Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sábado, 16 de março de 2019

É preciso que sejas homem de vida interior

É preciso que sejas "homem de Deus", homem de vida interior, homem de oração e de sacrifício. – O teu apostolado deve ser uma superabundância da tua vida "para dentro". (Caminho, 961)

Vida interior. Santidade nas tarefas usuais, santidade nas coisas pequenas, santidade no trabalho profissional, nas canseiras de todos os dias...; santidade para santificar os outros. Numa certa ocasião, um meu conhecido – nunca hei-de chegar a conhecê-lo bem – sonhava que ia a voar num avião a uma grande altura, mas não dentro da cabine; ia montado nas asas. Coitado do desgraçado: como sofria e se angustiava! Parecia que Nosso Senhor lhe dava a conhecer que assim andam pelas alturas – inseguras, inquietas – as almas apostólicas que não têm vida interior ou que a descuidam: com o perigo constante de caírem, sofrendo, incertas.

E penso, efectivamente, que correm um sério risco de se extraviarem os que se lançam à acção – ao activismo – prescindindo da oração, do sacrifício e dos meios indispensáveis para conseguir uma piedade sólida: a frequência dos Sacramentos, a meditação, o exame de consciência, a leitura espiritual, a convivência assídua com a Virgem Santíssima e com os Anjos da Guarda... Tudo isto contribui, além disso, com uma eficácia insubstituível, para que o caminho do cristão seja tão agradável, porque da sua riqueza interior jorram a doçura e a felicidade de Deus como o mel do favo.

Na intimidade pessoal, na conduta externa, no convívio com os outros, no trabalho, cada um há-de procurar manter-se numa contínua presença de Deus, com uma conversa – um diálogo – que não se manifesta exteriormente. Melhor dito, não se exprime normalmente com ruído de palavras, mas há-de notar-se pelo empenho e pela diligência amorosa com que acabamos bem as tarefas, tanto as importantes como as insignificantes. Se não procedêssemos com essa constância, seríamos pouco coerentes com a nossa condição de filhos de Deus, pois teríamos desperdiçado os recursos que Nosso Senhor colocou providencialmente ao nosso alcance, para chegarmos ao estado de homem perfeito, à medida da idade perfeita segundo Cristo. (Amigos de Deus, 18–19)

São Josemaría Escrivá 

O Evangelho de Domingo dia 17 de março de 2019

Cerca de oito dias depois destas palavras, tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu a um monte para orar. Enquanto orava modificou-Se o aspecto do Seu rosto, e as Suas vestes tornaram-se brancas e resplandecentes. E eis que dois homens falavam com Ele: Moisés e Elias, os quais apareceram cheios de majestade, e falavam da morte que Ele devia sofrer em Jerusalém. Entretanto, Pedro e os que estavam com ele tinham-se deixado vencer pelo sono. Mas despertando, viram a majestade de Jesus e os dois varões que estavam com Ele. Enquanto estes se separavam d'Ele, Pedro que não sabia o que dizia, disse a Jesus: «Mestre, que bom é nós estarmos aqui; façamos três tendas, uma para Ti, uma para Moisés, e uma para Elias». Estando ele ainda a falar, formou-se uma nuvem, que os envolveu; e tiveram medo quando entraram na nuvem. Então saiu uma voz da nuvem que dizia: «Este é o Meu Filho dilecto, escutai-O». Ao soar aquela voz, Jesus ficou só. Eles calaram-se, e naqueles dias a ninguém disseram nada do que tinham visto.

Lc 9, 28b-36

«Quais poderosos? Nós ajudamos os últimos»

A revista Família Cristã publicou uma entrevista a Mons. Fernando Ocáriz realizada pelo jornalista Horacio la Rocca e traduzida por Maria José dos Santos. 
Nos 90 anos da fundação do Opus Dei, monsenhor Fernando Ocáriz fala sobre a Obra. Prelado desde 2017, nasceu em Paris, em 1944, filho de pais espanhóis exilados em França durante a Guerra civil. Docente de Teologia Fundamental na Pontifícia Universidade de Santa Cruz e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, é também um ótimo tenista que gosta de jogar quase todos os dias. Talvez por isso rejeite com força certas malfadadas contradições, daquelas que tendem a identificar a Obra com a Banca e com poderosos políticos.
É o quarto prelado do Opus Dei. Ainda é forte a “presença” do vosso fundador na Obra?

Certamente, e não poderia ser de outra maneira. S. Josemaria Escrivá está sempre no meio de nós. Nunca nos abandona. Poderíamos falar de uma presença viva, palpável, familiar. Vejo muitas pessoas do Opus Dei à procura de conselhos nos escritos do fundador, pedindo-lhe ajuda nos momentos de dificuldade e recorrem à sua intercessão sempre que precisam. Isto é algo enraizado na vida interior quotidiana de muitíssimas pessoas, até mesmo de devotos de S. Josemaria que nem sequer conhecem o Opus Dei. Aqui, na sede central do Opus Dei em Roma, em Santa Maria da Paz, na igreja prelatícia, encontram-se os seus despojos mortais e milhares de pessoas de todas as partes do mundo vêm exprimir no silêncio da oração a sua gratidão ou as próprias inquietações.

Pode, pois, dizer-se que 45 anos depois da sua morte, acontecida em Roma em 26 de junho de 1975, S. Josemaria Escrivá “guia” ainda a Obra, até neste turbulento início do terceiro milénio?

Penso que todos nós procuramos manter o espírito que nos deixou, e que ele por sua vez recebera do Senhor, o qual consiste em procurar a Deus no meio dos trabalhos quotidianos feitos na vida familiar, no emprego, na oração, na amizade, no serviço, no repouso... O desafio é procurar torná-lo cada vez mais atual, na diversidade dos tempos e lugares.

Pessoalmente o que faz para aproximar mais o Opus Dei da gente comum e para eliminar os preconceitos residuais que, sem ou com razão, atribuem à Obra estar mais “atenta” aos poderosos?
A lenda negra que nos vê como amigos dos capitalistas é uma falsidade do passado. É uma onda de lendas negras do passado, falsidades que o tempo desmentiu.
Mas quais poderosos? Nós ajudamos os últimos… Realizamos obras académicas didáticas para a formação dos jovens, em toda a parte do mundo, especialmente os mais pobres. Damos vida a hospitais, a centros de acolhimento e de reabilitação com as técnicas mais avançadas ao serviço do homem doente, sofredor e necessitado de cuidados. Mas, ao mesmo tempo, levamos a Palavra de Deus a todos, próximos e afastados, aos homens e às mulheres, a ricos e a pobres. Sem medo de evangelizar até empresários, políticos, banqueiros, com espírito de serviço evangélico, seguindo os passos do nosso fundador, S. Josemaria Escrivá.
O Opus Dei vive atento às necessidades espirituais de todos. Uma certa lenda negra são águas passadas. Quero dizer: em Itália, em Roma, uma das iniciativas promovidas desde finais da década de 1970 por nós, no Centro Elis, foi uma ocasião de formação profissional e de resgate social a migrantes menores não acompanhados, a jovens do sul de Itália e do mundo e a outros que nunca teriam outra possibilidade. Além disso, com as suas atividades propõe o profissionalismo como serviço ao bem comum e ajuda ao próximo. E, baseado em estatísticas, os jovens que se formam no Centro Elis têm sempre emprego garantido. Esta é a nossa vida.
Em Roma, existe também o campus biomédico, que em poucos anos se tornou na mais famosa Faculdade de Medicina, tendo em anexo um hospital e centros de reabilitação. Pode comparar-se com a Universidade de Pamplona, em Espanha, com todas as valências académicas.
Sim, é verdade. Mas também em muitas outras partes do mundo as pessoas do Opus Dei, com muitos outros amigos, promovem muitíssimas iniciativas do género, expressamente até em favor dos agricultores, dos migrantes e de quem tudo perdeu, para responder às exigências do seu bairro ou da sua cidade. Estou a lembrar-me de duas iniciativas no bairro Raval de Barcelona, com 20 mil imigrantes: os Centros Braval e Terral, com mais de 300 voluntários envolvidos em programas de instrução, desporto ou formação profissional. Em Colónia, na Alemanha, pude encontrar os voluntários e os sacerdotes da paróquia de São Pantaleão que se ocupam de um prédio construído graças à colaboração com a diocese e o município para hospedar 30 famílias de refugiados que fogem do conflito sírio. Graças a Deus nasceram instituições deste tipo por todo o lado. Se perguntarmos pelo Opus Dei em Kinshasa, [República Democrática do Congo], no terceiro país mais pobre do mundo, muitos podem explicar como foram acolhidos no Hospital Monkole, construído pelos fiéis da Prelatura com outros amigos.
Tudo isto num plano didático, de trabalho e de medicina. Mas, a nível espiritual, o que é que a Obra faz?
Também o cuidado do espírito para o Opus Dei é de primária importância. Juntamente com a constante atenção ao acolhimento dos necessitados e migrantes em hospitais e centros de cuidados especializados, à formação académica e laboral, ao mesmo tempo não deve ser esquecida a importância de levar o Evangelho a todos, e não apenas a uma parte da população. A Obra leva a Palavra a todos, pobres e ricos. E, neste sentido, a evangelização dos empresários, dos políticos, dos jornalistas e de outras pessoas com recursos económicos é de grande importância para que a Doutrina Social da Igreja possa ser operativa. Como ensina, realmente, S. Josemaria Escrivá.
Texto: Horácio La Rocca
Tradução: Mário José dos Santos
Fotos: Gabinete de Informação do Opus Dei
Entrevista publicada na FAMÍLIA CRISTÃ.

Existe alguma educação que seja neutra?

«Quero para o meu filho uma educação neutra, livre de influências que são sempre perniciosas. Ele tem de descobrir por si mesmo o que está bem e o que está mal. Desse modo, nunca será manipulado por ninguém. Nem pela Igreja, que continua a ensinar hoje em dia umas ideias passadas de moda. Que exagero! Estamos em pleno século XXI! Abertura, compreensão, cedência nos ensinamentos que, se foram úteis no passado, agora têm de se adaptar aos novos tempos. Senão, ficam obsoletos. A doutrina da Igreja ― desculpe a minha sinceridade ― é composta por uns princípios que já ninguém entende, já ninguém acredita, já ninguém vive».

São palavras de um pai de família quando lhe perguntaram se queria ou não que o seu filho tivesse aulas de religião na escola. Penso que contêm uma grande quantidade de chavões muito comuns hoje em dia.

Comecemos com uma pergunta: existe alguma educação que seja neutra? Não. Não existe. A neutralidade educativa é uma ilusão. Se os pais não educam, outros o farão no seu lugar: a sociedade, o ambiente, os meios de comunicação. E atenção: esses “educadores” possuem uma influência enorme que nunca ― absolutamente nunca ― é uma influência neutra.

Então, isso quer dizer que os pais devem transmitir valores cristãos aos filhos? Claro que sim. A fé e a moral cristã não estão nada obsoletas ― muito pelo contrário! Renovam o ser humano porque lhe revelam a sua autêntica grandeza e o seu verdadeiro destino. São a chave da sua verdadeira felicidade já nesta Terra. Libertam os filhos da amargura de uma existência sem Deus. Uma existência sem sentido. Uma existência de ir andando não se sabe muito bem para onde nem porquê.

Uma existência que acaba por absolutizar o momento presente procurando satisfazer todos os desejos ― é impossível ― hoje e agora. É o encontro com o amor de Deus ― diz o Papa Francisco ― que nos resgata da nossa autorreferencialidade. De vivermos centrados em nós próprios como se fôssemos o centro do Universo. E se os filhos são conscientes desse amor, entendem a temperança, a veracidade, a lealdade, a pureza, a honestidade não como valores obsoletos, mas como respostas ao amor de Deus por nós.

Se os pais transmitem valores que vivem, os filhos entenderão que o amor de Deus por nós pode ser exigente ― mas nunca é opressivo! É sempre libertador. Como diz J. Lorda, “nós admiramos aquilo que tem perfeição, serenidade, domínio, força. Maravilhamo-nos pelo voo majestoso de uma águia, mas não pelo voo desajeitado de uma galinha”.

Deus, quando nos exige, revela-nos que fomos criados para voar alto, como as águias. Não como as galinhas. É uma exigência que procede do Seu amor, não do desejo de nos roubar a felicidade. É uma exigência ― aprendemos isso com os nossos pais ― que nos faz felizes.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Maria na piedade da Igreja

“…, aponta em todas as suas partes e de todos os pontos de vista sempre tanto para Cristo como para a Igreja. Daí resulta diretamente que também toda a piedade mariana, se quiser ser católica, não se pode nunca isolar, antes pelo contrário deve sempre inserir-se e orientar-se tanto cristologicamente (e, portanto, trinitariamente) como eclesiologicamente.

(…). Todos conhecemos essas tendências que, à primeira vista, dão a impressão de que o povo em oração veria em Maria algo como um símbolo personificado ou o arquétipo da graça divina, providencial e misericordiosa como mãe, como se Maria fosse assim elevada à esfera de Deus e a obra decisiva de Cristo passasse despercebida. (…). Por outro lado, a impressão referida pode ter fundamento em populações menos bem catequizadas: para elas Maria é frequentemente uma espécie de quinta-essência de toda a salvação. Aí tem que intervir a evangelização tão urgentemente recomendada pelo Sínodo dos Bispos e pelo Papa (João Paulo II), procedendo com doçura e inteligência às rectificações necessárias.

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

O egoísmo religioso

«Há, em primeiro lugar, uma falsa forma de tomada de consciência moral, numa perene busca de perfeição pessoal, concentrando toda a atenção no próprio eu, nos seus pecados e nas suas virtudes. Chega-se assim a um egoísmo religioso que impede a pessoa em questão de se abrir simplesmente ao olhar de Deus e de desviar a atenção de si para Ele. A pessoa religiosa e piedosa toda ocupada consigo própria não tem tempo para procurar o rosto de Deus e para ouvir o Seu sim libertador e redentor»

(Joseph Ratzinger - Olhar para Cristo)

Evangelho do dia 16 de março de 2019

«Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Mt 5, 43-48