Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 22 de março de 2019

No comboio regional

A cadência do comboio regional, a caminho de Vale de Santarém, agarra-me a imaginação e desato a rir. Um grupo de estudantes do Técnico decidiu ir a pé a Fátima. Lançaram o convite nas redes sociais e tiveram de fechar as inscrições pouco depois, quando reuniram uma centena de candidatos. Poderiam ir mais, a dificuldade é que iam dormir no chão de pavilhões desportivos gentilmente cedidos e essas áreas são limitadas. Só tinham espaço para uma centena de pessoas, supondo que as mochilas se arrumassem bem.

No comboio regional, rodeado de estudantes de engenharia dispostos a vários dias de caminhada e de oração lembrei-me de Louis Pasteur, também num comboio, em 1892. Pasteur aproveitou a viagem para rezar o terço e um estudante achou por bem actualizá-lo, «porque a ciência descartou essas devoções»:

– De que ciência está a falar? Explique-me.

– Poderia dar-lhe inúmeros livros científicos sobre o assunto!... – respondeu o estudante.

– Ficar-lhe-ia muito grato. – disse Pasteur, entregando-lhe o cartão de visita – Pode enviar-me os livros para esta morada.

O rapaz não estava à espera de ler no cartão: «Louis Pasteur, Directeur de l’Institut de Recherche Scientifique, Paris». O tal ignorante que rezava o terço era Louis Pasteur, o cientista célebre, químico, pioneiro da microbiologia e inventor da vacina contra a raiva.

Algumas pessoas acham que a vaga impressão de que uma opinião é moderna chega para resolver qualquer assunto. Geralmente, não chegaram a ler um único livro sério sobre o tema, nem estão a par dos argumentos que defendem um ponto de vista ou o questionam, contentam-se com o conforto generalizado de uma massa anónima, supostamente evoluída. Esta abordagem expedita justifica-se em relação a assuntos pouco relevantes – nem haveria tempo para examinar cuidadosamente todas as questões do dia-a-dia! –, mas os temas decisivos exigem outro cuidado. Se queremos ser sérios, a impressão de que outros já pensaram num assunto é só um ponto de partida, até porque resta saber se essas pessoas tidas por evoluídas são, de facto, competentes na matéria. Os boatos formam-se porque as primeiras impressões enganam terrivelmente. Alguém disse. Li algures. Ouvi dizer. E o erro infiltra-se como lugar-comum que dispensa confirmação. Se não temos cuidado, uma investigação séria é afogada por uma profusão de pequenos «tweets» atrevidos, a humildade de uma informação correcta cede ante a agressividade de uma ideologia banal.

No comboio regional, cheio de alguns dos melhores estudantes da Universidade portuguesa, lembrei-me de Louis Pasteur e desatei a rir. Há quem pense que a Universidade afasta de Deus e em particular a ciência. Não chegaram a ler algo significativo, mas disseram-lhes que era assim. Inclusivamente, disseram-lhes que «todos» sabem que é assim.

Antes de confiar em boatos, é preferível falar com quem leu livros e estudou serenamente o assunto. Aquela centena de estudantes do Técnico preferiu esse método e não se deu mal. No caminho, cruzaram-se com peregrinações de estudantes da Nova, do ISCTE, do ISCSP, do S. Tomás.

Suponho que é preciso rever o boato de que Deus não existe e de que os melhores alunos da Universidade não pensam no assunto. E de que todos sabem que é assim.
José Maria C.S. André

Para ti estudar é uma obrigação grave

Oras, mortificas-te, trabalhas em mil coisas de apostolado..., mas não estudas. – Então, não serves, se não mudas. O estudo, a formação profissional, seja qual for, entre nós é obrigação grave. (Caminho, 335)

Se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave. (Caminho, 336)

Frequentas os Sacramentos, fazes oração, és casto... e não estudas... – Não me digas que és bom; és apenas bonzinho. (Caminho, 337)

São Josemaría Escrivá 

Sermos simples e humildes

Uma palavra de Santa Joana d'Arc aos seus juízes resume a fé dos santos Doutores e exprime o bom senso do crente: «De Jesus Cristo e da Igreja eu penso que são um só, e não há que levantar dificuldades a esse respeito»

(Santa Joana D’Arc - Dictum: Procès de condamnation) 

VERDADES MENTIROSAS

As entidades eclesiais e a comunicação social

Reza a história que um oficial de marinha estava zangado com o comandante do navio em que ambos andavam embarcados. Tendo a seu cargo o diário de bordo, ocorreu-lhe nele escrever: «Hoje, o capitão não se embebedou». Era verdade, porque de facto o dito não se tinha embriagado, mas uma verdade mentirosa, porque qualquer leitor concluiria que o comandante andava habitualmente alcoolizado, o que mais não era do que uma rematada mentira.
Há muitas formas de mentir. Uma delas é dizendo a verdade, mas de forma a insinuar uma falsidade. Por exemplo, se se disser de alguém que não é nenhum anjinho, está-se formalmente afirmar a realidade, porque os seres humanos não são anjos, mas é óbvio que se está, sobretudo, a sugerir que a pessoa em causa é um grande malandro.
O mesmo se diga das instituições eclesiais, principalmente quando têm a desgraça de merecer algum protagonismo mediático. Se, para cúmulo, também forem alvo de uma rigorosa investigação jornalística, é certo e sabido que os resultados não poderão ser menos do que escandalosos, até porque, em caso contrário, o investimento de meios económicos e humanos não teria retorno.
Uma entidade da Igreja tem alguns bens, para assim poder realizar o seu apostolado? É podre de rica. Tem gente? Claro, é porque lhes arranja tachos e conhecimentos que lhes são úteis para trepar na vida. Os seus membros rezam? São fanáticos. Mortificam-se? São masoquistas. O fundador é santo? Compraram a canonização. Tem gente influente? São lóbi. E assim por diante, … mas sempre presos, por ter cão ou o não ter.
Já com Jesus foi assim. Ele comia e bebia? Era um glutão e um beberolas. Dava-se com publicanos e pecadores? É porque era como eles. Expulsava os demónios? Pois bem, era com o poder do próprio Belzebu que o fazia. Curava no dia de sábado? Então é evidente que transgredia a Lei. Perdoou a adúltera? Um cúmplice não teria feito de outro modo! Censurava os escribas e os fariseus? Era porque estes, sendo cultos, não se deixavam enganar, ao contrário da arraia-miúda.
É certo que nem todos crêem nestas caluniosas insinuações, mas geralmente fica a ideia de que a entidade em causa é, pelo menos, «polémica», «controversa» ou «duvidosa», até porque onde há fumo, há fogo. «Se Ele não fosse um malfeitor» – disseram os fariseus a Pilatos, quando lhe entregaram Jesus – «não O entregaríamos nas tuas mãos» (Jo 18, 30).
Não é possível que o mundo aplauda os discípulos do Crucificado, mas seria lamentável que, com as suas verdades mentirosas, lograsse dividir a Igreja, ou confundir os fiéis. Os critérios mundanos não são aptos para julgar as instituições eclesiais e qualquer cristão coerente sabe que a contradição é um dos critérios para aferir a autenticidade evangélica de um carisma. A Beata Teresa de Calcutá sabia-o e, por isso, quando João Paulo II lhe fez notar, com bom humor, que toda a gente falava bem dela, mas mal dele e de uma obra de Deus, a santa fundadora das Missionárias da Caridade reagiu com santa inveja, pedindo orações. Com razão, porque bem-aventurados serão os que forem insultados e perseguidos e deles disserem falsamente toda a espécie de mal, porque será grande a sua recompensa nos Céus (cfr. Mt 5, 11-12).

P. Gonçalo Portocarrero de Almada         

Evangelho do dia 22 de março de 2019

«Ouvi outra parábola: Havia um pai de família que plantou uma vinha, e a cercou com uma sebe, e cavou nela um lagar e edificou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros, e ausentou-se daquela região. Estando próxima a época da colheita, enviou os seus servos aos vinhateiros para receberem os frutos da sua vinha. Mas os vinhateiros, agarrando os servos, feriram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Enviou novamente outros servos em maior número do que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. Por último enviou-lhes seu filho, dizendo: “Hão-de respeitar o meu filho”. Porém, os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: “Este é o herdeiro; vamos, matemo-lo, e ficaremos com a herança”. E, agarrando-o, puseram-no fora da vinha, e mataram-no. Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Responderam-Lhe: «Matará sem piedade esses malvados, e arrendará a sua vinha a outros vinhateiros que lhe paguem o fruto a seu tempo». Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular; pelo Senhor foi feito isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos”? Por isso vos digo que vos será tirado o reino de Deus e será dado a um povo que produza os seus frutos. Tendo os príncipes dos sacerdotes e os fariseus ouvido as Suas parábolas, perceberam que falava deles. Procuravam prendê-l'O, mas tiveram medo do povo, porque este O tinha como um profeta.

Mt 21, 33-43.45-46