Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus
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sábado, 13 de abril de 2019

CHORA O MEU CORAÇÃO PORTUGUÊS

Chora o meu coração português!
E as lágrimas que ele deita,
beijam as ameias dos castelos,
recheadas da História,
de quem português se diz,
de quem português se sente,
a História do meu país.

Vejo um povo adormecido,
embalado em falsas promessas,
de futuros sem sentido,
de valores,
vazio e deserto,
um povo que já não parte,
a dar mais mundos,
ao mundo.

As Chagas de Cristo sangram,
sobre as Quinas do passado,
porque a memória dói,
num presente sem memória,
dum povo que foi herói.

Quase nada já te pertence,
oh meu querido Portugal,
exaurido das forças épicas,
roubado por mãos infames,
vais jazendo num torpor,
dorido, presente, real,
abafando a tua dor,
no passado glorioso,
que já não volta!

Levanta-te,
faz-te à vida,
faz-te ao mar,
navega rumo ao Sol,
desfralda as velas da Cruz,
vermelha como o teu sangue,
não tenhas medo de nada,
nem do mostrengo,
nem do mal,
ergue-te altaneiro,
forte, heroico e leal,
para que sejas de novo,
e sempre,
Portugal, Portugal, Portugal!

Monte Real, 29 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

segunda-feira, 18 de março de 2019

Hino a S. José (Breviário)

Varão perfeito, escolhido
Para esposo virginal
De Maria concebida
Sem pecado original.

Mereceste ter nos braços
Quem criou a terra e os céus;
Chamavas filho a quem era
O próprio Filho de Deus.

Aquele que dá alimento
Às avezinhas do céu
Por ti foi alimentado,
Do teu trabalho viveu.

Patrono da Santa Igreja,
Protege-a contra os perigos,
Como outrora defendeste
Jesus de seus inimigos.

A nós, a quem o pecado
Oculta a luz da verdade,
Ensina o caminho certo
Que nos leva à santidade.

E humildes, castos e fortes,
Como tu, servindo a Deus,
Cheguemos no fim da vida
À glória eterna dos Céus.

sexta-feira, 1 de março de 2019

As heresias em causa

De acordo com a heresia Pelagiana – desenvolvida durante o século V em volta do pensamento de Pelágio -, o homem, para cumprir os mandamentos de Deus e ser salvo, precisa da graça apenas como um auxílio externo à sua liberdade (como luz, exemplo, força), mas não como uma sanação e regeneração radical da liberdade, sem mérito prévio, para que possa realizar o bem e alcançar a vida eterna.

Mais complexo é o movimento gnóstico, surgido nos séculos I e II, que se manifestou de formas muito diferentes. Em geral, os gnósticos acreditavam que a salvação é obtida através de um conhecimento esotérico ou “gnose”. Esta gnose revela ao gnóstico a sua essência verdadeira, isto é, uma centelha do Espírito divino que habita na sua interioridade, que deve ser libertada do corpo, estranho à sua verdadeira humanidade. Somente assim o gnóstico regressa ao seu ser originário em Deus, de quem se afastou pela queda original.

Fonte: Carta ‘Placuit Deo'
(Imagens seleção 'Spe Deus')

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

ORANDO EM VERSO II

Acabou de chegar às minhas mãos mais um "filho" do amor de Deus em mim.
Obrigado, Senhor!
Dás-me tanto e eu dou-te tão pouco, e mesmo que eu Te dou, és Tu que o fazes em mim!

A Apresentação deste livro será em Março em data a anunciar.
A receita da venda deste livro, (depois de retiradas as despesas), será totalmente entregue às Irmãs Clarissas do Mosteiro de Monte Real, tendo como finalidade ajudar a suportar as obras do Mosteiro que recentemente erigiram em Timor.
Entrego este livro nas mão de Deus, à Sua Santíssima Vontade!

Embora a Apresentação do livro ainda não tenha sido feita, quem o quiser adquirir basta enviar-me um mail para orandoemverso@gmail.com e darei todas as indicações necessárias para receber o livro comodamente em casa.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Vinde, ó Deus santificador, eterno e omnipotente

Sê alma de Eucaristia! – Se o centro dos teus pensamentos e esperanças está no Sacrário, filho, que abundantes os frutos de santidade e de apostolado! (Forja, 835)

Falava de corrente trinitária de amor pelos homens. E onde poderá alguém aperceber-se melhor dela do que na Missa? Toda a Trindade actua no santo sacrifício do altar. Por isso agrada-me tanto repetir na colecta, na secreta e na oração depois da comunhão aquelas palavras finais: Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, – dirigimo-nos ao Pai – , que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus por todos os séculos dos séculos. Ámen.

Na Santa Missa, a oração ao Pai é constante. O sacerdote é um representante do Sacerdote eterno, Jesus Cristo, que é ao mesmo tempo a Vítima. E a acção do Espírito Santo não é menos inefável nem menos certa. Pela virtude do Espírito Santo, escreve S. João Damasceno, dá-se a conversão do pão no Corpo de Cristo.

Esta acção do Espírito Santo exprime-se claramente, quando o sacerdote invoca a bênção divina sobre a oferenda: Vinde, ó Deus santificador, eterno e omnipotente, e abençoai este sacrifício preparado para o vosso santo nome, o holocausto que dará ao Nome santíssimo de Deus a glória que lhe é devida. A santificação, que imploramos, é atribuída ao Paráclito, que o Pai e o Filho nos enviam. Reconhecemos também essa presença activa do Espírito Santo no sacrifício quando dizemos, pouco antes da comunhão: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, que, por vontade do Pai, com a cooperação do Espírito Santo, com a vossa morte destes a vida ao mundo...(Cristo que passa, 85)

São Josemaría Escrivá

Museu do Santuário de Fátima

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Da Drª Maria José Vilaça

No dia 10 de janeiro de 2019 a TVI exibiu no Jornal da 8 uma reportagem da autoria da jornalista Ana Leal. A mesma baseou-se na manipulação de um conjunto de gravações, obtidas de forma ilegal, onde tentou passar uma ideia falsa da minha pessoa e da minha prática profissional.

Ao abrigo do direito de resposta e a fim de repor a verdade, enviei TVI o seguinte comunicado que não foi transmitido:

1. Não faço, nem defendo, terapias de conversão. Não defendo qualquer tipo de condicionamento da pessoa. Defendo que a pessoa deve ser livre de escolher o seu estilo de vida e quando se sente desconfortável com alguma circunstância da sua vida, deverá poder procurar o apoio de um terapeuta. O trabalho deste é ajudar a crescer em liberdade e autoconsciência de modo a poder escolher o que entende ser melhor para si.

2. A minha abordagem clinica é existencialista e personalista. Significa que considero que é inerente à dignidade humana ser amado e não alvo de instrumentalização ideológica.

3. Na prática clínica não faço intervenções da área da religião. Como cidadã, reservo-me o direito de guiar grupos de acompanhamento espiritual e pastoral, que não são relações terapêuticas e nada têm a ver com a minha profissão.

Em relação ao trabalho jornalístico da Ana Leal e da TVI:

1. É lamentável a forma criminosa como os dados foram recolhidos, a ausência de contraditório na própria reportagem e a forma tendenciosa como foi montada e como foram colocadas as questões.

2. É gravíssimo que a jornalista tenha aceitado ser cúmplice da devassa de dois espaços da maior intimidade: o local de encontro das pessoas com o sacerdote e com o psicólogo ou psiquiatra.

3. É igualmente grave que a TVI tenha exibido imagens onde estão identificadas outras pessoas que têm direito à sua privacidade. Posso ser a voz deles, mas não posso evitar que vejam as suas vidas expostas pelos atos criminosos de pessoas sem escrúpulos.

Cada um é livre de escolher o seu caminho sem ser condicionado por ditaduras ideológicas. Como disse o psicanalista Bruno Bettelheim “A paz numa sociedade totalitária conquista-se à custa da morte da alma”. É contra esta paz forçada de um povo anestesiado que eu luto, a favor da liberdade individual de cada um, sempre.

Maria José Vilaça

Algumas notas que acrescento agora:

Não confundo surtos psicóticos com atração pelo mesmo sexo. O que passou na reportagem foi um truque de edição de imagens.
A reportagem mistura gravações atuais com imagens gravadas em 2008.

A Ana Leal, vendo a totalidade das gravações, escolheu conscientemente as partes a mostrar, de modo a deturpar o meu pensamento.
Digo a todas as pessoas que atendo, com atração pelo mesmo sexo, que não faço terapias de conversão.

A TVI protegeu o autor das gravações, mas não se preocupou em proteger o direito à privacidade das pessoas filmadas, algumas das quais já foram identificadas por terceiros.

A existência de uma sociedade secreta é uma falsidade. A Igreja respeita o desejo de anonimato das pessoas que se dirigem livremente a ela.

Como é publico A Igreja proporciona grupos de autoajuda e acompanhamento de pessoas nas mais diversas situações.

O objetivo de linchamento público fica comprovado com a passagem de conversas que nada têm a ver com o tema da reportagem.

Recebo, no meu consultório, pessoas ateias, de diversas denominações cristãs e de outras religiões não cristãs e não faço qualquer distinção entre as pessoas que acompanho.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Hino a Deus Nosso Senhor

Deus, senhor da verdade,
A quem tudo pertence,
Que acendeis a manhã
E encheis de sol o dia.

Extingui as discórdias,
Abafai as paixões
E dai-nos a saúde
E a paz de coração.

A Vós, Pai de bondade,
Com o Filho unigénito
E o divino Paráclito,
Toda a honra e louvor.

(Breviário)

sábado, 12 de janeiro de 2019

Hino a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Pai

Pelo teu sangue marcados
Somos, Senhor, o teu povo;
No Espírito baptizados,
Recriaste-nos de novo.

Novo Moisés, entre as águas
O teu povo encaminhaste;
Das nossas penas e mágoas
No Fogo nos libertaste.

Eis o divino Cordeiro,
Que veio salvar o mundo
No pecado prisioneiro
Em sofrimento profundo.

És do Pai o eterno encanto,
És seu Filho bem-amado;
Cheio do Espírito Santo,
O vencedor do pecado!

Ó Santíssima Trindade,
Que Jesus Cristo revela,
Confirmai-nos na verdade,
Alimentai-nos com ela!

(Breviário)

domingo, 6 de janeiro de 2019

Hino à adoração dos Reis Magos

Ditosa estrela que os três Reis guiaste
Da praia oriental tão fielmente
Que o grande Rei dos reis omnipotente
Menino em um presépio lhes mostraste,

Um raio só de quantos derramaste
Guie minha alma já diretamente
Ao mesmo bom Jesus que juntamente
Ali também com eles adoraste,

Onde, posto nos braços de Maria,
Ali fé, esperança e caridade
Lhe ofereceram ouro, mirra, incenso.

Depois, guiado do teu lume imenso,
De Herodes conhecendo a falsidade,
Me torne a recolher por outra via.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Assim começa a nova humanidade

O vosso Salvador não surgirá
De algum palácio de famoso rei:
Na casa de José vos aparece
Tão pobre e humilde como sua Mãe.

Cresce na idade e na sabedoria
Aquele que do mundo é o Senhor;
Quem adivinhará nesta criança
O prometido Príncipe da Paz?

O Verbo não Se fez apenas homem,
Mas homem oprimido pela dor;
No próprio nascimento prenuncia
A morte redentora sobre a cruz.

Assim começa a nova humanidade
Na sagrada família em Nazaré;
Ali encontrarás a tua imagem,
Povo de Deus, Igreja Universal!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Estêvão primeiro Mártir do Senhor Jesus

Cristo é a Vida que desceu à terra
E sobre a morte conseguiu vitória
E, subindo de novo para o Pai,
Vive na glória.

Servo fiel, Estêvão O seguiu,
Chamado a partilhar da mesma sorte;
No martírio, por Deus fortalecido,
Venceu a morte.

Os inimigos lhe arremessam pedras,
Para quebrar a sua fortaleza,
E o santo Mártir, corajoso e forte,
Por eles reza.

Primeiro Mártir do Senhor Jesus,
Que vives na presença do Senhor,
Dispensa aos teus devotos, hoje e sempre,
O teu favor.

Com os Mártires suba o nosso canto
Em louvor da Santíssima Trindade,
Que a Santo Estêvão concedeu a glória
Da eternidade.

sábado, 22 de dezembro de 2018

O Natal interpela-nos

A descrição do que aconteceu nesta Noite de Natal não podia ser mais simples: «encontrareis um menino envolto em panos e reclinado numa manjedoura” (Lc 2, 12).

Este é o sinal de sempre para encontrarmos Jesus. Não só há dois mil anos, mas também agora.

Se desejamos festejar de verdade o Natal – nascimento de Jesus Cristo – contemplemos este sinal evidente no presépio: a simplicidade de um recém-nascido; a mansidão de estar reclinado numa manjedoura; a ternura de Maria que envolve o Menino nuns simples paninhos.

Ali, naquela gruta, está verdadeiramente Deus, que Se fez homem para nos salvar. E para chegar até ao Menino, como nos diz o Papa Francisco, é necessário que cada um de nós saiba inclinar-se, abaixar-se e fazer-se pequeno.

Jesus, recém-nascido, interpela-nos.

Interpela-nos, em primeiro lugar, a deixarmos o efémero da vida para podermos chegar ao que é essencial: Deus ama-nos e não podemos ficar indiferentes a esse amor, nem deixar de o comunicar à nossa volta. Sem oração pessoal, não captamos esta interpelação.

Interpela-nos a renunciar a pretensões vãs e a pautar a nossa vida pela única coisa que vale a pena: cumprir a missão que Deus nos confiou ao trazer-nos a este mundo. Sem exame de consciência, arrependimento e contrição não captamos esta interpelação nem corrigimos nada no rumo da nossa vida.

Interpela-nos, por fim, a olhar à nossa volta e observar que muitas almas se perdem porque não têm ninguém que as ajude. Sem decisão de olhar para a evangelização como algo que nos compete, não captamos esta interpelação nem sentimos o bendito peso das almas, que foi o motivo pelo qual Deus veio a este mundo.

Com Maria e José, contemplemos o Menino Jesus na manjedoura e saibamos dizer-lhe de verdade: obrigado, Jesus, por teres vindo à Terra para nos salvar! Queremos deixar-nos interpelar por Ti!

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Virgílio, BUCÓLICAS, canto IV

Tradução da IV écloga de Virgílio por Luís Filipe Thomaz a partir do latim, repassada de um messianismo que atesta da esperança universal no Emanuel — o "Deus connosco", a que a antiga liturgia romana aplicava o epíteto de "desideratus cunctarum gentium", o desejado de todas as gentes. Escrita necessariamente antes da morte do autor, em 19 A. C., a écloga — a que Jerôme Carcopino dedicou um detalhado e sábio estudo — fala do nascimento de um menino, que os primeiros cristãos identificaram com Jesus, fazendo, por conseguinte, de Virgílio uma espécie de profeta pagão, como a Sibila.

*****
           
Sicilianas Musas, nossos cantos, um tanto soergamos:
nem a todos deleitam os arbustos, os tamariscos franzinos,
se é aos bosques que cantamos,
que de um cônsul os bosques sejam dinos!
            Eis que na verdade,
do oráculo de Cumas vem chegando a derradeira idade:
dos séculos a grande ordem de novo recomeça;
eis que volta a Virgem; eis que de Saturno o reino já regressa,
e dos altos céus nova linhagem dece!
            Mal nasça o menino com que já fenece
a férrea idade, e de polo a polo
se mostre a áurea estirpe, tu, casta Lucina, o favorece!
Já reina o teu Apolo!
            Em teu consulado, ó Polião, e sob a tua guia,
principiará a glória desta nova era,
e dos grandes meses o transcurso, dia a dia.
Se de nosso crime algum vestígio houvera,
írrito será doravante,
e livre quedará do pavor eterno a esfera.
            Dos deuses receberá vida o nascituro infante,
e aos deuses juntos os heróis verá;
ver-se-á a si a estes mesclado,
e o orbe regerá,
pela virtude paternal pacificado.
            E a ti, menino, como dom primeiro,
hedras trepadeiras e acanto sorridente
bácaro abundante e colcas, juntamente,
sem qualquer lavoura, em profusão
dará o campo inteiro.
            De livre moto, as cabras ao curral trarão
túrgidos de leite os úberes dilatados;
e ao corpulento leão
não voltarão jamais a recear os gados.
            De si o berço se te porá, meigo, em flor;
tombará morta a serpente,
e murcha a erva do veneno enganador;
mas o amomo da Assíria vicejará vulgarmente.
            Quando dos feitos paternos fores ciente,
dos heróis saibas ler o elogio,
e da virtude discernir o vulto,
louros, lentamente,
se porão os campos com o brando estio;
a uva rósea penderá do tojo inculto,
e do roble agreste escorrerá o mel em fio.
            Da prístina fraude algum vestígio quedará, porém, oculto,
forçando a jangada a arrostar o mar ingente,
a cidade a manter em torno o muro,
e o arado a sulcar ainda o solo duro.
            Um novo Tífis haverá então, e novamente,
Argo aparecerá, que dos heróis transfrete a jóia,
pois virão novas guerras no futuro,
e uma vez mais o grão Aquiles será mandado a Tróia.
            Quando a idade firme te tornar, porém, sisudo,
desistirá do mar o próprio marinheiro,
e inútil quedará, sem conteúdo,
a nave talhada do pinheiro,
pois toda a terra produzirá de tudo.
            Não mais o solo padecerá lavoura,
nem tampouco a vinha o golpe da seitoura.
            Soltará da canga aos bois o lavrador robusto,
e não terá mais a lã de se tingir de laivos variados,
pois ao pascer nos prados,
o mesmo anho mudará, venusto,
ora em púrpura suave, ora em amarelo,
as cores do próprio velo.
            Espontâneo vestirá o azarcão de tons profusos
o cordeiro que retouça nos montados.
"Fiai tais séculos" - disseram as Parcas a seus fusos,
conformes como sempre com os fados.
            Das honras mais augustas chegando vem o momento!
Ó cara prole dos deuses, de Júpiter ó maior rebento!
Acerca-te, enxerga asinha:
vacilante, ajoujado ao cárrego do mundo,
as terras, a extensão do mar, o céu profundo,
vê como se alegra tudo com a era já vizinha!
            Oh, que da já longa vida me reste um tempo derradeiro,
e me não falte quanto hei mister de alento,
p'ra de teus feitos lavrar o rol inteiro…
Não me vencerá em carmes o talento
nem do Orfeu trácio, nem de Lino,
ainda que a este inspire o pai divino,
e àquele assista a mãe que o trouxe ao colo:
de Orfeu Caliopeia, de Lino o belo Apolo.
O próprio Pan, com Arcádia por juiz, se comigo se batia,
o próprio Pan, com Arcádia por juiz, vencido se diria.
            Começa, pois, menino, a conhecer pelo sorriso
a mãe que dez meses o fastio suportou mofino;
começa, pequenino,
pois, de feito,
quem jamais conheceu nos pais o riso,
nem da mesa um deus reputa dino,
nem uma deusa do leito.