Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

domingo, 14 de abril de 2019

Amar a Cristo...

Ó meu Jesus, ajuda-nos a viver de coração contrito, mas apaixonado e alegre a Semana Maior que amanhã se inicia. Contrito como sinal de total entrega e humildade, apaixonado, porque a Ti, pelo Pai e pelo Espírito Santo, que sois um só Deus, tudo devemos e alegre, porque que a Tua Ressurreição é a nossa Salvação e a nossa Esperança no mundo que há-de vir.

A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor!

JPR

Senhor, socorre-me

Sinais inequívocos da verdadeira Cruz de Cristo: a serenidade, um profundo sentimento de paz, um amor disposto a qualquer sacrifício, uma eficácia grande, que dimana do próprio Lado de Jesus, e sempre – de modo evidente – a alegria: uma alegria que procede de saber que, quem se entrega de verdade, está junto da Cruz e, por conseguinte, junto de Nosso Senhor. (Forja, 772)

Aconselharei a quem quiser aprender com a experiência de um pobre sacerdote que não pretende falar senão de Deus, que, quando a carne tentar recobrar os seus foros perdidos, ou a soberba – que é pior – se revoltar e se encabritar, correr a abrigar-se nessas divinas fendas abertas no Corpo de Cristo pelos cravos que O seguraram à Cruz e pela lança que atravessou o Seu peito. Vamos como nos comover mais; derramemos nas Chagas de Nosso Senhor todo esse amor humano... e esse amor divino. Que isto é desejar a união, sentir-se irmão de Cristo, ser seu consanguíneo, filho da mesma Mãe, porque foi Ela que nos levou até Jesus.

Afã de adoração, ânsias de desagravo com sossegada suavidade e com sofrimento. Far-se-á vida na nossa vida a afirmação de Jesus: aquele que não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. E Nosso Senhor manifesta-se-nos cada vez mais exigente, pede-nos reparação e penitência, até nos fazer experimentar o fervoroso desejo de querer viver para Deus, pregado na cruz juntamente com Cristo. Mas guardamos este tesouro em vasos de barro frágil e quebradiço, para que se reconheça que a grandeza do poder que se vê em nós é de Deus e não nossa.

Vemo-nos acossados por toda a espécie de atribulações e nem por isso perdemos o ânimo; encontramo-nos em grandes apuros, mas não desesperados, ou sem recursos; somos perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não inteiramente perdidos: trazemos sempre no nosso corpo por toda a parte a mortificação de Jesus.

Parece-nos, além disso, que Nosso Senhor não nos escuta, que andamos enganados, que só se ouve o monólogo da nossa voz. Encontramo-nos como se não tivéssemos apoio na terra e fossemos abandonados pelo Céu. No entanto, é verdadeiro e prático o nosso horror ao pecado, mesmo ao pecado venial. Com a obstinação da Cananeia, prostramo-nos rendidamente como ela, que O adorou, implorando: Senhor, socorre-me. E desaparece a obscuridade, superada pela luz do Amor. (Amigos de Deus, 303–304)

São Josemaría Escrivá

Homilia na Celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

As aclamações da entrada em Jerusalém e a humilhação de Jesus. Os gritos festosos e o encarniçamento feroz. Anualmente, este duplo mistério acompanha a entrada na Semana Santa com os dois momentos caraterísticos desta celebração: ao início, a procissão com os ramos de palmeira e de oliveira e, depois, a leitura solene da narração da Paixão.

Deixemo-nos envolver nesta ação animada pelo Espírito Santo, para obtermos o que se pede na oração: acompanhar com fé o caminho do nosso Salvador e ter sempre presente o grande ensinamento da sua Paixão como modelo de vida e de vitória contra o espírito do mal.

Jesus mostra-nos como enfrentar os momentos difíceis e as tentações mais insidiosas, guardando no coração uma paz que não é isolamento, não é ficar impassível nem fazer o super-homem, mas confiante abandono ao Pai e à sua vontade de salvação, de vida, de misericórdia; e Jesus, em toda a sua missão, viu-Se assaltado pela tentação de «fazer a sua obra», escolhendo Ele o modo e desligando-Se da obediência ao Pai. Desde o início, na luta dos quarenta dias no deserto, até ao fim, na Paixão, Jesus repele esta tentação com uma obediente confiança no Pai.

E hoje, na sua entrada em Jerusalém, também nos mostra o caminho. Pois, neste acontecimento, o maligno, o príncipe deste mundo, tinha uma carta para jogar: a carta do triunfalismo, e o Senhor respondeu permanecendo fiel ao seu caminho, o caminho da humildade.

O triunfalismo procura tornar a meta mais próxima por meio de atalhos, falsos comprometimentos. Aposta na subida para o carro do vencedor. O triunfalismo vive de gestos e palavras, que não passaram pelo cadinho da cruz; alimenta-se da comparação com os outros, julgando-os sempre piores, defeituosos, falhados... Uma forma subtil de triunfalismo é a mundanidade espiritual, que é o maior perigo, a mais pérfida tentação que ameaça a Igreja (Henri de Lubac). Jesus destruiu o triunfalismo com a sua Paixão.

Verdadeiramente o Senhor aceitou e alegrou-Se com a iniciativa do povo, com os jovens que gritavam o seu nome, aclamando-O Rei e Messias. O seu coração rejubilava ao ver o entusiasmo e a festa dos pobres de Israel, de tal maneira que, aos fariseus que Lhe pediam para censurar os discípulos pelas suas escandalosas aclamações, Jesus respondeu: «Se eles se calarem, gritarão as pedras» (Lc 19, 40). Humildade não significa negar a realidade, e Jesus é realmente o Messias, o Rei.

Mas, ao mesmo tempo o coração de Cristo encontra-se noutro caminho, no caminho santo que só Ele e o Pai conhecem: aquele que vai da «condição divina» à «condição de servo», o caminho da humilhação na obediência «até à morte e morte de cruz» (Flp 2, 6-8). Ele sabe que, para chegar ao verdadeiro triunfo, deve dar espaço a Deus; e, para dar espaço a Deus, só há um modo: odespojamento, o esvaziamento de si mesmo. Calar, rezar, humilhar-se. Com a cruz, não se pode negociar: abraça-se ou recusa-se. E, com a sua humilhação, Jesus quis abrir-nos o caminho da fé e preceder-nos nele.

Atrás d’Ele, a primeira que o percorreu foi a sua Mãe, Maria, a primeira discípula. A Virgem e os santos tiveram que padecer para caminhar na fé e na vontade de Deus. No meio dos acontecimentos duros e dolorosos da vida, responder com a fé custa «um particular aperto do coração» (cf. São João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 17). É a noite da fé. Mas, só desta noite é que desponta a aurora da ressurreição. Ao pé da cruz, Maria repensou nas palavras com que o Anjo Lhe anunciara o seu Filho: «Será grande (…). O Senhor Deus vai dar-Lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim» (Lc 1, 32-33). No Gólgota, Maria depara-Se com o desmentido total daquela promessa: o seu Filho agoniza numa cruz como um malfeitor. Deste modo o triunfalismo, destruído pela humilhação de Jesus, foi igualmente destruído no coração da Mãe; ambos souberam calar.

Precedidos por Maria, incontáveis santos e santos seguiram a Jesus pelo caminho da humildade e da obediência. Hoje, Dia Mundial da Juventude, quero lembrar os inúmeros santos e santas jovens, especialmente os de «ao pé da porta», que só Deus conhece e que às vezes gosta de no-los revelar de surpresa. Queridos jovens, não vos envergonheis de manifestar o vosso entusiasmo por Jesus, gritar que Ele vive, que é a vossa vida. Mas, ao mesmo tempo não tenhais medo de O seguir pelo caminho da cruz. E, quando sentirdes que vos pede para renunciardes a vós mesmos, para vos despojardes das próprias seguranças confiando-vos completamente ao Pai que está nos céus, então alegrai-vos e exultai! Encontrais-vos no caminho do Reino de Deus.

Aclamações festosas e encarniçamento feroz; é impressionante o silêncio de Jesus na sua Paixão. Vence inclusivamente a tentação de responder, de ser «mediático». Nos momentos de escuridão e grande tribulação, é preciso ficar calado, ter a coragem de calar, contanto que seja um calar manso e não rancoroso. A mansidão do silêncio far-nos-á aparecer ainda mais frágeis, mais humilhados, e então o demónio ganha coragem e sai a descoberto. Será necessário resistir-lhe em silêncio, «conservando a posição», mas com a mesma atitude de Jesus. Ele sabe que a guerra é entre Deus e o príncipe deste mundo, e não se trata de empunhar a espada, mas de permanecer calmo, firme na fé. É a hora de Deus. E, na hora em que Deus entra na batalha, é preciso deixá-Lo agir. O nosso lugar seguro será sob o manto da Santa Mãe de Deus. E enquanto esperamos que o Senhor venha e acalme a tempestade (cf. Mc4, 37-41), com o nosso testemunho silencioso e orante, demos a nós mesmos e aos outros a «razão da esperança que está em [nós]» (1 Ped 3, 15). Isto ajudar-nos-á a viver numa santa tensão entre a memória das promessas, a realidade do encarniçamento palpável na cruz e a esperança da ressurreição.

Meditações de D. Javier Echevarría sobre a Semana Santa

Meditações do então Prelado do Opus Dei em 2013

Domingo de Ramos: "Bendito seja o Rei"

Com obras de serviço, podemos preparar a Nosso Senhor um triunfo maior que o da sua entrada em Jerusalém... Porque não se repetirão as cenas de Judas, nem a do Jardim das Oliveiras, nem aquela noite cerrada... Conseguiremos que o mundo arda nas chamas do fogo que veio trazer à terra!... E a luz da verdade - o nosso Jesus - iluminará as inteligências num dia sem fim (Forja, 947).

Lemos no dia de hoje estas palavras de profunda alegria: os filhos dos hebreus, levando ramos de oliveira, saíram ao encontro do Senhor, aclamando e dizendo: glória nas alturas (Antífona na distribuição dos ramos).

A aclamação a Jesus Cristo une-se, na nossa alma, com aquela que saudou o seu nascimento em Belém. E, à sua passagem, conta-nos S. Lucas, as multidões estendiam os seus mantos no caminho. E, quando já ia chegando à descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos seus discípulos começou alegremente a louvar a Deus em altas vozes por todas as maravilhas que tinham visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas (Lc 19, 36-38). (...)

Neste Domingo de Ramos, quando Nosso Senhor começa a semana decisiva para a nossa salvação, deixemo-nos de considerações superficiais e vamos ao que é central, ao que verdadeiramente é importante. Pensai no seguinte: aquilo que devemos pretender é ir para o Céu. Se não, nada vale a pena. Para ir para o Céu é indispensável a fidelidade à doutrina de Cristo. Para ser fiel é indispensável porfiar com constância no nosso combate contra os obstáculos que se opõem à nossa eterna felicidade. (...)

O cristão pode viver com a segurança de que, se quiser lutar, Deus o acolherá na sua mão direita, como se lê na Missa desta festa. Jesus, que entra em Jerusalém montado num pobre burrico, Rei da paz, é quem diz: o, reino dos céus alcança-se com violência, e os violentos arrebatam-no (Mt 11, 12). Essa força não se manifesta na violência contra os outros; é fortaleza para combater as próprias debilidades e misérias, valentia para não mascarar as nossas infidelidades, audácia para confessar a fé, mesmo quando o ambiente é contrário (Cristo que passa, 73-82).

São Josemaria Escrivá

Bom Domingo do Senhor!

Que no início da Semana Santa também conhecida como Semana Maior meditemos profundamente na Paixão e Morte do Senhor como nos narra o Santo Evangelho de hoje (Lc 22,14-71.23,1-56) para através delas chegarmos à Sua Gloriosa Ressurreição.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor que cumprindo a vontade do Pai se entregou à Morte para nos Salvar

«Bendito Aquele que vem, o nosso Rei»

Proclo de Constantinopla (c. 390-446), bispo
Sermão 9, para o Dia de Ramos; PG 65, 772 (a patir da trad. Brésard, 2000 anos, ano C, p. 108)

O dia de hoje, meus bem-amados, é da maior importância. É um dia que nos solicita um grande desejo, uma pressa imensa, um alento vivo, para nos conduzir ao encontro do Rei dos Céus. Paulo, o mensageiro da Boa Nova, dizia-nos: «O Senhor está perto. Não vos inquieteis» (Fil 4, 5-6). [...]

Acendamos, pois, as lamparinas da fé; à semelhança das cinco virgens sensatas (Mt 25, 1ss.), enchamo-las do óleo da misericórdia para com os pobres; acolhamos a Cristo bem despertos, e cantemos-Lhe com as palmas da justiça na mão. Beijemo-Lo, derramando sobre Ele o perfume de Maria (Jo 12, 3). Oiçamos o cântico da ressurreição: que as nossas vozes se elevem, dignas da majestade divina, e brademos com o povo, soltando esse grito que se escapa das bocas da multidão: «Hossana nas alturas! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel». É razoável chamar-Lhe «Aquele que vem», porque Ele vem sem cessar, porque Ele nunca nos falta: «O Senhor está próximo de quantos O invocam em verdade» (Sl 144, 18). «Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor».

O Rei manso e pacífico está à nossa porta. Aquele que tem o trono nos céus, acima dos querubins, senta-Se, cá em baixo, sobre uma burrinha. Preparemos a casa da nossa alma, limpemos as teias de aranha que são os mal-entendidos fraternos, que não haja em nós a poeira da maledicência. Difundamos às mãos-cheias a água do amor, e apaziguemos todas as feridas criadas pela animosidade; semeemos o vestíbulo dos nossos lábios com as flores da piedade. E soltemos então, na companhia do povo, esse grito que brota dos lábios da multidão: «Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel».

Aquela Páscoa judia, tão diferente...

Durante a Semana Santa, que começa hoje, a liturgia católica leva-nos a viver uma Páscoa judaica surpreendente. Recordo a perplexidade de Scott Hahn, hoje um grande biblista católico, no tempo em que ele ainda era protestante. Um dia, ao fio dos Evangelhos, o pregador da sua comunidade protestante foi seguindo os passos da Última Ceia, conforme o cânone habitual da Páscoa judaica. Até dada altura, tudo decorria da forma habitual, ainda que num clima de extraordinária intensidade.

A minúcia dos preparativos, da sala e da celebração, anunciava algo especial e Cristo começou por alertar os discípulos para a importância do momento: «Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer».

A celebração judaica começa com as abluções rituais. O mais novo da família leva uma jarra e uma bandeja, deitando a água da purificação sobre as pontas dos dedos de cada um. Neste caso, não foi o menos importante – foi o próprio Cristo! – Quem fez a ablução. E não derramou água sobre os dedos: pôs uma toalha à cintura e lavou os pés a cada um dos discípulos. Pedro recusa uma coisa dessas! Depois, é tal a insistência de Cristo, que aceita...

Seguiram-se os salmos do costume e vários cálices rituais, em acção de graças, como símbolo da Aliança do Povo com Deus, etc., até que Cristo altera o sentido de tudo ao estabelecer uma Aliança nova: «Este cálice é a nova Aliança no meu Sangue, derramado por vós». Neste momento, Cristo coloca-Se a Si próprio como novo centro da acção litúrgica: «todas as vezes que o beberdes, fazei isto em memória de Mim».

Scott Hahn
Há outros elementos revolucionários naquela celebração pascal, mas o que mais surpreendeu Scott Hahn e a sua congregação protestante foi que, imediatamente antes do momento culminante, que seria o cálice da Consumação, Cristo interrompe a cerimónia. Não só interrompe, como o declara solenemente, como se fizesse de propósito: «não tornarei a beber o fruto da videira, até àquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus». Levantaram-se, pois, e saíram para o Monte das Oliveiras. A comunidade de Scott Hahn não sabia o que pensar. Talvez Jesus estivesse perturbado pela iminência da morte, talvez se tivesse esquecido de concluir a cerimónia da Páscoa...

Hahn decidiu reler os Evangelhos de uma ponta à outra, à procura do cálice que faltava, o cálice da Consumação. A conclusão imediata é que não tinha havido esquecimento, quase se diria que Jesus não pensava noutra coisa. Jesus sai do cenáculo da Última Ceia a falar do cálice que faltava: «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice! Mas não se faça a minha vontade mas a tua». «Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!...». Chegam Judas e os soldados, Pedro pega numa espada e corta a orelha de Malco, um criado do Sumo Sacerdote. Jesus cura milagrosamente o ferido e diz a Pedro «Mete a tua espada na bainha. Eu não havia de beber o cálice que o Pai Me deu?».

Aquele cálice, vinha inclusivamente de muito antes. Ao pedido da mãe de Tiago e João, responde com um desafio misterioso: «Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber, ou ser baptizados no baptismo com que Eu vou ser baptizado?» – qual cálice, tão singular? Qual baptismo, se Jesus já tinha sido baptizado no Jordão?

No final da Paixão, pendurado da Cruz, momentos antes de morrer, ressurge a referência à consumação da Aliança. «Sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse “tenho sede”. Havia ali um vaso de vinagre...» e um dos que estavam ali «correu a tomar uma esponja, ensopou-a, pô-la sobre uma cana e deu-Lhe de beber»... «Deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Tendo-o provado, não quis beber». Não, aquele vinho misturado com fel não era o cálice esperado; aquele «tenho sede» não era a pedir aquele vinho. Imediatamente a seguir, Jesus exclama «Tudo está consumado!» e, inclinando a cabeça, expirou.

De repente, Scott Hahn percebeu que a Última Ceia só terminava no Calvário, no momento em que se estabelece a nova Aliança «no sangue derramado por Cristo». A Última Ceia é uma unidade com todo o oferecimento de Cristo na Paixão. Participar na Missa é participar no Sacrifício de Cristo na Cruz. Como diz S. Paulo aos de Corinto, «porventura o cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?». Cristo é, como diz S. Paulo a seguir, «a vítima imolada no altar». S. Paulo recorda como o próprio Jesus tinha avisado os discípulos, na Última Ceia, de que aquele vinho consagrado apontava para a sua morte no Calvário: «Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha».

Um dia, na universidade protestante em que dava aulas, Scott Hahn apresentou esta sua investigação e ouviu um comentário de um aluno que tinha tido catequese católica em pequeno: «Isso faz todo o sentido, mas recorda-me o catecismo de Baltimore!». Scott nunca tinha ouvido falar de um «catecismo de Baltimore», porque era um livrinho elementar, o primeiro catecismo das crianças católicas da época, e por isso ainda acusou mais o toque. Então, os católicos, esses heréticos, ensinam às crianças que a Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário?! Algo que ele só tinha descoberto ao fim de tanto esforço de investigação?!

Primeiro, Scott ficou furioso, despeitado. Depois, continuou a investigar e fez-se católico.
José Maria C.S. André
25-III-2018
Spe Deus

Viver a Semana Santa

A participação ativa, consciente e cheia de amor, nos ofícios litúrgicos destes dias é-nos oferecida como a melhor maneira de estarmos com Jesus nos Seus densos momentos de angústia e de sofrimento. Assim, a Semana Santa não se reduzirá a uma mera recordação, pois nela se considera o mistério de Jesus Cristo, que se prolonga nas nossas almas [S. Josemaria, Cristo que passa, n. 96].

Sintamo-nos em profunda comunhão com toda a Igreja que, de um lado ao outro da Terra, celebra com amor e recolhimento estes divinos mistérios. Rezemos especialmente pelos que vão receber o Batismo na Vigília Pascal, e por todos os outros, para que, conduzidos pela graça do Espírito Santo, nos aproximemos cada vez mais de Deus nestes dias, com a decisão de seguir Cristo com plenitude de entrega.

Copyright © Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

(D. Javier Echevarría na sua carta de Abril de 2012)

Preparemo-nos desde já para assistir com profunda devoção à Liturgia do Tríduo Pascal

A Semana Santa vai-se aproximando. Procuremos descobrir aplicações pessoais nas cenas que a liturgia nos leva a considerar. Meditemos sobre o Senhor ferido dos pés à cabeça por nosso amor [14], convidava S. Josemaria. Detenhamo-nos sem pressas nos últimos momentos da passagem de Nosso Senhor pela Terra. Porque na tragédia da Paixão, se consuma a nossa própria vida e toda a história humana. A Semana Santa não se pode reduzir a uma mera recordação, pois que nela se considera o mistério de Jesus Cristo, que se prolonga nas nossas almas: o cristão está obrigado a ser alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo. Pelo Batismo, fomos todos constituídos sacerdotes da nossa própria existência, para oferecer vítimas espirituais que sejam agradáveis a Deus, por Jesus Cristo, para realizar cada uma das nossas ações em espírito de obediência à vontade de Deus, perpetuando assim a missão do Deus-Homem [15].

Preparemo-nos desde já para assistir com profunda devoção à Liturgia do Tríduo pascal. Além disso, cada um pode escolher outras formas concretas para aproveitar melhor esses dias. Juntamente com as numerosas manifestações de religiosidade popular existentes, como as procissões, os ritos penitenciais, não esqueçamos que há uma prática piedosa, a da Via-Sacra, que nos oferece durante todo o ano a possibilidade de imprimir cada vez mais profundamente no nosso coração o mistério da Cruz, de ir com Cristo por este caminho e assim nos configurarmos interiormente com Ele [16].

Revivamos com piedade a Via Sacra durante a Quaresma, cada um da maneira que mais o ajudar: o importante é meditar com amor e agradecimento na Paixão do Senhor. Desde a Sua oração em Getsemani, até à morte e sepultura, os Evangelhos oferecem-nos abundante matéria para a oração pessoal. Também nos podem servir as considerações dos santos e de muitos autores espirituais. Ouçamos a sugestão de S. Josemaria: Meu Senhor e meu Deus, sob o olhar amoroso de nossa Mãe, dispomo-nos a acompanhar-Te pelo caminho de dor, que foi o preço do nosso resgate [17]. Atrevemo-nos a dizer: Minha Mãe, Virgem dolorosa, ajuda-me a reviver aquelas horas amargas que o teu Filho quis passar na terra, para que nós, feitos de um punhado de lodo, vivêssemos por fim in libertátem glóriae filiórum Dei, na liberdade e glória dos filhos de Deus [18].

[14]. S. Josemaria, Cristo que passa, n. 95.
[15]. S. Josemaria, Cristo que passa, n. 96.
[16]. Bento XVI, Discurso na Audiência geral, 4-IV-2007.
[17]. S. Josemaria, Via Sacra, Prólogo.
[18]. S. Josemaria, Via Sacra, Prólogo.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de março de 2013)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

DOMINGO DE RAMOS, ONTEM E HOJE

Entras em Jerusalém e recebem-Te como um Rei, porque pensam em Ti como um rei mundano que vem satisfazer as suas reclamações de liberdade política.

Não entendem, como tantos ainda não entendem hoje, (como eu tantas vezes com eles), que a liberdade que nos queres dar não é uma liberdade política e do mundo, mas é antes uma liberdade no/do mundo, vivendo nele e nele caminhando.

Viver no mundo, nele caminhar, nele testemunhar, mas nele pertencer a Ti, que és a única liberdade, porque só Tu amas com verdadeiro Amor.

O amor de quem tudo dá pelos outros, pelos amigos!

E por não entenderem a Tua liberdade, o Teu amor, aqueles que Te recebem como Rei em Jerusalém, vão, passadas escassas horas, perante a Tua entrega, perante a Tua humildade e humilhação, perante a Tua “derrota”, aos seus olhos, gritar de ódio para que Te crucifiquem, para que Te matem, trocando mesmo a Tua Pessoa pela pessoa de um simples bandido.

E nós, tantas vezes agora, Te trocamos também por algo “politicamente correcto”, não lutando contra leis que atacam a vida, que atacam o homem, que atacam e destroem a família. Não são estas atitudes também trocar-Te por Barrabás?

E nós, agora, quantas vezes Te pedimos, (e exigimos), que nos “concedas o mundo”, o mundo que é efémero, e Tu com o Teu infinito amor, “apenas” nos queres conceder a eternidade, a vida verdadeira no/do Teu amor.

E, por isso nos revoltamos, e gritamos também: Que Deus és Tu, que não nos concedes o que Te pedimos?

E Tu, cheio da Tua divina paciência, vais repetindo sem cessar: Perdoa-lhes Pai, que não sabem o que pedem, que não sabem o que dizem, que não sabem o que fazem!

Oh Senhor, quantas vezes na minha vida, com as minhas atitudes, com os meus gestos, com os meus pensamentos, eu gritei também com outros a ouvirem: Crucifica-O, crucifica-O!

Oh Senhor, mas por Tua graça, ouço sempre a Tua voz que pede ao Pai por mim, vejo o Teu Corpo que se entrega por mim, sinto a Tua vida que se dá inteiramente por mim, e por Tua graça, sempre, sempre, acredito na Tua misericórdia, que é a misericórdia do Pai e do Espírito Santo, que contigo, unidos num só, me dizem ao coração: Arrepende-te, converte-te, acredita no Evangelho e serás salvo!

Obrigado Senhor!
Seja eu a Jerusalém do fim da Tua “viagem”, que se faz Calvário para Te receber, e se faz alegria perene na Tua Ressurreição!

Amen, Senhor, amen para sempre pelos séculos sem fim!

Marinha Grande, 23 de Março de 2013

Joaquim Mexia Alves AQUI

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

A liturgia deste último domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se servo dos homens, deixou-se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.

O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)