Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

A festa de S. Napoleão

No próximo dia 15 de Agosto, como todos os anos, celebra-se a grande solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu.


Como todos os anos? Bem, houve um tempo em que o Imperador dos franceses, Napoleão Bonaparte, substituiu Nossa Senhora por S. Napoleão. Que a Igreja nunca tivesse canonizado um Napoleão não era problema, porque entre as multidões de centuriões romanos que se converteram e estão no Céu, possivelmente algum se chamava Napoleão e, mais importante que um Napoleão no Céu era o Napoleão omnipotente que governava a França e queria dominar o mundo. Parecia-lhe que quem mandava tanto neste mundo podia também mandar no outro mundo e a Igreja cabia sob a autoridade suprema do imperador.


Napoleão nomeava bispos em França, dispunha dos padres e dos conventos, substituía a seu bel-prazer as celebrações católicas por festas de S. Napoleão, mas Deus ainda não era seu súbdito e o Papa, seu representante na Terra, ainda lhe escapava. O magno desafio de subjugar a Igreja foi confiado a um profissional de invulgar habilidade, chamado Talleyrand.


A trajectória deste especialista é desconcertante. Como, apesar de ser nobre, não podia fazer carreira militar, porque tinha uma perna mais curta que a outra, decidiu em alternativa ser bispo. Naquela altura, em que os reis mandavam tanto, o plano era exequível e, de facto, o Rei nomeou-o. Pouco depois, o Rei reúne os Estados Gerais e Talleyrand entra na política ao lado do Rei. Como este estava falido, Talleyrand propõe nacionalizar os bens da Igreja. Com pouco mais de dois anos como bispo, a função deixa de lhe interessar e demite-se. Entretanto, abandona o Rei, refugia-se momentaneamente no estrangeiro durante a revolução e regressa como Ministro dos Negócios Estrangeiros do Directório. Entretanto, começa a conspirar e organiza o golpe de Estado que acaba com o Directório e prepara o consulado de Napoleão, que mantém Talleyrand como Ministro dos Negócios Estrangeiros e seu principal conselheiro. É nesta função que concebe o seu plano para subjugar a Igreja.


O primeiro passo consistia em raptar o Papa Pio VI, escondê-lo em França e anunciar que tinha morrido. O segundo passo seria dar tempo para que um novo Papa fosse eleito e, depois, apresentar Pio VI afinal vivo. Confrontada com dois Papas em exercício, a Igreja dissolver-se-ia em lutas internas, Paris substituía o Vaticano e o Imperador substituía o Papa.


A primeira parte da operação, invadir Roma e raptar o Papa, foi fácil. Levá-lo para França correu menos bem porque as multidões desobedeciam ao Imperador e ajoelhavam-se à passagem do prisioneiro. Mas a parte do plano que correu pior foi que Pio VI não sobreviveu aos maus tratos e morreu antes de a Igreja ter escolhido o sucessor. Pior ainda, para marcar a continuidade, o Pontífice seguinte escolheu o nome de Pio VII.


Preocupado com a situação da igreja em França, Pio VII cedeu em tudo o que não era essencial. Aceitou o confisco dos bens da Igreja e reconheceu o Governo francês em troca de alguma liberdade para a Igreja. Só não pôde aceitar o divórcio de Napoleão, nem o bloqueio económico ao Reino Unido. Como as cedências não bastavam, o exército francês volta a invadir Roma e Pio VII é levado prisioneiro para França. Sujeitam-no a enormes pressões mas resiste e, quando a estrela de Napoleão começa a apagar-se, o Imperador desiste do plano e consente que o Papa regresse a Roma.


Talleyrand —que mudava de amantes a um ritmo que escandalizava o próprio Napoleão, que também não era fiel à sua mulher— depois de ter apoiado o Imperador, começa a conspirar contra ele. Cai Napoleão e Talleyrand é eleito para chefiar o Governo provisório e junta-se ao novo Rei Luís XVIII, de quem depois se afastou. Continuou assim a manter o poder e a trair, um a um, os seguintes que o nomearam.


No dia da morte, Talleyrand assina uma retractação por tudo o que tinha feito contra a Igreja e recebe a Unção dos Enfermos. E S. Napoleão? A Igreja ainda não canonizou nenhum Napoleão, mas o ex-Imperador Napoleão Bonaparte quis morrer «no seio da Igreja Apostólica e Romana». Pouco antes de morrer confessou-se ao Pe. Vignali, enviado do Papa; fez há poucos dias 200 anos.




E no próximo dia 15 de Agosto, em todo o mundo, também em França, celebra-se a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.


José Maria C.S. André

A Transfiguração do Senhor


O Céu. "Nem olho algum viu, nem ouvido algum ouviu, nem passaram pelo pensamento do homem as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam". Não te incitam à luta estas revelações do Apóstolo? (Caminho, 751)

E transfigurou-Se diante deles. E o Seu rosto ficou refulgente como o Sol e as Suas vestes tornaram-se brancas como a neve (Mt 17, 2).

Jesus: ver-Te, falar contigo! Permanecer assim, contemplando-Te; abismado na imensidade da Tua formosura, e nunca, mais deixar de Te contemplar! Ó Cristo, quem Te pudesse ver! Quem Te visse, para ficar ferido de amor por Ti!

E eis que da nuvem uma voz dizia: Este é o meu Filho dilecto em quem pus toda a minha complacência: ouvi-O (Mt 17, 5).

Senhor nosso, aqui nos tens, dispostos a escutar tudo o que nos quiseres dizer. Fala-nos; estamos atentos à Tua voz. Que as Tuas palavras, caindo na nossa alma, inflamem a nossa vontade, para que se lance fervorosamente a obedecer-Te!

Vultum tuum, Domine, requiram (S 26,8) – buscarei, Senhor, o Teu rosto. Encanta-me cerrar os olhos, e considerar que chegará o momento – quando Deus quiser – em que poderei vê-lo, não como num espelho, e sob imagens obscuras…, mas face a face (1 Cor 13, 12). Sim, o meu coração está sedento do Deus, do Deus vivo; quando irei e verei a face de Deus? (S 41, 3). (Santo Rosário. 4. º Mistério luminoso)

São Josemaría Escrivá

A “segunda” Transfiguração do Senhor ao Apóstolo São João

Todos sabemos que João, conjuntamente com Pedro e Tiago, presenciou a Transfiguração do Senhor (cfr. Mt 17, 1-8, Mc 9, 2-8, Lc 9, 28-36). Há dias, meditando no 4º Mistério Luminoso do Terço, ou seja, na Transfiguração, ocorreu-me fazer uma ponte da aparição do anjo do Senhor em sonho que João nos narra no Apocalipse, «o que vês escreve-o num livro…» (Ap 1, 11) e a Jerusalém Celeste por ele vista (cfr. Ap 21, 1-7.9-27; 22, 1-5), que mais não é que uma descrição do Reino dos Céus a que todos ambicionamos chegar. A partir daí, meditei que de certa forma o Senhor se Transfigurou, ainda que em sonho e através de um anjo, por uma “segunda” vez perante João e lhe fez ver de novo a Luz do Seu Reino.

A nós cabe-nos em oração de entrega total, ambicionar que o Senhor nos conceda a humildade de O bem servir e assim sermos merecedores de estar entre os eleitos.

JPR

Seguir Jesus de casa às costas

Há tempos ao meditar na Transfiguração do Senhor de que nos fala o Evangelho de hoje (Mt 17, 1-9) quando Pedro se oferece para erguer três tendas, uma para Jesus Cristo, outra para Elias e outra para Moisés, vi confirmada a extraordinária entrega de si próprios por parte dos Apóstolos.

Se tomarmos os Santos Evangelhos «… o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça» (Mt 8, 20) e os raros episódios em que nos é narrado que o Senhor ficou em casa de alguém, Marta, Maria e Lázaro ou Zaqueu permito-me concluir, ainda que o Senhor quando enviou os Apóstolos lhes tenha dito para aceitarem a hospedagem em casa daqueles que os recebessem, que trariam consigo o necessário para montar uma tenda sempre que precisassem, nomeadamente quando se refugiavam com Jesus na montanha.

Só nos é possível imaginar, quão boa era a companhia do Mestre, para que tudo tenham deixado e de tudo tenham abdicado, para assim O poderem seguir e com Ele tudo aprender.

Falo por mim, frequentemente comodista, e peço ao Senhor que me conceda a humildade e o espírito de entrega para abdicar, sem me lastimar, de tudo o que Ele entender que eu deva fazer, abrindo-me o coração à Sua vontade e não me deixando dominar pela fraqueza.

JPR

Festa da Transfiguração do Senhor

A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V, no Oriente. Na Idade Média estendeu-se por toda Igreja Universal, especialmente com o papa Calisto III. O episódio foi relatado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. Presentes estavam os apóstolos Pedro, João e Tiago. Jesus transfigurou-se diante deles, seu corpo ficou luminoso e resplandecentes as suas vestes. Com isto, Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era realmente o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas de Deus; é Deus connosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens. A sua paixão e morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar-se à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica - luz, brancura, glória, nuvem ... que indicam a presença de Deus.

O caminho necessário para a ressurreição é, contudo, o caminho da cruz, da paixão e morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)