Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus
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segunda-feira, 25 de março de 2019

A Anunciação do Senhor

Como nos encanta o episódio da Anunciação! Maria (quantas vezes o meditámos!) está recolhida em oração...; põe os seus cinco sentidos e todas as suas potências em diálogo com Deus... Na oração conhece a Vontade divina; e com a oração torna-a vida da sua vida. Não te esqueças do exemplo da Virgem! (Sulco 481)

Não esqueças, meu amigo, que somos crianças. A Senhora do doce nome, Maria, está recolhida em oração.

Tu és, naquela casa, o que quiseres ser: um amigo, um criado, um curioso, um vizinho... – Eu, por agora, não me atrevo a ser nada. Escondo-me atrás de ti e, pasmado, contemplo a cena:

O Arcanjo comunica a sua mensagem... - Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco? - Como se fará isso, se não conheço varão? (Lc 1, 34).

A voz da nossa Mãe traz à minha memória, por contraste, todas as impurezas dos homens..., as minhas também.

E como odeio, então, essas baixas misérias da terra!... Que propósitos!

Fiat mihi secundum verbum tuum.
Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc I, 38). Ao encanto destas palavras virginais, o Verbo se fez carne.

Vai terminar a primeira dezena... Ainda tenho tempo para dizer ao meu Deus, antes de qualquer mortal: Jesus, amo-Te (Santo Rosário. Iº mistério gozoso).

São Josemaría Escrivá

sábado, 16 de março de 2019

Maria na piedade da Igreja

“…, aponta em todas as suas partes e de todos os pontos de vista sempre tanto para Cristo como para a Igreja. Daí resulta diretamente que também toda a piedade mariana, se quiser ser católica, não se pode nunca isolar, antes pelo contrário deve sempre inserir-se e orientar-se tanto cristologicamente (e, portanto, trinitariamente) como eclesiologicamente.

(…). Todos conhecemos essas tendências que, à primeira vista, dão a impressão de que o povo em oração veria em Maria algo como um símbolo personificado ou o arquétipo da graça divina, providencial e misericordiosa como mãe, como se Maria fosse assim elevada à esfera de Deus e a obra decisiva de Cristo passasse despercebida. (…). Por outro lado, a impressão referida pode ter fundamento em populações menos bem catequizadas: para elas Maria é frequentemente uma espécie de quinta-essência de toda a salvação. Aí tem que intervir a evangelização tão urgentemente recomendada pelo Sínodo dos Bispos e pelo Papa (João Paulo II), procedendo com doçura e inteligência às rectificações necessárias.

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

sexta-feira, 1 de março de 2019

Nossa Senhora da Confiança


Interessante é a história desta devoção, uma vez que a Mãe de Deus é o símbolo mais perfeito da confiança em Deus. É o modelo completo das virtudes a ser seguido por todos os cristãos que desejam alcançar a santidade e salvação em Cristo na vida eterna.

A invocação de Nossa Senhora da Confiança foi introduzida na Igreja no século XVIII por uma mística católica chamada Irmã Clara Isabel Fomari, ingressou para a vida religiosa orientada por seu confessor, o jesuíta Crivelli.

Abadessa do mosteiro da cidade de Todi, na Itália, Irmã Clara Isabel deixou suas experiências registradas no livro 'Relações místicas' conservado nesse mosteiro desde a sua morte em 1744. O livro mostra sua forte devoção pela Virgem e cita os numerosos prodígios atribuídos à sagrada imagem do quadro de Maria com o Menino Jesus, venerado por ela em sua cela. A vigorosa fé na Mãe de Deus e os dons místicos da religiosa propagaram entre a população local a invocação de Nossa Senhora da Confiança.

Em 1781 o sagrado quadro saiu do no mosteiro de São Francisco em Todi, atendendo ao pedido do sobrinho do padre Crivelli, também jesuíta. Padecendo de gravíssima enfermidade ele desejou se penitenciar diante da imagem de Nossa Senhora da Confiança, cuja devoção seu tio lhe transmitira. Ele se curou e em agradecimento mandou fazer uma cópia exata do quadro de sua celestial benfeitora.

A cópia da imagem o acompanhou à Roma, quando foi designado diretor espiritual para o Colégio Germânico que foi sede, por longo período, do Pontifício Seminário Romano Maior. O centro da divulgação da devoção de Nossa Senhora da Confiança, eleita padroeira do Seminário.

A sede definitiva do Seminário, ficou pronta em 1917 e a nova capela foi dedicada à celestial padroeira. A festa celebra-se na última sexta-feira antes da Quaresma.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Nossa Senhora de Lourdes

"Cristo morreu por todos a fim de que aqueles que vivem, não vivam mais para si, mas por Aquele que morreu e ressuscitou por eles" 2Cor 5,15

Hoje, o mundo inteiro venera Nossa Senhora, sob o título de Nossa Senhora de Lourdes. Lembramos o que se chama "aparição de Nossa Senhora", ou aparições que se repetiram de 11 de Fevereiro até 16 de Julho.

O grande teólogo e pesquisador de Lourdes, o Padre Laurentin, examinou as 14 aparições centrais e as mensagens sobre Nossa Senhora, "toda cheia de graça e concebida sem pecado original", pelos méritos de Cristo.

O hino "Louvando a Maria" ressoa em quase todas as peregrinações do mundo, atraindo pessoas que queiram levar, como Nossa Senhora, Cristo aos homens.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Chegar a Maria

Detalhe 'Pietà'
«Por certo que para a imitação do “sim” de Maria existe, mais uma vez, um espectro largo, pois Maria vem ao nosso encontro em muitas situações diferentes: como a mulher corajosa na fuga para o Egipto, como dona de casa activa mas apagada, como a contemplativa que no silêncio, como a Escritura sublinha por duas vezes, passa e repassa no seu coração todos os acontecimentos relativos ao Filho (Lc 2, 19.51), como intercessora pelos pobres que já não têm vinho, como a que acompanha a acção do Filho no seu ministério com oração atenta e dolorosa, como a que, no auge da dor, é transformada na Igreja primordial (aqui se afirma na visão da mulher que grita com as dores do parto do Apocalipse), como aquela que, desaparecendo, se interna na oração e na acção da Igreja. Por todo o lado há portas de entrada, cada indivíduo e cada grupo na Igreja pode escolher a sua: todas conduzem ao mesmo centro.»

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar, título da responsabilidade do autor do blogue)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Maria a Tenda da primeira Igreja

«Deus não está ligado a pedras, mas liga-se a pessoas vivas. O “sim” Maria abre-lhe espaço em que pode erguer a sua tenda. Ela torna-se para Deus a tenda, e assim é o início da Santa Igreja que, por seu lado, é antecipação da nova Jerusalém, em que já não há Templo porque o próprio Deus nela habita»

(Joseph Ratzinger in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Maria na piedade da Igreja

“…, aponta em todas as suas partes e de todos os pontos de vista sempre tanto para Cristo como para a Igreja. Daí resulta directamente que também toda a piedade mariana, se quiser ser católica, não se pode nunca isolar, antes pelo contrário deve sempre inserir-se e orientar-se tanto cristologicamente (e, portanto, trinitariamente) como eclesiologicamente.

(…). Todos conhecemos essas tendências que, à primeira vista, dão a impressão de que o povo em oração veria em Maria algo como um símbolo personificado ou o arquétipo da graça divina, providencial e misericordiosa como mãe, como se Maria fosse assim elevada à esfera de Deus e a obra decisiva de Cristo passasse despercebida. (…). Por outro lado, a impressão referida pode ter fundamento em populações menos bem catequizadas: para elas Maria é frequentemente uma espécie de quinta-essência de toda a salvação. Aí tem que intervir a evangelização tão urgentemente recomendada pelo Sínodo dos Bispos e pelo Papa (João Paulo II), procedendo com doçura e inteligência às rectificações necessárias.

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

sábado, 5 de janeiro de 2019

Maria caminho seguro e curto para chegar a Cristo

A veneração de Maria é o caminho mais seguro e curto para nos levar à intimidade com Cristo. Na meditação da sua vida em todas as suas fases aprendemos o que significa viver para Cristo e com Cristo, no quotidiano, de uma forma concreta que não comporta qualquer exaltação mas que introduz a uma intimidade perfeita. Contemplando a existência de Maria, nós pomo-nos à disposição, mesmo na obscuridade infligida à nossa fé, mas aprendemos como se deve estar a postos quando Jesus subitamente pede algo.

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

sábado, 22 de dezembro de 2018

Nossa Senhora, a Encarnação e as mulheres

Alguém poderia objetar que esta [a igreja de Santa Maria Maior, em Roma] não é uma igreja dedicada à Natividade, e, portanto, uma igreja dedicada a Cristo, mas sim um templo mariano, a primeira igreja dedicada a Maria em Roma e em todo o Ocidente. Essa objeção indicaria, porém, que quem a formula não entendeu precisamente aquilo que é essencial, tanto na piedade mariana da Igreja como no mistério do Natal.

O Natal tem na estrutura interna da fé cristã, um significado muito particular. Não o celebramos da mesma maneira como se recordam os dias em que nasceram os grandes homens, porque a nossa relação com Cristo é também muito diferente da admiração que experimentamos diante dos grandes homens. O que interessa neles é a sua obra: os pensamentos que pensaram e deixaram escritos, a arte que criaram e as instituições que nos legaram. Essa obra pertence-lhes, não procede das suas mães, pelas quais só nos interessamos na medida em que podem fornecer-nos algum elemento que contribua para explicar a obra mencionada.

Mas Cristo não conta para nós apenas pela sua obra, pelo que fez, mas sobretudo pelo que era e pelo que é, na totalidade da sua pessoa. Conta para nós de uma maneira distinta da de qualquer outro homem, porque Ele não é simplesmente um homem. Conta porque n'Ele a terra e o céu se tocam, e assim Deus se faz n'Ele tangível para nós como homem. Os Padres da Igreja denominaram Maria a terra santa da qual Ele foi formado enquanto homem; e o que é mais maravilhoso é que, em Cristo, Deus permanece para sempre unido a esta terra. Agostinho expressou certa vez este mesmo pensamento da seguinte forma: Cristo não quis um pai humano para manter visível a sua filiação com respeito a Deus, mas quis uma Mãe humana. "Quis receber em si o género masculino, e dignou-se honrar o feminino na sua Mãe... Se Cristo homem tivesse aparecido sem enaltecer o género das mulheres, estas teriam que desesperar de si... Mas Ele honrou os dois, enalteceu os dois, assumiu os dois. Nasceu de mulher. Não desespereis, homens:
Cristo dignou-se ser homem. Não desespereis, mulheres: Cristo dignou-se nascer da mulher. Ambos os géneros colaboram para a salvação, quer se trate do masculino, quer do feminino: na fé, não há homem nem mulher".

Digamo-lo de novo de outra maneira: no drama da salvação, não é que Maria tenha tido que desempenhar um papel para depois calar-se, como alguém cuja fala terminou. A Encarnação a partir da mulher não é um papel que se tenha encerrado depois de um breve tempo, mas a estada permanente de Deus na terra, com o ser humano, connosco, que somos terra. Daí que a festa do Natal seja ao mesmo tempo uma festa de Maria e uma festa de Cristo, e é por isso que uma autêntica igreja dedicada ao Natal deve ser um templo mariano

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Meditación para el tiempo de Navidad’, em Humanitas, n. 12)

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Expectação da Virgem Santa Maria (Nossa Senhora do Ó)

Esta festa, conhecida entre o povo português como de Nossa Senhora do Ó, celebra o desejo de Maria, o desejo de milhares de gerações que suspiraram, que suspiram pela vinda do Messias.

Não é só a ansiedade natural da mãe jovem que espera o seu primogénito; é o desejo sobrenatural da "bendita entre todas as mulheres", que foi escolhida para Mãe do Salvador de cada homem e de toda a humanidade. O Filho que vai nascer não vem simplesmente para beijar e sorrir para a Sua Mãe, mas para resgatar o povo com o Seu Sangue.

Por estes dias, a Igreja canta as chamadas "antífonas maiores", que começam todas pela interjeição Ó. Maria, Senhora do Ó, é o modelo e a inspiradora deste louvor alegre e suplicante; ela é o centro dos desejos do povo de Israel e de todo o povo de Deus que, no fundo do seu coração, vive o advento do Salvador.

cf. Santos de Cada Dia, do Pe. José Leite

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Devoção à Virgem Maria

Na aridez de certos dias, a Virgem Maria nos fará encontrar flores repletas de um bom aroma, do bonus odor Christi [8], como narram as aparições da Virgem de Guadalupe a S. Juan Diego, que celebramos no dia 12.

[8]. 2 Cor 2, 15.

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de dezembro de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Oração a Nossa Senhora de Guadalupe

Perfeita, sempre Virgem Santa Maria, 
Mãe do verdadeiro Deus, por quem se vive. 
Tu, que na verdade és nossa Mãe compassiva,
te buscamos e te aclamamos. 
Escuta com piedade o nosso pranto, as nossas tristezas. 
Cura as nossas penas, misérias e dores. 
Tu que és nossa doce e amorosa Mãe, acolhe-nos no aconchego do teu manto, 
no carinho dos teus braços. 

Que nada nos aflija nem perturbe o nosso coração. 
Mostra-nos e manifesta-nos o teu amado Filho, 
para que com Ele encontremos a nossa salvação e a salvação do mundo. 
Santíssima Virgem Maria de Guadalupe, 
faz-nos mensageiros teus, 
      mensageiros da palavra e da vontade de Deus. 
                                                                          Amen.
                                                                                                       Nossa Senhora de Guadalupe rogai por nós !

Com a Virgem morena de Guadalupe


«Meus filhos, durante este mês (…) fui como romeiro a “Torreciudad”, descalço, para honrar Nossa Senhora. Também fui a Fátima, novamente descalço, para honrar Nossa Senhora com espírito de penitência. Agora vim ao México fazer esta novena a Nossa Senhora (…). E creio que posso dizer que a amo tanto como os mexicanos».

Assim explicará o Fundador do Opus Dei o motivo principal da sua primeira viagem à América em 1970. Cerca das três da madrugada do dia 15 de Maio, aterra o avião que o traz à capital azteca.

- «Demorei vinte e um anos a vir a estas terras».

Refere-se o Padre à data da chegada dos seus filhos ao continente americano. Agora, Deus oferece-lhe a oportunidade de presenciar como Deus abençoou o Opus Dei.

O Padre, D. Álvaro del Portillo, e o Pe. Javier Echevarría descem a escada do avião. São recebidos com emoção por um grupo de homens que de há muito se encontram nesta terra.

Guadalupe não é apenas um santuário visitado por quase trinta milhões de pessoas por ano: é a fé de todo o povo unido à Virgem morena. O dia 12 de Dezembro, comemoração de uma das aparições, é festa nacional. Desde a véspera, pessoas de toda a República e mexicanos que vivem no estrangeiro passam a noite às portas da Basílica para serem os primeiros a saudar Nossa Senhora.

Esta devoção remonta a 1531. No sábado 9 de Dezembro, antes de amanhecer, passava no sopé do monte Tepeyac um índio convertido, pobre e humilde. Era Juan Diego, que ia à primeira Missa da Missão. De repente ouviu um cântico suave, como de um bando de pássaros. E ao olhar para o cume vê uma nuvem branca no meio do arco-íris. Uma alegria inexplicável dá-lhe “asas aos pés” e sente-se chamado para o cume do monte. Sobe e vê uma Senhora muito bela cuja presença ilumina os cactos, os espinheiros e as pedras. E fala-lhe na sua língua habitual:

- «Meu filho, Juan Diego, a quem amo ternamente como a uma criancinha frágil, para onde vais?


- À Missa, minha Senhora.
- Meu filho muito querido, Eu sou a sempre Virgem Maria, mãe do Deus verdadeiro, e é meu desejo que se construa um templo neste lugar, onde como tua piedosa Mãe e dos teus semelhantes, mostrarei a minha clemência amorosa e a compaixão que tenho pelos nativos e por todos aqueles que me amam e me procuram, e por todos os que solicitarem o meu amparo e recorrerem a mim nos seus trabalhos e aflições, e onde ouvirei as suas lágrimas e rogos para lhes dar consolo e alívio. Vais dizer ao Bispo que eu te envio para que me edifique um templo»

Juan Diego vai ao Paço de Frei Juan de Zumárraga, primeiro Bispo do México. Mas tem pouca sorte com a sua embaixada e regressa, cabisbaixo, para dar contas à Senhora. Ela anima-o. Tem de insistir. E o Bispo pede-lhe uma prova. Tem que demonstrar que viu, efectivamente, algo de sobrenatural. A Virgem diz que volte na manhã seguinte. Dar-lhe-á um sinal.


Mas a manhã do dia 12, terça-feira, encontra um Juan Diego caminhando, desalentado à procura de um frade. O seu tio, Juan Bernardino, está a morrer. Nem sequer passa pelo alto do monte para não se demorar porque o tempo é pouco para levar assistência ao moribundo. E a Virgem vai ao seu encontro na base da encosta.

«Meu filho, nada te aflija. Não estou eu aqui que sou a tua Mãe? Não estás tu sob o meu amparo? Não sou eu vida e saúde? Não estás no meu regaço e sob a minha protecção? Tens necessidade de outra coisa? Não tenhas medo porque o teu tio já está curado».

A Virgem pede-lhe que, antes de ir a casa do Bispo, suba ao monte e apanhe as rosas que encontrar lá no alto.

Nunca há flores lá no cimo em Dezembro. Mas nesse dia, Juan Diego encontra um jardim e enche a manta índia que lhe serve de capa. Rapidamente chega à presença do Bispo, que o olha assombrado: pensou que não voltaria. E ao abrir o poncho, caem as rosas no chão e fica desenhada na tela a imagem da Virgem de Guadalupe tal como hoje se venera no México. Sobre o tecido feito de palma silvestre brilham as cores e as formas de uma linda mulher de cabelo negro, semblante sereno e de tez morena. Uma túnica rosada e bordada a ouro cobre-a totalmente. O manto é de cor verde mar. Usa coroa real e tem a cabeça inclinada para a direita, com os olhos baixos. Todo o sol do México emerge por de trás como que a protegê-la: cento e vinte e um raios. Um anjo de asas abertas sustenta alegremente o leve peso etéreo da imagem.

Pintores de grande prestígio vieram chamados pelo Vice-Rei, Marquês de Mancera, e pelo Bispo Zumárraga, para indagar sobre a pintura. Entre eles, Juan Salguero, Tomás Conrado, López de Avalos, Alonso de Zárate. Todos são unânimes em afirmar a inexplicável textura e qualidade da tela. O avesso do tecido é muito áspero e a trama muito grossa. O lado da pintura é macio como a seda. As cores e a técnica da pintura permanecem intactas com o decorrer do tempo.

Neste século começou-se a realizar-se um estudo científico; contudo, o mistério permanece, mesmo à luz dos conhecimentos técnicos e científicos de alta precisão. O sábio Richard Kühn, Prémio Nobel de Química, confirmou que a policromia da Virgem de Guadalupe não provém de corantes de origem animal ou vegetal.

Os doutores Callahan e Brant da NASA, fizeram uma análise muito aprofundada com alta tecnologia e, mediante raios infra-vermelhos, verificaram que a pintura não foi feita com esboço prévio nem com pinceladas. A imagem foi pintada directamente. E, finalmente o doutor Aste Tonsmann referiu, apoiando-se na digitalização de imagens fotográficas, que encontrou figuras humanas de tamanho infinitesimal na íris dos olhos da Virgem. Figuras que formam uma cena equivalente ao episódio relatado em náhuatl por António Valenciano no Nican Mopohua do século XVI.

O Padre, ao chegar ao México, tinha comentado:

«Quando for à Villa tereis que me tirar de lá com uma grua».

E repete a mesma coisa ao Arcebispo, Cardeal Miranda, quando o vai visitar. E o Cardeal, que o tinha convidado muitas vezes a atravessar o Atlântico para visitar a Virgem, responde sorridente:
- “Pois não serei eu quem mandarei buscar a grua”.

Está encantado por ter no seu país o Fundador da Obra, e quando o cumprimenta com um abraço, diz:
- «Finalmente conseguimos! Finalmente conseguimos!».

No Sábado, 16 de Maio, o Padre começa as suas visitas à Virgem morena, que se vão prolongar durante nove dias. Acompanham-no Mons. Álvaro del Portillo, o Pe. Javier Echevarría e mais três pessoas. Um grupo pequeno que se aproxima, discretamente, da Basílica. Acabam de soar as seis horas da tarde. O Padre entra, apressadamente, com a juventude e o ânimo de quem tem desde sempre, um encontro gratíssimo e importante. Chega ao altar-mor e ajoelha-se. Permanecerá ali muito tempo a rezar comos olhos postos na Virgem.

Ouve-se, à distância, um relógio com badaladas metálicas. Mons. Álvaro del Portillo aproxima-se do Fundador: «Padre, já aqui estamos há duas horas e estamos rodeados de gente do Opus Dei…».

Enquanto fazia a sua oração, foram chegando as suas filhas e filhos mexicanos. A Basílica encheu-se de caras conhecidas e rezam, todos em uníssono, por aquilo que o Padre está a colocar aos pés da Virgem.

Nos dias seguintes ocupa uma galeria alta localizada sobre o presbitério, à direita da imagem, de onde a pode ver com intimidade. Passa ali várias horas com a Senhora.

Durante os quarenta dias de permanência no México, o Padre verá mais de vinte mil pessoas de toda a América. Numa tertúlia, alguém lhe perguntou o que se deve dizer àqueles que se esquecem da Virgem.

- «Ouviram aquelas palavras de Deus quando, para manifestar o seu carinho, diz: mas, é possível que alguma mãe se esqueça dos seus filhos? Ainda que isso acontecesse, eu, pelo contrário, nunca me esquecerei do amor que vos tenho. Pois também os filhos não se podem esquecer da Mãe».

O índio, por temperamento, é reservado, silencioso. Pode seguir com interesse uma conversa mas ficar calado. Junto do Padre o comportamento é diferente: os camponeses mexicanos do Valle de Amilpas falam com ele, riem-se, manifestam a simplicidade e o afecto do seu coração.

E porque os vê e compreende a língua do seu coração, assume os problemas humanos e sociais referentes ao estado de pobreza dos camponeses. Fala de projectos de habitações condignas, para os camponeses da zona vizinha de Montefalco; interessa-se pela formação que recebem os nativos nesta grande escola profissional que representou um esforço gigantesco; preocupa-se com as famílias das nativas que frequentam escolas do Opus Dei em toda a zona do México.

«Estamos preocupados com o vosso desenvolvimento, de que possam sair desta situação, de modo a não terem dificuldades económicas… Vamos procurar também que os vossos filhos adquiram cultura: verão, com a ajuda de todos o conseguiremos, e que –os que tenham talento e desejos de estudar – cheguem muito alto (…). E, como o faremos? Como quem faz um favor? Não (…) isso não! Não tenho dito que todos somos iguais?».

No dia 16 de Junho reúne-se em Jaltepec, a cinquenta quilómetros de Guadalajara, no estado de Jalisco, com sacerdotes do Opus Dei que trabalham no México e com outros muitos que participam dos meios de formação da Obra.

«Estou muito contente no México, entre outras coisas porque aqui encontrei um anticlericalismo sadio, como aquele de que eu costumo falar. É bem verdade que o têm como fruto de uma grande perseguição contra a Igreja, mas, graças a Deus, isso já passou: confio que saberão manter sempre o equilíbrio que agora têm.

Não quis vir aqui sem que as autoridades o soubessem (…) e dos vossos governantes só recebi atenções».

Conversará com estes sacerdotes dos temas que devem ocupar o coração dos ministros de Cristo: do trabalho com as almas, da dedicação total, da sua entrega incondicional e do serviço constante.

«Todo o nosso coração é para Cristo e – através de Cristo – para todas as criaturas, sem excepções».

Fala-lhes de humildade: essa virtude torna o homem grande apesar dos seus erros: da extraordinária vocação a que foram chamados por Deus desde toda a eternidade. Da ajuda de uns aos outros. Dessa fraternidade que distingue, inconfundivelmente, os filhos de Deus.

“Não estais sozinhos. Nenhum de vós se pode sentir só. E, ainda menos se vamos a Jesus por Maria, porque é uma Mãe que nunca nos abandonará».

Passa o tempo, entre perguntas e respostas rápidas, o bom humor do Padre e a alegria espontânea que produz a sua presença. O sol forte do meio da manhã sente-se e uma bruma suave desce sobre as águas da vizinha lagoa de Chapala.

No dia 22 de Junho, véspera do regresso a Roma, o Padre está reunido com um grupo dos seus filhos. Alguém toca uma guitarra:
- «Padre, é uma antiga canção popular. Dizem que é um bocado “piegas”, mas eu gosto dela. O princípio é um pouco lento:

«Quero cantar-te, mulher, minha mais bela canção, porque és tu o meu amor, rainha do meu coração…»
(em castelhano: Quiero cantarte mujer, mi mas bonita canción porque eres tú mi querer, reina de mi corazón…).(clik para ouvir “Maria Elena” em mp3).

«Porque não vamos todos à “Villa” cantar esses versos à Virgem e fazer-lhe uma serenata?».

O assentimento é unânime. Às 8h30 da noite, estão todos na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe.

Meia hora antes, a Igreja começa a esvaziar-se dos peregrinos. Mas, em vez de o recinto ficar numa penumbra isolada, hoje enche-se totalmente com uma concorrência entusiasta. Os encarregados do “mariachi” chegam com as suas guitarras e escolhem o lugar apropriado. A “Villa” está completamente cheia. Chega o Padre, e os porteiros fecham as entradas. Uma vez mais, como no primeiro dia, o Fundador ajoelha-se diante da Virgem da América. Depois entoa a Salve-Rainha, que todos cantam: as suas filhas e os seus filhos reunidos numa despedida imprevista. Fica no altar-mor, rodeado por sacerdotes. Há-os de mais idade, com cabelos embranquecidos pelo trabalho e pelo tempo, e outros muito jovens, todos unidos num mesmo afecto. As guitarras rompem o silêncio.

«O meu coração é teu, ó sol do meu amar».
(em castelhano – «Tuyo es mi corazón, oh sol de mi querer»)

Depois entoam «La Morenita» (clik para ouvir “La Morenita” em mp3) e, assim por diante, uma e outra canção. A emoção cresce, porque ali está uma grande parte da alma do México; reuniram-se junto do Padre todos os que percorreram este caminho de fidelidade a Cristo que é o Opus Dei.

Ao começar a terceira canção, o Padre levanta-se e sai da Basílica, enquanto continua a ouvir-se outra canção à Virgem: «Obrigado, por te ter conhecido!...» (clik para ouvir “Gracias” em mp3). e apagam-se as luzes. Os carros regressam à cidade enquanto cai uma chuva miúda, quase imperceptível. Dir-se-ia que o céu mexicano também manifesta a emoção simples e íntima deste adeus.

No dia seguinte, um avião levará Mons. Escrivá de Balaguer a caminho de Roma. Lá longe em Montefalco, junto às velhas paredes da Igreja, ficam umas árvores que plantou antes de partir. Passados anos, quando o tempo as tiver feito crescer, a sua sombra dará paz ao caminhante.

Próximo de Jaltepec, o quadro que representa a Guadalupana a dar uma flor ao índio Juan Diego, ouve um pedido do Fundador:
- «Gostaria de morrer assim: olhando para a Virgem e que ela me entregasse uma flor…».

E, depois de um silêncio, acrescenta:



- «Sim, gostaria de morrer diante deste quadro, com a Virgem a dar-me uma rosa».


Ana Sastre Tempo de caminhar, (trad. port., Lisboa, Diel), p. 523-529

São Josemaría no México em 1970

Nossa Senhora de Guadalupe

Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego para que fosse até o Bispo, pedindo que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O Bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para o tio doente: "Escute, meu filho, não há nada que temer, não fiques preocupado nem assustado; não temas esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a teu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que desejas mais do que isto? Não permitas que nada te aflija e te perturbe. Quanto à doença do teu tio, ela não é mortal. Eu te peço, acredita agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que irás levar ao Bispo. Diz-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Tu és meu embaixador e mereces a minha confiança. Quando chegares diante dele, desdobra a sua "tilma" (manto) e mostra-lhe o que carrega, porém, só na sua presença. Diz-lhe tudo o que viste e ouvistes, nada omitas..."

O Bispo viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego visitou o tio, que sadio narrou:"Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou comigo. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de 'Santa Maria de Guadalupe', embora não tenha explicado o porquê". Diante de tudo isto muitos se converteram e o Santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. Pois nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do Bispo e do intérprete refletiu-se e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Disse o Papa Bento XIV, em 1754: "Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros... uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja... Deus não agiu assim com nenhuma outra nação".

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada "Padroeira de toda a América" pelo Papa Pio XII a 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

(Fonte: ‘Canção Nova’ com adaptação de JPR)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Ladainha Lauretana - Ladainha de Nossa Senhora

Nossa Senhora do Loreto

O título Nossa Senhora de Loreto tem como referencial a casa de Nazaré, onde viveu a Santíssima Virgem. Por um misterioso prodígio esta casa atravessou oceanos até fixar-se na Itália, em um bosque de loureiros, próximo à vila de Recanati. Uma explicação plausível seria a seguinte: a fim de poupar a Santa Casa de Nazaré de invasões, onde templos e monumentos eram violados e destruídos, o Senhor ordenou a seus anjos que a transportassem pelos ares à cidade de Tersatz, na Dalmácia, em 10 de Maio de 1291 e daí para um bosque de loureiros, em Loreto, na Itália, em 10 de Dezembro de 1294.

Ainda hoje o santuário de Loreto, onde a "santa casa" é conservada e venerada, é local de concorridas peregrinações.

É padroeira dos aviadores.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

domingo, 9 de dezembro de 2018

FOBERA PROSTASIA (a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro)

Como um menino antes de nascer
no útero materno aconchegado,
assim em teu regaço reclinado
quisera um dia, ó Mãe, adormecer;

a vida como leite em Ti sorver
e assim em paz, sem pena nem cuidado,
das veras de Teu ser alimentado
não mais do mundo mau querer saber.

Não poderás, ó Mãe, por um momento,
pousar o teu Menino sobre o solo ?
Os anjos proverão a seu sustento…

Se alguma vez do pó em que me rolo,
chega até Ti a voz do meu lamento,
larga o Menino, e pega em mim ao colo !

L. F. T.

Mosteiro de Nossa Senhora de Randol
Páscoa de 1979                               
                                       

sábado, 8 de dezembro de 2018

São Josemaría Escrivá sobre a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria



Festa da Imaculada Conceição. “Como gostam os homens de que lhes recordem o seu parentesco com personalidades da literatura, da política, do exército, da Igreja!... – Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-Lhe:
Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria, esposa de Deus Espírito Santo… Mais do que tu, só Deus!”