Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O valor divino do matrimónio

No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)

O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa, que eu, como sacerdote, abençoo com ambas as mãos. A tradição cristã viu frequentemente na presença de Jesus nas bodas de Caná uma confirmação do valor divino do matrimónio: O nosso Salvador foi às bodas – escreve S. Cirilo de Alexandria – para santificar o princípio da geração humana.

O matrimónio é um sacramento que faz de dois corpos uma só carne: como diz com expressão forte a teologia, são os próprios corpos dos contraentes que constituem a sua matéria. O Senhor santifica e abençoa o amor do marido à mulher e o da mulher ao marido; e ordenou não só a fusão das suas almas, mas também a dos seus corpos. Nenhum cristão, esteja ou não chamado à vida matrimonial, pode deixar de a estimar.

O Criador deu-nos a inteligência, centelha do entendimento divino, que nos permite – com vontade livre, outro dom de Deus – conhecer e amar; e deu ao nosso corpo a possibilidade de gerar, que é como uma participação do seu poder criador. Deus quis servir-se do amor conjugal para trazer novas criaturas ao mundo e aumentar o corpo da Igreja. O sexo não é uma realidade vergonhosa; é uma dádiva divina que se orienta limpamente para a vida, para o amor, para a fecundidade. (Cristo que passa, 24)

São Josemaría Escrivá

A Santa Madre Igreja

«Humildade! Sublimidade! Tenda de Cedar e Santuário de Deus; habitação terrena e palácio celeste; casa de barro e corte real; corpo mortal e templo de luz; enfim, objecto de desprezo para os orgulhosos e esposa de Cristo! Ela é morena mas bela, ó filhas de Jerusalém; ela que, empalidecida pela fadiga e sofrimento dum longo exílio, tem, no entanto, por ornamento a beleza celeste»

(São Bernardo de Claraval - In Canticum sermo, 27, 7-14)

Santa Luzia, Virgem e mártir †303

Santa Luzia, como se lê nas Actas, pertencia a uma família rica de Siracusa. A mãe dela, Eutíquie, ficou viúva e havia prometido dar a filha como esposa a um jovem concidadão. Luzia, que tinha feito voto de se conservar virgem por amor a Cristo, obteve que as núpcias fossem adiadas, também porque a mãe foi atingida por uma grave doença. Devota de Santa Águeda, a mártir de Catânia, que vivera meio século antes, Luzia quis levar a mãe enferma em visita ao túmulo da Santa. Desta peregrinação a mulher voltou perfeitamente curada e por isso concordou com a filha, dando-lhe licença para seguir a vida que havia escolhido; consentiu também que ela distribuísse aos pobres da cidade os bens do seu rico dote. O noivo rejeitado vingou-se acusando Luzia de ser cristã ao procônsul Pascásio. Ameaçada de ser exposta ao prostíbulo para que se contaminasse, Luzia deu ao procônsul uma sábia resposta: "O corpo contamina-se se a alma consente."

O procônsul quis passar das ameaças aos factos, mas o corpo de Luzia ficou tão pesado que dezenas de homens não conseguiram carregá-lo sequer um palmo. Um golpe de espada pôs fim a uma longa série de sofrimentos, mas mesmo a morrer, a jovem continuou a exortar os fiéis a antepôr os deveres para com Deus àqueles para com as criaturas, até que os companheiros de fé, que faziam um círculo em volta dela, selaram o seu comovente testemunho com a palavra: Amén.

Testemunham-lhe a antiga devoção, que se difundiu muito rapidamente não só no Ocidente, mas também no Oriente. O episódio da cegueira, ao qual ordinariamente chamam a atenção as imagens de Santa Luzia, está provavelmente vinculado ao nome: Luzia (Lúcia) derivada de lux (= luz), elemento indissolúvel unido não só ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui a Santa Lúcia ou Luzia a função de graça iluminadora.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

A perenidade da Igreja

«A Igreja vacilará se o seu fundamento vacila, mas poderá vacilar Cristo? Enquanto Cristo não vacilar, a Igreja não fraquejará jamais até ao fim dos tempos.»

(Santo Agostinho - Enarrationes in Psalmos, 103)

«Que pena verificar como marcham unidos por diversas paixões - mas unidos contra os cristãos, filhos de Deus - os que odeiam o Senhor, e alguns que afirmam estar ao seu serviço!»

(S. Josemaría Escrivá - Sulco 935)

À laia de desabafo e consciente da polémica, mas às vezes penso que para assegurar a perenidade da Igreja, talvez fosse necessário expurgá-la daqueles que a corroem dizendo-se católicos.

Rezo todos os dias por eles e peço a Deus que na pessoa do Espírito Santo os ilumine, mas entretanto colocá-los em ‘reciclagem’… «Por isso vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lho for concedido por meu Pai» (Jo 6, 65)

JPR

Preparação para o Nascimento do Senhor

Não esqueçamos que, a partir do dia 17, a Igreja entoa as chamadas antífonas maiores, com as quais se prepara de forma imediata para o Nascimento do Senhor. A primeira é esta: Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais com firmeza e suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação [17]. É uma premente invocação ao Verbo Incarnado, cujo nascimento, da Virgem Maria, estamos quase a comemorar. Porque a Sabedoria que nasce em Belém é a Sabedoria de Deus (…), ou seja, um desígnio divino que permaneceu escondido durante muito tempo e que o próprio Deus revelou na História da salvação. Na plenitude dos tempos, esta Sabedoria adquiriu um rosto humano, o rosto de Jesus [18].

Preparemo-nos com fé para esta grande festa que é a festa da alegria por excelência. Vivamo-la com toda a humanidade. Vivamo-la com todos os fiéis da Obra. Acorramos a este encontro com a firme decisão de contemplar a infinita grandeza e a humildade de Jesus Cristo, que assumiu a nossa natureza – outra manifestação de como nos ama – e não nos cansemos de olhar para Maria e José, admiráveis mestres de oração, de amor a Deus.

A Palavra que se faz carne é o Verbo eterno de Deus, que ganhou para nós a condição de sermos n’Ele filhos de Deus: vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e somo-lo, de facto! [19] E S. Josemaria comenta: Filhos de Deus, irmãos do Verbo feito carne, d’Aquele de Quem foi dito: n’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens! (Jo 1, 4) Filhos da Luz, irmãos da Luz isso é o que nós somos! Portadores da única chama capaz de iluminar os corações feitos de carne! [20] Desejo que não faltemos a este encontro da celebração da chegada de Deus à Terra: nestes dias, obser­vemos como é o nosso esforço por melhorar o estar com Jesus, o viver com Jesus, o ser de Jesus.

[17]. Liturgia das Horas, Vésperas do dia 17 de dezembro, Antífona ad Magnificat.

[18]. Bento XVI, Homilia nas Vésperas de 17-XII-2009.
[19]. 1 Jo 3, 1.
[20]. S. Josemaria, Cristo que passa, n. 66.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de dezembro de 2012)