Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 29 de março de 2019

Não te assustes ao veres-te tal como és

Não necessito de milagres; bastam-me os que há na Escritura. – Pelo contrário, faz-me falta o teu cumprimento do dever, a tua correspondência à graça. (Caminho, 362)

Repitamos com a palavra e com as obras: Senhor, confio em Ti, basta-me a tua providência ordinária, a tua ajuda de cada dia. Não temos por que pedir a Deus grandes milagres. Temos de lhe suplicar, pelo contrário, que aumente a nossa fé, que ilumine a nossa inteligência, que fortaleça a nossa vontade. Jesus está sempre junto de nós e permanece fiel.

Desde o começo da minha pregação, preveni-vos contra um falso endeusamento. Não te assustes ao veres-te tal como és: assim, feito de barro. Não te preocupes. Porque, tu e eu somos filhos de Deus, – este é o endeusamento bom – escolhidos desde a eternidade, com uma vocação divina: escolheu-nos o Pai, por Jesus Cristo, antes da criação do mundo, para que sejamos santos diante dele. Nós, que somos especialmente de Deus, seus instrumentos apesar da nossa pobre miséria pessoal, seremos eficazes se não perdermos o conhecimento da nossa fraqueza. As tentações dão-nos a dimensão da nossa própria fraqueza.

Se sentimos desalento ao experimentar – talvez de um modo particularmente vivo – a nossa mesquinhez, é o momento de nos abandonarmos por completo, com docilidade, nas mãos de Deus. Conta-se que, certo dia, um mendigo saiu ao encontro de Alexandre Magno, pedindo uma esmola. Alexandre parou e ordenou que o fizessem senhor de cinco cidades. O pobre, confundido e atordoado, exclamou: eu não pedia tanto! E Alexandre respondeu: tu pediste como quem és; eu dou-te como quem sou. (Cristo que passa, 160) 

São Josemaría Escrivá

A NOSSA RESSURREIÇÃO

Porque não havemos de pensar na nossa ressurreição, se vamos ressuscitar? Como será? S. Paulo não estranha a pergunta; e até lhe responde: seremos tão diferentes como é a planta do seu germe (cf. 1 Cor 35-53). Tão diferentes como o homem é do seu feto. Os mesmos, mas desenvolvidos até à perfeição definitiva; e mais do que isso: glorificados. A partir daqui a imaginação já é totalmente incapaz de seguir a Revelação, sabendo nós embora, pela fé, que seremos dotados de tão altas capacidades como é superior o espírito à matéria. 
Sabemos, porém, que não mudará a nossa natureza nem a nossa identidade. Nem sequer o nome, que «é nome de eternidade»; assim o diz o Catecismo (2159). Cada homem é ele mesmo para sempre, distinto de todos os demais e com nome individual; senão, como poderia amar e ser amado?

A pergunta sobre a nossa ressurreição não é fútil; é inevitável. E ao mesmo tempo excessivamente ambiciosa. Mas desistir dela, não podemos. Quem não sonhará com o seu futuro?

E que será da Terra, dos astros, do mundo, da matéria, dos animais, das plantas? Se o corpo ressuscita, por certo a matéria não será aniquilada, como o não foram o Santíssimo Corpo de Jesus nem o Imaculado Corpo de Maria. Temos confirmação expressa na Sagrada Escritura: haverá «um novo Céu e uma nova Terra», garante-nos S. Pedro (2 Ped 3, 13). Aliás, o homem é corpo e alma. Sem corpo, a alma, que tudo recebeu - conhecimentos e paixões – através dos sentidos, se agora é feliz no Céu, é-o também pela esperança da sua futura integridade, a reunião definitiva com o seu corpo. Ou somos capazes sequer de desejar, por toda a eternidade, uma pura felicidade espiritual? Nesse caso, seríamos mesmo «nós»? Quando no Credo confessamos crer na «ressurreição da carne», queremos dizer «do homem inteiro».

O feto não seria capaz de imaginar a vida fora do ventre materno, nem desejaria sair dele, tal como nos repugna a nós a morte; e, no entanto, aspiramos intensamente à paz que o mundo não dá (cf. Jo 14, 27). Aspiramos à felicidade autêntica e sabemos perfeitamente que não a conseguiremos aqui. Quem se contenta com o seu «sucesso na vida», mente. Mente a si mesmo. Chama felicidade a miúdas satisfações e a comparações ridículas com outros menos miseráveis, e projecta-se apenas na mera lembrança que dele retiverem os próximos defuntos. Vaidade pueril. Aqui só é feliz quem sabe, e porque sabe, que o vai ser; não quem se considera tal. Todas as bem-aventuranças o dizem: é bem-aventurado aquele que o há-de ser no Reino de Deus; não aquele que renuncia ao que o coração lhe pede e só anseia ficar por algum tempo na vaga memória de pobres mortais. Quem não espera a sua ressurreição não sabe porque vive nem para que vive.

H.A.
(Celebração Litúrgica 2 / 2018)


Nota 'Spe Deus': texto do Mons. Hugo de Azevedo publicado no seu mural do Facebook e imagem selecionada por este blogue

Entrar no interior para ter vida interior...

Hoje, pensei e rezei muito sobre a vida, exterior e interior.

O homem não é como uma moeda, com duas faces, mas como semelhança de Deus, que em Cristo, no Batismo assume duas naturezas: humana e divina.

A natureza humana sem Deus, fica confinada a um valor limitado, que serve apenas para aquela “quantia” que o mundo a olha: se é bonita, vale muito, se é normal, vale pouco; se é pequenina, dependente, ou muito velha, não vale nada; se é esperta, depende... mas se é inteligente e justa, não se consegue dar valor;

Por outro lado a natureza humana unida à natureza divina, toma uma forma como que 3D; é possível observar por muitos ângulos e perspectivas e encontrar sempre uma beleza única. Um homem que vive a sua vida respirando Deus, torna-se grande, livre, bom e cheio de “saúde”.

Não interessa o que o mundo lhe quer oferecer para ficar com ele, como o ser fotografado (a troco de torturas físicas, como dietas, ginásios em excesso), ou ofuscado pelas luzes da ribalta, ou ainda pago por ser aquilo que não foi obra sua.

É a vida interior que temos que descobrir, que nos completa, nos dá liberdade. Esta é a vida que está em cada um de nós e que só nós vamos descobrir, para a trazer à luz e partilhar com o mundo que anda no escuro.

Se olharmos à nossa volta, parece que andamos sempre de noite! Parece!!! Parece!!! Porque na realidade é na Luz que fomos criados para viver. É na Luz que conseguimos saber para onde vamos, que Alguém nos espera, que Alguém caminha ao nosso lado. É na Luz que os outros nos vão realmente conhecer e amar.

Este é o caminho que devemos percorrer neste últimos dias da Quaresma. São o “sprint” final para chegarmos à Páscoa, com vontade de entrar e reconhecer que afinal essa Luz é Cristo!!! Que já morreu uma vez por todas, para nos dar a Vida e a Vida em abundância. Ver o que verdadeiramente interessa!

Sofia Guedes na sua página no Facebook em 2014

«San Gennaro» (ou S. Januário)

Próculo nasceu na Calábria (Sul de Itália) no ano 272, numa época em que matar cristãos era um desporto habitual do império romano. O primeiro nome deste rapaz atlético (tinha 1,90 m) era Próculo, o apelido é o mês em que nasceu, Janeiro. Ainda muito novo, foi bispo na Itália do Sul. Morreu com 33 anos no dia 19 de Setembro de 305, decapitado, juntamente com bastantes outros cristãos, leigos, padres e diáconos.

Januário era estimadíssimo pelo povo, razão pela qual houve uma hesitação na sua condenação às feras, para evitar sublevações populares. Afinal, as autoridades ganharam coragem e cortaram-lhe a cabeça. Logo depois da decapitação, os cristãos conservaram o sangue, como era hábito. Compreende-se que os documentos cristãos tivessem guardado a memória da senhora cristã corajosa que se encarregou de recolher o sangue do bispo em duas ampolas: chamava-se Eusébia.

Três vezes por ano, o sangue de S. Januário, já com 17 séculos de história, volta a liquefazer-se, como sangue vivo. Desde há muitos anos, o milagre repete-se numa cerimónia soleníssima presidida pelo Cardeal Arcebispo de Nápoles e, no final, durante uma semana, as ampolas ficam à disposição dos fiéis, que as podem ver de perto e beijar.

O sangue liquefaz-se no início de Maio, aniversário da trasladação das relíquias, em Setembro, no aniversário do martírio, e no dia 16 de Dezembro, em memória de um rio de lava a escorrer do vulcão Vesúvio, que estacou à entrada de Nápoles, depois de o povo ter invocado S. Januário, no ano de 1631.

Geralmente, o sangue de S. Januário liquefaz-se nestas ocasiões mas, nalguns anos, isso não acontece, por razões que não se conhecem. Os devotos de S. Januário notam que esses casos têm coincidido com desgraças que acontecem à cidade. Existe na catedral um livro em que estão apontados todos os casos, ao longo dos séculos, em que o sangue não se liquefez, ou em que esse fenómeno ocorreu fora das datas habituais.

Muitos Papas peregrinaram a Nápoles mas nenhum se pronunciou sobre o eventual carácter milagroso da liquefacção do sangue contido nas duas ampolas. Paulo VI disse em 1966: «…tal como este sangue palpita em cada festa, assim a fé do povo de Nápoles possa palpitar, reflorir e afirmar-se». Comprometer-se, nada. Mesmo assim, em Nápoles e em toda a Itália, as pessoas gostam de olhar com devoção para aquelas ampolas e lembrar-se de que Deus cuida de nós, rodeado santos, de multidões de santos que foram fiéis e se interessam por nós.

Vem isto a propósito de algo que aconteceu pela primeira vez na passada festa de S. José, no dia 19 de Março de 2015. Nunca na história o sangue de S. Januário se tinha liquefeito durante a visita de um Papa a Nápoles: nem no século XIX com Pio IX, nem mais recentemente com João Paulo II, ou Bento XVI. Liquefez-se agora, no final das palavras que o Papa Francisco dirigiu aos fiéis e ao clero.

O Papa Francisco, falando sem discurso escrito, insistiu no amor à Igreja, «porque não se pode amar Jesus sem amar a sua Igreja», e na missão de evangelizar, «a Igreja existe para levar Jesus à gente». Falou também do amor a Nossa Senhora: «Jesus e Nossa Senhora são o ponto de partida». Lembrou o perigo da mundanidade, o exagero no conforto e nos gastos, «o espírito do mundo», que Jesus não queria. Falou a seguir do testemunho de vida dos cristãos: «isso é que atrai vocações!». Depois, referiu um aspecto característico do testemunho cristão, a alegria: «se há tristeza, qualquer coisa não funciona, na relação com Deus». Finalmente, alertou para o «terrorismo da murmuração»: «as críticas destroem, as diferenças discutem-se frente a frente».

Quando o fenómeno se começou a notar, a seguir ao discurso do Papa, o Cardeal de Nápoles disse ao microfone, entusiasmado: «é sinal de que S. Januário gosta de Nápoles e do Papa Francisco: metade do sangue liquefez-se!». A multidão aplaudiu longamente e o Papa comentou com o seu humor espontâneo: «Se se liquefez a meias, quer dizer que temos de nos esforçar mais, temos que ser melhores. O Santo só gosta de nós a meias». Um minuto depois, o sangue das ampolas liquefazia-se completamente.

José Maria C.S. André
«Correio dos Açores», «Verdadeiro Olhar», «ABC Portuguese Canadian Newspaper», 30-III-2015

Evangelho do dia 29 de março de 2019

Vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?». Jesus respondeu-lhe: «O primeiro de todos os mandamentos é este: “Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”. O segundo é este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não há outro mandamento maior do que estes». Então o escriba disse-Lhe: «Mestre, disseste bem e com verdade que Deus é um só, e que não há outro fora d'Ele; e que amá-l'O com todo o coração, com todo o entendimento, com toda a alma, e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios». Vendo Jesus que tinha respondido sabiamente, disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». Desde então ninguém mais ousava interrogá-l'O.

Mc 12, 28b-34