Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

domingo, 15 de dezembro de 2019

Para obedecer, é preciso humildade

Quando tiveres de mandar, não humilhes: procede com delicadeza; respeita a inteligência e a vontade de quem obedece. (Forja, 727)

Muitas vezes fala-nos através doutros homens e pode acontecer que, à vista dos defeitos dessas pessoas ou pensando que não estão bem informadas ou que talvez não tenham entendido todos os dados do problema, surja uma espécie de convite a não obedecermos.

Tudo isso pode ter um significado divino, porque Deus não nos impõe uma obediência cega, mas uma obediência inteligente, e temos de sentir a responsabilidade de ajudar os outros com a luz do nosso entendimento. Mas sejamos sinceros connosco próprios: examinemos em cada caso se o que nos move é o amor à verdade ou o egoísmo e o apego ao nosso próprio juízo. Quando as nossas ideias nos separam dos outros, quando nos levam a quebrar a comunhão, a unidade com os nossos irmãos, é sinal certo que não estamos a actuar segundo o espírito de Deus.

Não o esqueçamos: para obedecer, repito, é preciso humildade. Vejamos de novo o exemplo de Cristo. Jesus obedece, e obedece a José e a Maria. Deus veio à Terra para obedecer, e para obedecer às criaturas. São duas criaturas perfeitíssimas – Santa Maria, Nossa Mãe; mais do que Ela só Deus; e aquele varão castíssimo, José. Mas criaturas. E Jesus, que é Deus, obedecia-lhes! Temos de amar a Deus, para amar assim a sua vontade, e ter desejos de responder aos chamamentos que nos dirige através das obrigações da nossa vida corrente: nos deveres de estado, na profissão, no trabalho, na família, no convívio social, no nosso próprio sofrimento e no sofrimento dos outros homens, na amizade, no empenho de realizar o que é bom e justo... (Cristo que passa, 17)

São Josemaría Escrivá

Bom Domingo do Senhor!

Com verdadeira humildade e total entrega lutemos para sermos um dos pequenos de que o Senhor nos fala no final do Evangelho de hoje (Mt 11, 2-11) ao fazê-lo estaremos a abrir caminho para virmos a entrar no Reino do Céu.

Louvado seja Deus Nosso Senhor pela sua Palavra de misericórdia!

Dever

Deriva da nossa formação e ética, tendo na sua essência o amor por Deus e pelo próximo e assim sentimo-nos impelidos a agir. Que o Senhor nos dê ganas e saúde para O podermos servir agindo sempre segundo a Sua vontade.

JPR

«O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa».

(Santa Teresa de Calcutá)

A importância da maternidade em geral e a de Maria enquanto Mãe de Jesus

«: … o ser humano em devir (de novo ao contrário do animal) depende tão profundamente do seu “estar-com” outros seres humanos que só através desse próximo, normalmente a mãe, desperta para a sua auto-consciência. No sorriso desvela-se-lhe o facto de haver um mundo em que ele é recebido, em que é bem-vindo, e, nesta experiência primordial, pela primeira vez, toma consciência de si próprio. Este acontecimento fundamente de toda a existência humana, cujo alcance só no nosso tempo passou a ser apreciado como merece, acompanha as restantes funções do crescimento e da educação: a alimentação e o cuidado da criança, a sua introdução no mundo e respectiva tradição histórica. Muito antes da aprendizagem da fala se desenvolve um diálogo sem palavras entre mãe e filho na base do “estar-com-os-outros” (Mitsein) constitutivo para cada ser humano consciente.

Isto diz, pois, que também Jesus deve principalmente a sua mãe a sua autoconsciência humana, se não quisermos admitir que, como criança prodígio sobrenatural, ele não devesse essa consciência a ninguém. Mas isso seria pôr em causa a sua humanidade verdadeira»

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

Tornar a ser cristão

«… alegra-me que a ficção da moda esteja cheia de um regresso ao paganismo, pois esse pode ser o primeiro passo para um regresso ao Cristianismo. Os novos pagãos às vezes esquecem – ao fazerem tudo o que os pagãos fizeram – que a última coisa que os antigos pagãos fizeram foi tornarem-se cristãos».

(Gilbert Keith Chesterton)

«Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus, [que] vem em pessoa retribuir-vos e salvar-vos» (Is 35,4)

Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301), monja beneditina 
Exercícios, n°3; SC 127


Voz da alma que se oferece a Deus: «Sou uma órfã sem mãe, sou indigente e pobre. Sem Jesus, não tenho nenhuma consolação; só Ele pode satisfazer a sede da minha alma. Ele é o amigo preferido e único do meu coração, “o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19,16). […] O meu corpo e a minha alma estão na sua mão; que Ele faça de mim tudo o que agradar à sua bondade. Quem me concederá tornar-me um ser segundo o seu coração, para que Ele encontre em mim o que desejar, segundo a excelência do seu gosto? Só isso poderá alegrar-me e consolar-me.

«Por favor, Jesus, único amor do meu coração […], amado acima de tudo o que alguma vez foi amado: o desejo do meu coração enlanguesce e suspira por Ti, Tu, que és um dia de Primavera cheio de vida e de flores. Faz chegar esse dia em que eu esteja tão estreitamente unida a Ti que Tu, Sol Verdadeiro, faças nascer as flores e os frutos do meu progresso espiritual. “Espero-te com grande impaciência” (Sl 39,2). […] Por favor, amigo, meu amigo, faz com que se realize o teu desejo e o meu.»

Voz de Cristo: «No meu Espírito Santo, tomar-te-ei como esposa; ligar-te-ei a Mim com uma união inseparável. Sentar-te-ás à minha mesa e encher-te-ei com a ternura do meu amor. Vestir-te-ei com o nobre manto púrpura do meu precioso sangue; coroar-te-ei com o ouro puro da minha morte. Eu próprio satisfarei o teu desejo e assim tornar-te-ei feliz para toda a eternidade.»

sábado, 14 de dezembro de 2019

“Um encontro pessoal com Deus”

Quando o receberes, diz-lhe: – Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)


Creio que não vou dizer nada de novo, se afirmar que alguns cristãos têm uma visão muito pobre da Santa Missa e que ela é para muitos um mero rito exterior, quando não um convencionalismo social. Isto acontece, porque os nossos corações, de si tão mesquinhos, são capazes de viver com rotina a maior doação de Deus aos homens. Na Santa Missa, nesta Missa que agora celebramos, intervém de um modo especial, repito, a Trindade Santíssima. Para corresponder a tanto amor, é preciso que haja da nossa parte uma entrega total do corpo e da alma, pois vamos ouvir Deus, falar com Ele, vê-Lo, saboreá-Lo. E se as palavras não forem suficientes, poderemos cantar, incitando a nossa língua – Pange, lingua! – a que proclame, na presença de toda a Humanidade, as grandezas do Senhor.

Viver a Santa Missa é manter-se em oração contínua, convencermo-nos de que, para cada um de nós, este é um encontro pessoal com Deus, em que O adoramos, O louvamos, Lhe pedimos, Lhe damos graças, reparamos os nossos pecados, nos purificamos e nos sentimos uma só coisa em Cristo com todos os cristãos.. (Cristo que passa, 87–88)

São Josemaría Escrivá

Alexómenos

Para quem não tem alergia ao pó dos livros, folhear exemplares com mais de um século é uma provocação irresistível e o dia de hoje convida a uma dessas leituras. Já explico qual.

Celebra-se hoje (11 de Dezembro) a memória do Papa S. Dâmaso, nascido em Roma de uma família originária da Galiza. Os pais chamavam-se António e Laurência. Este Papa santo nasceu e morreu no século IV, numa altura de profundas transformações. A Igreja passou de perseguida pelo Imperador a defendida por este, ao mesmo tempo que proliferaram heresias violentas em várias partes do Império. O clima de paz na cidade de Roma favoreceu a construção de templos cristãos, mas foi também a ocasião para alguns cristãos se aburguesarem. Simultaneamente, o mundo civilizado, que até então falava grego, passou a falar latim. Em pouco tempo, o mundo ficou completamente diferente.

O fim das perseguições imperiais permitiu que as intervenções enérgicas do Papa Dâmaso chegassem aos confins da terra conhecida, através das suas numerosas cartas. A mudança da língua vulgar do grego para o latim levou-o a fazer uma reforma litúrgica bastante radical, traduzindo umas orações do grego para o latim e escrevendo outras novas, que perduraram até aos nossos dias. Foi ele quem encarregou S. Jerónimo de fazer uma boa tradução da Bíblia para latim, aquela que ficou conhecida como a «Vulgata» e ainda hoje é uma referência pela sua qualidade.

A reacção de Dâmaso ao aburguesamento dos cristãos de Roma consistiu em lembrar-lhes a vida santa dos cristãos mais antigos, em particular dos que derramaram o sangue por fidelidade a Cristo. Dâmaso dedicou um grande esforço a cuidar os sepulcros dos mártires, conservou as actas que relatam o seu martírio e redigiu uma vasta colecção de «epigrammata», pequenos poemas em memória de muitos deles.

Por tudo isto, a celebração de S. Dâmaso é um bom dia para recordar o «Catacombs of Rome and their Testimony Relative to Primitive Christianity», do historiador W. H. Withrow, editado em Londres há 131 anos. O livro descreve a iconografia dos primitivos cristãos e o respeito que eles tinham pelo corpo humano. Por isso, em vez de o queimarem depois da morte, sepultavam-no como objecto precioso, símbolo da ressurreição futura.

Mas a razão que me trouxe este livro à memória é o paralelismo entre a agressividade do ambiente daqueles tempos e a do mundo ocidental nos nossos dias.

Naquele tempo, a crucifixão era considerada a morte mais ignominiosa, a punição mais horrível e brutal. Para os pagãos, estava tudo dito acerca da indignidade de Jesus Cristo: foi crucificado. Como é possível Deus descer tão baixo? E que humilhação inconcebível, seguir um salvador que foi morto na cruz!

Escreve Withrow: «Uma mostra desta sensibilidade é uma caricatura blasfema da crucifixão encontrada nas paredes do palácio dos césares, datada aproximadamente do tempo do Imperador Septímio Severo. Representa uma personagem com cabeça de burro atada a uma cruz e outra figura a beijar-lhe a mão em gesto de adoração. Por baixo, um “graffito” grosseiro diz: Ἀλεξόμενος σέβετε [sic] Θεὸν —“Alexómenos adora o seu Deus”. Provavelmente, este “graffito” foi desenhado por algum legionário romano para troçar de um soldado cristão da casa de César».

Withrow localiza esta placa no Museu do Collegio Romano dos jesuítas, chamado Museu Kircheriano, mas muitas peças deste museu foram dispersas por outros museus de Roma numa época de perseguição aos jesuítas e parece que esta placa foi uma das que foi levada.

Withrow cita também Tertuliano, um escritor do século II-III, que relata que era comum os pagãos pensarem que o Deus dos cristãos tinha cabeça de burro. O mesmo Tertuliano fala de outra caricatura pagã com orelhas de burro, casco num dos pés, carregando um livro e usando uma toga, na qual estava afixada a inscrição «O Deus dos cristãos, nascido de um burro». Numa laje descoberta em Vigna Nussiner, há uma representação de um burro com a inscrição satírica «Hic est Deus Hadriani» —“Eis o deus de Adriano”.


Pensando na abundância de caricaturas desrespeitosas para com Deus, pergunto-me se os pagãos de hoje não poderiam evoluir em relação aos pagãos seus antepassados. Pelo contrário, Chesterton desafiava-os a imitarem-nos até ao fim, porque os pagãos de há muitos séculos, que desenhavam caricaturas blasfemas, acabaram por se converter.

José Maria C.S. André

O Evangelho de Domingo dia 15 de dezembro de 2019

E como João, estando no cárcere, tivesse ouvido falar das obras de Cristo, enviou dois dos seus discípulos, a perguntar-Lhe: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide e contai a João o que ouvistes e vistes: “Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados”; e bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João às turbas: «Que fostes vós ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas vivem nos palácios dos reis. Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo Eu, e ainda mais do que profeta. Porque este é aquele de quem está escrito: “Eis que Eu envio o Meu mensageiro à Tua frente, que preparará o caminho diante de Ti”. «Na verdade vos digo que entre os nascidos de mulher não veio ao mundo outro maior que João Baptista; mas o menor no Reino dos Céus é maior do que ele.

Mt 11, 2-11

O pelagianismo burguês-liberal e o dos piedosos

«A primeira variação da presunção, (…), é o pelagianismo burguês-liberal, que se baseia mais ou menos na seguinte consideração: Se Deus tem de existir e se toma realmente conta do homem, não pode ser assim tão tremendamente cheio de pretensões, tal como nos é apresentado pela fé da Igreja. No fundo eu não sou pior que os outros, cumpro o meu dever, e as pequenas fraquezas humanas não podem realmente ser assim tão perigosas. Nesta atitude tão comum estão novamente escondidas a auto-redução e a modéstia pessoal (…) perante o amor infinito, do qual o indivíduo, com o burguês contentamento de si mesmo, pensa não ter necessidade. Talvez durante tempos tranquilos se possa viver prolongadamente nesta atitude, mas nos momentos de crise ou a pessoa se converte ou cai no desespero».

«A outra face do mesmo vício é o pelagianismo dos piedosos. Estes não querem ter perdão algum e, de um modo geral, nenhum verdadeiro dom de Deus. Querem estar em ordem, não querem perdão, mas justa recompensa. Quereriam não esperança, mas segurança. Com um duro rigorismo de exercícios religiosos, com orações e ações, querem ter direito à beatitude. Falta-lhes a humildade essencial para qualquer amor, a humildade de receber dons que ultrapassam a nossa ação e o nosso merecimento. A negação da esperança a favor da segurança, diante da qual nos encontramos agora, baseia-se na incapacidade de viver a tensão do que está para vir e de se abandonar à bondade de Deus. Assim, este pelagianismo é uma apostasia do amor e da esperança e em profundidade também da fé».

(“Olhar para Cristo” – Joseph Ratzinger)

São João da Cruz – Catequese de Bento XVI

João da Cruz nasceu em 1542 no povoado de Fontiveros, perto de Ávila, na Velha Castela, de Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. A família era extremamente pobre porque o pai, de nobre origem de Toledo, tinha sido expulso de casa e deserdado por ter casado com Catalina, uma humilde tecelã de seda. Órfão de pai em tenra idade, com nove anos, transferiu-se com a mãe e o irmão Francisco para Medina del Campo, perto de Valladolid, centro comercial e cultural. Ali frequentou o Colegio de los Doctrinos, desempenhando também alguns trabalhos humildes para as irmãs da igreja-convento da Madalena. Em seguida, considerando as suas qualidades humanas e os seus resultados nos estudos, foi admitido primeiro como enfermeiro no Hospital da Conceição, depois no Colégio dos Jesuítas, recém-fundado em Medina del Campo: ali João entrou com dezoito anos e estudou ciências humanas, retórica e línguas clássicas durante três anos. No final da formação, ele viu claramente qual era a sua vocação: a vida religiosa e, entre as muitas ordens presentes em Medina, sentiu-se chamado ao Carmelo.

No Verão de 1563 começou o noviciado com os Carmelitas da cidade, assumindo o nome religioso de João de São Matias. No ano seguinte foi destinado à prestigiosa Universidade de Salamanca, onde por três anos estudou artes e filosofia. Em 1567 foi ordenado sacerdote e voltou a Medina del Campo para celebrar a sua primeira Missa circundado pelo carinho dos familiares. Precisamente ali teve lugar o primeiro encontro entre João e Teresa de Jesus. O encontro foi decisivo para ambos: Teresa expôs-lhes o seu plano de reforma do Carmelo também no ramo masculino da Ordem e propôs a João que se adaptasse «para maior glória de Deus»; o jovem sacerdote ficou fascinado pelas ideias de Teresa, a ponto de se tornar um grande defensor do projecto. Os dois trabalharam juntos alguns meses, compartilhando ideais e propostas para inaugurar quanto antes possível a primeira casa de Carmelitas Descalços: a abertura ocorreu a 28 de Dezembro de 1568 em Duruelo, lugar solitário da província de Ávila. Com João formavam esta primeira comunidade masculina reformada outros três companheiros. Ao renovar a sua profissão religiosa segundo a Regra primitiva, os quatro assumiram um novo nome: Então, João denominou-se «da Cruz», como depois será conhecido universalmente. No final de 1572, a pedido de santa Teresa, tornou-se confessor e vigário do mosteiro da Encarnação em Ávila, onde a santa era priora. Foram anos de estreita colaboração e amizade espiritual, que a ambos enriqueceram. A esse período remontam inclusive as mais importantes obras teresianas e os primeiros escritos de João.

A adesão à reforma carmelita não foi fácil, e causou a João também graves sofrimentos. O episódio mais traumático foi, em 1577, o seu rapto e aprisionamento no convento dos Carmelitas de Antiga Observância de Toledo, devido a uma acusação injusta. O santo permaneceu preso durante meses, submetido a privações e constrições físicas e morais. Ali compôs, além de outras poesias, o célebre Cântico espiritual. Finalmente, na noite entre 16 e 17 de Agosto de 1578, conseguiu fugir de modo aventuroso, refugiando-se no mosteiro das Carmelitas Descalças da cidade. Santa Teresa e os companheiros reformados celebraram com imensa alegria a sua libertação e, após um breve período de recuperação das forças, João foi destinado para a Andaluzia, onde transcorreu dez anos em vários conventos, especialmente em Granada. Assumiu cargos cada vez mais importantes na Ordem, até se tornar Vigário provincial, e completou a redacção dos seus tratados espirituais. Depois, voltou para a sua terra natal, como membro do governo geral da família religiosa teresiana, que já gozava de plena autonomia jurídica. Habitou no Carmelo de Segóvia, desempenhando a função de superior daquela comunidade. Em 1591 foi eximido de qualquer responsabilidade e destinado à nova Província religiosa do México. Enquanto se preparava para a longa viagem com outros dez companheiros, retirou-se num convento solitário perto de Jaén, onde adoeceu gravemente. João enfrentou com serenidade e paciência exemplares enormes sofrimentos. Faleceu na noite entre 13 e 14 de Dezembro de 1591, enquanto os irmãos de hábito recitavam o Ofício matutino. Despediu-se deles, dizendo: «Hoje vou cantar o Ofício no Céu». Os seus restos mortais foram trasladados para Segóvia. Foi beatificado por Clemente x em 1675 e canonizado por Bento XIII em 1726.

João é considerado um dos mais importantes poetas líricos da literatura espanhola. As obras principais são quatro: Subida ao Monte Carmelo, Noite obscura, Cântico espiritual e Chama de amor viva.

No Cântico espiritual, São João apresenta o caminho de purificação da alma, ou seja, a posse progressiva e jubilosa de Deus, até que a alma chegue a sentir que ama a Deus com o mesmo amor com que é por Ele amada. A Chama de amor viva continua nesta perspectiva, descrevendo mais pormenorizadamente o estado de união transformadora com Deus. A comparação utilizada por João é sempre a do fogo: assim como o fogo, quanto mais arde e consome a madeira, tanto mais se torna incandescente até se tornar chama, também o Espírito Santo, que durante a noite obscura purifica e «limpa» a alma, com o tempo ilumina-a e aquece-a como se fosse uma chama. A vida da alma é uma festa contínua do Espírito Santo, que deixa entrever a glória da união com Deus na eternidade.

A Subida ao Monte Carmelo apresenta o itinerário espiritual sob o ponto de vista da purificação progressiva da alma, necessária para escalar a montanha da perfeição cristã, simbolizada pelo cimo do Monte Carmelo. Tal purificação é proposta como um caminho que o homem empreende, colaborando com a obra divina, para libertar a alma de todo o apego ou afecto contrário à vontade de Deus. A purificação, que para alcançar a união com Deus deve ser total, começa a partir daquela da vida dos sentidos e continua com a que se alcança por meio das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que purificam a intenção, a memória e a vontade. A Noite obscura descreve o aspecto «passivo», ou seja, a intervenção de Deus neste processo de «purificação» da alma. Com efeito, o esforço humano sozinho é incapaz de chegar às profundas raízes das más inclinações e hábitos da pessoa: só os pode impedir, mas não consegue erradicá-los completamente. Para o fazer, é necessária a acção especial de Deus, que purifica radicalmente o espírito e o dispõe para a união de amor com Ele. São João define «passiva» tal purificação, precisamente porque, embora seja aceite pela alma, é realizada pela obra misteriosa do Espírito Santo que, como chama de fogo, consome toda a impureza. Neste estado, a alma é submetida a todo o tipo de provações, como se se encontrasse numa noite obscura.

Estas indicações sobre as obras principais do santo ajudam-nos a aproximar-nos dos pontos salientes da sua vasta e profunda doutrina mística, cuja finalidade é descrever um caminho seguro para alcançar a santidade, a condição de perfeição à qual Deus chama todos nós. Segundo João da Cruz, tudo o que existe, criado por Deus, é bom. Através das criaturas, nós conseguimos chegar à descoberta daquele que nelas deixou um vestígio de Si. De qualquer modo, a fé é a única fonte confiada ao homem para conhecer Deus como Ele é em si mesmo, como Deus Uno e Trino. Tudo o que Deus queria comunicar ao homem, disse-o em Jesus Cristo, a sua Palavra que se fez carne. Jesus Cristo é o único e definitivo caminho para o Pai (cf. Jo 14, 6). Qualquer coisa criada nada é em comparação com Deus, e nada vale fora dele: por conseguinte, para alcançar o amor perfeito de Deus, todos os outros amores devem conformar-se em Cristo com o amor divino. Daqui deriva a insistência de são João da Cruz sobre a necessidade da purificação e do esvaziamento interior para se transformar em Deus, que é a única meta da perfeição. Esta «purificação» não consiste na simples falta física das coisas ou do seu uso; o que torna a alma pura e livre, ao contrário, é eliminar toda a dependência desordenada das coisas. Tudo deve ser inserido em Deus como centro e fim da vida. Sem dúvida, o longo e cansativo processo de purificação exige o esforço pessoal, mas o verdadeiro protagonista é Deus: tudo o que o homem pode fazer é «dispor-se», estar aberto à obra divina e não lhe pôr obstáculos. Vivendo as virtudes teologais, o homem eleva-se e valoriza o próprio compromisso. O ritmo de crescimento da fé, da esperança e da caridade caminha a par e passo com a obra de purificação e com a união progressiva com Deus, até se transformar nele. Quando alcança esta meta, a alma imerge-se na própria vida trinitária, e são João afirma que ela consegue amar a Deus com o mesmo amor com que Ele a ama, porque a ama no Espírito Santo. Eis por que motivo o Doutor místico afirma que não existe verdadeira união de amor com Deus, se não culmina na união trinitária. Neste estado supremo a alma santa conhece tudo em Deus e já não deve passar através das criaturas para chegar a Ele. A alma já se sente inundada pelo amor divino e alegra-se completamente nele.

Caros irmãos e irmãs, no fim permanece esta pergunta: com a sua mística excelsa, com este árduo caminho rumo ao cimo da perfeição, este santo tem algo a dizer também a nós, ao cristão normal que vive nas circunstâncias desta vida de hoje, ou é um exemplo, um modelo apenas para poucas almas escolhidas que podem realmente empreender este caminho da purificação, da ascese mística? Para encontrar a resposta, em primeiro lugar temos que ter presente que a vida de são João da Cruz não foi um «voar sobre as nuvens místicas», mas uma vida muito árdua, deveras prática e concreta, quer como reformador da ordem, onde encontrou muitas oposições, quer como superior provincial, quer ainda no cárcere dos seus irmãos de hábito, onde esteve exposto a insultos incríveis e a maus tratos físicos. Foi uma vida dura, mas precisamente nos meses passados na prisão, ele escreveu uma das suas obras mais bonitas. E assim podemos compreender que o caminho com Cristo, o andar com Cristo, «o Caminho», não é um peso acrescentado ao fardo já suficientemente grave da nossa vida, não é algo que tornaria ainda mais pesada esta carga, mas é algo totalmente diferente, é uma luz, uma força que nos ajuda a carregar este peso. Se um homem tem em si um grande amor, este amor quase lhe dá asas, e suporta mais facilmente todas as moléstias da vida, porque traz em si esta grande luz; esta é a fé: ser amado por Deus e deixar-se amar por Deus em Cristo Jesus. Este deixar-se amar é a luz que nos ajuda a carregar o fardo de todos os dias. E a santidade não é uma obra nossa, muito difícil, mas é precisamente esta «abertura»: abrir as janelas da nossa alma, para que a luz de Deus possa entrar, não esquecer Deus, porque é precisamente na abertura à sua luz que se encontra a força, a alegria dos remidos. Oremos ao Senhor para que nos ajude a encontrar esta santidade, deixando-nos amar por Deus, que é a vocação de todos nós e a verdadeira redenção.

(Bento XVI – Audiência geral de 16 de Fevereiro de 2011)

S. João da Cruz, presbítero, reformador, Doutor da Igreja, †1591

São João da Cruz (João de Yepes) nasceu perto de Ávila, em Fontiveros, Espanha, no ano de 1542. Era filho de tecelões. Após ter dado provas da sua imperícia nas várias ocupações para as quais a família, muito pobre, o tentou encaminhar, ao vinte anos, ingressou na Ordem dos Carmelitas. Estudou artes e teologia em Salamanca, onde foi prefeito dos estudantes. Foi ordenado sacerdote no ano de 1567, época em que se encontrou com Santa Teresa de Ávila (Teresa de Jesus) a reformadora das carmelitas. A Santa fundadora tinha em mente alargar a reforma também aos conventos masculinos da Ordem Carmelita, e seu delicado discernimento fê-la entrever naquele frade, pequeno, extremamente sério, fisicamente insignificante, mas rico interiormente, o parceiro ideal para levar por diante o seu corajoso projecto.

Aos vinte e cinco anos de idade João de Yepes mudou de nome, passando a chamar-se João da Cruz e pôs mãos à obra na reforma, fundando em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Santa Teresa de Jesus chamava-o de seu pequeno Séneca, brincava amavelmente com a sua baixa estatura mas não hesitava em considerá-lo o pai de sua alma, afirmando também que não era possível discorrer com ele sobre Deus sem vê-lo em êxtase. Vinte e sete anos mais jovem que Teresa, João de Yepes é uma das figuras da mística moderna.

Mas a chamada "religiosidade do deserto" custou ao santo fundador maus-tratos físicos e difamações: em 1577 ficou preso durante oito meses no cárcere de Toledo. Mas foi nessas trevas exteriores que se acendeu a grande chama da sua poesia espiritual. "Padecer e depois morrer" era o lema do autor da Noite Escura da Alma, da Subida do Monte Carmelo, do Cântico Espiritual e da Chama de Amor Viva.

São João da Cruz, morreu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, no dia 14 de Dezembro de 1591. Foi canonizado em 1726. O Papa Pio XI conferiu-lhe o título de doutor da Igreja, dois séculos depois.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O valor divino do matrimónio

No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)

O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa, que eu, como sacerdote, abençoo com ambas as mãos. A tradição cristã viu frequentemente na presença de Jesus nas bodas de Caná uma confirmação do valor divino do matrimónio: O nosso Salvador foi às bodas – escreve S. Cirilo de Alexandria – para santificar o princípio da geração humana.

O matrimónio é um sacramento que faz de dois corpos uma só carne: como diz com expressão forte a teologia, são os próprios corpos dos contraentes que constituem a sua matéria. O Senhor santifica e abençoa o amor do marido à mulher e o da mulher ao marido; e ordenou não só a fusão das suas almas, mas também a dos seus corpos. Nenhum cristão, esteja ou não chamado à vida matrimonial, pode deixar de a estimar.

O Criador deu-nos a inteligência, centelha do entendimento divino, que nos permite – com vontade livre, outro dom de Deus – conhecer e amar; e deu ao nosso corpo a possibilidade de gerar, que é como uma participação do seu poder criador. Deus quis servir-se do amor conjugal para trazer novas criaturas ao mundo e aumentar o corpo da Igreja. O sexo não é uma realidade vergonhosa; é uma dádiva divina que se orienta limpamente para a vida, para o amor, para a fecundidade. (Cristo que passa, 24)

São Josemaría Escrivá

A Santa Madre Igreja

«Humildade! Sublimidade! Tenda de Cedar e Santuário de Deus; habitação terrena e palácio celeste; casa de barro e corte real; corpo mortal e templo de luz; enfim, objecto de desprezo para os orgulhosos e esposa de Cristo! Ela é morena mas bela, ó filhas de Jerusalém; ela que, empalidecida pela fadiga e sofrimento dum longo exílio, tem, no entanto, por ornamento a beleza celeste»

(São Bernardo de Claraval - In Canticum sermo, 27, 7-14)

Santa Luzia, Virgem e mártir †303

Santa Luzia, como se lê nas Actas, pertencia a uma família rica de Siracusa. A mãe dela, Eutíquie, ficou viúva e havia prometido dar a filha como esposa a um jovem concidadão. Luzia, que tinha feito voto de se conservar virgem por amor a Cristo, obteve que as núpcias fossem adiadas, também porque a mãe foi atingida por uma grave doença. Devota de Santa Águeda, a mártir de Catânia, que vivera meio século antes, Luzia quis levar a mãe enferma em visita ao túmulo da Santa. Desta peregrinação a mulher voltou perfeitamente curada e por isso concordou com a filha, dando-lhe licença para seguir a vida que havia escolhido; consentiu também que ela distribuísse aos pobres da cidade os bens do seu rico dote. O noivo rejeitado vingou-se acusando Luzia de ser cristã ao procônsul Pascásio. Ameaçada de ser exposta ao prostíbulo para que se contaminasse, Luzia deu ao procônsul uma sábia resposta: "O corpo contamina-se se a alma consente."

O procônsul quis passar das ameaças aos factos, mas o corpo de Luzia ficou tão pesado que dezenas de homens não conseguiram carregá-lo sequer um palmo. Um golpe de espada pôs fim a uma longa série de sofrimentos, mas mesmo a morrer, a jovem continuou a exortar os fiéis a antepôr os deveres para com Deus àqueles para com as criaturas, até que os companheiros de fé, que faziam um círculo em volta dela, selaram o seu comovente testemunho com a palavra: Amén.

Testemunham-lhe a antiga devoção, que se difundiu muito rapidamente não só no Ocidente, mas também no Oriente. O episódio da cegueira, ao qual ordinariamente chamam a atenção as imagens de Santa Luzia, está provavelmente vinculado ao nome: Luzia (Lúcia) derivada de lux (= luz), elemento indissolúvel unido não só ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui a Santa Lúcia ou Luzia a função de graça iluminadora.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

A perenidade da Igreja

«A Igreja vacilará se o seu fundamento vacila, mas poderá vacilar Cristo? Enquanto Cristo não vacilar, a Igreja não fraquejará jamais até ao fim dos tempos.»

(Santo Agostinho - Enarrationes in Psalmos, 103)

«Que pena verificar como marcham unidos por diversas paixões - mas unidos contra os cristãos, filhos de Deus - os que odeiam o Senhor, e alguns que afirmam estar ao seu serviço!»

(S. Josemaría Escrivá - Sulco 935)

À laia de desabafo e consciente da polémica, mas às vezes penso que para assegurar a perenidade da Igreja, talvez fosse necessário expurgá-la daqueles que a corroem dizendo-se católicos.

Rezo todos os dias por eles e peço a Deus que na pessoa do Espírito Santo os ilumine, mas entretanto colocá-los em ‘reciclagem’… «Por isso vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lho for concedido por meu Pai» (Jo 6, 65)

JPR

Preparação para o Nascimento do Senhor

Não esqueçamos que, a partir do dia 17, a Igreja entoa as chamadas antífonas maiores, com as quais se prepara de forma imediata para o Nascimento do Senhor. A primeira é esta: Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais com firmeza e suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação [17]. É uma premente invocação ao Verbo Incarnado, cujo nascimento, da Virgem Maria, estamos quase a comemorar. Porque a Sabedoria que nasce em Belém é a Sabedoria de Deus (…), ou seja, um desígnio divino que permaneceu escondido durante muito tempo e que o próprio Deus revelou na História da salvação. Na plenitude dos tempos, esta Sabedoria adquiriu um rosto humano, o rosto de Jesus [18].

Preparemo-nos com fé para esta grande festa que é a festa da alegria por excelência. Vivamo-la com toda a humanidade. Vivamo-la com todos os fiéis da Obra. Acorramos a este encontro com a firme decisão de contemplar a infinita grandeza e a humildade de Jesus Cristo, que assumiu a nossa natureza – outra manifestação de como nos ama – e não nos cansemos de olhar para Maria e José, admiráveis mestres de oração, de amor a Deus.

A Palavra que se faz carne é o Verbo eterno de Deus, que ganhou para nós a condição de sermos n’Ele filhos de Deus: vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e somo-lo, de facto! [19] E S. Josemaria comenta: Filhos de Deus, irmãos do Verbo feito carne, d’Aquele de Quem foi dito: n’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens! (Jo 1, 4) Filhos da Luz, irmãos da Luz isso é o que nós somos! Portadores da única chama capaz de iluminar os corações feitos de carne! [20] Desejo que não faltemos a este encontro da celebração da chegada de Deus à Terra: nestes dias, obser­vemos como é o nosso esforço por melhorar o estar com Jesus, o viver com Jesus, o ser de Jesus.

[17]. Liturgia das Horas, Vésperas do dia 17 de dezembro, Antífona ad Magnificat.

[18]. Bento XVI, Homilia nas Vésperas de 17-XII-2009.
[19]. 1 Jo 3, 1.
[20]. S. Josemaria, Cristo que passa, n. 66.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de dezembro de 2012)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Tudo pode e deve levar-nos a Deus

É urgente difundir a luz da doutrina de Cristo. Entesoura formação, enche-te de clareza de ideias, de plenitude da mensagem cristã, para poder depois transmiti-la aos outros. Não esperes umas iluminações de Deus, que não tem porque dá-las, já que dispões de meios humanos concretos: o estudo, o trabalho. (Forja, 841)

O cristão precisa de ter fome de saber. Desde o estudo dos saberes mais abstractos até à habilidade do artesão, tudo pode e deve conduzir a Deus. Efectivamente não há tarefa humana que não seja santificável, motivo para a nossa própria santificação e oportunidade para colaborar com Deus na santificação dos que nos rodeiam. A luz dos seguidores de Jesus Cristo não deve estar no fundo do vale, mas no cume da montanha para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.

Trabalhar assim é oração. Estudar assim é oração. Investigar assim é oração. Nunca saímos afinal do mesmo: tudo é oração, tudo pode e deve levar-nos a Deus, alimentar a nossa intimidade contínua com Ele, da manhã à noite. Todo o trabalho honrado pode ser oração e todo o trabalho que é oração é apostolado. Deste modo, a alma fortalece-se numa unidade de vida simples e forte.

Vimos a realidade da vocação cristã, ou seja, como o Senhor confiou em nós para levar as almas à santidade, para as aproximar d'Ele, para as unir à Igreja e estender o reino de Deus a todos os corações. O Senhor quer-nos entregues, fiéis, dedicados, com amor. Quer-nos santos, muito seus.. (Cristo que passa, 10–11)

São Josemaría Escrivá

Faz hoje três anos o Senhor levou-me um amigo e um Padre Santo

Apeteceu-me chorar, apeteceu-me dar graças ao Senhor por haver chamado D. Javier Echevarria no dia de Nossa Senhora de Guadalupe de quem à semelhança de S. Josemaria Escrivá era profundamente devoto, mas também senti a necessidade de dar um testemunho de gratidão pelo bem que me fez e faz a leitura das suas cartas pastorais de cada mês.

O Padre era um homem simples e envolto numa aura de timidez e paz que tão bem transmitia por escrito e nas tertúlias a que tive o privilégio de assistir, neste tempo conturbado, essa paz era um dos pilares que me sustentava.

Deixa um legado na senda do fundador, S. Josemaria, e do seu antecessor, o Bem-aventurado Álvaro del Portillo, de grande unidade na Igreja e ficámos plenamente confiantes após a escolha do seu sucessor Fernando Ocáriz que certamente prosseguirá em total respeito pelo caminho e carisma da Obra e do seu fundador.

JPR

Primeira filha de dois

A minha filhota Patrícia, escritora com vários livros publicados, editora e boa Mãe de dois maravilhosos rapazes, nasceu nesta data há 49 anos, tinha eu apenas 17, mas graças a Deus sempre tive uma só família.

A minha relação com a Patrícia norteia-se por amor e respeito mútuo, sabendo que em muitas coisas divergimos, mas estando sempre presentes quando precisamos um do outro. Hoje ainda não a “parabenizei” verbalmente por se encontrar no estrangeiro o que é habitual nesta altura do ano, mas os SMS, WhatsApp e Messenger do Facebook, que são sempre muito úteis nestas ocasiões, serão usados e certamente respondidos.

Da Patrícia, permito-me salientar algo que recomendaria a todas as Mães, que é a gestão dos tempos dos filhos. Os meus netos, hoje com 23 e 19 anos, sempre tiveram tempos divididos para as coisas que mais gostavam, ver TV, navegar na net, ver futebol, mas nunca lhes faltou um tempo próprio de leitura e este aparente simples facto dotou-os de uma cultura geral acima da média, para além daquilo que a enorme bagagem cultural da Mãe e do Pai lhes proporcionou.

Hoje dia de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina aonde a Patrícia se encontra de visita, peço-lhe que por sua intercessão o Senhor a abençoe e proteja.

Bem-haja!

JPR