Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Quarta-feira Santa: “Amor com amor se paga”

Queres saber como agradecer ao Senhor o que fez por nós?... Com amor! Não há outro caminho. Amor com amor se paga. Mas a certeza do carinho é dada pelo sacrifício. Portanto, ânimo: nega-te e toma a Sua Cruz. Então terás a certeza de Lhe devolver amor por Amor. (Via Sacra, 5ª estação, n. 1)

Não é tarde nem tudo está perdido... Ainda que te pareça. Ainda que o repitam mil vozes agoirentas. Ainda que te assediem olhares de troça e incredulidade... Chegaste numa boa altura para carregar com a Cruz: a Redenção está a fazer-se - agora! -, e Jesus tem necessidade de muitos cireneus. (Via Sacra, 5ª estação, n. 2)

Para ver feliz a pessoa que ama, um coração nobre não vacila ante o sacrifício. Para aliviar um rosto doente, uma alma grande vence a repugnância e dá-se sem reticências... E Deus merece menos que um bocado de carne, que um punhado de barro?
Aprende a mortificar os teus caprichos. Aceita a contrariedade sem exageros, sem espaventos, sem... histerismos. E tornarás mais leve a Cruz de Jesus. (Via Sacra, 5ª estação, n. 3)

Como amar deveras a Cruz Santa de Jesus?... Deseja-a!... Pede forças ao Senhor para implantá-la em todos os corações e de uma ponta a outra deste mundo! E depois... desagrava-O com alegria; procura amá-Lo, também com o bater de todos os corações que ainda O não amam. (Via Sacra, 5ª estação, n. 5)

São Josemaria Escrivá

Páscoa: a oração ao Pai na dificuldade

Locutor: Como preparação para o início do Tríduo Pascal, reflitamos hoje sobre as palavras que Jesus dirigiu ao Pai durante a sua Paixão. Terminada a Última Ceia, Jesus pediu ao Pai que o glorificasse. A glória, na Bíblia, se refere à ação reveladora de Deus. Jesus é Aquele que revela de modo definitivo a presença de Deus através da sua morte na Cruz. Para quem julgasse que a glória era poder e fama, Jesus mostra que a verdadeira glória é amor: uma entrega generosa e incondicional ao outro. Já no Jardim do Getsêmani, tomado de uma profunda angústia, Jesus se dirige ao Pai, com o termo carinhoso Abbá, ensinando-nos a encontrar consolo e força junto do Pai e não cair na tentação da solidão e do isolamento. Por fim, pregado na Cruz, no momento da dor mais aguda, Jesus exclama, intercedendo por nós: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»: o sofrimento, vivido com amor, se converte em perdão. Desse modo, somos convidados a viver dando sempre glória a Deus, ou seja, com amor e perdão.


Santo Padre:
Saluto i pellegrini di lingua portoghese, in particolare i fedeli della parrocchia di Cristo Rei di Porto e i diversi gruppi di brasiliani: lasciatevi illuminare e trasformare dalla forza della Risurrezione di Cristo, affinché le vostre esistenze diventino una testimonianza dell’amore che sconfigge il peccato e la morte. Un Santo Triduo Pasquale a tutti!

Locutor: Uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis da paróquia Cristo Rei no Porto e os diversos grupos de brasileiros: Deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, para que as vossas existências tornem um testemunho da vida que é mais forte do que o pecado e a morte. Um Santo Tríduo Pascal para todos!

“A fé é o acto fundamental da existência cristã”

«Nem todas as religiões são "fé". O budismo, por exemplo, na sua forma clássica, não visa este acto de auto-transcendência  de encontro com o Totalmente Outro, Deus que me fala e me convida ao amor. Característico para o budismo é, pelo contrário, um acto de radical interiorização, não sair de si (ex-ire) mas descer até ao interior, o que deve conduzir à libertação do jugo da individualidade, do peso de ser pessoa, ao retorno à identidade comum a todo o ser. E isto, em confronto com a nossa experiência existencial, pode ser definido como não-ser, como nada, se quisermos exprimir toda a sua alteridade.»

(Joseph Ratzinger - Olhar para Cristo)

«É São Paulo quem to diz, alma de apóstolo: "Justus ex fide vivit" - O justo vive da fé.- Que fazes tu, que deixas apagar esse fogo?»

(S. Josemaría Escrivá de Balaguer - Caminho 578)

«Ensinar alguém, para o trazer à fé, [...] é dever de todo o pregador e, mesmo, de todo o crente»

(S. Tomás de Aquino - Summa theologiae, 3 q. 71, a. 4, ad 3)

Elemento fundamental, tão ou mais importante que o pão para a boca, “O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4, 4).

Quando rezamos o Pai Nosso e dizemos "o pão nosso de cada dia nos dai hoje", incluamos como parte desse pão, a fé que já temos dentro de nós, para que a sentíamos aumentada a cada dia que passa, diria mesmo, a cada micro segundo da nossa vida.

JPR

As duas irmãs que ralhavam com Deus

Cristo num banquete em casa de Maria, Marta e Lázaro, Georg Friedrich Stettner († 1639)
Amanhã (segunda-feira depois do Domingo de Ramos 10.04.2017), vai ler-se em todas as Missas da Igreja católica um episódio passado com uma família que ralhava com Deus. Poucas pessoas se podem gabar de um currículo tão escandaloso, realmente insólito. Nem sequer os discípulos se atreviam a ralhar com Jesus.

No máximo, Pedro tentou ser simpático animando Jesus, privadamente: «Deus não permita, Senhor, que isso aconteça!», por Jesus lhes anunciar que ia ser morto em breve. Graças a essa intervenção bem-intencionada, Pedro recebeu uma descompostura monumental, que deixou todos os discípulos aterrados.

Detalhe 'Madona delle ombre' de Fra Angelico 1440-1450
O outro caso-limite tinha acontecido muitos anos antes, quando Jesus era ainda muito novo e esteve vários dias perdido. Nossa Senhora e S. José O encontram-No finalmente no Templo, com os doutores, e Maria queixa-se: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». O susto tinha sido tão grande...

De resto, as pessoas que protestaram contra Jesus foram os seus opositores. Coitados!

Entre os fiéis, apenas duas mulheres se atreveram a ralhar com Mestre. Eram irmãs, chamavam-se Marta e Maria, naturais de Betânia, a poucos quilómetros de Jerusalém, onde viviam com o seu irmão Lázaro. Naquela família, de enorme generosidade, habituada a ter a casa invadida de amigos, ficavam Jesus e os discípulos quando estavam em Jerusalém.

Segundo os Evangelhos, a primeira a ralhar com Jesus foi Marta: «Então, não Te importas que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que me venha ajudar!». Às duas irmãs, Jesus admitia tudo!

Noutra ocasião, quando Lázaro estava muito doente, mandaram-No chamar, mas o Mestre demorou alguns dias. Finalmente, quando chegou, Marta disparou imediatamente: «Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!»; daí a instantes vai chamar a irmã e a primeira coisa que ela faz é queixar-se do atraso: «Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!». Chora Jesus com as duas irmãs e comenta o povo «vede como Ele era amigo de [Lázaro]». Efectivamente, Jesus tinha uma amizade especialíssima com os três irmãos.

Amanhã, segunda-feira, nas Missas que se vão celebrar em todo o mundo, vai ler-se outro relato muito especial. Jesus tinha ressuscitado Lázaro há poucos dias, e os três organizaram um jantar para agradecer e tomar posição publicamente. É que, depois de Jesus ressuscitar Lázaro perante uma multidão numerosa – vários dias depois da morte, quando o corpo já cheirava mal –, os líderes judaicos decidiram matar Jesus. O banquete foi de tal ordem que, no fim, as autoridades judaicas decidiram matar também Lázaro. Não se sabe se os três irmãos tiveram medo, mas sabe-se que organizaram um jantar em grande e convidaram uma multidão a festejar com eles. A certa altura, Maria foi buscar um frasco enorme de perfume, de nardo puro, e entornou-o todo aos pés de Jesus. O perfume era caríssimo. E toda a casa se encheu com o perfume daquele bálsamo. A seguir, enxugou com os cabelos os pés de Jesus. Aquilo já não era uma festa, era uma adoração, a entrega mais plena, à frente de todos.

Levantou-se Judas Iscariotes para ralhar com aquela mulher: «Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários, para dar aos pobres?!».

Jesus, que deixava Marta e Maria protestarem quando quisessem, não admitiu o comentário de Judas e contou em público o que provavelmente só Ele e os três irmãos sabiam: «...ela tinha guardado o perfume para o dia da minha sepultura».

Maria não tinha sabido esperar, para prestar a Jesus aquela homenagem? Pelo contrário! Jesus explicou que vinha mesmo na altura certa: «Pobres, sempre os tereis convosco, mas a Mim, nem sempre Me tereis». Naquele momento, nem todos perceberam.

É o que se vai celebrar, dia a dia, ao longo desta semana: a condenação e a morte de Jesus. Que ressuscitou ao terceiro dia, sem dar tempo para O ungirem.
José Maria C.S. André
09-IV-2017
Spe Deus

Evangelho do dia 17 de abril de 2019

Então um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, e disse-lhes: «Que me quereis dar e eu vo-l'O entregarei?». Eles prometeram-lhe trinta moedas de prata. E desde então buscava oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos ázimos, aproximaram-se de Jesus os discípulos, dizendo: «Onde queres que Te preparemos o que é necessário para comer a Páscoa?». Jesus disse-lhes: «Ide à cidade, a casa de um tal, e dizei-lhe: “O Mestre manda dizer: O Meu tempo está próximo, quero celebrar a Páscoa em tua casa com os Meus discípulos”». Os discípulos fizeram como Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. Ao entardecer, pôs-se Jesus à mesa com os doze. Enquanto comiam, disse-lhes: «Em verdade vos digo que um de vós Me há-de trair». Eles, muito tristes, cada um começou a dizer: «Porventura sou eu, Senhor?» Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse é que Me há-de trair. O Filho do Homem vai certamente, como está escrito d'Ele, mas ai daquele homem por quem será entregue o Filho do Homem! Melhor fora a tal homem não ter nascido». Judas, o traidor, tomou a palavra e disse: «Porventura, sou eu, Mestre?». Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste». 

Mt 26, 14-25