Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Os sete Domingos de S. José

Uma velha tradição piedosa da Igreja procura honrar de uma forma especial o grande santo que é São José. Trata-se dos 7 Domingos de São José, que, neste ano, começam no dia 1 de Fevereiro e se prolongam até ao Domingo imediatamente anterior ao dia 19 de Março, Solenidade em honra do pai legal de Jesus. Ao longo deste tempo acompanhamos o carpinteiro de Nazaré nas suas vicissitudes alegres e dolorosas, que ele soube agradecer e aceitar como um bom filho de Deus, sem nunca se queixar ou protestar.

Por desconhecimento ou má interpretação da virtude da castidade, houve quem pensasse que o esposo de Maria era já idoso quando casou com a Virgem Santíssima. Desta maneira, não seria difícil a José conviver com a Mãe de Jesus, respeitando a sua virgindade. No entanto, os costumes em Israel, nos seus tempos, não tinham nada a ver com esta suposição.

Os homens casavam com cerca de dezoito anos e as mulheres mais cedo. José, nesta perspectiva, devia ser um jovem cheio de robustez, de calma e de prudência. Um bom judeu, que respeitava com rigor a vontade de Iavé, tornando-se sempre disponível para aceitar os seus desígnios. Com grande delicadeza interior, ouvia a sua voz na consciência, mostrando-se imediatamente capaz de aderir às sugestões divinas para realizar o que Ele lhe pedia. Não resmungava, nem punha em causa a sua oportunidade ou a sua lógica, que nem sempre é fácil de entender.

Percebemos assim a celeridade de José em fugir com a sua família para o Egipto: a viagem tinha de ser imediata, apesar dos incómodos e perigos que importava. José não hesita: parte imediatamente. Assim também, quando, avisado por um anjo, volta para a Palestina de novo, ficando a seu pleno cargo a maneira de sustentar Maria e Jesus, que lhe competia.

Não existe uma palavra de S. José no Evangelho, escrita no discurso directo. Se falar é um dom que Deus nos concedeu, podemos adulterá-lo com o mau uso da nossa liberdade, recorrendo à lisonja, à mentira, ao ódio e, enfim, a tudo aquilo que nos pode manchar. A racionalidade, que é um dom divino, foi feita, para que a nossa inteligência, juntamente com a vontade e a afectividade, coordene o uso da língua de modo correcto e honesto.

Falar com oportunidade e sentido de verdade; nunca dizer o que é falso, ou simplesmente duvidoso como certo, eis como deve ser o nosso comportamento. José assim o manifesta, no seu silêncio prudente e voluntário, em circunstâncias difíceis de aceitar e decidir. Vive com a preocupação dominante de não prejudicar os outros com a sua conduta. Neste sentido, vejamos como foi forte ao afastar-se de cena, quando se apercebe da gravidez de Maria, a fim de que sobre ela – que José considerava totalmente isenta de qualquer mau proceder – recaia alguma suspeita de desonestidade. Evita o risco de a sua esposa poder vir a ser maltratada na fama da sua honra e até no perigo da sua vida, tendo em conta o que dizia a lei de Moisés a este respeito.

José é escolhido por Deus para ser o pai e o educador, em conjunto com Maria, do Verbo Encarnado, Jesus Cristo. Desempenha esse papel com simplicidade e, sobretudo, com o exemplo de um chefe de família zeloso, que procura o bem dos seus através do trabalho quotidiano bem feito e santificado. A sua passagem pelo Novo Testamento é discreta e humilde. Aparece quando é preciso e deixa de se ver quando Jesus, já crescido, pode substitui-lo nas suas funções e se prepara para a sua missão de Redentor. Quantos traços da vida do Messias não denunciariam a fonte onde foram bebidos. A fortaleza de Cristo, a sua humildade, o seu abandono na vontade de Deus, a sua linguagem humilde e cheia de exemplos e parábolas, são sinais que desvendam o nome de um homem rijo e cumpridor, ou seja, o nome de José.

Durante estes sete domingos, que coincidem em boa parte com o tempo exigente da Quaresma, peçamos a José que nos ensine a ser humildes e fortes como ele, a fim de que não recusemos a Deus tudo aquilo que ele nos for pedindo, sobretudo quando as solicitações divinas não são fáceis de viver.


(Pe. Rui Rosas da Silva – Prior da Paróquia de Nossa Senhora da Porta Céu em Lisboa in Boletim Paroquial de Fevereiro, selecção do título da responsabilidade do autor do blogue)

Beethoven - Missa Solemnis - Sanctus

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Santo Padre anuncia intenção de ir à Terra Santa

Bento XVI está a preparar-se para ir à Terra Santa. Este foi o anúncio que ele mesmo deu na passada quinta feira durante a audiência a uma delegação de rabinos americanos.

Ir a Jerusalém, diz o Padre Federico Lombardi, director da Sala de Imprensa da Sala Sé num editorial, é um desejo de todos, sobretudo dos cristãos. No passado, os israelitas subiam para Jerusalém cantando; o próprio Jesus se dirigiu à Cidade Santa, para cumprir a vontade do Pai, de morrer pela salvação da Humanidade.

Assim, os peregrinos vão a Jerusalém e aos Lugares Santos, onde se encontram com Deus e com os homens. Este é também o desejo de Bento XVI, como chefe de uma comunidade de fiéis, que com ele fará a sua peregrinação espiritual àqueles lugares das raízes da nossa fé.Esta é uma decisão corajosa do Papa, afirmou Padre Lombardi, pois há incertezas na situação política e numerosas divisões internas e conflitos; o processo de paz não descola; o diálogo entre a comunidade judaica e a Igreja católica é obscuro.

Porém, diz o Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, precisamente por isso o Papa deve ir à Terra Santa com urgência, para rezar nos pontos cruciais, onde a reconciliação parece humanamente impossível. O nome e a vocação de Jerusalém, conclui Padre Lombardi, são: cidade de paz e de encontro entre os povos, em nome do Deus da salvação, da paz e do amor.

(Fonte: site Radio Vaticana)

Em memória de Pio XI - Um Papa grande e forte

No alvorecer de 10 de Fevereiro de 1939, há setenta anos, faleceu Pio XI. A fibra deste Papa forte e grande caiu por fim numa doença que o Pontífice combateu até ao fim, também porque no dia seguinte teria querido celebrar com solenidade, diante de todo o episcopado italiano convocado no Vaticano, o décimo aniversário dos Pactos de Latrão entre a Itália e a Santa Sé, assinados precisamente a 11 de Fevereiro de 1929. Devido às leis raciais queridas por Mussolini, a tensão com o grande regime fascista tinha-se agravado a ponto que se difundiu o receio de que Pio XI aproveitasse do solene acto para criticar o Duce.

Explica-se neste contexto o boato de que o chefe do fascismo teria conseguido mandar assassinar o Papa, doente já havia muitos meses. Vinte anos mais tarde, em 1959, fazendo publicar um dos discursos incompletos escritos para a ocasião pelo moribundo Pontífice, foi João XXIII quem cortou as bases a estas representações romanescas (mas que por vezes transbordaram para a historiografia); recorrentes e infundadas como a presumível vontade papal de denunciar a Concordata com a Itália ou como a contraposição entre Pio XI e o seu Secretário de Estado Eugénio Pacelli, que lhe teria sucedido com o nome de Pio XII.

Nascido no coração da Brianza, em Desio, a 31 de Maio de 1857, Achille Ratti foi ordenado sacerdote em 1879 em Roma e graças a uma sólida formação intelectual e ao enérgico sentido prático regeu em sucessão e com prestígio crescente duas das maiores instituições culturais do mundo, as Bibliotecas Ambrosiana e Vaticana. Daqui, de surpresa, foi enviado como representante pontifício para Varsóvia, onde no ano seguinte foi nomeado Núncio e ordenado Arcebispo. A missão diplomática e pastoral revelou-se difícil, entre guerras e nacionalismos, nos confins das perturbações bolcheviques. Revestido da púrpura romana em 1921, foi Arcebispo de Milão só durante poucos meses, quase predestinado pelo seu mote bíblico, raptim transit: de facto, foi eleito sucessor de Bento XV no conclave de 6 de Fevereiro de 1922.

Iniciava assim um dos pontificados mais difíceis do século XX, que com um corajoso, difícil e necessário realismo graças também a uma ampla política concordatária, apoiada por dois grandes secretários de Estado como Pietro Gasparri e, a partir de 1930, Pacelli enfrentou os crescentes totalitarismos europeus (comunismo, fascismo, nazismo). Encarando também o novo anti-semitismo, a grande crise económica, a tragédia da guerra da Espanha e as outras perseguições contra os cristãos, da Rússia soviética ao México.

E perante a propaganda dos regimes totalitários e do paganismo moderno Pio XI reagiu: governando com vigor a Igreja, voltando-se com um novo olhar para as missões e para o implantação católica fora da Europa, sendo o primeiro a enfrentar a questão da sexualidade humana, fortalecendo o empenho e a cultura dos católicos. Mas também multiplicando beatificações, canonizações (entre os outros, de Teresa de Lisieux, dom Bosco e Tomás Moro), devoções, jubileus, celebrações. E introduzindo o uso do meio radiofónico, que pela primeira vez permitiu que o Romano Pontífice fizesse ouvir a sua voz em todo o mundo.

Desde o início do pontificado, apresentando-se para a bênção à cidade e ao mundo da arcada de São Pedro pela primeira vez depois de muitos decénios, Pio XI fez compreender que teria sido o Pontífice da Conciliação. O que se verificou com os Pactos lateranenses, imediatamente saudados com tons de regozijo por Angelo Giuseppe Roncalli (futuro João XXIII), com clarividente realismo por Alcide De Gasperi, mesmo se de volta de muitos meses de prisão devido à oposição política ao fascismo, e com algumas amarguras por Giovanni Battista Montini, que modificou em sentido positivo o seu juízo como cardeal e depois como Paulo VI.

Com o Tratado, a Concordata e a Convenção financeira entre a Itália e a Santa Sé foi encerrada a questão romana e nasceu o Estado Vaticano, base territorial quase simbólica mas contudo real da independência da Santa Sé. Tudo isto não impediu crises e tensões, já em 1931 devido à ofensiva fascista contra as organizações católicas e em 1938 por causa das leis raciais. O bem global da paz religiosa foi contudo reconhecido em 1947 pela própria assembleia constituinte que introduziu, com uma maioria muito superior à necessária, os Pactos lateranenses na Constituição da República italiana.

O mesmo entendimento positivo entre Estado e Igreja, não obstante as naturais diversidades e alguns pontos de divergência, permanece sólido precisamente porque está radicada na história italiana, finalizada para o bem de todos e destinada à dignidade de cada pessoa humana. Assim esta vontade comum de amizade inspirou o acordo de revisão de 1984 e, mais em geral, caracterizou nos anos e caracteriza hoje as relações entre a Itália e a Santa Sé, tão boas a ponto de poderem ser consideradas exemplares. Graças ao esforço comum e à colaboração de tantos, crentes e não crentes. E sem dúvida, na origem, por mérito da coragem clarividente de Pio XI.

Giovanni Maria Vian (Director)

O Evangelho de Domingo dia 15 de Fevereiro de 2009


São Marcos 1, 40-45

Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo».

No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo.

Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho».

Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.