Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Os sociólogos são levados da breca!

Não assisti ao programa, mas os meus colegas na universidade contaram-me. Foi um debate de banalidades, dedicado a horóscopos, adivinhações e magias desse tipo. Os convidados eram todos adivinhos «profissionais», excepto um professor da universidade que eu conhecia muito bem. Um homem com muitas qualidades e um defeito: não resistia a um convite para falar na televisão, nem que fosse para tratar de horóscopos.

Contaram-me aquela conversa surrealista, em que ele estava completamente deslocado. Não concordava com nada do que os outros diziam e o seu desagrado ia crescendo, até que uma «medium» teve o descaramento de declarar, referindo-se possivelmente à presença dele: «sinto que há aqui uma energia negativa»! O aludido explodiu em directo na televisão, com grande veemência: «Minha senhora! A sua energia nem tem unidades!».

É difícil arrasar mais completamente uma «medium»! Por definição, as grandezas materiais são mensuráveis e podem estudar-se experimentalmente. Por vezes, ainda hoje me divirto quando algum colega da universidade, mais dotado para imitações, reproduz o episódio.

Por definição, as realidades espirituais são o oposto. Imateriais, impossíveis de medir e, por isso, sem unidades. A justiça é real, mas não se podem comparar duas situações, uma 34% mais justa que a outra; tal como não há uma liberdade 73% mais livre que outra. É assim com todas as dimensões espirituais e por isso a sociologia tem um desafio curioso quando procura avaliar estas realidades intrinsecamente não mensuráveis. Uma investigação séria e interessante – que não ofende a inteligência, como os horóscopos –, baseada em indicadores indirectos que nos fazem pensar.

Esta semana, a jornalista Helena Oliveira, do boletim electrónico «VER», apresentou os resultados de um estudo do Pew Research Center sobre a relação da prática religiosa com o grau de felicidade, o envolvimento cívico e a saúde (www.ver.pt/pessoas-activamente-religiosas-sao-mais-felizes/). O trabalho de campo abrangeu um universo estatístico de milhares de adultos de 35 países.
As observações são sugestivas. Estatisticamente, os que vão regularmente à igreja declaram mais frequentemente que são felizes, votam mais nas eleições e estão mais envolvidos na vida comunitária, por exemplo colaborando com associações cívicas, para além da actividade religiosa. No que respeita à saúde, quem pratica uma religião tem menos tendência para fumar, para cair no alcoolismo e adoptar comportamentos de risco. Pelo menos nalguns países, as pessoas que participam regularmente em actividades religiosas vivem mais tempo, sofrem menos de algumas doenças e, em geral, lidam melhor com o «stress» da doença. Em contrapartida, não se não encontraram diferenças significativas no que respeita ao exercício físico e à obesidade.

Porta do Paraíso - Duomo de Florença - Gilberto Ghiberti
Os próprios autores do estudo reconhecem que fica por explicar o porquê destas correlações estatísticas e que não se consegue excluir a influência de outras variáveis. Dentro de alguns anos, o resultado poderá ser diferente?

Este estudo corrobora análises anteriores, de âmbito mais local. Todos concluem que há mesmo uma correlação, mas ela expressa uma relação causal directa? Há quem defenda que o número de amigos explica os níveis de felicidade e quem vai à igreja tem geralmente um maior número de amigos. Por sua vez, isso cria uma rede de apoio, que ajuda a lidar com os problemas da vida. Outros argumentam que são as virtudes promovidas pela religião, como a compaixão, o perdão e o desejo de ajudar os outros, que contribuem para melhorar os níveis de felicidade e até a saúde física. Seja como for, a correlação tem interesse prático.

Alguns estudiosos de ciência política observaram que, se a frequência religiosa diminuir numa determinada sociedade, as iniciativas de voluntariado ficam comprometidas a prazo e o nível de criminalidade tende a aumentar. Pelos vistos, convém ser feliz.
José Maria C.S. André

Estou com Ele no tempo da adversidade

Ainda que tudo se vá abaixo e se acabe; ainda que os acontecimentos se sucedam ao contrário do previsto, com tremenda adversidade; nada se ganha perturbando-se. Além disso, recorda a oração confiante do profeta: "O Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador; o Senhor é o nosso Rei; Ele é quem nos há-de salvar". Reza-a devotamente, todos os dias, para acomodar a tua conduta aos desígnios da Providência, que nos governa para nosso bem. (Forja, 855)

E quando a tentação do desânimo, dos contrastes, da luta, da tribulação, de uma nova noite da alma nos ataca –violenta –, o salmista põe-nos nos lábios e na inteligência aquelas palavras: estou com Ele no tempo da adversidade. Jesus, perante a Tua Cruz, que vale a minha; perante as Tuas feridas, os meus arranhões? Perante o Teu Amor imenso, puro e infinito, que vale o minúsculo fardo que Tu colocaste sobre os meus ombros? E os vossos corações e o meu enchem-se de uma santa avidez, confessando-Lhe – com obras – que morremos de Amor.

Nasce uma sede de Deus, uma ânsia de compreender as Suas lágrimas; de ver o Seu sorriso, o Seu rosto... Julgo que o melhor modo de o exprimir é voltar a repetir, com a Escritura: como o veado deseja a fonte das águas, assim a minha alma te anela, ó meu Deus! E a alma avança, metida em Deus, endeusada: o cristão tornou-se um viajante sedento, que abre a boca às águas da fonte.

Com esta entrega, o zelo apostólico ateia-se, aumenta dia-a-dia – pegando esta ânsia aos outros – porque o bem é difusivo. Não é possível que a nossa pobre natureza, tão perto de Deus, não arda em desejos de semear no mundo inteiro a alegria e a paz, de regar tudo com as águas redentoras que brotam do lado aberto de Cristo, de começar e acabar todas as tarefas por Amor.

Falava antes de dores, de sofrimentos, de lágrimas. E não me contradigo se afirmo que, para um discípulo que procura amorosamente o Mestre, é muito diferente o sabor das tristezas, das penas, das aflições: desaparecem imediatamente, quando aceitamos deveras a Vontade de Deus, quando cumprimos com gosto os Seus desígnios, como filhos fiéis, ainda que os nervos pareçam rebentar e o suplício pareça insuportável. (Amigos de Deus, 310–311)

São Josemaría Escrivá

As rochas

“Pela sua fé, Abraão, o pai dos crentes, é visto como a rocha que sustenta a criação. Simão, o primeiro que confessou Jesus como o Cristo e também a primeira testemunha da ressurreição, torna-se agora, com a sua fé renovada, a rocha que se opõe às forças destruidoras do mal.”

(Bento XVI - Homilia da Santa Missa de 19.02.2012)

"Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo" (Mt 16, 16)

O que era difícil aceitar, para as pessoas às quais Jesus falava? O que continua a sê-lo também para muitas pessoas de hoje? Difícil de aceitar é o facto de que Ele pretende ser não somente um dos profetas, mas o Filho de Deus, e reivindica para si a mesma autoridade de Deus. Ouvindo-o pregar, vendo-o curar os doentes, evangelizar os pequeninos e os pobres e reconciliar os pecadores, gradualmente os discípulos conseguiram compreender que Ele era o Messias, no sentido mais elevado deste termo, ou seja, não apenas um homem enviado por Deus, mas o próprio Deus que se fez homem. Claramente, tudo isto era maior do que eles, ultrapassava a sua capacidade de compreender. Podiam expressar a sua fé com os títulos da tradição judaica: "Cristo", "Filho de Deus", "Senhor". Mas para aderir verdadeiramente à realidade, aqueles títulos deviam de alguma forma ser redescobertos na sua verdade mais profunda: o próprio Jesus, com a sua vida, revelou o seu significado integral, sempre surpreendente, até mesmo paradoxal em relação às concepções correntes. E a fé dos discípulos teve que se adaptar progressivamente. Ela apresenta-se-nos como uma peregrinação que tem o seu momento fontal na experiência do Jesus histórico, encontra o seu fundamento no mistério pascal, mas depois deve progredir ainda mais, graças à ação do Espírito Santo. Esta foi também a fé da Igreja ao longo da história; além disso, esta tem sido inclusive a nossa fé, de nós cristãos de hoje. Solidamente alicerçada na "rocha" de Pedro, é uma peregrinação rumo à plenitude daquela verdade que o Pescador da Galileia professou com uma convicção apaixonada: "Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo" (Mt 16, 16).

Caros irmãos e irmãs, na profissão de fé de Pedro, podemos sentir-nos e ser todos um só, não obstante as divisões que, ao longo dos séculos, dilaceraram a unidade da Igreja, com consequências que perduram até aos dias de hoje. Em nome dos Santos Pedro e Paulo, renovemos hoje, juntamente com os nossos Irmãos provenientes de Constantinopla aos quais volto a agradecer a presença nesta nossa celebração o compromisso a cumprir até ao fim o desejo de Cristo, que nos quer plenamente unidos. Com os Arcebispos concelebrantes, acolhamos o dom e a responsabilidade da comunhão entre a Sé de Pedro e as Igrejas Metropolitanas confiadas aos seus cuidados pastorais. Que nos oriente e nos acompanhe sempre com a sua intercessão a Santa Mãe de Deus: a sua fé indefectível, que sustentou a fé de Pedro e dos outros Apóstolos, continue a apoiar também a fé das gerações cristãs, a nossa própria fé: Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!

Amém.

Bento XVI - Excerto homilia pronunciada na Basílica de São Pedro a 29 de Junho de 2007

Cátedra de São Pedro

"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela." Mt 16,18

Hoje é o Dia da Cátedra de São Pedro. Não sabemos bem como se originou essa festa. Mas é certo que existe uma inscrição, datada de 370 - portanto, há mais de 1.600 anos - atribuída ao Papa São Dâmaso, falando de uma cadeira portátil, dentro do Vaticano, e que é considerada a "cátedra" do Apóstolo Pedro.

Hoje, dessa cadeira restam apenas algumas relíquias de madeira, conservadas e honradas, num lugar onde o grande artista Bernini levantou um monumento grandioso, em honra do primeiro Papa, a Basílica de São Pedro.

Escavações, feitas por cientistas de diversas nações, também provam que os restos mortais de São Pedro se encontram debaixo do mesmo Vaticano, que se torna, assim, símbolo de unidade da Igreja. A celebração de festa da Cátedra de São Pedro tem o significado e o apelo à unidade dos cristãos, sob a guia do Papa, representante visível de Cristo.

O Evangelho nos une a Pedro, mas também a todos os apóstolos e membros da Igreja.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 22 de fevereiro de 2019

Tendo chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os Seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus disse-lhes: «E vós quem dizeis que Eu sou?». Respondendo Simão Pedro, disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Respondendo Jesus, disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão filho de João, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas Meu Pai que está nos céus. E Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus».

Mt 16, 13-19