Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

quinta-feira, 7 de março de 2019

Notre-Dame de Paris

A catedral de Notre-Dame, em Paris, construída há cerca de 850 anos numa ilha no meio do rio Sena é mais do que uma igreja e uma obra de arte, é um monumento da engenharia dedicado a Nossa Senhora.

Cada um é tocado por Deus a seu modo e a seu tempo. Por exemplo, o grande escritor francês Paul Claudel (1868 – 1955) escreve o seu encontro com esta catedral quando tinha 18 anos: «...o meu estado habitual continuava a ser a sensação de asfixia e de desespero. Eu era esse miúdo infeliz que, no dia 25 de Dezembro de 1886, foi a Notre-Dame de Paris ver as cerimónias do Natal. Tinha começado a escrever e pareceu-me que iria encontrar nos ofícios católicos, apreciados com superior diletantismo, a inspiração e o assunto para uns exercícios decadentes. Foi com essas disposições que, acotovelado e empurrado pela multidão, assisti, com um prazer medíocre, à missa solene. Depois, como não tinha nada melhor para fazer, voltei para as vésperas. Os meninos de coro de túnicas brancas e os alunos do seminário menor de Saint-Nicolas-du-Chardonnet cantavam o que, soube mais tarde, era o “Magnificat”. Eu estava em pé, no meio da multidão, perto do segundo pilar na entrada do coro, do lado direito da sacristia. E foi então que o acontecimento que dominou toda a minha vida ocorreu. Num instante, o meu coração foi tocado e ACREDITEI. Acreditei com tanta força de adesão, com tal arrebatamento de todo o meu ser, com uma convicção tão poderosa, com uma tal certeza que não deixava espaço para qualquer espécie de dúvida, que desde então todos os livros, todos os raciocínios, todos os azares de uma vida agitada, não conseguiram abalar a minha fé, nem, sequer, tocá-la. Experimentei, de repente, o sentimento inebriante da inocência, da eterna filiação de Deus, uma revelação inefável» (“Ma Conversion”, Oeuvres en Prose, 1913).

Para um escritor, está bem. Não serei eu a tirar valor a todas as conversões e a todos os acontecimentos históricos que tiveram lugar nesta catedral, mas ela tem igualmente uma faceta tecnológica que merece ser contada.

Até àquela época, os edifícios mais altos tinham 15 ou 20 metros de altura e estavam parcialmente abrigados por árvores ou pelas construções circundantes. Em contrapartida, o telhado de Notre Dame eleva-se a 43 metros de altura, as torres têm 69 metros e a flecha alta chega quase aos 100 metros. A subida de 20 para 43 metros foi a ocasião de os construtores descobrirem os efeitos do que hoje chamamos a camada limite atmosférica, isto é, o progressivo aumento da velocidade do vento com a altura ao solo.

Na Idade Média, o projecto de uma catedral já se baseava em cálculos relativamente sofisticados, mas a grandeza do desafio não dispensava a verificação experimental. Uma das técnicas consistia em pintar as paredes com cal, para detectar o aparecimento de fissuras: onde elas aparecessem, as tensões eram demasiado grandes e devia-se reforçar a estrutura. Em Notre-Dame, verificou-se que se produziam fissuras na base das paredes quando sopravam ventos mais fortes e compreendeu-se que isso era devido a uma força lateral aplicada na parte superior do edifício. Ao mesmo tempo, constatou-se que a catedral era mais escura que o habitual, porque as únicas janelas ficavam a grande altura.

Assim, decidiu-se apoiar lateralmente a parte superior do edifício com arcos botantes e abrir grande janelas mais abaixo. Tinha surgido o estilo gótico na arquitectura!

Os construtores de catedrais da Idade Média mantinham entre si um estreito contacto, de modo que a notícia correu por toda a Europa em poucos meses e as modificações de Notre-Dame começaram a ser aplicadas a todas as grandes igrejas em construção, incluindo algumas menos altas, que não precisariam deste sistema de apoio. Em poucos meses, em toda a Europa se passou a construir no estilo gótico.

Os quase 850 anos da catedral de Notre-Dame presenciaram muitas histórias decisivas da vida da Igreja e do mundo. Durante a Revolução Francesa, em nome da cultura, deitaram abaixo a flecha de quase 100 m de altura, destruíram 28 estátuas do interior e todas as estátuas do exterior à excepção de uma. Ao longo destes séculos, houve tempo para partir muita coisa, mas também houve tempo para reconstruir este triunfo do engenho humano sobre a força da camada limite atmosférica. Em honra de Nossa Senhora.
José Maria C.S. André

Vivei uma particular Comunhão dos Santos

Comunhão dos Santos. – Como to hei-de dizer? – Sabes o que são as transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a Comunhão dos Santos para a alma. (Caminho, 544)

Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria e a força de não estar só. (Caminho, 545)

Aqui estamos, consummati in unum, em unidade de petição e de intenções, dispostos a começar este tempo de conversa com o Senhor com renovado desejo de sermos instrumentos eficazes nas suas mãos. Diante de Jesus Sacramentado – como gosto de fazer um acto de fé explícita na presença real do Senhor na Eucaristia! – fomentai nos vossos corações o desejo de transmitir, pela vossa oração, um impulso fortíssimo que chegue a todos os lugares da terra, até ao último recanto do planeta, onde houver alguém gastando a sua existência ao serviço de Deus e das almas. Com efeito, graças à inefável realidade da Comunhão dos Santos, somos solidários – cooperadores, diz S. João – na tarefa de difundir a verdade e a paz do Senhor. (Amigos de Deus, 154)

São Josemaría Escrivá

O pai é indispensável para que o filho cresça como sujeito

Maria Calvo Charro
A sociedade atual esvaziou o valor da função do pai, não o tem em conta, menosprezou a sua autoridade, as mulheres prescindem deles de forma manifesta, o que leva os filhos perderem-lhes absolutamente o respeito.

Nestas circunstâncias, quando o pai deixa de ser relevante para a mãe, o filho percebe e é ele que toma o seu lugar confirmando a extinção da função paterna.

A desvalorização da paternidade começa a mostrar atualmente os seus efeitos secundários no correto desenvolvimento dos filhos. A relação mãe-filho, digam o que disserem, é mesmo muito diferente da relação paterno-filial.

A função paterna é indispensável para que o filho assuma a sua individualidade, identidade e autonomia psíquica, necessárias para crescer como sujeito.

O pai, se se ausenta, física ou psiquicamente, deixa por cumprir o seu papel de “separador" que é aquilo que, precisamente, permite ao filho diferenciar-se da mãe.

A LUZ E AS TREVAS

Este tempo da Quaresma, é um tempo particularmente indicado para meditarmos na nossa caminhada com Deus e para Deus.

Assim e mais uma vez me coloquei perante esta incrível constatação, que consiste em que quanto mais caminho, mais me falta caminhar, quanto mais tento resistir ao pecado, mais me parece que o pecado me tenta e ainda, que ao vencer, pela graça de Deus, algumas fraquezas do meu dia-a-dia, logo surgem outras que anteriormente não me parecia importante combater.

E, claro, lembro-me de algumas pessoas que me questionavam por isso mesmo, ou seja, que na caminhada que vão fazendo com Deus e para Deus, aquilo que dantes não lhes aparecia como fraqueza, se torna agora pecado a vencer.

Veio então ao meu pensamento esta imagem de me saber num quarto escuro, sem luz, escolhendo uma peça de roupa para vestir, mas que pretendo “perfeita”, não só na conjugação da cor, mas também numa perfeita qualidade de confecção.

A verdade é que, no meio das trevas, nada consigo distinguir e, portanto, ao toque, a minha sensação é de que aquela peça de roupa será a mais indicada pois parece-me não ter defeitos, e até posso acreditar que a cor é a mais perfeita para o que desejo.

Trago então a peça de roupa para um local com um pouco mais de luz, uma penumbra, e se ainda não consigo distinguir bem a cor, nem qualquer imperfeição, percebo sem dúvida uma mancha, que me parece uma nódoa, pois destoa na uniformidade do tom da peça que consigo ver. Mas não tem problema, julgo eu, pois com uma simples lavagem a nódoa sairá.

Passo então para um lusco-fusco e já me é dado perceber que a nódoa é efectivamente grande, mas mais do que isso detecto um pequeno buraco na peça de roupa que me parece um buraco feito por uma traça.
Ainda não me preocupo em demasia, porque um pequeno ponto de costura dado no sítio certo, fará com que tal buraco desapareça.

Aproximo-a então da luz de um candeeiro, o que já me permite perceber que a cor é de um tom indeterminado, e que talvez existam algumas imperfeições de confecção da peça de roupa.
Ainda não desanimo, porque provavelmente são coisas que não se notarão muito.

Saio então para a luz do dia e aí consigo já ver que o tom da cor não tem grande definição, ou seja, não é uma cor definida que eu possa conjugar com facilidade com o resto da minha roupa.
Confirmo também que se a nódoa é grande, sairá no entanto com facilidade numa lavagem simples e que o buraco da traça não se notará, depois de cosido.
Mas, àquela luz natural, a peça de roupa não me agrada muito, pois parece-me carregada de pequenas imperfeições que eu ainda não tinha conseguido identificar.
Se fosse para usar em ambientes fechados, com luz artificial, até poderia passar, mas para usar assim, à luz do dia, julgo que não me agrada, nem agradará a outros.

Sou então levado pela curiosidade de perceber até que ponto aquela peça de roupa tem defeitos e aproximo-a da luz do sol, para que incida totalmente sobre ela e eu possa descortinar os mais ligeiros defeitos.

Então, sob essa luz, já não ligo sequer à nódoa e ao buraco da traça, que facilmente serão eliminados, mas percebo perfeitamente pequenos defeitos na confecção da peça de roupa, que assim vistos e percebidos, retiram toda a graça, toda a beleza daquela peça de roupa que eu tinha escolhido para vestir.
Aquela peça de roupa que me parecia perfeita nas trevas, foi ganhando defeitos à medida que a luz incidia nela, de tal modo, que agora percebo que a não posso usar todos os dias, porque não só não me agrada, mas também porque com certeza não agradará àqueles que comigo se cruzam.

Connosco, na nossa caminhada com Deus e para Deus, sucede o “mesmo”.

À medida que nos afastamos das trevas para a Luz de Deus, vamos percebendo primeiro os grandes defeitos, os grandes pecados, que por Sua graça, combatemos com êxito.

Mas depois, à medida que nos vamos “examinando” à Luz de Deus, vamos descobrindo os nossos “defeitos”, as nossas fraquezas, que dantes não nos incomodavam, mas que agora, numa caminhada de verdade, percebemos que é necessário combater, para nos “fazermos” mais conformes à imitação de Cristo.

Por isso na nossa caminhada com Deus e para Deus, iremos sempre descobrindo na nossa vida terrena, “montes” para aplanar, “curvas” para endireitar, “espinhos” para aceitar, mas vivendo ao mesmo tempo a certeza inabalável que Ele está sempre connosco, e nos dá forças e “ferramentas” para a caminhada.

Por isso mesmo, ao contrário da peça de roupa que já não quero vestir, porque não a posso emendar de todos os defeitos, nós podemos sempre, pela graça de Deus, ir nascendo de novo pelo seu perdão, e purificando-nos do mal pelo seu amor.

E este é o caminho de conversão que nunca está acabado, enquanto não formos por Ele chamados, e pela sua graça, vivermos no seu gozo, eternamente.

Monte Real, 29 de Fevereiro de 2012

Joaquim Mexia Alves em http://queeaverdade.blogspot.com/2012/02/luz-e-as-trevas.html

CHEGARAM OS DIAS DE PENITÊNCIA

Chegaram os dias da penitência!

Este é um tempo favorável para podermos procurar dentro de nós a vontade de Deus e aferirmos como vivemos a Fé que afirmamos professar.
Entremos dentro de nós e peçamos que a nossa consciência seja iluminada pelo Espírito Santo.
Não queiramos ser nós a “aconselhar” a nossa consciência, mas deixemos que seja ela, “livre das nossas certezas”, a aconselhar-nos, mostrando-nos o caminho da vontade de Deus.
Temos tantas certezas! Temos tantas convicções! Temos tanto convencimento de que nos conhecemos!
E afinal, caímos, voltamos a cair, procurando na nossa vontade a vontade de Deus.

Chegaram os dias da penitência!

Não a penitência como um castigo ou uma tristeza inabalável, mas a penitência que nos afirma que Deus está connosco e nos quer revelar em cada momento a sua vontade para a vida que nos deu.
Se nos vestimos de saco, se colocamos cinzas na cabeça, façamo-lo com o sorriso sereno, provocado pela tranquila alegria de sabermos que Ele já nos salvou.
Lembremo-nos sempre que a vontade de Deus é a nossa felicidade.

Chegaram os dias da penitência!

Não queiramos mudar tudo de uma só vez.
Não comecemos pelas faltas grandes, porque dessas temos nós consciência plena de que as devemos mudar.
Comecemos antes pelas mais pequenas, aquelas que nos perseguem todos os dias, aquelas que mais vezes repetimos na Confissão, aquelas em que caímos já tão rotineiramente, que delas só nos apercebemos quando chega o tempo do exame de consciência.
E lembremo-nos que sozinhos nada somos, sozinhos nada conseguimos, só com Ele, no amor do Pai, iluminados pelo Espírito Santo, em Igreja, conseguiremos mudar o que precisa ser mudado, primeiro em nós, e depois dando testemunho no dia a dia, nos outros também.
E se mudarmos o “pequeno”, então o “grande” será mudado também!

Chegaram os dias da penitência!

Louvado seja o Senhor!

Marinha Grande, 18 de Fevereiro de 2015

Joaquim Mexia Alves

Evangelho do dia 7 de março de 2019

Acrescentando: «É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, que seja morto e ressuscite ao terceiro dia. Depois, dirigindo-Se a todos disse: «Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias, e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida por causa de Mim, salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se se perde a si mesmo ou se faz dano a si?

Lc 9, 22-25