Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

domingo, 22 de julho de 2018

Amar a Cristo...

Querido Jesus, ensina-nos a ter um amor por Ti simples e puro, enfim como se crianças fossemos. Com a idade vamos construindo baias que limitam a nossa franqueza e nos condicionam em tudo até na simplicidade e pureza da fé e do amor, por isso, Senhor, este nosso rogo para que nos sentes no Teu colo e nos façais crianças hoje e sempre.

Mesmos nas suas brincadeiras mais frequentes, elas são quase sempre admiravelmente puras e frontais, eis porque ambicionamos a ser de novo crianças, e como bem sabes, não é por qualquer dificuldade em aceitar o envelhecimento físico, mas tão somente porque com uma mente pura e simples Te amaremos todavia melhor.

Que saibamos Te amar, glorificar e proclamar hoje e sempre!

JPR

Os filhos são o que há de mais importante

Há dois pontos capitais na vida dos povos: as leis acerca do matrimónio e as leis acerca do ensino; e aí têm de estar firmes os filhos de Deus, lutando bem e com nobreza, por amor a todas as criaturas. (Forja, 104)

A paternidade e a maternidade não terminam com o nascimento; essa participação no poder de Deus, que é a faculdade de gerar, há-de prolongar-se na cooperação com o Espírito Santo, para que culmine com a formação de autênticos homens cristãos e autênticas mulheres cristãs.

Os pais são os principais educadores dos seus filhos, tanto no aspecto humano como no sobrenatural, e hão-de sentir a responsabilidade dessa missão, que exige deles compreensão, prudência, saber ensinar e, sobretudo, saber amar; e devem preocupar-se por dar bom exemplo. A imposição autoritária e violenta não é caminho acertado para a educação. O ideal para os pais é chegarem a ser amigos dos filhos; amigos a quem se confiam as inquietações, a quem se consulta sobre os problemas, de quem se espera uma ajuda eficaz e amável.

É necessário que os pais arranjem tempo para estar com os filhos e falar com eles. Os filhos são o que há de mais importante; mais importante do que os negócios, do que o trabalho, do que o descanso. Nessas conversas, convém escutá-los com atenção, esforçar-se por compreendê-los, saber reconhecer a parte de verdade – ou a verdade inteira – que possa haver em algumas das suas rebeldias. E, ao mesmo tempo, apoiar as suas aspirações, ensiná-los a ponderar as coisas e a raciocinar; não lhes impor uma conduta, mas mostrar-lhes os motivos, sobrenaturais e humanos, que a aconselham. Numa palavra, respeitar a sua liberdade, já que não há verdadeira educação sem responsabilidade pessoal, nem responsabilidade sem liberdade. (Cristo que passa, 27)

São Josemaría Escrivá

Bom Domingo do Senhor!

Façamos também nós como as multidões de que nos fala o Evangelho de hoje (Mc 6, 30-34) e sigamos sem hesitação o Senhor e com humildade reconheçamos que também nós somos ovelhas a precisar do Bom Pastor que é Jesus Cristo.

Louvado seja Deus Nosso Senhor que nos assegura o alimento para a alma e para a boca!

Quantas lágrimas se derramam em cada instante no mundo, cada uma diferente das outras…

O recurso seguro para evitar a tristeza ou sair da sua opressão é abrir o coração com Jesus diante do Sacrário, e com quem, como Seu instrumento, orienta a alma entre os meandros da vida espiritual. Lembremo-nos sempre, levando-o à prática, o conselho que S. Josemaria dava: Levantai o coração a Deus, quando chegar o momento duro do dia, quando a tristeza quiser meter-se na nossa alma, quando sentirmos o peso destas lides da vida, dizendo: Miserere mei Domine, quoniam ad te clamavi tota die: laetifica animam servi tui, quoniam ad te Domine, animam meam levavi (Sl 85, 3-4), Senhor, tem misericórdia de mim, porque Te invoquei o dia todo: alegra o Teu servo, pois a Ti, Senhor, elevei a minha alma [9].
Que bela tarefa realizam os cristãos ao consolar os que se veem aflitos por uma contrariedade, grande ou pequena, que lhes rouba a paz! Além de rezar por eles, é preciso fomentar um acolhimento afetuoso, pois muitas almas só procuram alguém que ouça com paciência as suas penas. Quantas caras tristes encontramos nos nossos caminhos terrenos porque ninguém lhes ensinou a abandonar-se no Senhor, e com que consolo fraterno os devemos acolher! Quantas lágrimas se derramam em cada instante no mundo, cada uma diferente das outras… E juntas formam como que um oceano de desolação, a implorar misericórdia, compaixão, consolo. As mais amargas são as lágrimas causadas pela maldade humana: as lágrimas de quem viu arrancar-lhe violentamente uma pessoa querida, lágrimas de avós, de mães e pais, de crianças... (...). Precisamos da misericórdia, da consolação que vem do Senhor. Todos nós precisamos dela. É a nossa pobreza, mas também a nossa grandeza: invocar a consolação de Deus que, com a Sua ternura, vem enxugar as lágrimas do nosso rosto [10].
Assim fez o Mestre durante a Sua passagem entre os homens. Levado pela Sua misericórdia, deteve-se no caminho, para consolar a viúva de Naim que chorava a morte do seu único filho; reagiu de forma semelhante com Marta e Maria em Betânia, desoladas pela morte do seu irmão Lázaro. Chorou também pelo destino que a cidade Jerusalém iria ter [11]. Ao iniciar a Sua Paixão, já no Jardim das Oliveiras, sofreu até ao ponto de suar sangue, e permitiu que um anjo, uma criatura, O consolasse (cfr. Lc 22, 39-46). Pode haver maior sinal de humanidade do que admitir o consolo, o reforço que outro nos dá para nos levantar do nosso abatimento, da nossa fraqueza, do nosso desânimo? [12]
Seguindo os passos do Mestre, consolemos quem precisa. É isso que está nas entranhas do espírito cristão. Assim se dirigia S. Francisco ao Senhor, numa oração também repetida por muitas gerações: «Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver dúvida, que eu leve a fé; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver trevas, que eu leve a Tua luz» [13].
[9]. S. Josemaria, Carta 9-I-1932, n. 15.
[10]. Papa Francisco, Vigília de oração para "enxugar" as lágrimas, 5-V-2016.
[11]. Cfr. Lc 7: 11-13;. Jo 11, 17 ss; Lc 19, 41 -44.
[12]. S. Josemaria, Carta 29-IX-1957, n. 34.
[13]. Oração atribuída a S. Francisco de Assis.


(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de julho de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Maria Madalena: a apóstola dos apóstolos

Todas as mulheres cristãs, sem necessidade do sacramento da Ordem, podem e devem ser, sejam leigas ou consagradas, solteiras ou casadas, apóstolas de apóstolos, como Maria Madalena.

Com data de 3 de Junho de 2016, o Papa Francisco, através de um dos seus mais próximos e valiosos colaboradores, o Cardeal Robert Sarah, prefeito para a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, decretou que a celebração litúrgica de Santa Maria Madalena passasse a ser festa, a realizar todos os anos no dia 22 de Julho, que era já o da sua memória.

Esta promoção litúrgica da santa de Magdala ocorre por exigência de vários critérios pastorais que, no referido decreto, sumariamente se referem: “Na actualidade, quando a Igreja é chamada a reflectir mais profundamente sobre a dignidade da mulher, a nova evangelização e a grandeza do mistério da misericórdia divina, pareceu conveniente que o exemplo de Santa Maria Madalena fosse também proposto aos fiéis de uma forma mais adequada. Com efeito, esta mulher conhecida por ter amado Cristo e por ter sido muito amada por Cristo, chamada por São Gregório Magno ‘testemunha da divina misericórdia’ e por São Tomás de Aquino ‘a apóstola dos apóstolos’, pode ser hoje proposta aos fiéis como paradigma do serviço das mulheres na Igreja”.

A este propósito, o secretário da Congregação para o Culto Divino, arcebispo Arthur Roche, muito justamente recordou que “foi João Paulo II quem dedicou uma grande atenção, não só à importância das mulheres na missão do próprio Cristo e da Igreja, mas também, em particular, ao especial papel de Maria de Magdala, como sendo a primeira testemunha que viu o ressuscitado, e a primeira mensageira que anunciou a ressurreição do Senhor aos apóstolos (cfr. Mulieris dignitatem, n. 16)”.

Questão mais difícil é a de apurar quem foi, de facto, Maria Madalena. No passado, houve quem a identificasse com a pecadora que derramou o perfume em casa de Simão, o fariseu; mas a moderna exegese desmente essa identificação. Talvez essa confusão tenha originado a má fama que, desde então, persegue esta santa. Com efeito, a tradição popular imputa-lhe um passado luxurioso, que a Bíblia, contudo, não corrobora.

Sempre foram muito pouco indulgentes os homens para com os pecados desta natureza, que ainda hoje são considerados dos mais vergonhosos. No entanto, aos olhos de Deus, pode ser mais grave o orgulho ou a ira de um coração que, embora inocente de qualquer pecado carnal é, afinal, mais impuro. Por isso, Jesus não deixa de reprovar a soberba dos que, como os fariseus, se consideravam a si mesmos justos e desprezavam as pecadoras públicas que, no entanto, os iriam preceder no reino dos Céus. Mas, mesmo inocente desses pecados, Maria Madalena também teria as suas culpas, pois dela se diz que “tinham saído sete demónios” (Lc 8, 2).

Mais importante do que averiguar o passado, mais ou menos pecaminoso, de Maria Madalena, interessa a sua virtude, o seu amor a Cristo, porque também ela, como aliás todos nós, só pôde ser perdoada no amor, como Jesus ensinou ao farisaico Simão: “Estão perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou” (Lc 7, 47).

Os santos não foram, ao contrário do que uma certa mentalidade puritana tende a crer, os que nunca pecaram, ou os que pecaram pouco, mas os que muito amaram, mesmo tendo pecado, alguns até muito. A santidade cristã não é a suprema sublimação do impoluto, mas a perfeição da caridade, sem a qual a fé, a pobreza, e mesmo a mais pura castidade nada valem (cfr. 1Cor 13, 1-3).

Maria Madalena foi uma grande santa porque amou muito e foi também muito amada por Cristo. Não ao jeito que certos ignaros gostam agora de romancear, em novelas de cordel que talvez sejam best-sellers comerciais, mas que nada têm de verídico, nem de verosímil. Desmente-os a reverência da boa mulher de Magdala para com o seu Mestre e Senhor, a quem trata com indiscutível amor, mas também com o respeito devido pela criatura ao Criador. Por isso, quando finalmente o descobre naquele que antes julgara ser o hortelão, não o trata familiarmente pelo seu nome próprio, como seria de esperar entre cônjuges ou amantes, mas com a deferência que a discípula deve ao seu Mestre (Jo 20, 16). Também as palavras que Jesus opõe ao ímpeto da sua esfusiante alegria quando, por fim, o reconhece (Jo 20, 17), assinala, sem lugar para dúvidas, a distância sempre observada entre a humilde serva e o seu divino Senhor.

A sua fé afirma-se sobretudo na gloriosa ressurreição do seu Mestre, de que ela será, por especialíssima graça, primeira testemunha. Como escreveu Arthur Roche, “precisamente porque foi testemunha ocular de Cristo ressuscitado, foi também, por outro lado, a primeira em dar testemunho d’Ele aos apóstolos”. Deste modo converteu-se em evangelista, ou seja, em mensageira que anuncia a boa nova da ressurreição do Senhor.

A elevação a festa da comemoração litúrgica de Maria Madalena expressa, em termos litúrgicos, o reconhecimento da sua qualidade de apóstola: “por isso – como disse o secretário da Congregação para o Culto Divino – é justo que a celebração litúrgica desta mulher adquira o mesmo grau de festa dado às celebrações dos apóstolos no Calendário Romano Geral e que se destaque a especial missão desta mulher, que é exemplo e modelo para todas as mulheres na Igreja”.

Os que pretendem a promoção das mulheres na Igreja por via da sua clericalização, talvez pensem que esta reforma litúrgica prenuncia a sua admissão ao sacerdócio ministerial, mas é mais lógico que queira dizer exactamente o contrário. Com efeito, se Maria Madalena, sem ter nunca recebido o diaconado, nem o presbiterado ou o episcopado, pôde ser e de facto foi apóstola, também todas as mulheres cristãs, sem necessidade do sacramento da Ordem em nenhum dos seus três graus, podem e devem ser, sejam leigas ou consagradas, solteiras ou casadas, não só apóstolas, mas apóstolas de apóstolos, como Santa Maria Madalena!

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador de 22.07.2017

(seleção de imagem 'Spe Deus')

Santa Maria Madalena


Natural de Mágdala, na Galileia, Maria Madalena foi contemporânea de Jesus Cristo, tendo vivido no Século I. O testemunho de Maria Madalena é encontrado nos quatro Evangelhos:

"Os doze estavam com ele, e também mulheres que tinham sido curadas de espíritos maus e de doenças. Maria, dita de Mágdala, da qual haviam saído sete demónios..." (Lc 8,1-2).

Após ter sido curada por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, de seguimento a Nosso Senhor no amor e no serviço. E este amor maduro de Maria Madalena levou-a até ao momento mais difícil da vida e da missão de Nosso Senhor, permanecendo ao lado d'Ele:

"Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena" (Jo 19,25).

Maria Madalena foi a primeira testemunha da Ressurreição de Jesus:

"Então, Jesus falou: 'Maria!' Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: 'Rabûni!' (que quer dizer: Mestre)" (Jo 20,16).

A partir deste encontro com o Ressuscitado, Maria Madalena, discípula fiel, viveu uma vida de testemunho e de luta pela santidade.

Existe também uma tradição de que Maria Madalena, juntamente com a Virgem Maria e o Apóstolo João, foi evangelizar em Éfeso, onde depois veio a falecer nesta cidade.

O culto a Santa Maria Madalena no Ocidente propagou-se a partir do Século XII.

Santa Maria Madalena, rogai por nós!

N. Spe Deus: por decisão do Papa Francisco a partir de 2016 o dia de Santa Maria Madalena passou a ser considerado Festividade da Igreja

«Teve compaixão deles, por eram como ovelhas sem pastor»

São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
Pedagogo, I, 9; SC 70


Salvar é um acto de bondade. «A misericórdia divina estende-se a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina e reconduz, como pastor, o seu rebanho. Ele Se compadece daqueles que recebem os Seus ensinamentos, e dos que se apressam a cumprir os Seus preceitos» (Sir 18,13ss). [...]

Os sãos não têm necessidade do médico enquanto estiverem bem; os doentes, pelo contrário, recorrem à sua arte. Da mesma maneira, nesta vida, nós estamos doentes pelos nossos desejos censuráveis, pelas nossas intemperanças [...] e outras paixões: temos necessidade de um Salvador. [...] Nós, os doentes, temos necessidade do Salvador; extraviados, necessitamos de quem nos guie; cegos, de quem nos dê luz; sedentos, da fonte de água viva, porque «quem beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede» (Jo 4,14). Mortos, precisamos da vida; rebanho, do pastor; crianças, de um educador: sim, toda a humanidade tem necessidade de Jesus. [...]

«Cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça» (Ez 34,16). Tal é a promessa do bom pastor, que nos apascenta como a um rebanho, a nós que somos pequeninos. Mestre, dá-nos com abundância o Teu pasto, que é a justiça! Sê o nosso pastor e conduz-nos até à Tua montanha santa, até à Igreja que se eleva, que domina as nuvens, que toca os céus. «Eis que Eu mesmo cuidarei das Minhas ovelhas e me interessarei por elas» (cf Ez 34). [...] «Eu não vim para ser servido mas para servir». É por isso que o Evangelho O mostra cansado, Ele que se afadiga por nós e que promete «dar a Sua vida para resgatar a multidão» (Jo 4,5; Mt 20,28).

sábado, 21 de julho de 2018

Sobre o filme «Paulo, Apóstolo de Cristo»: Cristianismo ao vivo

Como o sabem os mais atentos, neste momento já é possível adquirir através da Amazon, por exemplo, o filme sobre S. Paulo. Convido a que o façam pois, como é sabido, é muito difícil que um filme de cariz religioso com mensagem favorável ao cristianismo seja adquirido pelas nossas distribuidoras de filmes. É um preconceito que só a muito custo é ultrapassado no nosso país.

Reconheço que não estamos perante uma obra-prima da sétima arte, mas é um filme que se vê com agrado e que nos apresenta uma imagem consistente do grande Apóstolo dos gentios. Deixo para os críticos do cinema os aspetos mais técnicos, mas gostaria de sublinhar alguns dos aspetos muito positivos do filme que descreve, com certa liberdade, os últimos momentos da vida de S. Paulo.

A amizade e a confiança entre o Apóstolo e S. Lucas está muito bem retratada. De facto, traz à nossa consideração que S. Lucas necessitou um bom tempo passado junto a S. Paulo para poder escrever os Atos.

Uma das insistências que me parecem particularmente felizes é a incorporação de trechos das cartas do Apóstolo em momentos chave do relato. Desse modo, as palavras do Apóstolo parecem ganhar vida: não são o fruto de umas reflexões académicas mas têm a ver com um conhecimento de Cristo que está incorporado no coração do Apóstolo e que brota espontaneamente diante de cada situação concreta. Perante a dúvida de S. Lucas sobre como reagir à violência a que os cristãos são submetidos, S. Paulo responde com uma parte do hino da caridade. É um grande momento do filme.

Na minha perspetiva, há outro momento muito importante do filme. É breve mas decisivo. Quando alguns dos cristãos da comunidade de Roma decidem libertar S. Paulo recorrendo à violência (é uma das liberdades do filme, que eu saiba sem fundamento histórico), S. Paulo grita-lhes: como é óbvio, «vocês não conhecem Cristo». Isto é: ao atuarem deste modo, mostram que longe estão do coração e da mente de Jesus. É um grande ensinamento: quem não atua de acordo com os ensinamentos de Cristo, não O conhece e está longe d’Ele. O filme evoca o desejo de vingança, mas bem se podem aplicar essas palavras a muitas outras dimensões: quem mata, quem rouba, quem se recusa a ser casto, quem mente… de forma assumida é óbvio que não conhece Cristo, não pode dizer, com S. Paulo: «Nós, porém, temos o pensamento de Cristo» (1 Cor, 2, 16). Não se trata «apenas» de que não se vive um aspeto dos ensinamentos de Cristo: essa rejeição significa que se anda longe do coração de Cristo.

Por fim, entre outros muitos aspetos, o diálogo final com o guardião da prisão, é um diálogo interessante que toca o coração daquele homem. Recordam uma situação semelhante descrita nos Atos. S. Paulo, preso em Cesareia, dá testemunho da sua fé diante do rei Agripa. No final da sua intervenção, Agripa diz a Paulo: «“Por pouco me não persuades a fazer-me cristão!” Paulo disse-lhe: “Prouvera a Deus que, por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos me ouvem, se fizessem hoje tais como eu sou, excetuando estas cadeias!”» (At 26, 28.29). O desejo de Paulo de que todos abram as suas vidas a Cristo fica claro no diálogo idealizado no filme.

Em resumo: o filme ajuda a recriar o ambiente dos primeiros cristãos, mostra a caridade que presidia nas primeiras comunidades e também as possíveis dúvidas e perplexidades perante tudo que lhes estava a suceder. As figuras de Áquila e Priscila são bem simpáticas. O filme ajudará sobretudo os cristãos a pensar na vida do Apóstolo Paulo e a aumentar a devoção por ele. Também convida a prestar mais atenção à leitura dos Atos e às Cartas do Apóstolo com o desejo de termos o pensamento de Cristo.

Aconselho a que se veja o filme mais de uma vez.

Pe. João Paulo Pimentel na sua página no Facebook

O TEMPO QUE TU ME DÁS

Já não me sobra tempo,
do tempo que Tu me dás,
porque o tempo que em mim fazes,
se esgota no tempo,
para me entregar a Ti,
na Tua amorosa paz.

Eu sei e acredito,
que Tu me dás todo o tempo,
mas que faço eu do tempo,
que em todo tempo
me dás?

O Teu tempo é todo amor,
no amor infinito que dás,
procuro eu nesse tempo,
viver nos outros,
para os outros,
o Teu amor,
a Tua paz?

Quero deixar-me tomar,
pelo tempo que me dás,
para que tomado por Ti,
no tempo,
seja eu também,
tempo de amor,
e de paz.

Apenas para Te servir,
no tempo,
e em todo o tempo,
para dar aos outros o amor,
manifestar-lhes a paz,
que agora e sempre,
Tu,
Senhor,
em todo o tempo me dás.

Marinha Grande, 21 de Julho de 2018

Joaquim Mexia Alves
https://queeaverdade.blogspot.com/2018/07/o-tempo-que-tu-me-das.html

Meter Cristo entre os pobres

Pelo "caminho do justo descontentamento" têm ido e estão a ir-se embora as massas. Dói... Quantos ressentidos temos fabricado entre os que estão espiritual ou materialmente necessitados! É preciso voltar a meter Cristo entre os pobres e entre os humildes: precisamente entre esses é que Ele se sente melhor. (Sulco, 228)

"Os pobres – dizia aquele amigo nosso – são o meu melhor livro espiritual e o motivo principal das minhas orações. Dói-me a sua dor, e dói-me o sofrimento de Cristo neles. E, porque me dói, compreendo que O amo e que os amo". (Sulco, 827)

Jesus Nosso Senhor amou tanto os homens, que encarnou, tomou a nossa natureza e viveu em contacto diário com pobres e ricos, com justos e pecadores, com novos e velhos, com gentios e judeus.

Dialogou constantemente com todos: com os que gostavam dele e com os que só procuravam a maneira de retorcer as suas palavras, para o condenar.
– Procura comportar-te como Nosso Senhor. (Forja, 558)

– Não ficas contente por sentir tão de perto a pobreza de Jesus?... Que bonito carecer até do necessário! Mas como Ele: oculta e silenciosamente. (Forja, 732)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 22 de julho de 2018

Tendo os Apóstolos voltado a Jesus, contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado, e Ele disse-lhes: «Vinde à parte, a um lugar solitário, e descansai um pouco». Porque eram muitos os que iam e vinham e nem sequer tinham tempo para comer. Entrando, pois, numa barca, retiraram-se à parte, a um lugar solitário. Porém, viram-nos partir, e muitos perceberam para onde iam e acorreram lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram primeiro que eles. Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas. 

Mc 6, 30-34

Quantos caminhos há para Deus?

Tantos quantas as pessoas. Porque até dentro da mesma fé o caminho de cada um é muito pessoal. Nós temos a palavra de Cristo: "Eu sou o Caminho". Neste sentido há, no fim das contas, um só caminho, e cada um que está a caminho de Deus está também, de alguma maneira, a caminho de Jesus Cristo. Isto não significa que, consciente e deliberadamente, todos os caminhos sejam idênticos, mas, pelo contrário, que o caminho é realmente tão grande que se torna, em cada um, o seu caminho pessoal.

(Cardeal Joseph Ratzinger in entrevista ao ‘O sal da terra’ – Págs 27-28)

Abençoar a refeição

Antes das refeições: Abençoai-nos, Senhor, e a estes alimentos que recebemos das Vossas mãos. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen

Que o Rei da eterna glória nos faça participantes da mesa celestial. Ámen

Depois das refeições: Damo-Vos graças, Deus omnipotente, por todos os vossos benefícios. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Ámen

Que o Senhor nos dê a sua paz, e a vida eterna. Ámen

S. Lourenço de Brindisi (Brindes), religioso, Doutor da Igreja, †1619


Foi um homem providencial que marcou sua época. Exímio cruzado, pregador, apologista, diplomata, taumaturgo e sábio, amigo de Papas, do Imperador e de Príncipes, foi venerado ainda em vida pelo povo como Santo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 21 de julho de 2018

Os fariseus, saindo dali, tiveram conselho contra Ele sobre o modo de O levarem à morte. Jesus, sabendo isto, retirou-Se daquele lugar. Muitos seguiram-n'O, e curou-os a todos. Ordenou-lhes que não O descobrissem, para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: “Eis o Meu servo, que Eu escolhi, o Meu amado, em Quem a Minha alma pôs as suas complacências. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará a justiça às nações. Não discutirá, nem clamará, nem ouvirá alguém a Sua voz nas praças; não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça triunfar a justiça; e as nações esperarão no Seu nome”.

Mt 12, 14-21