Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

terça-feira, 5 de março de 2019

As almas s​antas têm ​que ser fe​lizes

Contava-te que até pessoas que não receberam o baptismo, me disseram comovidas: "É verdade, eu compreendo que as almas santas têm que ser felizes, porque olham os acontecimentos com uma visão que está por cima das coisas da terra, porque vêem as coisas com olhos de eternidade". – Oxalá não te falte esta visão! – acrescentei depois –, para que sejas consequente com o tratamento de predileção que recebeste da Trindade. (Forja, 1017)

Asseguro-te que, se nós, os filhos de Deus, quisermos, contribuiremos poderosamente para iluminar o trabalho e a vida dos homens, com o resplendor divino – eterno! – que o Senhor quis depositar nas nossas almas.

– Mas "quem diz que mora em Jesus, deve seguir o caminho que Ele seguiu", como ensina S. João: caminho que conduz sempre à glória, passando – sempre também – através do sacrifício. (Forja, 1018)

– Meu Senhor Jesus: faz com que sinta, que secunde de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o enchas Tu, meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor! (Forja, 913)

São Josemaría Escrivá

Amor ao próximo na Quaresma e sempre

Estamos em pleno tempo quaresmal e, certamente, porque queremos ser bons fiéis de Jesus Cristo, fizemos os nossos propósitos para viver muito bem este tempo litúrgico. A Paixão e Morte do Senhor, que surge como o cume da Redenção do homem, orienta a nossa vida, que deve ser mais abnegada na oração e na preocupação pelos outros. À oração vamos buscar a intimidade com Deus, que nos ilumina a inteligência, vigoriza a vontade e purifica os nossos afectos, incentivando-os a amar o bem, a fazermos o bem e a ter como nossos, tanto quanto nos for possível, os problemas das pessoas que convivem connosco todos os dias. Por obrigação de caridade devo dar-lhes mais atenção e tentar tornar a sua vida mais agradável.

Tanto quanto dependa de mim, é a elas que me obrigo a estar mais atento perante as suas necessidades. Mais e melhor as devo compreender. E sempre, ajudar no que precisem.

Para que esta atitude se torne realidade, tenho de saber que os meus juízos sobre elas só lhes são benéficos, em primeiro lugar, quando correspondem à verdade e jamais a algumas impressões superficiais, fáceis de aceitar e difíceis de dominar, quando vão unidas a algum mal-estar que o seu modo de ser me provoca. Rapidamente, confundo o que me choca com a sua realidade. E esta não pode ser positiva.

Em segundo lugar, quando o meu juízo está alicerçado na caridade, que é paciente, benigna e tudo suporta, como a define S. Paulo. Esta virtude, que deve caracterizar as atitudes dos filhos de Deus, não significa passividade ou indiferença perante os outros. Pelo contrário, é a mola do amor que lhes devo ter. E o amor quer o bem de quem sou amigo. Por isso, se algum aspecto do seu comportamento não é objectivamente adequado, devo, com suavidade e com fortaleza, fazer aquilo que Jesus Cristo nos ensinou com a correcção fraterna. Em privado, e depois de rezar longamente pela pessoa a quem a vou fazer, de me mortificar para que tudo corra da melhor forma, dir-lhe-ei com calma, suavidade e fortaleza, o que, em consciência, julgo que não está bem no seu procedimento.

Um cristão não critica: reza; não emite juízos fáceis sobre os outros, que podem ser temerários, se não são minimamente fundamentados e caluniosos se não correspondem à verdade. Além disso, a obrigação que temos é rezar pela santidade dos outros. Devo desejar, do fundo da minha alma, que os outros sejam verdadeiramente santos, isto é, bons cristãos que põem em prática o que Jesus nos legou como norma de conduta: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Não temos o mínimo dever de criticar os outros. É um vício que podemos ganhar facilmente, sempre que ao lidar com o próximo, me esqueço da sua condição de filho de Deus, que mereceu, tanto como eu, o Sangue que Cristo verteu no Calvário pela nossa Redenção. Criticar por futilidade ou por má-língua alguém é esquecer que ofendemos não apenas essa pessoa, mas sobretudo a Deus, que é seu Pai, Jesus Cristo, seu irmão, que deu a vida para que ela se salvasse e o Espírito Santo, que através do seu dom do conselho não nos inspira o juízo negativo, mas o que está de acordo com a caridade. Também Nossa Senhora, sua mãe desde a Cruz, se encherá de pena por ver um seu filho a maltratar com tanta falta de fraternidade um seu irmão.

Estamos na Quaresma, tempo de penitência e de conversão. Não será de fazer um propósito franco e corajoso para este período? Não criticar ninguém; antes, rezar por todos: por aqueles com quem simpatizo e com os que não tenho facilidade de relação.

Decerto que Deus Pai ficará contente por descobrir mais solidariedade entre os seus filhos, que Deus Filho verá com mais satisfação os resultados do Sacrifício da sua vida e Deus Espírito Santo sentirá uma maior liberdade para sugerir atitudes mais difíceis de tomar. Também a nossa Mãe, Nossa Senhora, a medianeira de todas as graças, regozijar-se-á pelas suas petições constantes pelos seus filhos que conduziram a tão salutares resoluções.

Sejamos corajosos, confiando mais na ajuda da graça de Deus do que nas nossas forças. Deus apoia todo o que quer fazer a sua vontade, mesmo que ela possa custar ou corresponder a uma espécie de marcha-atrás em relação a um vício muito assumido.  

(Pe. Rui Rosas da Silva in Boletim Paroquial de Março de 2012, seleção do título e imagem da responsabilidade do blogue) 

Não, não... Ya, ya...

Sabemos como é a vida cristã em terras lusitanas. Vamos menos à Missa, adiamos a confissão. Há poucos padres, poucas vocações e algum escândalo eclesiástico. É verdade que também há conversões na universidade, pelo menos em Lisboa, e que intelectuais, que ridicularizavam a doutrina católica, têm hoje a máxima consideração por ela. Apesar de tudo, em muitos ambientes, o panorama é desalentador, tal como em grande parte da Europa.

Fora a América Latina, que é conhecida na Igreja como o «Continente da Esperança», como vai o resto do mundo? Na Ásia, há uma explosão de conversões, mas a percentagem de católicos ainda é pequena. Em África, a evangelização continua a fazer grandes avanços, mas o continente ainda não é maioritariamente católico. No cômputo global, de 1999 para 2009, houve um aumento de 5000 padres no mundo. Fora da Europa, a evolução mundial mais do que compensa a nossa crise. E nos Estados Unidos?

Anne Hendershott, professora de sociologia na Universidade Franciscana de Steubenville e na Universidade de Nova York e antes na Universidade de San Diego, suspeitou que a tribo dos católicos merecia uma investigação. É normal, os sociólogos andam sempre à procura de grupos estranhos, de modo que lançou a equipa a explorar o filão. Fizeram o trabalho de campo à maneira americana: viajaram, recolheram imenso material. Números, estatísticas, dados. Um esforço enorme!

Recentemente, os resultados foram publicados num livro intitulado «Renewal» (renovação), escrito pela própria Hendershott em co-autoria com Christopher White, um dos seus colaboradores seniores.

Os livros norte-americanos costumam oferecer uma imagem predominantemente negativa da Igreja católica e, em particular, do sacerdócio. Por exemplo, o livro «Why Priests?» conclui que os padres são uma «failed tradition» (sem reparar no contra-senso de classificar como falhada uma tradição que dura há 2000 anos). Outro livro intitula-se «The Death of Priesthood», (o fim dos padres). Outro chama-se «Full pews and empty altars» (os bancos da igreja cheios e os altares vazios). Outro estudo, na mesma linha, é «The emerging Catholic Church» (A Igreja católica que aí vem). A opinião negativa sobre a Igreja parece maioritária e, a julgar pela maioria dos autores, os padres estão para acabar.

Neste contexto, os dados recolhidos por Anne Hendershott e pela sua equipa surgiram como absolutamente surpreendentes. A primeira novidade é que, em vez de enumerar os defeitos da Igreja, a nova investigação compila factos sociológicos. A surpresa vem daí. Teoricamente, a Igreja está em declínio nos EUA; na realidade o número de vocações aumentou em muitas dioceses nos últimos 10 anos, com aceleração crescente.

Outra descoberta é que os principais contestatários são as mesmas pessoas desde o tempo do Concílio; a idade média dos sobreviventes é muito elevada, sobretudo comparada com a média etária dos padres, cada vez mais baixa nos Estados Unidos. Sociologicamente, os velhinhos que gritam pela insurreição estão a encontrar o olhar compadecido das novas gerações, que acha os protestos decadentes. Os que queriam mudar a moral profetizaram durante 50 anos que «os jovens iam abandonar a Igreja»; extrapolaram cientificamente a curva do declínio e prometeram que a Igreja desaparecia se as mulheres não fossem padres. Afinal, as ordenações foram cada vez mais numerosas nos últimos 10 anos. A realidade pergunta aos idosos profetas: «...têm mesmo a certeza?».

O livro «Renewal», de Hendershott e White, procura a explicação para este «volte-face» da Igreja católica norte-americana. Como não é um tratado de religião, mas um estudo sociológico, investiga quem são os «transformational leaders». As estatísticas identificam as dioceses em que houve maior subida de vocações como aquelas em que os bispos são mais inequivocamente claros e fiéis ao Papa, o que levou a descobertas sociológicas inesperadas.

Em geral, em comparação com os políticos, a capacidade de liderança dos bispos é um êxito, sobretudo naqueles bispos que afirmam mais claramente a doutrina da Igreja. Então – pergunta de sociólogo –, isso quer dizer que os bispos têm geralmente carisma de «leaders»? Não! É que este povo católico tem um comportamento sociológico peculiar... Os bispos podem ter uma liderança que inspira e arrasta, mas não têm necessariamente carisma de «leaders» no sentido tradicional, não galvanizam audiências, nem cultivam a oratória, alguns até são tímidos. Ao contrário dos políticos, os bispos mais empolgantes e que atraem mais vocações são os muito claros, muito ortodoxos e corajosos, não os tribunos fantásticos, ou os negociadores habilidosos. É curiosa a hipótese científica apresentada por Anne Hendershott, numa longa entrevista à televisão, a propósito deste livro: o carisma dos bispos não seria comparável ao dos políticos, seria uma espécie de carisma sacramental, uma graça que eles recebem no momento da ordenação episcopal...

Outro dado estatístico. Apesar dos escândalos de 2002, os padres actuais nos Estados Unidos são muito felizes e estão entusiasmados com a sua missão (97%), procuram ser piedosos, têm muita iniciativa, vão ao encontro das pessoas. Este ambiente atrai de tal modo as novas gerações, que os seminários se estão a encher exponencialmente e vários seminários começaram a rejeitar candidatos, por falta de lugar.

Hendershott e White prometeram que está para breve um outro livro. Vão chamar-lhe «Beyond the Catholic Culture Wars» (Para além das guerras culturais católicas). A equipa tem imenso material para publicar e o público quer saber mais, depois do furor do «Renewal».

Na Europa, a crise é devastadora; em todo o resto do mundo, a Igreja está cada vez mais forte.
                                                                     José Maria C.S. André
«Correio dos Açores»,  «Verdadeiro Olhar»,  «ABC Portuguese Canadian Newspaper», 28-II-2015

«A verdade…

… não pode nem deve ter outra arma senão ela própria. Aquele que acredita é alguém que achou na verdade a pérola pela qual se dispõe a dar tudo o resto, inclusivamente a si mesmo».

(Joseph Ratzinger - A Caminho de Jesus Cristo)

«É lei primária na história que o que se escreve deve ser conforme com os acontecimentos tal como realmente sucederam».

(Bento XV [quinze] - Spiritus Paraclitus, EB2, n. 457)

«A causa dos nossos males vem da ignorância dos livros sagrados».

(São João Crisóstomo - Homilia sobre Col, ad loc.)

Evangelho do dia 5 de março de 2019

Pedro começou a dizer-Lhe: «Eis que deixámos tudo e Te seguimos». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado a casa, os irmãos, as irmãs, o pai, a mãe, os filhos, ou as terras, por causa de Mim e do Evangelho, que não receba o cêntuplo, mesmo nesta vida, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, e terras, juntamente com as perseguições, e no tempo futuro a vida eterna. Porém, muitos dos primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros». 

Mc 10, 28-31