Obrigado, Perdão Ajuda-me

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As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

segunda-feira, 15 de março de 2010

CONHECER BENTO XVI - A conversão, uma consequência da liberdade religiosa

A famosa conversão ao cristianismo [em 2008] de Magdi Allan, jornalista italiano de origem egípcia e muçulmano subdirector do 'Corriere della Sera', pôs em primeiro plano alguns equívocos no diálogo entre a Igreja e o Islão. A conversão será uma ferida na sensibilidade islâmica ou um modo de exprimir a liberdade religiosa cujo reconhecimento se exige aos países muçulmanos?

Com a solene Vigília Pascal celebrada por Bento XVI, a Semana Santa católica chegava ao seu ponto culminante. Uma semana de Paixão que começara com uma má notícia: o assassinato no Iraque do bispo caldeu católico de Mossul, Bulos Faray Raho. O próprio Bento XVI manifestou visivelmente a sua dor sobre o altar da Praça de S. Pedro, na perturbada festa do Domingo de Ramos, e na Terça-feira Santa celebrou pessoalmente exéquias pelo prelado iraquiano. Um novo episódio de dor na história da perseguição aos cristãos nalguns países islâmicos.

Poucos dias depois, o Papa derramava as águas do Baptismo sobre a cabeça do muçulmano Magdi Allam. Sucessos isolados ou imagem gráfica da relação entre o Islão e o Cristianismo?

Vias de entendimento

No passado mês de Outubro mais de uma centena de intelectuais e líderes religiosos do mundo islâmico remetiam uma carta a Bento XVI para lhe propor um renovado esforço de entendimento entre católicos e muçulmanos. No mês de Fevereiro uma delegação foi recebida em audiência pelo Santo Padre e fixou-se a continuação das conversações numa reunião de diálogo inter-religioso prevista para os próximos meses (cf. Aceprensa na edição impressa)

Um dos signatários da carta, Sergio Yabe Pallavicini, imã da mesquita alWahid de Milão, depois de ouvir a notícia da conversão de Allam comentou: "o que me surpreende é o relevo que o Vaticano deu a esta conversão". Romper-se-á então o diálogo? Por parte dos católicos é evidente que não, pois o Papa tem manifestado inumeráveis vezes a sua decisão não só de o manter mas de o intensificar num contexto de reciprocidade.

Além disso, a Santa Sé, em palavras do chefe da Sala de Imprensa ao referir-se às opiniões expostas por Allam no Corriere della Sera no dia seguinte ao da sua conversão, deixou claro que "acolher na Igreja um novo crente não significa evidentemente tomar como próprias todas as suas ideias e posições, sobretudo em temas políticos ou sociais". O porta-voz disse também que o itinerário de diálogo aberto deve continuar e "é de extrema importância não o interromper, sendo prioritário pelos episódios que podem acarretar mal entendidos".

Na parte islâmica, embora tenha havido críticas à notoriedade do baptismo de Allam, não se falou em encerrar as conversações. O professor de Cambridge Aref Ali Nayed, que também assinou a mencionada carta e é porta-voz das respectivas personalidades muçulmanas, afirmava numa entrevista a El Pais que "o diálogo é um dever que devemos perseguir pelo bem da humanidade". Portanto, há vontade de diálogo por ambas as partes e continua aberta esta via de entendimento. Mas, quais são os pontos chaves em que se devem apoiar os novos passos?

Bases para o diálogo

É necessário partir de três premissas iniciais. Em primeiro lugar, o Islão não conta com uma autoridade central e por isso o diálogo só pode travar-se com determinados grupos, como por exemplo, o mencionado grupo de 138 académicos e líderes islâmicos signatários da carta.

Por outro lado, o ordenamento vital do Islão não admite separação entre o aspecto político e religioso, e tem procedimentos muito diferentes dos que são próprios dos países com raízes cristãs. Na sua concepção os direitos humanos ficam submetidos à sharia ou lei religiosa islâmica, o que implica uma evidente inferioridade da mulher em relação ao homem, negação do direito a abandonar a fé islâmica, ausência de espaços livres de expressão próprios de uma sociedade pluralista, etc.

Uma terceira premissa para o diálogo é a clara consciência que cada uma das partes deve ter de si, da própria identidade, e dar a conhecer à outra a sua posição de um modo completo. Neste sentido convém ter em conta que se a parte cristã manifestasse algum inconveniente em apresentar a própria fé com toda a integridade, por medo a ofender ou decepcionar, não faria senão confirmar o interlocutor muçulmano na convicção de que o cristão é um crente "débil".

Bento XVI falou claramente, sobretudo num discurso à cúria romana no Natal de 2006, dos pontos sobre os quais se há-de apoiar esta aproximação: as conquistas da verdadeira razão - não a razão positivista que "exclui Deus da vida da comunidade e dos ordenamentos públicos" - face aos direitos do homem, especialmente os que se referem à liberdade religiosa e à dignidade da pessoa. Nesta linha, o Papa mostrou-se muito esperançado na carta que lhe foi enviada pelos líderes islâmicos, sobretudo por um aspecto: a atenção prestada pelos signatários ao duplo mandamento que convida a amar a Deus e ao próximo. Trata-se de uma crença comum de ambas as religiões, sobre a qual, segundo o Papa, se pode edificar um futuro entendimento.

Igrejas e mesquitas

Outro aspecto importante em que se tem insistido é o da reciprocidade, em que há acordo em linhas gerais, mas em concreto é fonte habitual de desencontros. Um exemplo significativo é o que conta o Corriere della Sera numa entrevista a Nura, uma Islamita culta convertida ao cristianismo que vive em Itália: "Hoje não existe direito à reciprocidade. O cristão que se converte ao Islão não tem medo. É como se sentisse bem protegido pelas costas. Nós, pelo contrário, temos de esconder-nos. Temos verdadeiro pavor. Eu sinto terror quando entro na igreja e escolho habitualmente uma paróquia afastada do bairro onde vivo. Estou muito atenta para não ser vista. Mas não deixo de ir à igreja, porque creio deveras".

Recentemente um país islâmico - Qatar - permitiu que se construísse um templo católico no seu território: grande novidade! Mas simultaneamente a casa real da Arábia Saudita não concedeu autorização para que existisse culto católico no país, embora se estime que haja uns oitocentos mil imigrantes católicos no seu território. E na Argélia foram encerradas várias igrejas evangélicas, com a acusação de procurar conversões ao cristianismo.

Por sua vez, os imigrantes muçulmanos em países europeus queixam-se dos obstáculos que encontram para construir mesquitas, embora frequentemente as dificuldades sejam mais de tipo económico que administrativo.

Conversão e reciprocidade

Liberdade religiosa, como direito humano inalienável, e reciprocidade entrelaçam-se no caso da conversão. É por isto que a conversão de Allam adquire uma significativa força expressiva. Assim como os muçulmanos podem convidar à conversão os cristãos no Ocidente, também os cristãos deveriam poder expor a sua fé aos muçulmanos nos países islâmicos. Mas, para já, não é assim. Segundo Shamir Kahalil Samir, jesuíta egípcio, especialista em Islamismo, "o baptismo de Magdi Allam pelo Papa não é um acto de agressão, mas uma exigência de reciprocidade. É uma provocação tranquila, que serve apenas para fazer pensar e despertar".

A conversão de um muçulmano a outra religião é considerada pelo Islão como uma traição à comunidade dos verdadeiros crentes. A liberdade religiosa concebe-se, portanto, como liberdade de aderir à verdadeira religião, que é o Islão, enquanto a passagem para outros credos está terminantemente proibida. Embora a pena derivada da transgressão desta máxima varie consoante as escolas e tradições, a corrente preponderante considera que a pena devida é a morte. Esta é a interpretação dominante dos 14 versículos do Alcorão que sancionam a apostasia, 13 dos quais falam de "um castigo muito doloroso no outro mundo" e só um deles menciona "um tormento muito doloroso neste mundo e no outro".

Uma tendência liberal minoritária entre os muçulmanos pensa, no entanto, que Maomé não pediu nunca que se matasse o apóstata, e inclusive interveio num dos casos para impedir que os seus o fizessem.

Portanto, embora o recurso à pena de morte não pareça ter um apoio suficiente nos textos do Alcorão, várias razões incitam actualmente à sua extensão nos países islâmicos. Segundo Samir Khalil Samir, professor da história da cultura árabe e de estudos islâmicos na universidade de Saint Joseph (Líbano), a razão está no chamado "despertar islâmico" que recuperou antigas afirmações históricas, animando "os que apoiam as correntes radicais a pressionar para que seja castigado com severidade quem abandonar o Islão". E o que é mais grave, num mundo global e com uma religião tão diversificada em escolas como a islâmica, as ameaças aos convertidos que abandonam o Islão estendem-se já a qualquer país.

Que acontece quando o caminho da conversão se percorre em sentido inverso? Correm riscos os que passam do cristianismo ao Islão? De novo a voz de Ali Nayed: "Creio que se uma autoridade muçulmana escolhesse um convertido fortemente anti-cristão e o exibisse numa grande cerimónia transmitida pela televisão e este publicasse além disso um artigo anti-cristão repleto de ódio, muitos cristãos ficariam aborrecidos. As pessoas convertem-se constantemente em ambas as direcções".

Um direito reconhecido no Ocidente

Mas para além de suposições, neste caso a velha máxima (no news, good news) é a melhor garantia do que acontece: nada. Nos países de raízes cristãs a possibilidade de aderir a outra religião e dela fazer pública confissão está garantida pelo clima de liberdade religiosa. De facto a doutrina do magistério católico é clara e incide na reciprocidade: "A Igreja proíbe severamente que alguém seja obrigado a abraçar a fé, ou a ela seja aliciado ou induzido por processos importunos, da mesma maneira que reivindica com firmeza o direito de ninguém ser dela afastado por vexames injustos" (Concílio Vaticano II, Decreto Ad gentes, n.13).

A posição cristã relativamente à liberdade religiosa e à conversão é portanto bem diferente da islâmica. Como explica Samir Khahlil Samir "é necessário garantir a liberdade de evangelização (tabshîr), assim como a liberdade de islamizar (da´wa). Para mim, o cristianismo é a mais bela e a mais perfeita religião, e o Islão, tendo muitas coisas boas, não é o cumprimento do projecto divino sobre o homem. Ao mesmo tempo admito que o muçulmano esteja convencido do contrário e está no seu pleno direito. Mais ainda: é seu dever! Esta é a verdadeira reciprocidade: cada um segue a sua consciência e procura iluminar cada vez mais os outros".

Miguel Ángel Sánchez de la Nieta

Aceprensa

Meditação de Francisco Fernández Carvajal

Temas para reflexão

Meditação:

Eu, pobre homem cheio de misérias, clamo por Ti: vem Senhor, vem se queres que me salve!
Na verdade, eu não preciso que venhas até mim, Senhor, que Te rebaixes tanto!
Do alto dos Céus, onde estás sentado à direita do Pai, oiço a Tua resposta: Quero, sê salvo! (AMA, Meditação sobre Jo 4, 43-54, 05.02.2009)

Tema: Acreditar, Esperar e Amar

Creio, Senhor, mas ajuda-me a acreditar com mais firmeza; espero, mas faz que espere com mais confiança; amo-te, mas que Te ame com mais fogo. (CLEMENTE XI, Acção de graças para depois da Missa, Missal Romano)

Doutrina: Evangelium Vitae 23

Por que motivo a vida é um bem? Esta pergunta percorre a Bíblia inteira, encontrando já nas primeiras páginas uma resposta eficaz e admirável. A vida que Deus dá ao homem é diversa e original, se comparada com a de qualquer outra criatura viva, dado que ele, apesar de aparentado com o pó da terra, é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória. Isto mesmo quis sublinhar Santo Ireneu de Lião, com a célebre definição: «A glória de Deus é o homem vivo». Ao homem foi dada uma dignidade sublime, que tem as suas raízes na ligação íntima que o une ao seu Criador: no homem, brilha um reflexo da própria realidade de Deus. (JOÃO PAULO II, Evangelium vitae, 34 b)

Agradecimento: António Mexia Alves

Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Balduíno de Ford (? - c. 1190), abade cisterciense
Homília 6, sobre Heb 4, 12 (a partir da trad. Brésard, 2000 ano B, p. 244 rev.)

«O homem acreditou nas palavras que Jesus lhe disse»

«A palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes» (Heb 4, 12). Com estas palavras, o apóstolo mostra aos que procuram Cristo – Palavra, Força e Sabedoria de Deus – toda a força e toda a sabedoria que há na Palavra de Deus. No princípio, a Palavra estava junto do Pai, era eterna com Ele (Jo 1, 1). Foi revelada a seu tempo aos apóstolos, anunciada por eles, e recebida humildemente na fé pelo povo crente.

Há, por conseguinte, uma Palavra no Pai, uma Palavra na boca dos apóstolos, e uma Palavra no coração dos crentes. A Palavra que está na boca dos apóstolos é a expressão da Palavra que está no Pai; é também expressão da Palavra que está no coração do homem. Quando se compreende a Palavra, ou quando se crê nela, ou quando se a ama, a Palavra que está no coração do homem converte-se em inteligência da Palavra, ou em fé na Palavra, ou em amor à Palavra. Quando estas três se reúnem num só coração, no mesmo instante compreende-se, crê-se e ama-se Cristo, Palavra de Deus, Palavra do Pai [...]. Cristo habita nessa pessoa pela fé e, por admirável condescendência, desce do coração do Pai ao coração do homem [...].

A Palavra de Deus [...] é viva: o Pai deu-lhe ter vida em si própria, como Ele tem a vida em Si mesmo (Jo 5, 26). É por isso que ela não é apenas viva, mas é Vida, como está escrito: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6). E, dado que é Vida, é viva para ser vivificante, porque «assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho faz viver aqueles que quer» (Jo 5, 21).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 15 de Março de 2010

São João 4,43-54

Passados aqueles dois dias, Jesus partiu dali para a Galileia.
Ele mesmo tinha declarado que um profeta não é estimado na sua própria terra.
No entanto, quando chegou à Galileia, os galileus receberam-no bem, por terem visto o que fizera em Jerusalém durante a festa; pois eles também tinham ido à festa.
Veio, pois, novamente a Caná da Galileia, onde tinha convertido a água em vinho. Ora havia em Cafarnaúm um funcionário real que tinha o filho doente.
Quando ouviu dizer que Jesus vinha da Judeia para a Galileia, foi ter com Ele e pediu-lhe que descesse até lá para lhe curar o filho, que estava a morrer.
Então Jesus disse-lhe: «Se não virdes sinais extraordinários e prodígios, não acreditais.»
Respondeu-lhe o funcionário real: «Senhor, desce até lá, antes que o meu filho morra.»
Disse-lhe Jesus: «Vai, que o teu filho está salvo.» O homem acreditou nas palavras que Jesus lhe disse e pôs-se a caminho.
Enquanto ia descendo, os criados vieram ao seu encontro, dizendo: «O teu filho está salvo.»
Perguntou-lhes, então, a que horas ele se tinha sentido melhor. Responderam: «A febre deixou-o há pouco, depois do meio-dia.»
O pai viu, então, que tinha sido exactamente àquela hora que Jesus lhe dissera: «O teu filho está salvo». E acreditou ele e todos os da sua casa.
Jesus realizou este segundo sinal miraculoso ao ir da Judeia para a Galileia..

(Fonte: Evangelho Quotidiano)