Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

domingo, 24 de março de 2019

Amar significa recomeçar todos os dias a servir

"Estes dias – dizias-me – foram mais felizes do que nunca!". E respondi-te sem hesitar: porque "viveste" um pouco mais entregue do que habitualmente. (Sulco, 7)

Recordem a parábola dos talentos. Aquele servo que só recebeu um podia – como os companheiros  empregá-lo bem, procurar que rendesse, usando as suas qualidades. E que decide? Tem medo de o perder. E está certo. Mas, e depois? Enterra-o! E acaba por não dar fruto.

Não esqueçamos este caso de temor doentio de aproveitar honradamente a capacidade de trabalho, a inteligência, a vontade, o homem todo. Enterro-o – parece afirmar esse desgraçado , mas a minha liberdade fica a salvo! Não. A liberdade inclinou-se para uma coisa muito concreta, para a mais pobre e árida secura. Optou, porque não tinha outro remédio senão escolher; mas escolheu mal.

Nada mais falso do que opor a liberdade à entrega, porque a entrega surge como consequência da liberdade. Reparem que, quando uma mãe se sacrifica por amor aos filhos, escolheu; e, segundo a medida desse amor, assim se manifestará a sua liberdade. Se esse amor é grande, a liberdade será fecunda e o bem dos filhos nasce dessa bendita liberdade, que pressupõe entrega, e nasce dessa bendita entrega, que é precisamente liberdade.

Mas, perguntar-me-ão, quando conseguimos o que amamos com toda a alma, já não continuamos a procurá-lo. Desapareceu a liberdade? Garanto-vos que então é mais activa do que nunca, porque o amor não se contenta com um cumprimento rotineiro, nem se coaduna com o fastio e a apatia. Amar significa recomeçar todos os dias a servir, com obras de carinho.

Insisto, e gostaria de gravá-lo a fogo em cada um: a liberdade e a entrega não se contradizem; apoiam-se mutuamente. A liberdade só se pode entregar por amor; não concebo outra espécie de desprendimento. Não é um jogo de palavras mais ou menos acertado. Na entrega voluntária, em cada instante dessa dedicação, a liberdade renova o amor e renovar-se é ser continuamente jovem, generoso, capaz de grandes ideais e de grandes sacrifícios. (Amigos de Deus, 30–31)

São Josemaría Escrivá

Bom Domingo do Senhor!

Estejamos sempre disponíveis a deixar aqueles que atuam em nome do Senhor que «deitem os estrume» como nos fala o Evangelho de hoje (Lc 13, 1-9) pois só através da permanente formação e cheios de humildade conseguiremos a nossa conversão permanente e para Ele totalmente virada.

Senhor Jesus concede-nos a oportunidade de nos reconvertermos amando-Te acima de todas as coisas!

Escala de valores

A Jesus Cristo que é Deus na Santíssima Trindade em unidade com o Pai e o Espírito Santo amamos incondicionalmente e sabemos que jamais fez ou fará nada de errado, pelo que nem nos passa pela cabeça criticá-Lo, mas sim louvá-Lo e dar-Lhe graças por tudo. Ele é Filho de Deus Pai que se fez Homem para nos redimir e salvar, pelo que não gostamos de ouvir os que O ofendem, e tantos que o fazem infelizmente.

À família, sobretudo a mais próxima, e à Igreja, amamos muito, somos capazes de criticá-la em privado, mas não gostamos que a ataquem em público mesmo quando erra, porque estando no mais intimo do nosso coração preferimos guardar os erros dentro dele e rezar para que se corrijam.

Que o Senhor nos ajude e ilumine a assim proceder hoje e sempre,

JPR

Deus escondido

Onde está Deus, onde pode ser encontrado? Está escondido?
Parece que se revela muito raramente. As pessoas desesperam-se porque pensam que Ele não fala com elas, não dá sinais, não interfere na sua vida.

Ele manifesta-se, mas não de forma ruidosa, não necessariamente sob a forma de uma catástrofe natural, embora as catástrofes naturais também possam ser manifestações suas. Não o faz, pois, de forma ruidosa, mas sempre se está manifestando. É claro que o receptor tem de estar, por assim dizer, sintonizado para captar o emissor.

Na nossa maneira de viver e de pensar, há tantas interferências perturbadoras que não somos capazes de captar o som, que também se tornou tão estranho para nós que não o reconhecemos como vindo dEle. Mas eu diria que qualquer pessoa que esteja atenta pode fazer essa experiência e perceber: neste momento, Ele dirige-se a mim; é uma oportunidade que me é dada para conhecê-lo. [...] Ele pode manifestar-se se eu estiver vigilante, e também se houver alguém que me ajude a decifrar a realidade. É claro que Ele não fala de forma ruidosa, mas sim através de sinais e dos acontecimentos da vida, e através das outras pessoas. É necessário, pois, ter uma certa vigilância, e perseverança para não ser dominado pelas coisas que ocupam o primeiro plano.

(Cardeal Joseph Ratzinger em ‘O sal da terra’, pág. 26)

«Se não vos converterdes»

São Leão Magno (?-c. 461), papa, doutor da Igreja
20º sermão sobre a Paixão; SC 74bis


Esforcemo-nos por ser associados à Paixão de Cristo e por passar da morte à vida enquanto ainda estamos neste corpo. Porque passar por uma conversão, seja ela qual for, passar de um estado a outro, significa para todo o homem o fim de qualquer coisa – deixar de ser o que era – e o começo de outra – passar a ser o que não era. Mas é importante saber para que se morre e para que se vive, porque há uma morte que dá vida e uma morte que dá a morte.

E é precisamente neste mundo efémero que se obtém uma ou outra: da qualidade dos nossos actos neste mundo depende a diferença das retribuições eternas. Morramos, pois, para o demónio e vivamos para Deus; morramos para o pecado, para ressuscitar para a justiça; que o ser antigo desapareça, para se elevar o novo ser. Dado que, segundo a palavra da Verdade, «ninguém pode servir a dois senhores» (Mt 6,24), tomemos por senhor, não aquele que faz tropeçar os que estão de pé para os levar à ruina, mas Aquele que levanta os caídos para os conduzir à glória.