Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Henrique V há 604 anos no dia de São Crispim que hoje se celebra

Se estamos destinados a morrer, somos suficientes para o luto do nosso país. E se vivermos, quanto menos formos, maior a honra. Por amor de Deus, não desejo nem mais um homem! Aquele que não tiver estômago para esta luta pode partir. O seu passaporte será feito e moedas para a viagem colocadas no seu bolso. Nós não morreremos na companhia daquele que receie morrer connosco.
Hoje, é dia de São Crispim. E aquele que sobreviver a este dia e regressar a casa levantar-se-á sempre que este dia for chamado. Ele, que sobreviva a este dia e chegue à velhice, irá anualmente cear com os seus vizinhos e dizer-lhes: amanhã é dia de São Crispim. E arregaçando as mangas, mostrará as cicatrizes e dirá: estas são as minhas feridas de São Crispim.
Os homens velhos esquecem que tudo será esquecido, mas ele lembrar-se-á de tudo o que fez neste dia: os nossos nomes, familiares à sua boca como lemas de uma casa, relembrados por cada taça fresca e brindada.
Esta é a história que um homem bom ensinará ao seu filho.
O dia de São Crispim irá de hoje até ao fim do mundo, mas nós, nele, seremos lembrados. Nós poucos, nós felizmente poucos. Nós irmãos de armas. Porque aquele que derramar o seu sangue comigo será meu irmão, podendo ser tão cruel que este dia apaziguará a sua condição.
Os senhores em Inglaterra, agora a dormir, pensar-se-ão depois amaldiçoados por não estarem aqui. E tomarão a sua coragem como pouca cada vez que ouvirem alguém dizer-lhes: eu estive lá com eles, no dia de São Crispim.
William Shakespeare traduzido por Sebastião Bugalho

Ele ouve-nos e responde

"Et in meditatione mea exardescit ignis": e na minha meditação ateia-se o fogo. – Para isso mesmo é que fazes oração: para te tornares uma fogueira, lume vivo, que dê calor e luz. Por isso, quando não souberes ir mais longe, quando sentires que te apagas, se não podes lançar ao fogo troncos olorosos, lança os ramos e a folhagem de pequenas orações vocais, de jaculatórias, que continuem a alimentar a fogueira. – E terás aproveitado o tempo. (Caminho, 92)

Quando efectivamente se quer desafogar o coração, se somos francos e simples, procuramos o conselho de pessoas que nos amam, que nos entendem, isto é, fala-se com o pai, com a mãe, com a mulher, com o marido, com o irmão, com o amigo. Isto já é diálogo, ainda que, frequentemente, não se deseje tanto ouvir como desabafar, contar o que nos acontece. Comecemos por nos comportar assim com Deus, certos de que Ele nos ouve e nos responde; e escutá-lo-emos e abriremos a nossa consciência a uma conversa humilde, para lhe referir confiadamente tudo o que palpita na nossa cabeça e no nosso coração: alegrias, tristezas, esperanças, dissabores, êxitos, fracassos e até os pormenores mais pequenos da nossa jornada, porque já então teremos comprovado que tudo o que é nosso interessa ao nosso Pai Celestial.

Desta maneira, quase sem darmos por isso, avançaremos com passos divinos, fortes e vigorosos, saboreando a íntima convicção de que junto do Senhor também são agradáveis a dor, a abnegação, os sofrimentos. Que fortaleza, para um filho de Deus, saber-se tão perto de seu Pai! Por esta razão, aconteça o que acontecer, estou firme e seguro contigo, meu Senhor e meu Pai, que és a rocha e a fortaleza. (Amigos de Deus, 245–246)

São Josemaría Escrivá

«Os falsos deuses»

Na primeira sessão do Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, a 11 de Outubro de 2010, o Santo Padre (Bento XVI) referiu-se ao vasto drama religioso da História, que consiste na sucessiva e incessante queda dos «falsos deuses», isto é, das potências terrenas que vão surgindo e caindo em luta com o verdadeiro Deus; falsos deuses que identificou hoje com os capitais anónimos, as ideologias terroristas, a droga e a vida (des)orientada pela mera opinião pública.

São deuses transitórios certamente, mas que envenenam o mundo enquanto duram, dando lugar a outros e a outros, sem parar, com o que se há-de contar até ao fim dos séculos. As ideologias materialistas e ateias que cobriram o mundo de sangue, e a cuja queda já assistimos, são o mais recente exemplo desta realidade. Aliás, como Chesterton afirmava em 1927 a propósito do comunismo, instalado dez anos antes na Rússia, não há maior certeza do fracasso de uma utopia do que pondo-a em prática. Para ele, o grande perigo seguinte seria o da sobreprodução e do consumismo, que deixaria o homem cego e surdo para os valores maiores da vida. E assim aconteceu.

Mas eis que a sobreprodução cambaleia e cai estrepitosamente diante dos nossos olhos. Porque preferimos as coisas ao homem, aos homens, à vida humana. A pirâmide populacional engrossou, desequilibrou-se, e a economia perdeu todo o seu élan.

De facto, os nossos modelos económicos baseiam-se no crescimento de população, na previsão de desenvolvimento geracional e crescentes necessidades humanas; e eis que se fecham as escolas e se multiplicam os asilos… O presente é desastroso quando se perde o futuro. Sentimo-lo agora na pele. O próprio deus do capital vai perdendo força, pois não tem onde aplicar-se. «Vagueia por lugares áridos», como diz Cristo do demónio, «em busca de repouso, e não o encontra»... Correrá para os outros deuses, do terrorismo, da droga, da exploração mediática? O provável é que se deixe arrastar, mais do que governar o mundo.

O Santo Padre (hoje emérito) não queria ser pessimista; queria avisar-nos simplesmente de que esta fuga de Deus é perene; e de que o cristão sabe por onde deve caminhar, sem sustos nem desfalecimento.

Pe. Hugo de Azevedo (artigo escrito em 2010)

Santo António de Sant'Ana Galvão, religioso brasileiro

Nascido em Guaratinguetá, em 1739, de uma família de muitas posses, descendia dos primeiros povoadores da Capitania e corria em suas veias sangue de bandeirantes. Foi ele próprio chamado "Bandeirante de Cristo", porque tinha na alma a grandeza, o arrojo e fortaleza de um verdadeiro bandeirante. Renunciou a uma brilhante situação no mundo e ingressou na Ordem franciscana. Fundou, em 1774, juntamente com Madre Helena Maria do Espírito Santo, o Mosteiro concepcionista de Nossa Senhora da Luz, na cidade de São Paulo. Não somente formou e conduziu nas vias da espiritualidade franciscana e concepcionista as religiosas desse mosteiro, mas também o edificou materialmente, ao longo de quase 50 anos de esforços contínuos. Foi o arquitecto, o engenheiro, o mestre de obras e muitas vezes o operário da sua edificação, que somente se tornou possível porque ele incansavelmente pedia, ao povo fiel, esmolas para a magnífica construção. Entregou sua alma a Deus em 1822 e foi beatificado em 1998. Até hoje sua sepultura, na capela do mosteiro, é visitada por multidões que acorrem a pedir-lhe graças e milagres, e também à procura das famosas e prodigiosas "pílulas de Frei Galvão".

A origem dessas pílulas é contada num folheto distribuído no próprio mosteiro: "Certo dia, Frei Galvão foi procurado por um senhor muito aflito, porque sua mulher estava em trabalho de parto e em perigo de perder a vida. Frei Galvão escreveu em três papelinhos o versículo do Ofício da Santíssima Virgem: «Post partum Virgo Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis» (Depois do parto, ó Virgem, permanecestes intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós)». Deu-os ao homem, que por sua vez os levou à esposa. Apenas a mulher ingeriu os papelinhos, que Frei Galvão enrolara como uma pílula, a criança nasceu normalmente. Caso idêntico deu-se com um jovem que se torcia com dores provocadas por cálculos na vesícula. Frei Galvão fez outras pílulas semelhantes e deu-as ao moço. Após ingerir os papelinhos, o jovem expeliu os cálculos e ficou curado. Esta foi a origem dos milagrosos papelinhos, que, desde então, foram muito procurados pelos devotos de Frei Galvão, e até hoje o Mosteiro fornece para as pessoas que têm fé na intercessão do Servo de Deus".

Canonizado por Bento XVI no dia 11 de Maio de 2007.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 25 de outubro de 2019

Dizia também às multidões: «Quando vós vedes uma nuvem levantar-se no poente, logo dizeis: Aí vem chuva; e assim sucede. E quando sentis soprar o vento do sul, dizeis: Haverá calor; e assim sucede. Hipócritas, sabeis distinguir os aspectos da terra e do céu; como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente? E porque não discernis também por vós mesmos o que é justo? Quando, pois, fores com o teu adversário ao magistrado, faz o possível por fazer as pazes com ele pelo caminho, para que não suceda que te leve ao juiz, e o juiz te entregue ao guarda, e o guarda te meta na cadeia. Digo-te que não sairás de lá, enquanto não pagares até o último centavo».

Lc 12, 54-59