Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Jesus não é um E.T.

Decorre todo o mês de Março como tempo quaresmal, pelo que devemos dar à Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo a relevância que ela tem para a nossa salvação.

É preciso saber encarar o sofrimento do nosso Mestre como uma grande manifestação de Amor por todos e cada um de nós. Pode parecer-nos exagerado o grau de sacrifício a que Ele Se entregou de forma voluntária. Não teria Deus outros processos mais sadios para nos voltar a dar o Céu, perdido irremediavelmente com o pecado original dos nossos primeiros pais?

A resposta a esta questão é positiva. Deus não se encontra limitado por nada quando quer obter um objectivo. Ele é omnipotente, pelo que bastaria um impulso da sua vontade para nos garantir a nossa salvação.

No entanto, em todos os gestos e atitudes de Deus para connosco há sempre uma intenção educadora. Não esqueçamos que Ele é Pai e é dever de um pai proceder para com os seus filhos, de modo a que eles entendam, tanto quanto lhes for possível, aquilo que ele lhes propõe.

Para poder morrer por nós na Cruz, Cristo teve de encarnar, isto é, fazer-Se homem. Ele foi, como qualquer um de nós, um bebé inerme, depois de estar no seio materno de Maria o tempo necessário para poder nascer. Teve de alimentar-se no peito de Nossa Senhora, aprender a andar, a falar, a rezar e a relacionar-se com os outros.

Cresceu normalmente, entregue aos cuidados dos seus pais, que Lhe ensinaram o que um casal de judeus, santo e irrepreensível, costumava dar aos seus filhos. Assim se desenvolveu, aprendendo com o exemplo santificante de Maria e de José, a amar a vontade de Deus e os outros, sobretudo aqueles que Lhe eram mais próximos.

Não chama a atenção e, salvo um pequeno episódio mais inusitado no templo de Jerusalém quando ali vai no princípio da sua adolescência, ninguém diria que Ele era o Messias prometido desde os primórdios da humanidade pelo seu Pai. Só por inspiração divina alguns O reconhecem como uma criança especial: João Baptista no ventre de sua mãe, os pastores que vão ao presépio, o velho Simeão e Ana na sua apresentação no Templo, os Magos que vêm de longes terras. No início da sua vida pública, conhecem-no como o "filho do carpinteiro" e surpreendem-se com a autoridade com que fala e expõe a sua mensagem.

Jesus não é, portanto, um E.T., mas um simples aldeão da Galileia. Com a particularidade de que conta histórias encantadoras – as parábolas tão pedagógicas – e, sempre com reserva e comedimento, faz milagres espantosos, que revelam da sua parte um poder divino. Até tem a ousadia de perdoar os pecados em nome pessoal – capacidade que só Deus possui!

A sua normalidade choca. Em breve ganha profundos inimigos e grandes seguidores. Alguns destes são mesmo capazes de abandonar tudo para O acompanhar nas suas caminhadas evangelizadoras. Os primeiros não toleram o seu ascendente sobre as massas e condenam-nO à morte de uma forma ilícita e vergonhosa. Um procurador romano adepto do "politicamente correcto", convencido da inocência de Jesus, cede à pressão dos seus acusadores e manda-O crucificar. Importa mais a paz do que a verdade. No seu cepticismo de homem de conciliações abstrusas, perguntou mesmo a Cristo: "O que é a verdade?"

Sem uma queixa, ciente de que está a cumprir um mandato de Deus, Seu Pai, Jesus deixa-Se conduzir até ao lugar da execução, onde é crucificado juntamente com dois malfeitores. Reza intensamente, pede perdão ao Pai pelos autores da sua condenação à morte, converte um dos companheiros de suplício e desprende-Se até do ser que mais amava nesta terra, a sua Mãe, pedindo-lhe para assumir a nossa maternidade espiritual, que ela aceita na pessoa do discípulo predilecto do seu Filho, João.

Com a consciência de que cumpriu até ao fim a tarefa que Deus Lhe tinha pedido, Jesus morre, dizendo: "Tudo está consumado". O seu sacrifício tem um valor infinito, porque é o de uma Pessoa divina que Se fez Homem. Redimiu-nos, isto é, obteve para nós o perdão dos nossos pecados, incluindo o da má herança recebida pelo que foi cometido por Adão e Eva nos primórdios do género humano. Voltamos a receber a graça de Deus e, com ela, a filiação divina, que nos torna herdeiros do Céu.

Continuamos a não entender o sofrimento de Jesus? Parece-nos um exagero? Pensemos que no Coração de Cristo, manso e humilde, palpita o Amor de Deus. E que este, por ser perfeito, tem contornos que nos serão sempre misteriosos. Se nos admiramos tantas vezes com os requintes do amor de uma mãe pelos seus filhos, quanto mais não teremos de render o juízo perante o Amor infinito do nosso Deus.


(Pe. Rui Rosas da Silva – Prior da Paróquia de Nossa Senhora da Porta Céu em Lisboa in Boletim Paroquial de Março, selecção do título da responsabilidade do autor do blogue)

O Evangelho do dia 4 de Março de 2009

São Lucas 11, 29-32

Naquele tempo,
aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus
e Ele começou a dizer:
«Esta geração é uma geração perversa:
pede um sinal,
mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas.
Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive,
assim o será também o Filho do homem para esta geração.
No juízo final,
a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração
e há-de condená-los,
porque veio dos confins da terra
para ouvir a sabedoria de Salomão;
e aqui está quem é maior do que Salomão.
No juízo final,
os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração
e hão-de condená-la,
porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas;
e aqui está quem é maior do que Jonas».

terça-feira, 3 de março de 2009

Intenção do Papa para o mês de Março - Valorizar a vida e missão das mulheres



«Que a vida e missão das mulheres sejam sempre mais apreciadas e valorizadas em todas as nações do mundo»

1. Mentiras muito convenientes

Espalham-se com a facilidade do pó, em dias quentes, ventosos e secos. Colam-se à inteligência como o pó se agarra à roupa e acabam a fazer parte dos discursos, dos slogans, das ideias feitas, alimento de quem gasta pouco tempo a pensar. Sobre a mulher, o Cristianismo e a Igreja, não faltam mentiras destas, convenientes para certos grupos e cómodas para os adeptos do pensamento débil e das causas à flor da pele: o Cristianismo sempre discriminou e continua a discriminar as mulheres; a Igreja nega às mulheres o «direito» ao sacerdócio; o casamento é uma invenção cristã como instrumento de dominação das mulheres; as doutrinas da Igreja sobre a sexualidade perpetuam a dominação da mulher por parte do homem; a oposição da Igreja ao aborto é uma intromissão indevida na liberdade da mulher... Há para todos os gostos e raramente quem faz este tipo de afirmações se esforça por ir além do slogan – porque este é bem mais rentável e eficaz.

2. Verdades bastante inconvenientes

Os primeiros textos que se conhecem estabelecendo uma igualdade radical entre homem e mulher são bíblicos: o primeiro capítulo do Génesis, com o relato da criação do homem e da mulher, ambos «à imagem e semelhança de Deus» (1, 26-27); as Cartas de S. Paulo, que em diversas passagens estabelece a igualdade radical entre homem e mulher, em Cristo (cfr. Gálatas 3, 28); e, pelo meio, o extraordinário testemunho dos Evangelhos sobre o modo como Jesus tratava as mulheres com quem Se relacionava, sem nenhum menosprezo ou inferiorização.

As culturas onde floresceram tais intuições sobre a igualdade fundamental entre homem e mulher não assimilaram nem praticaram plenamente a revelação recebida? Sem dúvida – mas essa é uma lei da própria revelação e aplica-se a todos os aspectos da mesma. Também aí se vê quanto a presença do pecado e do poder do mal condiciona pessoas e culturas e atrasa, quando não impede, o acolhimento e a vivência da revelação. Isso não pode, porém, ofuscar o fundamental: as culturas marcadas pela tradição judaico-cristã – e sobretudo pela tradição cristã – enraizaram-se num solo que lhes permitiu, após longa e penosa maturação, pensar e levar à prática novas atitudes para com a mulher e o seu papel na sociedade. Noutras culturas, alheias a esta tradição, isso não aconteceu – e o resultado vê-se ainda hoje.

3. Contradições

A discriminação das mulheres continua a ser uma realidade, entre nós e noutras paragens. Em alguns aspectos, é nas sociedades onde mais se afirma a igualdade da mulher que a sua dignidade é mais violada: discriminação salarial; violência doméstica; assédio sexual; tráfico de mulheres para prostituição ou trabalho escravo; degradação moral e física por motivos económicos; comportamentos indelicados ou mesmo ofensivos... Tudo isto, nas nossas sociedades pretensamente libertadas de tabus, de ignorâncias e de constrangimentos impostos às mulheres. A acção do poder do mal no mundo passa também por aqui... e passa por aqui a necessidade urgente de conversão e mudança de vida.

A sensibilidade individual e colectiva para estes temas tem aumentado muito entre nós – e muito progresso se fez, quer no âmbito das leis, quer no dos comportamentos. Muito há ainda a fazer – e não será fácil nem rápido. Importa, porém, não confundir os planos. Há extremismos, também nestas questões, cujas propostas degradam mais do que libertam a mulher: a anulação da diferença entre homem e mulher, reduzida a mero «acidente» biológico; a promoção do homossexualismo feminino como libertação face ao homem; a identificação da saúde reprodutiva da mulher com o pretenso direito ao aborto a pedido; a banalização das relações afectivas, identificada com a libertação de tabus sexuais; a destruição da maternidade...

4. «No princípio...»

A valorização da vida e missão das mulheres não acontecerá como um facto isolado ou apenas como produto de leis justas – embora estas sejam necessárias, pois a vida em sociedade rege-se por leis. A valorização da vida e missão das mulheres é, em primeiro lugar, uma questão de valores. Estes implicam educação das inteligências e das vontades, mas não se reduzem a isso. Há um modo de ser homem e de ser mulher vivido, sobretudo, na família normalmente constituída, sem o qual a educação pode pouco. Esse modo de vida exprime-se em atitudes de respeito absoluto pela dignidade da pessoa, de cada pessoa. Onde encontrará cada um o fundamento desta dignidade, é questão em aberto. Por mim, não vejo nenhum mais fundo do que a afirmação bíblica citada antes: «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (Génesis 1, 27). Tudo o mais, é consequência desta radical e igual dignidade – e esta, primeiro vive-se, depois aprende-se e, espera-se, continuará a ser vivida.

Elias Couto

Internacional Elias Couto 02/03/2009 13:20 4973 Caracteres 18 Bento XVI


(Fonte: site Agência Ecclesia)

O Baptismo do Senhor através do Espírito Santo torna-nos filhos de Deus

«Tudo o que se passou com Cristo dá-nos a conhecer que, depois do banho de água, o Espírito Santo desce sobre nós do alto dos céus e, adoptados pela voz do Pai, tornamo-nos filhos de Deus»

(In evangelium Matthaei 2, 6 - Santo Hilário de Poitiers)

O Evangelho do dia 3 de Março de 2009

São Mateus 6, 7-15

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Quando orardes,
não digais muitas palavras, como os pagãos,
porque pensam que serão atendidos por falarem muito.
Não sejais como eles,
porque o vosso Pai bem sabe do que precisais,
antes de vós Lho pedirdes.
Orai assim:
‘Pai nosso, que estais nos Céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal’.
Porque se perdoardes aos homens as suas faltas,
também o vosso Pai celeste vos perdoará.
Mas se não perdoardes aos homens,
também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».