Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A ideologia de género

As referências, muito duras, do Papa Francisco à ideologia de género e o recente discurso, igualmente forte, do representante do Vaticano nas Nações Unidas (9 de Março passado) chamaram a atenção dos comentadores. Desafio quem achar estas declarações exageradas, a rir durante 4 minutos e 13 segundos, com um vídeo que saiu há poucos dias: www.youtube.com/watch?v=xfO1veFs6Ho ou www.youtube.com/watch?v=4XMi_Ins_dQ (com legendas em português).



Joseph Backholm, um jovem norte-americano andou, de microfone em punho, a fazer um inquérito a estudantes da Universidade de Washington. Primeiro, perguntou-lhes se estavam a par do actual debate, em Washington, acerca da identidade de género e do acesso a vestiários e casas de banho. As respostas traduziram a doutrina «politicamente correcta»: nenhum problema. Um rapaz ou uma rapariga podem ir à casa de banho do outro sexo, desde que se identifiquem interiormente assim. Viva a liberdade!

A segunda pergunta foi apenas uma variante:

– Se eu te disser que sou uma mulher, que responderias?

Todos os entrevistados riram com a brincadeira, mas a consistência ideológica obrigou-os a aceitar: «Se achas isso, ok», «tu é que sabes», «não tenho problemas com isso»... Algum entrevistado sentiu que a pergunta continha uma ratoeira e tentou resistir sem responder: «A sério? Sentes-te rapariga?»
A terceira pergunta era menos esperada:

– E se eu te disser que sou chinês?

A primeira reacção foi desatar a rir. Depois, pensando melhor, cada um encontrou uma saída diplomática: «Eu ficava surpreendido, mas pronto...»; «... pensaria que tens um antepassado chinês na família»; «perguntava-te como chegaste a essa conclusão...».

– E se eu disser que tenho 7 anos de idade?

As respostas tornaram-se mais difíceis: «Humm... começaria por duvidar»; «humm... talvez não acreditasse». Algum, mais consistente com a doutrina radical, respondeu «se achas interiormente que tens 7 anos de idade, então é assim».

– Nesse caso, se eu quiser matricular-me na primeira classe da Primária, deviam aceitar-me? –  Era impossível não rir, mas o politicamente correcto continuava a ditar as respostas: «Provavelmente...»; «se sentes isso, deviam admitir-te»; «se não prejudica a sociedade, não vejo problema».

– Se eu te disser que tenho 2 metros de altura? (O entrevistador tinha claramente menos).

Desta vez, surpresa! Alguém desiste da coerência ideológica e troca-a pela sensatez: «Duvidava!» «Duvidavas porquê?» «Porque não tens 2 metros de altura!». Outros resistem a meias: «Se achas que tens 2 metros de altura, não vejo mal nisso. Não me importo que digas que és mais alto do que realmente és». «Então, dirias que estou errado?» «Não diria que estás errado, mas humm..».

– Então, eu poderia ser uma mulher chinesa? – ...Grande risota!

– Claro!

–  Mas não poderia ser uma mulher chinesa de 2 metros?

«Sim... humm». «Se me apresentares argumentos, ...estou aberto a aceitar isso».

O vídeo é engraçado pela cara de surpresa dos entrevistados e pelo seu evidente desconforto ao tentarem ser coerentes com a ideologia da moda. Essa ideologia pretendeu convencê-los de que o sexo é uma convenção trivial, tão irrelevante que cada um o pode escolher ou modificar. Em vez de «sexo», que aponta para um corpo real e responsabilidades reais, esta ideologia fala-nos em «géneros», como arbitrariedades ao nível do género gramatical que dita que a palavra «mão» seja feminina e a palavra «pé» masculina.

Fazendo-se eco do que disseram os bispos de todo o mundo, o Papa Francisco não hesitou em enumerar a ideologia do género e a ditadura de pensamento por ela imposta como um dos flagelos do nosso tempo: «Não caiamos no pecado de pretender substituir-nos ao Criador. Somos criaturas, não somos omnipotentes. A criação precede-nos e deve ser recebida como um dom. Ao mesmo tempo somos chamados a guardar a nossa humanidade, e isto significa, antes de tudo, aceitá-la e respeitá-la como ela foi criada» (Exortação apostólica «Amoris Laetitia», 56).

Noutros momentos, Francisco comparou as escolas que aceitam a ideologia de género com a Juventude Hitleriana e usou outras expressões igualmente duras. Talvez se apliquem a certas escolas portuguesas. A alternativa a compreender isto é fazer figuras ridículas, como as do vídeo.

José Maria C.S. André

O santo não nasce: forja-se

Tudo aquilo em que intervimos nós, os pobrezitos dos homens, – mesmo a santidade, – é um tecido de pequenas coisas que – segundo a intenção com que se fazem – podem formar uma tapeçaria esplêndida de heroísmo ou de baixeza, de virtudes ou de pecados. As gestas relatam sempre aventuras gigantescas, mas misturadas com pormenores caseiros do herói. – Oxalá tenhas sempre em muito apreço – é a linha recta – as coisas pequenas. (Caminho, 826)

O principal requisito que nos é pedido – bem conforme com a nossa natureza – consiste em amar: a caridade é o vínculo da perfeição; caridade que devemos praticar de acordo com as orientações explícitas que o próprio Senhor estabelece: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, sem reservarmos nada para nós. A santidade consiste nisto.

É bem certo que se trata de um objectivo elevado e árduo. Mas não se esqueçam de que o santo não nasce: forja-se no jogo contínuo da graça divina e da correspondência humana. Um dos escritores cristãos dos primeiros séculos adverte, referindo-se à união com Deus: Tudo o que se desenvolve começa por ser pequeno. Ao alimentar-se gradualmente, com constantes progressos, é que chega a ser grande. Por isso te digo que, se quiseres portar-te como um cristão coerente – sei que estás disposto a isso, embora te custe tantas vezes vencer-te ou puxar por esse pobre corpo – deves ter muito cuidado com os mais pequenos pormenores, porque a santidade que Nosso Senhor te exige atinge-se realizando com amor de Deus o trabalho e as obrigações de cada dia, que se compõem quase sempre de pequenas realidades. (Amigos de Deus, 6–7)

São Josemaría Escrivá

Uma demonstração de amor

«Não é nada fácil, hoje em dia, encontrar alguém que saiba escutar. Muitos ouvem, mas são poucos os que escutam. Já o diferencia o dicionário da nossa amada língua portuguesa: “ouvir” é ter o sentido da audição; “escutar” é ouvir prestando atenção. Prestar atenção não é um detalhe de pouca importância ― faz toda a diferença! Sobretudo, quando experimentamos a necessidade vital de que alguém nos compreenda.

«Nesse caso, agradecemos que a pessoa com quem falamos não somente nos ouça, mas pedimos-lhe encarecidamente que também nos escute. Que procure sintonizar com aquilo que lhe estamos a tentar dizer. Só assim, sentimos de verdade paz na alma e alívio no coração».

Sábias palavras! De se lhe tirar o chapéu, sim senhor! É verdade: actualmente são poucos os que realmente escutam os outros com interesse. E é certo e sabido que, se as pessoas não se escutam umas às outras, a sociedade deixa de existir.

E se a “sociedade” é a lá de casa, deixa de haver família. No lugar dos familiares que convivem no mesmo lar, surge um conjunto de indivíduos que, por pura coincidência, vivem na mesma casa. E, evidentemente, não desejam ser aborrecidos com problemas que não são os seus. “Está alguém metido numa alhada? Que se desenvencilhe sozinho! O que é que eu tenho a ver com isso?”.

É uma descrição ― talvez um pouco exagerada ― daquilo que conhecemos como isolamento. E o isolamento, por muito atraente e simplificador que possa parecer à primeira vista, acaba por gerar apatia. E a apatia, se não for contrariada, mais cedo ou mais tarde leva ao desespero, por muito dissimulado que ele esteja.

É relativamente fácil constatar que, na vida de um casal, quando há problemas no relacionamento mútuo, geralmente esses problemas começaram quando se deixou de escutar o outro. Escutar às vezes pode ser sinónimo de sofrer, como diz A. Polaino. E o sofrimento leva à infelicidade ― quando não se aceita como uma demonstração de amor. Sem sentido cristão, o sofrimento no convívio com os familiares pesa muito, fecha o horizonte de felicidade e torna-se uma tragédia. Se não for “curado” a tempo, pode gerar cinismo com o passar dos anos.

Escutar é, naturalmente, uma demonstração de amor. Uma demonstração de genuíno interesse pela pessoa amada. Deixar de escutar é, simplificando, começar a deixar de amar. Porque ainda que possa parecer exagerado, quando marido e mulher não se escutam, estão a começar a perder o respeito um pelo outro. E sem respeito, não há amor ― excepto nas sociedades da caverna onde a marretada era uma demonstração de carinho.

Aprender a escutar com interesse. Escutar é, entre outras coisas, saber colocarmo-nos nas circunstâncias dos outros. Assim, veremos os acontecimentos com serenidade e compreensão. E mais facilmente desculparemos, quando isso for necessário. Mas sobretudo, como dizia S. Josemaria, encheremos este nosso mundo de caridade, que é aquilo que ele tem mais necessidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Iniciar os mais novos nas orações e na Missa dominical

À medida que as filhas e os filhos crescem, é lógico usar outras orações: o Pai Nosso e a Avé Maria, a bênção da mesa, o terço… E quando têm idade suficiente, é muito oportuna a sua assistência à Missa dominical, mesmo que ainda não percebam muito do que presenciam. Assim, a semente da existência cristã, semeada no batismo, desenvolve-se de modo harmónico, equilibrado. E preparam-se para a Primeira Comunhão, que a Igreja aconselha ser precedida pela confissão sacramental [7].

O nosso Padre ensinou sempre a conveniência de iniciar as crianças na prática dos sacramentos logo que a idade o permita. Reparai no seu conselho a uma mãe: Leva-os tu cedinho, cedinho, mal alcançam o uso da razão, à Confissão. E, se os puderes preparar tu, prepara-os: se não, um sacerdote da tua confiança. Não é verdade que as crianças sofram um trauma!Não é verdade que lhes faz mal! A mim, fez-me muito bem e foi a minha mãe que me levou aos seis anos à confissão [8].

No próximo dia 23, celebraremos um novo aniversário da Primeira Comunhão de S. Josemaria: um dia particularmente adequado para agradecermos a Jesus Cristo o momento em que se alojou, sacramentalmente, pela primeira vez, no coração do nosso Fundador, e no de cada uma e de cada um de nós.

As considerações precedentes servem-nos a todos: aos pais e mães de família, aos professores e professoras do ensino básico ou secundário, aos que ajudam no trabalho formativo da Prelatura com pessoas de mais idade e, aos mais novos que, com os seus amigos, prestam uma grande colaboração em clubes juvenis e noutras iniciativas semelhantes.

Estou muito agradecido aos preceptores ou monitores que se ocupam com sentido profissional e apostólico dessa assistência, em estreita união com as famílias. Tende presente que, sem a cooperação dos pais, sem o bom exemplo no seio da família, facilmente se perderiam os frutos do vosso trabalho, realizado frequentemente com grande sacrifício. Por isso, não me canso de recordar que convideis os pais e as mães para as atividades dos clubes e para colaborarem no bom andamento dos colégios. Recordai-lhes que levem a sério os seus deveres educativos, oferecendo com generosidade o seu tempo, a ajuda material, as suas iniciativas, na excelente tarefa de preparar cidadãos exemplares e bons cristãos, nessa ampliação da família que são os colégios e os clubes juvenis.

[7]. Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1457.
[8]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar,14-VII-1974.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de abril de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Homem de consciência

Não ouso dizer que o seja. Mas parece-me bastante importante não colocar a aprovação ou o ambiente simpático do meio a que se pertence acima da verdade, embora isto seja sempre uma grande tentação. É claro que o apelo à consciência pode transformar-se na mania de ter sempre razão, de modo que uma pessoa pense que tem de se opor a tudo. Mas, entendido num sentido correto, o homem que ouve a sua consciência, e para quem aquilo que se conhece - o bem - está acima da aprovação e da aceitação dos outros, é para mim, de facto, um ideal e uma tarefa. E figuras como Thomas More, o Cardeal Newman e outras grandes testemunhas – entre elas, os que foram implacavelmente perseguidos pelo regime nazi, como por exemplo Dietrich Bonhoeffer * - são, para mim, grandes modelos.

* Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), teólogo e pastor luterano alemão que se opôs à ditadura nazi; foi condenado à morte e enforcado (N. do T.)

(Cardeal Joseph Ratzinger em ‘O sal da terra’, págs. 55-56)

Evangelho do dia 5 de abril de 2019

Depois disto, andava Jesus pela Galileia; não queria andar pela Judeia, visto que os judeus O queriam matar. Estava próxima a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos. Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, e vós não Me credes. As obras que faço em nome de Meu Pai, essas dão testemunho de Mim; porém vós não credes, porque não sois das Minhas ovelhas. As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu conheço-as, e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna; elas jamais hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior que todas as coisas; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai. Eu e o Pai somos um».

Jo 7, 1-2.10.25-30