Obrigado, Perdão Ajuda-me

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As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 3 de abril de 2021

Ser cristão é ser feliz. Quem não é feliz não é cristão

Como Deus repousou da Criação no sétimo dia, também descansou da Redenção no Sábado.

Que significa o repouso do Criador, se Deus não se fatiga? Há o repouso do cansaço, e há o repouso da confiança. Deus descansou no homem, confiando-lhe a Criação, como um pai descansa nos filhos quando os vê preparados para a vida, mas continua sendo pai, amparando-os sempre nas suas necessidades e dificuldades. Na Redenção, Deus também descansou no Homem, no seu Filho, o Verbo encarnado, confiando-lhe a salvação do mundo.

Descansou na sua Morte por nós, que lhe mereceu a sua Ressurreição e a nossa, para toda a eternidade.

Para nós, o Sábado Santo foi um dia de grande tristeza, mas Nosso Senhor já tinha prometido aos Apóstolos que depois se alegrariam, e que a sua alegria permaneceria para sempre, porque O haviam de ver novamente, e nunca nos deixaria órfãos, desamparados.

E assim sucedeu: após um dia de profunda pena, angústia e perplexidade, veio o Domingo, e a sua alegria foi imensa, tão grande, que nem queriam acreditar em tanta felicidade.

Ser cristão é ser feliz. Quem não é feliz não é cristão.

Mas então deixamos de ser cristãos quando estamos tristes? Depende. Depende de quê? Da esperança. A tristeza sem esperança é uma infelicidade; a felicidade está na esperança, como o Santo Padre nos recordou na última encíclica. Sem esperança, até as alegrias são penas; com esperança, até o martírio é uma alegria.

Tu és cristão porque foste baptizado, porque crês em Cristo, porque amas Cristo, porque queres seguir Cristo. É verdade. Daqui a pouco vais dizê-lo solenemente: - Sim, creio! Sim, renuncio ao pecado!

Mas crês em Cristo vivo ou em Cristo morto?

Porque há muitos cristãos que continuam a viver no Sábado, no dia da tristeza. Crêem em Cristo, amam-no, querem segui-lo, mas não crêem no Ressuscitado, que vive, e vive junto deles, que os acompanha com imenso carinho fraterno, paterno e materno; que os espera no Sacrário; que lhes dá toda a força do seu Espírito; que habita neles; que se lhes entrega todos os dias; que transforma em bem tudo o que lhes acontece, até quando fraquejam nas tentações; que gosta de cada um como filho único; que lhes fala na Sagrada Escritura, na Igreja, na oração, na consciência, em cada instante da vida; e os compreende, e perdoa quantas vezes for preciso; e os anima; e os ilumina; e os torna luz, a luz do mundo...

Há muitos cristãos que não chegaram ao Domingo, e por isso andam tristes, desanimados, sem esperança, sem alegria.

Que veio dizer Nosso Senhor a S. Josemaria? Que ser cristão é ser feliz. Que ser feliz é ser santo, e ser santo é ser feliz. «Queres ser feliz? Sê santo. Queres ser mais feliz? Sê mais santo. Queres ser muito feliz? Sê muito santo», dizia. E vice-versa, podemos acrescentar: Se queres ser santo, sê feliz. «Alegrai-vos sempre no Senhor!», exorta-nos S. Paulo. «Que a tua alegria seja a nossa fortaleza», pedimos nós, os sacerdotes, no Ofício divino.

Peçamos isso para todos os nossos irmãos: que nunca se conformem com a tristeza; que saibam ver em tudo a mão de Deus; que descubram o que há de divino e providencial em qualquer circunstância da vida, como insistia com tanta força o Fundador do Opus Dei. E nas horas de perplexidade, que Deus sabe mais, e tem direito a que confiemos n’Ele.

Peçamos que todos os cristãos passem do Sábado, descubram o Domingo, e sejam tão felizes como os Apóstolos e as santas mulheres ao descobrirem o Ressuscitado.

(Mons. Hugo de Azevedo – Homilia da Vigília Pascal de 2008 no Oratório São Josemaría em Lisboa)

Imagem: foto quadro de Rafael Sanzio (1483-1520) - reprodução oferecida aos participantes na Vigília Pascal de 11-IV-2009 no Oratório São Josemaría

Meditação de D. Javier Echevarría - Sábado Santo: Silêncio e Conversão

Hoje é dia de silêncio na Igreja: Cristo jaz no sepulcro e a Igreja medita, admirada, o que fez por nós este Senhor nosso. Guarda silêncio para aprender do Mestre, ao contemplar o Seu corpo destroçado.

Cada um de nós pode e deve unir-se ao silêncio da Igreja. E ao considerar que somos responsáveis por essa morte, esforçamo-nos para que guardem silêncio as nossas paixões, as nossas rebeldias, tudo o que nos afaste de Deus. Mas sem estarmos meramente passivos; é uma graça que Deus nos concede quando lha pedimos diante do Corpo morto do Seu Filho, quando nos empenhamos em tirar da nossa vida tudo o que nos afaste d’Ele.

O Sábado Santo não é um dia triste. O Senhor venceu o demónio e o pecado e dentro de poucas horas vencerá também a morte com a Sua gloriosa Ressurreição. Reconciliou-nos com o Pai celestial; já somos filhos de Deus! É necessário que façamos propósitos de agradecimento, que tenhamos a segurança de que superaremos todos os obstáculos, sejam do tipo que forem, se nos mantemos bem unidos a Jesus pela oração e os sacramentos.

O mundo tem fome de Deus, embora muitas vezes não o saiba. As pessoas desejam que se lhes fale desta realidade gozosa — o encontro com o Senhor — e para isso estão os cristãos. Tenhamos a valentia daqueles dois homens — Nicodemos e José de Arimateia — que durante a vida de Jesus Cristo mostravam respeitos humanos, mas que no momento definitivo se atrevem a pedir a Pilatos o corpo morto de Jesus, para lhe dar sepultura. Ou a daquelas mulheres santas que, quando Cristo é já um cadáver, compram aromas e vão embalsamá-lo, sem terem medo dos soldados que guardam o sepulcro.

À hora da debandada geral, quando toda a gente se sentiu com direito a insultar, a rir-se e a zombar de Jesus, eles vão dizer: dá-nos esse Corpo, que nos pertence. Com que cuidado o desceriam da Cruz e iriam olhando para as Suas Chagas! Peçamos perdão e digamos, com palavras de São Josemaría Escrivá: subirei com eles ao pé da Cruz, apertarei o Corpo frio, cadáver de Cristo, com o fogo do meu amor..., retirar-lhe-ei os cravos com os meus desagravos e mortificações..., envolvê-Lo-ei com o pano novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei no meu peito de rocha viva, donde ninguém m’O poderá arrancar, e aí, Senhor, descansai!

Compreende-se que colocassem o corpo morto do Filho nos braços da Mãe, antes de lhe dar sepultura. Maria era a única criatura capaz de Lhe dizer que entende perfeitamente o Seu Amor pelos homens, pois não foi Ela a causa dessas dores. A Virgem Puríssima fala por nós; mas fala para nos fazer reagir, para que experimentemos a Sua dor, feita uma só coisa com a dor de Cristo.

Retiremos propósitos de conversão e de apostolado, de nos identificarmos mais com Cristo, de estar totalmente pendentes das almas. Peçamos ao Senhor que nos transmita a eficácia salvadora da Sua Paixão e Morte. Consideremos o panorama que se nos apresenta pela frente. As pessoas que nos rodeiam, esperam que os cristãos lhes descubram as maravilhas do encontro com Deus. É necessário que esta Semana Santa — e depois todos os dias — sejam para nós um salto de qualidade, pedir ao Senhor que se meta totalmente nas nossas vidas. É preciso transmitir a muitas pessoas a Vida nova que Jesus Cristo nos conseguiu com a Redenção.

Socorramo-nos de Santa Maria: Virgem da Soledade, Mãe de Deus e Mãe nossa, ajuda-nos a compreender — como escreve São Josemaría — que é preciso fazer da nossa vida a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir então os passos de Cristo, com afã de corredimir todas as almas. Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus Cristo e nos fazemos uma só coisa com Ele.

(Fonte: site do Opus Dei / Portugal em http://www.opusdei.pt/art.php?p=33158)

O Alvorecer da Luz

No silêncio que envolve o Sábado Santo tocados pelo amor ilimitado de Deus, vivemos na expectativa do amanhecer do terceiro dia, a alva da vitória do Amor de Deus, o alvorecer da luz que permite aos olhos do coração ver de modo novo a vida, as dificuldades, o sofrimento.

Os nossos insucessos, as nossas desilusões, as nossas amarguras, que parecem marcar o desabar de tudo, estão iluminados pela esperança. O Pai confirma o ato de amor da Cruz, e a luz resplandecente da Ressurreição tudo envolve e transforma: da traição pode nascer a amizade; da negação, o perdão; do ódio, o amor.

(Bento XVI - Sexta-Feira Santa, de 2010 na conclusão da Via Sacra do Coliseu de Roma)

Cristo sepultado - Giuseppe Sanmartino


Sábado Santo, textos de S. Josemaría Escrivá - Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe

Chegada já a tarde, como era a parasceve, isto é, a véspera do sábado, José de Arimateia, responsável membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediulhe o corpo de Jesus. Pilatos admirou-se d’Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, preguntou-lhe se já tinha morrido. Informado pelo centurião, ordenou que o corpo fosse entregue a José. Este, depois de comprar um lençol; tirou Jesus da cruz e envolveu-O nele. Em seguida, depositou-O num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra contra a porta do sepulcro (Mc 15, 42-46).

Situados agora no Calvário, quando Jesus já morreu e não se manifestou ainda a glória do seu triunfo, temos uma boa ocasião para examinar os nossos desejos de vida cristã, de santidade para reagir com um acto de fé perante as nossas debilidades e, confiando no poder de Deus, fazer o propósito de pôr amor nas coisas do nosso dia-a-dia. A experiência do pecado tem de nos conduzir à dor, a uma decisão mais madura e mais profunda de sermos fiéis, de nos identificarmos deveras com Cristo, de perseverarmos, custe o que custar, nessa missão sacerdotal que Ele encomendou a todos os seus discípulos sem excepção, que nos impele a sermos sal e luz do mundo.
Cristo que passa, 96

É a hora de recorreres à tua Mãe bendita do Céu, para que te acolha nos seus braços e te consiga do seu Filho um olhar de misericórdia. E procura depois fazer propósitos concretos: corta de uma vez, ainda que custe, esse pormenor que estorva e que é bem conhecido de Deus e de ti. A soberba, a sensualidade, a falta de sentido sobrenatural aliar-se-ão para te sussurrarem: isso? Mas se se trata de uma circunstância tonta, insignificante! Tu responde, sem dialogar mais com a tentação: entregar-me-ei também nessa exigência divina! E não te faltará razão: o amor demonstra-se especialmente em coisas pequenas. Normalmente, os sacrifícios que o Senhor nos pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater do coração.
Amigos de Deus, 134

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)