentido de responsabilidade mundializado, porque "não existe um firme sentimento de obrigação assumida a nível mundial".
A infeliz crise em curso alarga estes deveres e inquietações para além das crianças, e o recurso à agricultura é insistentemente recomendado para que o aumento do desemprego, a queda súbita da qualidade de vida das famílias, o enfraquecimento da protecção dos velhos e dos incapazes, a substituição do valor das coisas pelo preço das coisas, a transformação da perspectiva do direito ao apoio da comunidade na perspectiva de avaliação dos custos financeiros, aconselham a reavaliar, sobretudo nas novas regiões da pobreza, a organização e eficácia das "fontes de esperança e compaixão". Quando antes se concluía que a expansão da pobreza é um enorme obstáculo à organização de um mundo melhor, falava-se a partir de um norte afluente e consumista que viu subitamente reduzido o seu território, e talvez a sua esperança. Necessita de aumentar o sentido de responsabilidade.
Adriano Moreira in DN online AQUI
A Jornada Mundial da Juventude, um novo Damasco
![]() |
| São Paulo detalhe conversão de Michelangelo |
Faltam poucos dias para que Madrid acolha centenas de milhares de jovens. O Prelado do Opus Dei recorda o que essa cidade significou para S. Josemaría: um lugar de conversão e de encontro com a vontade de Deus.
Saulo de Tarso, cheio de zelo pela lei de Moisés, levava cartas emitidas pela mais alta autoridade do judaísmo, destinadas às sinagogas de Damasco, com o fim de levar quantos encontrasse, homens mulheres, seguidores do Caminho, presos para Jerusalém. O Senhor, no entanto, não lho permitiu. Quando já estava perto da cidade, uma luz intensíssima derrubou-o para o chão e ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues? O jovem respondeu: Quem és tu, Senhor? E a voz disse-lhe: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
Sucedeu tudo num instante, no caminho de Damasco. Desde então, este nome – Damasco – é sinónimo de conversão, de abertura à graça de Deus. A partir daquele momento, Saulo o perseguidor, com a ajuda de um cristão piedoso de Damasco, Ananías, converteu-se no apóstolo Paulo. Disse que sim ao Senhor, livremente e foi até à morte – com uma luta generosa, alegre – um discípulo fiel e evangelizador de Jesus Cristo.
De alguma maneira, pode-se dizer que cada JMJ é, para muitas e muitos jovens, ocasião de reviver o episódio de Damasco. O Senhor Jesus, pela boca do Seu Vigário na terra, Bento XVI, dirigirá a Sua palavra aos que o escutem e provocará – naqueles que o oiçam com boas disposições – uma nova conversão, uma mudança talvez profunda na sua existência.
Dessa palavra acolhida com fé, podem nascer milhares de decisões de procura de Jesus Cristo, sem mudar de estado – na vida matrimonial, no celibato apostólico – ou abraçando o sacerdócio ou a vida religiosa.
O Senhor chama muitos, todos, à plenitude da vida cristã, por muitos caminhos diferentes. Mas é preciso – como no caso de São Paulo – um coração aberto a Deus e aos irmãos, que se adquire e se aprofunda com a ajuda da catequese e também com a colaboração de outras pessoas que, como Ananías, possam facilitar que a palavra do Vigário de Cristo arraigue na alma.
Cada santo, canonizado ou não, teve o seu Damasco, o seu momento de conversão radical para Deus. Talvez não tenha sido tão aparatoso como o de São Paulo, mas foi igualmente eficaz. Talvez tenha sido simplesmente passar da indiferença à entrega de si próprio. De uma vida que consistia em receber, para outra que é também dar e que vai acompanhada de uma felicidade profunda, muito diferente da que oferecem as satisfações materiais.
Tive a sorte de viver muitos anos ao lado de um santo que, cheio de convicção, assegurava: "Madrid foi o meu Damasco, porque foi aqui que caíram as escamas dos olhos da minha alma e aqui recebi a minha missão". Refiro-me S. Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei.
Embora nascido e criado em terra aragonesa, foi em Madrid onde o Senhor lhe mostrou a tarefa que lhe tinha atribuído desde a eternidade: ensinar a todos os cristãos que a existência corrente – tecida com horas de trabalho bem feito, com dedicação à família e aos amigos, com interesse pelo bem comum da sociedade – podia e devia ser um verdadeiro caminho de santificação.
Durante muitos anos, pressentindo que o Senhor queria algo da sua vida, mas sem saber o quê, o jovem Josemaría dirigiu-se a Deus com umas palavras tiradas do Evangelho: Domine, ut videam; as mesmas que um cego dirigiu a Jesus que passava pelo caminho de Jericó: Senhor, que eu veja! Essa luz tornou-se realidade na sua alma no dia 2 de Outubro de 1928, precisamente nesta cidade de Madrid.
Aqui desenvolveu um serviço generoso entre todo o tipo de pessoas, entre os doentes dos hospitais e entre as pessoas mais necessitadas dos bairros limítrofes. Bem depressa se rodeou também de um grupo de jovens a quem contagiou o seu entusiasmo sobrenatural e humano, ensinando-lhes a santificar o estudo, o trabalho e todas as realidades da vida quotidiana.
Muitas pessoas tiveram o seu Damasco em Madrid, terra de santos, de mártires e de cristãos normais que procuram imitar Jesus Cristo na vida corrente. Por uns dias, esta cidade converter-se-á na capital mundial da juventude.
Sobretudo, vai ser a cidade de Pedro. Bento XVI guia-nos e conduz-nos até ao Modelo de todos os santos, até Cristo. Damos-lhe as mais calorosas boas vindas, rezamos pelos frutos da sua Viagem pastoral e pedimos, sobretudo, que muitas raparigas*** e muitos rapazes se sintam pessoalmente interpelados pelas suas palavras e experimentem nesses dias o seu Damasco: um encontro pessoal mais intenso com Jesus Cristo, que mude e melhore a sua existência.
Dizia o Papa, ao iniciar o seu pontificado: "Quem deixa entrar Cristo não perde nada, nada – absolutamente nada – daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta".
Temos que estar plenamente convencidos: Cristo não retira nada do que há de formoso e grande em nós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, para a felicidade dos homens e para a salvação do mundo.
Recorro à intercessão de S. Josemaría, tão estreitamente ligado a esta cidade e ao Beato João Paulo II inspirador das Jornadas Mundiais da Juventude. Que eles nos consigam do Senhor, pela intercessão da Virgem da Almudena, uma chuva de graças nestes dias.
Que a JMJ de Madrid seja Damasco para muitos jovens dispostos a deixar a vida por Cristo e pelos outros, sendo testemunhas credíveis e vibrantes desse Evangelho – sempre velho e sempre novo – de que o mundo atual, o nosso mundo, necessita com urgência.
De alguma maneira, pode-se dizer que cada JMJ é, para muitas e muitos jovens, ocasião de reviver o episódio de Damasco. O Senhor Jesus, pela boca do Seu Vigário na terra, Bento XVI, dirigirá a Sua palavra aos que o escutem e provocará – naqueles que o oiçam com boas disposições – uma nova conversão, uma mudança talvez profunda na sua existência.
Dessa palavra acolhida com fé, podem nascer milhares de decisões de procura de Jesus Cristo, sem mudar de estado – na vida matrimonial, no celibato apostólico – ou abraçando o sacerdócio ou a vida religiosa.
O Senhor chama muitos, todos, à plenitude da vida cristã, por muitos caminhos diferentes. Mas é preciso – como no caso de São Paulo – um coração aberto a Deus e aos irmãos, que se adquire e se aprofunda com a ajuda da catequese e também com a colaboração de outras pessoas que, como Ananías, possam facilitar que a palavra do Vigário de Cristo arraigue na alma.
Cada santo, canonizado ou não, teve o seu Damasco, o seu momento de conversão radical para Deus. Talvez não tenha sido tão aparatoso como o de São Paulo, mas foi igualmente eficaz. Talvez tenha sido simplesmente passar da indiferença à entrega de si próprio. De uma vida que consistia em receber, para outra que é também dar e que vai acompanhada de uma felicidade profunda, muito diferente da que oferecem as satisfações materiais.
Tive a sorte de viver muitos anos ao lado de um santo que, cheio de convicção, assegurava: "Madrid foi o meu Damasco, porque foi aqui que caíram as escamas dos olhos da minha alma e aqui recebi a minha missão". Refiro-me S. Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei.
Embora nascido e criado em terra aragonesa, foi em Madrid onde o Senhor lhe mostrou a tarefa que lhe tinha atribuído desde a eternidade: ensinar a todos os cristãos que a existência corrente – tecida com horas de trabalho bem feito, com dedicação à família e aos amigos, com interesse pelo bem comum da sociedade – podia e devia ser um verdadeiro caminho de santificação.
Durante muitos anos, pressentindo que o Senhor queria algo da sua vida, mas sem saber o quê, o jovem Josemaría dirigiu-se a Deus com umas palavras tiradas do Evangelho: Domine, ut videam; as mesmas que um cego dirigiu a Jesus que passava pelo caminho de Jericó: Senhor, que eu veja! Essa luz tornou-se realidade na sua alma no dia 2 de Outubro de 1928, precisamente nesta cidade de Madrid.
Aqui desenvolveu um serviço generoso entre todo o tipo de pessoas, entre os doentes dos hospitais e entre as pessoas mais necessitadas dos bairros limítrofes. Bem depressa se rodeou também de um grupo de jovens a quem contagiou o seu entusiasmo sobrenatural e humano, ensinando-lhes a santificar o estudo, o trabalho e todas as realidades da vida quotidiana.
Muitas pessoas tiveram o seu Damasco em Madrid, terra de santos, de mártires e de cristãos normais que procuram imitar Jesus Cristo na vida corrente. Por uns dias, esta cidade converter-se-á na capital mundial da juventude.
Sobretudo, vai ser a cidade de Pedro. Bento XVI guia-nos e conduz-nos até ao Modelo de todos os santos, até Cristo. Damos-lhe as mais calorosas boas vindas, rezamos pelos frutos da sua Viagem pastoral e pedimos, sobretudo, que muitas raparigas*** e muitos rapazes se sintam pessoalmente interpelados pelas suas palavras e experimentem nesses dias o seu Damasco: um encontro pessoal mais intenso com Jesus Cristo, que mude e melhore a sua existência.
Dizia o Papa, ao iniciar o seu pontificado: "Quem deixa entrar Cristo não perde nada, nada – absolutamente nada – daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta".
Temos que estar plenamente convencidos: Cristo não retira nada do que há de formoso e grande em nós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, para a felicidade dos homens e para a salvação do mundo.
Recorro à intercessão de S. Josemaría, tão estreitamente ligado a esta cidade e ao Beato João Paulo II inspirador das Jornadas Mundiais da Juventude. Que eles nos consigam do Senhor, pela intercessão da Virgem da Almudena, uma chuva de graças nestes dias.
Que a JMJ de Madrid seja Damasco para muitos jovens dispostos a deixar a vida por Cristo e pelos outros, sendo testemunhas credíveis e vibrantes desse Evangelho – sempre velho e sempre novo – de que o mundo atual, o nosso mundo, necessita com urgência.
†Javier Echevarría, Prelado
*** para os leitores brasileiros favor ler ‘muitas jovens’. Obrigado! JPR
Subscrever:
Mensagens (Atom)


