Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

quinta-feira, 18 de abril de 2019

UMA SEMANA DE CAMINHO (Em adoração a seguir à Missa de Quinta Feira Santa)

Saímos da Última Ceia e Tu, Senhor, levas-me contigo.
Cheio de amor, tomas-me pela mão e convidas-me a fazer-Te companhia.

Que companhia, Senhor? Pergunto eu.

E Tu respondes, com a voz repassada de uma profunda tristeza:
Reza comigo. Preciso que rezes, que vigies, porque a hora é dura e escura.

Sinto-me um nada, mas ao mesmo tempo desperta em mim um orgulho, (por quereres precisar de mim), e começo a rezar, nem sei bem como, nem o quê.

Só dou por mim quando me tocas no ombro, docemente, e perguntas:
Porque dormes?

Ah, Senhor, perdoa-me, digo eu envergonhado tentando explicar-me, é que “adormeço” tantas vezes nas coisas da vida, quando deveria rezar, quando deveria vigiar!

Olhas para mim, ternamente, e pedes-me, (Tu, Senhor, a pedir-me), outra vez:
Reza, porque a hora é de rezar e vigiar!

Mais uma vez me comprometo, rezo e volto a adormecer.

Regressas e tocas-me, acordas-me, apertas-me junto a Ti.
Todo o Teu corpo treme, a voz angustiada, mas percebe-se em Ti a vontade inabalável de fazer a vontade do Pai.

Dizes-me então, olhos nos olhos, cheio de amor:
Sabes, meu Joaquim, quando te peço que rezes e vigies, não é por Mim, mas por ti e por todos.
Percebes agora como é fácil adormeceres e deixares de rezar e vigiar, perante as coisas do mundo?

Baixo a cabeça e digo:
Ah, Senhor, queria tanto chorar contigo, queria sofrer contigo, queria suar o meu sangue, queria ser Teu e apenas Teu!

Mais uma vez me olhas com o Teu terno olhar, mas uma multidão de gente prende-Te e afasta-Te de mim.
Estendo as mãos para Ti, mas não Te alcanço, e fujo envergonhado.

É então que me dizes, enquanto és levado pela multidão, para Te afastarem de mim, para Te afastarem de nós:
Não temas, não temas! Eu estou sempre contigo, Eu estou sempre convosco. Procura-Me no teu coração, procura-Me nos outros e sempre Me encontrarás.

Adormeço finalmente, porque a certeza da Tua presença em mim e no meio de nós, me descansa, me conforta, me enche de paz e alegria.
Nada, nem ninguém, Te pode apartar de mim, te pode apartar de nós!

Obrigado, Senhor!

Marinha Grande, 13 de Abril de 2017

Joaquim Mexia Alves

O mistério de Quinta-feira Santa

Devemos fazer nossas, por assimilação, aquelas palavras de Jesus: "desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum", desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco. De nenhuma forma poderemos manifestar melhor o nosso máximo interesse e amor pelo Santo Sacrifício, que observando esmeradamente até a mais pequena das cerimónias prescritas pela sabedoria da Igreja.

...E, além do Amor, deve urgir-nos a "necessidade" de nos parecermos com Jesus Cristo, não só interiormente, mas também externamente, movendo-nos - nos amplos espaços do altar cristão - com aquele ritmo e harmonia da santidade obediente, que se identifica com a vontade da Esposa de Cristo, quer dizer, com a Vontade do próprio Cristo. (Forja, 833)

Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim. Este versículo de S. João anuncia ao leitor que vai acontecer algo de importante nesse dia. É um preâmbulo terno e afectuoso, que corresponde àquele que S. Lucas recolhe no seu relato: Tenho desejado ardentemente - afirma o Senhor - comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.

Devemos começar desde já por pedir ao Espírito Santo que nos prepare de forma a podermos compreender todas as expressões e todos os gestos de Jesus Cristo, porque queremos viver vida sobrenatural, porque o Senhor nos manifestou a sua vontade de se nos oferecer como alimento da alma e porque reconhecemos que só Ele tem palavras de vida eterna.

A fé leva-nos a confessar com Simão Pedro: nós acreditamos e conhecemos que tu és Cristo, Filho de Deus. E é também ela, fundida com a nossa devoção, que nesses momentos transcendentes nos incita a imitar a audácia de João. Assim, aproximamo-nos de Jesus e reclinamos a cabeça no peito do Mestre que, como acabamos de ouvir, por amar ardentemente os seus, os iria amar até ao fim.
Todos os modos de dizer são demasiadamente pobres quando pretendem explicar, mesmo de longe, o mistério da Quinta-Feira Santa. No entanto, não é difícil imaginar os sentimentos do Coração de Jesus Cristo naquela tarde, a última que passava com os seus antes do sacrifício do Calvário. (Cristo que passa, 83)

Saber perdoar

Cristo deu a Sua vida por ti e tu continuas a detestar aquele que é um servo como tu? Como podes avançar em direcção à mesa da paz? O teu Mestre não hesitou em suportar por ti todos os sofrimentos, e tu recusas-te a renunciar sequer à tua cólera? [...] «Aquele ofendeu-me com gravidade, dizes tu, foi tantas vezes injusto para comigo, chegou mesmo a ameaçar-me de morte!» O que é isto? Ele ainda não te crucificou, como os inimigos do Senhor O crucificaram.Se não perdoas as ofensas do teu próximo, o teu Pai que está nos céus também não te perdoará as tuas faltas (Mt 6, 15). O que te diz a tua consciência quando pronuncias estas palavras: «Pai Nosso, que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome» e o que se segue? Cristo não fez diferenças: Ele derramou o Seu sangue por aqueles que derramaram o Dele. Serias capaz de fazer algo semelhante? Quando te recusas a perdoar ao teu inimigo, é a ti que causas mal, não a ele [...]; o que tu preparas é o teu próprio castigo no dia do julgamento. [...]Escuta o que diz o Senhor: «Quando fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e depois volta para apresentar a tua oferta». [...] Porque o Filho do homem veio ao mundo para reconciliar a humanidade com o Pai. Como diz São Paulo: «Agora Deus reconciliou consigo todas as coisas» (Col 1, 22); «pela cruz [...], levando em Si próprio a morte à inimizade» (Ef 2, 16).

(São João Crisóstomo - Homilia sobre a traição de Judas, 2, 6)

Que vos estimeis, que vos ajudeis

Com quanta insistência o Apóstolo S. João pregava o "mandatum novum"! "Amai-vos uns aos outros!". Pôr-me-ia de joelhos, sem fazer teatro – grita-mo o coração –, para vos pedir, por amor de Deus, que vos estimeis, que vos ajudeis, que vos deis a mão, que vos saibais perdoar. Portanto, vamos banir a soberba, ser compassivos, ter caridade; prestar-nos mutuamente o auxílio da oração e da amizade sincera. (Forja, 454)

Só por o filho voltar a Ele, depois de o atraiçoar, prepara um banquete. Que nos concederá, a nós, que procurámos ficar sempre ao Seu lado?

Longe da nossa conduta, portanto, a lembrança das ofensas que nos tenham feito, das humilhações que tenhamos padecido – por mais injustas, grosseiras e rudes que tenham sido – porque é impróprio de um filho de Deus ter um registo preparado para apresentar depois uma lista de ofensas. Não podemos esquecer o exemplo de Cristo. Não se muda a nossa fé cristã como quem muda um vestido: pode enfraquecer ou robustecer-se ou perder-se. Com esta vida sobrenatural revigora-se a fé e a alma aterra-se ao considerar a miserável nudez humana sem o auxílio divino. E perdoa e agradece: meu Deus, se contemplo a minha pobre vida não encontro nenhum motivo de vaidade e menos ainda de soberba; só encontro abundantes razões para viver sempre humilde e compungido. Sei bem que a melhor nobreza é servir.

Levantar-me-ei e percorrerei a cidade: pelas ruas e praças procurarei aquele que amo... E não apenas a cidade; correrei o mundo de lés a lés – por todas as nações, por todos os povos, por carreiros e atalhos – para conquistar a paz da minha alma. E descubro-a nas ocupações diárias, que não me servem de estorvo; que são – pelo contrário – o caminho e a ocasião de amar cada vez mais e de cada vez mais me unir a Deus. (Amigos de Deus, 309–310)

São Josemaría Escrivá

Quinta-feira Santa, textos de São Josemaría Escrivá - O mandamento novo

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele que amara os Seus, que estavam no mundo, levou até ao extremo o Seu amor por eles (Jo 13, 1).

Este versículo de S. João anuncia, ao seu leitor, que vai acontecer algo de importante nesse dia. É um preâmbulo terno e afectuoso, que corresponde àquele que S. Lucas recolhe no seu relato: Tenho desejado ardentemente – afirma o Senhor – comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer (Lc 22, 15).
Cristo que passa, n. 83

Agora, na Última Ceia, Cristo preparou tudo para se despedir dos seus discípulos, enquanto estes se envolviam pela centésima vez na disputa sobre quem seria o maior desse grupo escolhido. Jesus levantou-se da mesa, depôs o seu manto e, pegando numa toalha, cingiu-se. Depois lançou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a limpar-lhos com a toalha com que estava cingido (Jo 13, 4-5).

Pregou de novo com o exemplo, com obras. Diante dos discípulos, que discutiam por motivos de soberba e de vanglória, Jesus inclina-se e cumpre gostosamente o trabalho próprio de um servo. Depois, quando volta para a mesa, comenta: Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. Se eu, pois, que sou o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, deveis também lavar-vos os pés uns aos outros (Jo 13, 12-14). A mim comove-me esta delicadeza do nosso Cristo, porque não afirma: se eu faço isto, quanto mais deveis fazer vós! Coloca-se ao mesmo nível, não coage: fustiga amorosamente a falta de generosidade daqueles homens.

Como aos primeiros doze, o Senhor também nos pode insinuar a nós, como de facto nos insinua continuamente: exemplum dedi vobis (Jo 13, 15), dei-vos exemplo de humildade. Converti-me em servo, para que vós saibais, com coração manso e humilde, servir todos os homens».
Amigos de Deus, n. 103

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos
Ao aproximar-se o momento da sua Paixão, o Coração de Cristo, rodeado por aqueles que ama, abre-se em inefáveis labaredas: dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros e que, do mesmo modo que eu vos amei, vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros (Jo 13, 34-35). (…)

Amai os vossos inimigos
Senhor, porque chamas novo a este mandamento? Como acabamos de ouvir, o amor ao próximo estava prescrito no Antigo Testamento e recordareis também que Jesus, mal começa a sua vida pública, amplia essa exigência com divina generosidade: ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam (Mt 5, 43-44).

Como eu vos amei
Senhor, deixa-nos insistir: porque continuas a chamar novo a este preceito? Naquela noite, poucas horas antes de te imolares na Cruz, durante aquela conversa íntima com os que – apesar das suas fraquezas e misérias pessoais, como as nossas – te acompanharam até Jerusalém, Tu revelaste-nos a medida insuspeitada da caridade: como eu vos amei. Como não haviam de te entender os Apóstolos, se tinham sido testemunhas do teu amor insondável!

O ensinamento e o exemplo do Mestre são claros e precisos. Sublinhou com obras a sua doutrina. (…) Jesus Cristo, Nosso Senhor, encarnou e tomou a nossa natureza, para se mostrar à humanidade como modelo de todas as virtudes. Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração (Mt 11, 29), convida-nos Ele.

O que distinguirá os cristãos de todos os tempos
Mais tarde explica aos Apóstolos o sinal pelo qual os reconhecerão como cristãos, não diz: porque sois humildes. Ele é a pureza mais sublime, o Cordeiro imaculado. Nada podia manchar a sua santidade perfeita, sem mácula (Cfr. Jo 8, 46). Mas também não diz: saberão que se encontram diante de discípulos meus, porque sois castos e limpos.

Passou por este mundo com o mais completo desprendimento dos bens da terra. Sendo Criador e Senhor de todo o universo, faltava-lhe até um sítio onde pudesse reclinar a cabeça (Cfr. Mt 8, 20). No entanto, não comenta: saberão que sois dos meus porque vos não apegastes às riquezas. Permanece quarenta dias e quarenta noites no deserto em jejum rigoroso (Cfr. Mt 4, 2), antes de se dedicar à pregação do Evangelho. E também não afirma aos seus: compreenderão que servis a Deus, porque não sois comilões nem bebedores.

A característica que distinguirá os apóstolos, os cristãos autênticos de todos os tempos, já o ouvimos: nisto – precisamente nisto – conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros (Jo 13, 35).
Amigos de Deus, nn. 222-224

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)

UMA SEMANA DE CAMINHO (Quinta-feira Santa)

«Senhor, Tu vais lavar-me os pés?»

Estes pés que me levaram ao pecado, que me afastaram de Ti tantas vezes, estes pés que percorreram caminhos sem rumo, nem sentido, estes pés sujos da minha incompreensão, das minhas dúvidas, das minhas incertezas, das minhas fraquezas, de tudo aquilo que eu sou, e gostaria não ser?

«Se não tos lavar, não terás parte comigo.»

Então, Senhor, lava-me o coração, a alma, o meu tudo e o meu nada, porque tudo necessita ser lavado no Teu amor.
Ser parte contigo, é o meu maior desejo, a minha maior vontade, o verdadeiro sentido da minha vida!

Aliás, Senhor, que a “minha” vida se perca, a “minha” vida de coisas do mundo, de interesses, de bens materiais, de “prestigio”, (se algum tiver), mesmo a vida que Tu me deste, se tal for necessário para fazer parte contigo.
Que a “minha” vida se perca, não só por mim, mas por todos, os que conheço e amo, os que conheço e ainda não amo, e mesmo por todos os que não conheço, para que todos façam parte contigo, e eu também, se essa for a Tua vontade.
Mas, se para todos fazerem parte contigo, for necessário que eu me perca, então, Senhor, que assim seja, porque acredito que a Tua misericórdia é sempre maior do que a minha perca.

Humildemente, Senhor, descalço-me, baixo a cabeça, confio em Ti, e deixo então que me laves os pés.

Obrigado, Senhor, e glória, glória a Ti, hoje e sempre pelos séculos sem fim!

Marinha Grande, 13 de Abril de 2017

Joaquim Mexia Alves

Tríduo Pascal

Jesus iniciou o Tríduo Pascal reunindo-se com os Apóstolos no Cenáculo de Jerusalém. Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar [Lc 22, 15], desejei ardentemente celebrar esta Páscoa convosco, antes da Minha Paixão. Com estas palavras se exprime S. Lucas ao escrever o relato da última Ceia. Em cada uma se adivinha o infinito amor do Coração de Jesus pelos homens, a viva consciência de que já tinha chegado a Sua hora, o momento da salvação do género humano, tão longamente esperado.
(…)
Como não pensar também no desejo de ser correspondido, que embargava Nosso Senhor? Contudo, os que O rodeavam não eram conscientes da transcendência daquele acontecimento, como mostra o facto de, precisamente nessa altura, surgirem entre eles discussões sobre quem seria considerado o maior [Cfr. Lc 22, 24].

Copyright © Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

(D. Javier Echevarría na sua carta de Abril de 2012)

Quinta-Feira Santa

«Porventura sou eu, Mestre?»
E esta pergunta que faço minha,
Atormenta-me a alma.
Enraíza-se como erva daninha,
Tira-me a paz e a calma
Fico distante e absorto!

Serei eu, Senhor?

Esse que Te trai todos os dias
Fazendo mal que não quero
Não fazendo o bem que devo?

Serei eu, Senhor?

E… quase me atrevo
E sendo, por uma vez, sincero,
Dir-te-ei:

Ah! Se não me ajudas,
Como Judas,
Trair-te-ei!

ama, Quarta-Feira Santa, 2013.03.27 em NUNC COEPI

Viver o Tríduo Pascal

À medida que a Páscoa se aproximava, crescia em D. Álvaro a preparação para aproveitar bem o Tríduo pascal. Dizia-nos uma vez: «Havemos de procurar ser mais um, vivendo em intimidade de entrega e de sentimentos os diversos passos do Mestre durante a Paixão, acompanhar Nosso Senhor e a Santíssima Virgem com o coração e a cabeça, naqueles tremendos acontecimentos, dos quais não estivemos ausentes quando eles aconteceram, porque o Senhor sofreu e morreu pelos pecados de cada uma e de cada um de nós. Pedi à Santíssima Trindade que nos conceda a graça de entrar mais a fundo na dor que cada um causou a Jesus Cristo, para adquirirmos o hábito da contrição, que foi tão profundo na vida do nosso santo Fundador e o levou a heroicos graus de Amor» [7].

A liturgia de Quinta-feira Santa impressionava, naturalmente, D. Álvaro. E cheio de esperança, de alegria, também humana, considerava a entrega de Cristo à Igreja, por cada alma, manifestada na instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Visitava os Monumentos com ânimo de meditar e assumir o Sacrifício supremo de Jesus. Gostava de passar pelas igrejas onde O colocavam com maior solenidade, também com o desejo de se preparar melhor para acolher constantemente Deus na sua alma.

Várias vezes comentou que o comoviam as leituras dos diversos ofícios litúrgicos desses dias, e de forma muito particular a narração da Paixão segundo S. João. Recomendava a leitura e meditação da Paixão do Senhor e a adoração da Santa Cruz. Detinha-se a rezar o canto das Lamentações, na Sexta-feira Santa, e o Exsúltet, o pregão da Vigília Pascal.

Em sinal de gratidão e de esperança, beijava com frequência o crucifixo que trazia no bolso, ou o que punha sobre a mesa de trabalho. Tratemos Jesus com autêntico carinho de enamorados, como D. Álvaro fazia, segundo o conselho do nosso Padre: o teu Crucifixo. – Como cristão, deverias trazer sempre contigo o teu Crucifixo. E colocá-lo sobre a tua mesa de trabalho. E beijá-lo antes de te entregares ao descanso e ao acordar. E quando o pobre corpo se rebelar contra a tua alma, beija-o também [8]. Testemunhei que este modo de proceder contagiava outras pessoas, que acabavam por imitá-lo nessas práticas cheias de vigorosa piedade e de naturalidade cristã.

[7]. D. Álvaro del Portillo, Carta, 1-IV-1987.
[8]. S. Josemaria, Caminho, n. 302.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de abril de 2014)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Evangelho do dia 18 de abril de 2019

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a Sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Durante a ceia, tendo já o demónio posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a determinação de O entregar,Jesus, sabendo que o Pai tinha posto nas Suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e voltava para Deus, levantou-Se da mesa, depôs as vestes e, pegando numa toalha, cingiu-Se com ela. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou, pois, a Simão Pedro. Pedro disse-Lhe: «Senhor, Tu lavares-Me os pés?». Jesus respondeu-lhe: «O que Eu faço, tu não o compreendes agora, mas compreendê-lo-ás depois». Pedro disse-Lhe: «Jamais me lavarás os pés!». Jesus respondeu-lhe: «Se Eu não te lavar não terás parte comigo». Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus disse-lhe: «Aquele que tomou banho não tem necessidade de se lavar, pois todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos». Ele sabia quem era o que O ia entregar, por isso disse: «Nem todos estais limpos». Depois que lhes lavou os pés e que retomou as Suas vestes, tendo tornado a pôr-Se à mesa disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem porque o sou. Se Eu, pois, sendo vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais vós também.

Jo 13, 1-15

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Quarta-feira Santa: “Amor com amor se paga”

Queres saber como agradecer ao Senhor o que fez por nós?... Com amor! Não há outro caminho. Amor com amor se paga. Mas a certeza do carinho é dada pelo sacrifício. Portanto, ânimo: nega-te e toma a Sua Cruz. Então terás a certeza de Lhe devolver amor por Amor. (Via Sacra, 5ª estação, n. 1)

Não é tarde nem tudo está perdido... Ainda que te pareça. Ainda que o repitam mil vozes agoirentas. Ainda que te assediem olhares de troça e incredulidade... Chegaste numa boa altura para carregar com a Cruz: a Redenção está a fazer-se - agora! -, e Jesus tem necessidade de muitos cireneus. (Via Sacra, 5ª estação, n. 2)

Para ver feliz a pessoa que ama, um coração nobre não vacila ante o sacrifício. Para aliviar um rosto doente, uma alma grande vence a repugnância e dá-se sem reticências... E Deus merece menos que um bocado de carne, que um punhado de barro?
Aprende a mortificar os teus caprichos. Aceita a contrariedade sem exageros, sem espaventos, sem... histerismos. E tornarás mais leve a Cruz de Jesus. (Via Sacra, 5ª estação, n. 3)

Como amar deveras a Cruz Santa de Jesus?... Deseja-a!... Pede forças ao Senhor para implantá-la em todos os corações e de uma ponta a outra deste mundo! E depois... desagrava-O com alegria; procura amá-Lo, também com o bater de todos os corações que ainda O não amam. (Via Sacra, 5ª estação, n. 5)

São Josemaria Escrivá

Páscoa: a oração ao Pai na dificuldade

Locutor: Como preparação para o início do Tríduo Pascal, reflitamos hoje sobre as palavras que Jesus dirigiu ao Pai durante a sua Paixão. Terminada a Última Ceia, Jesus pediu ao Pai que o glorificasse. A glória, na Bíblia, se refere à ação reveladora de Deus. Jesus é Aquele que revela de modo definitivo a presença de Deus através da sua morte na Cruz. Para quem julgasse que a glória era poder e fama, Jesus mostra que a verdadeira glória é amor: uma entrega generosa e incondicional ao outro. Já no Jardim do Getsêmani, tomado de uma profunda angústia, Jesus se dirige ao Pai, com o termo carinhoso Abbá, ensinando-nos a encontrar consolo e força junto do Pai e não cair na tentação da solidão e do isolamento. Por fim, pregado na Cruz, no momento da dor mais aguda, Jesus exclama, intercedendo por nós: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»: o sofrimento, vivido com amor, se converte em perdão. Desse modo, somos convidados a viver dando sempre glória a Deus, ou seja, com amor e perdão.


Santo Padre:
Saluto i pellegrini di lingua portoghese, in particolare i fedeli della parrocchia di Cristo Rei di Porto e i diversi gruppi di brasiliani: lasciatevi illuminare e trasformare dalla forza della Risurrezione di Cristo, affinché le vostre esistenze diventino una testimonianza dell’amore che sconfigge il peccato e la morte. Un Santo Triduo Pasquale a tutti!

Locutor: Uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis da paróquia Cristo Rei no Porto e os diversos grupos de brasileiros: Deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, para que as vossas existências tornem um testemunho da vida que é mais forte do que o pecado e a morte. Um Santo Tríduo Pascal para todos!

“A fé é o acto fundamental da existência cristã”

«Nem todas as religiões são "fé". O budismo, por exemplo, na sua forma clássica, não visa este acto de auto-transcendência  de encontro com o Totalmente Outro, Deus que me fala e me convida ao amor. Característico para o budismo é, pelo contrário, um acto de radical interiorização, não sair de si (ex-ire) mas descer até ao interior, o que deve conduzir à libertação do jugo da individualidade, do peso de ser pessoa, ao retorno à identidade comum a todo o ser. E isto, em confronto com a nossa experiência existencial, pode ser definido como não-ser, como nada, se quisermos exprimir toda a sua alteridade.»

(Joseph Ratzinger - Olhar para Cristo)

«É São Paulo quem to diz, alma de apóstolo: "Justus ex fide vivit" - O justo vive da fé.- Que fazes tu, que deixas apagar esse fogo?»

(S. Josemaría Escrivá de Balaguer - Caminho 578)

«Ensinar alguém, para o trazer à fé, [...] é dever de todo o pregador e, mesmo, de todo o crente»

(S. Tomás de Aquino - Summa theologiae, 3 q. 71, a. 4, ad 3)

Elemento fundamental, tão ou mais importante que o pão para a boca, “O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4, 4).

Quando rezamos o Pai Nosso e dizemos "o pão nosso de cada dia nos dai hoje", incluamos como parte desse pão, a fé que já temos dentro de nós, para que a sentíamos aumentada a cada dia que passa, diria mesmo, a cada micro segundo da nossa vida.

JPR

As duas irmãs que ralhavam com Deus

Cristo num banquete em casa de Maria, Marta e Lázaro, Georg Friedrich Stettner († 1639)
Amanhã (segunda-feira depois do Domingo de Ramos 10.04.2017), vai ler-se em todas as Missas da Igreja católica um episódio passado com uma família que ralhava com Deus. Poucas pessoas se podem gabar de um currículo tão escandaloso, realmente insólito. Nem sequer os discípulos se atreviam a ralhar com Jesus.

No máximo, Pedro tentou ser simpático animando Jesus, privadamente: «Deus não permita, Senhor, que isso aconteça!», por Jesus lhes anunciar que ia ser morto em breve. Graças a essa intervenção bem-intencionada, Pedro recebeu uma descompostura monumental, que deixou todos os discípulos aterrados.

Detalhe 'Madona delle ombre' de Fra Angelico 1440-1450
O outro caso-limite tinha acontecido muitos anos antes, quando Jesus era ainda muito novo e esteve vários dias perdido. Nossa Senhora e S. José O encontram-No finalmente no Templo, com os doutores, e Maria queixa-se: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». O susto tinha sido tão grande...

De resto, as pessoas que protestaram contra Jesus foram os seus opositores. Coitados!

Entre os fiéis, apenas duas mulheres se atreveram a ralhar com Mestre. Eram irmãs, chamavam-se Marta e Maria, naturais de Betânia, a poucos quilómetros de Jerusalém, onde viviam com o seu irmão Lázaro. Naquela família, de enorme generosidade, habituada a ter a casa invadida de amigos, ficavam Jesus e os discípulos quando estavam em Jerusalém.

Segundo os Evangelhos, a primeira a ralhar com Jesus foi Marta: «Então, não Te importas que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que me venha ajudar!». Às duas irmãs, Jesus admitia tudo!

Noutra ocasião, quando Lázaro estava muito doente, mandaram-No chamar, mas o Mestre demorou alguns dias. Finalmente, quando chegou, Marta disparou imediatamente: «Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!»; daí a instantes vai chamar a irmã e a primeira coisa que ela faz é queixar-se do atraso: «Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!». Chora Jesus com as duas irmãs e comenta o povo «vede como Ele era amigo de [Lázaro]». Efectivamente, Jesus tinha uma amizade especialíssima com os três irmãos.

Amanhã, segunda-feira, nas Missas que se vão celebrar em todo o mundo, vai ler-se outro relato muito especial. Jesus tinha ressuscitado Lázaro há poucos dias, e os três organizaram um jantar para agradecer e tomar posição publicamente. É que, depois de Jesus ressuscitar Lázaro perante uma multidão numerosa – vários dias depois da morte, quando o corpo já cheirava mal –, os líderes judaicos decidiram matar Jesus. O banquete foi de tal ordem que, no fim, as autoridades judaicas decidiram matar também Lázaro. Não se sabe se os três irmãos tiveram medo, mas sabe-se que organizaram um jantar em grande e convidaram uma multidão a festejar com eles. A certa altura, Maria foi buscar um frasco enorme de perfume, de nardo puro, e entornou-o todo aos pés de Jesus. O perfume era caríssimo. E toda a casa se encheu com o perfume daquele bálsamo. A seguir, enxugou com os cabelos os pés de Jesus. Aquilo já não era uma festa, era uma adoração, a entrega mais plena, à frente de todos.

Levantou-se Judas Iscariotes para ralhar com aquela mulher: «Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários, para dar aos pobres?!».

Jesus, que deixava Marta e Maria protestarem quando quisessem, não admitiu o comentário de Judas e contou em público o que provavelmente só Ele e os três irmãos sabiam: «...ela tinha guardado o perfume para o dia da minha sepultura».

Maria não tinha sabido esperar, para prestar a Jesus aquela homenagem? Pelo contrário! Jesus explicou que vinha mesmo na altura certa: «Pobres, sempre os tereis convosco, mas a Mim, nem sempre Me tereis». Naquele momento, nem todos perceberam.

É o que se vai celebrar, dia a dia, ao longo desta semana: a condenação e a morte de Jesus. Que ressuscitou ao terceiro dia, sem dar tempo para O ungirem.
José Maria C.S. André
09-IV-2017
Spe Deus

Evangelho do dia 17 de abril de 2019

Então um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, e disse-lhes: «Que me quereis dar e eu vo-l'O entregarei?». Eles prometeram-lhe trinta moedas de prata. E desde então buscava oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos ázimos, aproximaram-se de Jesus os discípulos, dizendo: «Onde queres que Te preparemos o que é necessário para comer a Páscoa?». Jesus disse-lhes: «Ide à cidade, a casa de um tal, e dizei-lhe: “O Mestre manda dizer: O Meu tempo está próximo, quero celebrar a Páscoa em tua casa com os Meus discípulos”». Os discípulos fizeram como Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. Ao entardecer, pôs-se Jesus à mesa com os doze. Enquanto comiam, disse-lhes: «Em verdade vos digo que um de vós Me há-de trair». Eles, muito tristes, cada um começou a dizer: «Porventura sou eu, Senhor?» Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse é que Me há-de trair. O Filho do Homem vai certamente, como está escrito d'Ele, mas ai daquele homem por quem será entregue o Filho do Homem! Melhor fora a tal homem não ter nascido». Judas, o traidor, tomou a palavra e disse: «Porventura, sou eu, Mestre?». Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste». 

Mt 26, 14-25

terça-feira, 16 de abril de 2019

Terça-feira Santa: "A Cruz às costas, com um sorriso nos lábios"

Quanto mais de Cristo fores, maior graça terás para a tua eficácia na terra e para a felicidade eterna. Mas tens de decidir-te a seguir o caminho da entrega: a Cruz às costas, com um sorriso nos lábios, com uma luz na alma (Via Sacra, 2ª Estação, n. 3).

Ouves dentro de ti: "Como pesa esse jugo que livremente tomaste!"... É a voz do diabo; o fardo... da tua soberba. Pede humildade ao Senhor, e também tu entenderás aquelas palavras de Jesus: iugum enim meum suave est, et onus meum leve (Mt 9, 30), que me agrada traduzir, livremente, assim: o meu jugo é a liberdade, o meu jugo é o amor, o meu jugo é a unidade, o meu jugo é a vida, o meu jugo é a eficácia (Via Sacra, 2ª Estação, n. 4).

Há no ambiente uma espécie de medo da cruz, da Cruz do Senhor. Tudo porque começaram a chamar cruzes a todas as coisas desagradáveis que acontecem na vida, e não sabem aceitá-las com sentido de filhos de Deus, com visão sobrenatural.
Até tiram as cruzes que os nossos avós levantaram nos caminhos!
Na Paixão, a Cruz deixou de ser símbolo de castigo para se converter em sinal de vitória. A Cruz é o emblema do Redentor: in quo est salus, vita et ressurrectio nostra, ali está a nossa salvação, a nossa vida e a nossa ressurreição (Via Sacra, 2ª Estação, n. 5).

São Josemaria Escrivá

UMA SEMANA DE CAMINHO (3ª feira)

Pobre Pedro!

Convencido que dar a vida por Ti era coisa fácil, sem dor, logo é confrontado com a realidade: «Não cantará o galo, sem que Me tenhas negado três vezes».
E negou-Te três vezes, sem apelo, nem agravo, e depois chorou amargamente o seu arrependimento, ao cruzar os seus olhos com o teu olhar de doce e infinito perdão.

Quantas vezes me sinto forte, cheio de certezas, inabalável na convicção, e depois, às vezes, por uma coisa de nada, volto-Te as costas, abandono-Te, nego-Te, como se não Te conhecesse.

E Tu nada dizes, mas ficas serenamente à espera de cruzares o Teu olhar com o meu, à espera que o meu coração se abra ao Teu amor, ao Teu perdão, e eu “derreto-me” na Tua ternura, na doçura do - Eu amo-te – que dizes ao meu coração, e choro, choro amargamente no meu coração, não tanto por Te ter negado, mas mais por não ser digno do Teu amor.

Podia jurar, comprometer-me em compromisso inabalável, afirmando que nunca mais Te negarei, mas eu sei, e Tu sabes melhor do que eu, que essa jura, esse compromisso, vai ser quebrado quando a fraqueza da minha humanidade prevalecer sobre o amor divino que derramaste em mim.

Por isso, Senhor, apenas posso comprometer-me com tudo o que sou, a, por Tua graça, em cada negação da minha vida, procurar o Teu olhar de perdão, nele me deixar envolver, mergulhar na profundeza do Teu amor e reconhecer-Te, dizendo: «Meu Senhor e meu Deus.»

E eu sei, Senhor, com esta certeza da fé que me deste, que logo me abrirás os braços, (que aliás nunca fechas), me recolherás e apertarás junto a Ti, dizendo:
Pode o galo cantar todas as vezes que quiser, que se tu olhares para mim, entregando-te em amor, o Meu canto será melhor, o Meu canto será maior, porque é um canto de Amor.

Obrigado, Senhor!

Marinha Grande, 11 de Abril de 2017

Joaquim Mexia Alves

Feliz 92º aniversário natalício


Ad multos anos

Bento XVI completa hoje 92 anos, estando a receber mensagens de felicitações de autoridades políticas e religiosas, homens de cultura e fiéis.

Em 2011 o “L’Osservatore Romano” juntava-se às felicitações nestes termos: «Em nome dos seus leitores e de tantas pessoas em todo mundo que amam o Papa, estão próximas dele e manifestam a simpatia e interesse pela sua pessoa e palavras, que anunciam sem cansaço a convicção gozosa de que Deus é a luz do mundo.» acompanhada de uma imagem tradicional etíope em que os anjos veneram a cruz de Cristo, acompanhada da frase em latim Ad multos anos. No ocaso da sua vida terrena peço a Deus todos os dias pela sua saúde e pela divulgação do seu pensamento e valores firmes com que nos guiou e deixou como herança.

Pedir ao Senhor pelo Papa Emérito

Façamo-lo hoje, data do seu nonagésimo segundo aniversário, com redobrada intenção, mesmo aqueles entre vós que por uma razão ou outra possam não nutrir a maior das simpatias pela personalidade e pelo seu magistério,  não nos esqueçamos que foi escolhido em 2005 como sucessor de Pedro e que só pode ter sido o Divino Espírito Santo a iluminar o Conclave de então, facto que por si só é condição mais do que suficiente para que cheios de visão sobrenatural o respeitarmos profundamente.

Pessoalmente, dir-vos-ei, que não só o respeito como o amo com todo o meu entendimento e coração, pois ele guiou-nos na firmeza da fé, na alegria da esperança e na doçura da caridade neste mundo conturbado e onde o relativismo parece predominar.

JPR

Evangelho do dia 16 de abril de 2019

Tendo Jesus dito estas coisas, perturbou-Se em Seu espírito e declarou abertamente: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar». Olhavam, pois, os discípulos uns para os outros, não sabendo de quem falava. Ora um dos Seus discípulos, aquele que Jesus amava, estava recostado sobre o peito de Jesus. A este, Simão Pedro fez sinal, para lhe dizer: «De quem fala Ele?». Aquele discípulo, pois, tendo-se reclinado sobre o peito de Jesus, disse-Lhe: «Quem é, Senhor?». Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado que vou molhar». Molhando, pois, o bocado, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. Atrás do bocado, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe então: «O que tens a fazer, fá-lo depressa». Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu por que lhe dizia isto. Alguns, como Judas era o que tinha a bolsa, julgavam que Jesus lhe dissera: «Compra as coisas que nos são precisas para o dia da festa», ou: «Dá alguma coisa aos pobres». Ele, pois, tendo recebido o bocado, saiu imediatamente; era noite. Depois que ele saiu, Jesus disse: «Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n'Ele. Se Deus foi glorificado n'Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo; e glorificá-l'O-á sem demora. Filhinhos, já pouco tempo estou convosco. Buscar-Me-eis, mas, assim como disse aos judeus: Para onde Eu vou, vós não podeis vir, também vos digo agora. Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, para onde vais?». Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, não podes tu agora seguir-Me, mas seguir-Me-ás mais tarde». Pedro disse-lhe: «Porque não posso eu seguir-Te agora? Darei a minha vida por Ti». Jesus respondeu-lhe: «Darás a tua vida por Mim? Em verdade, em verdade te digo: Não cantará o galo sem que Me tenhas negado três vezes. 

Jo 13, 21-33.36-38

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Segunda-feira Santa: “Eu sou a luz do mundo”

Os nossos pecados foram a causa da Paixão: daquela tortura que deformava o semblante amabilíssimo de Jesus, perfectus Deus, perfectus homo. E são também as nossas misérias que agora nos impedem de contemplar o Senhor e nos apresentam a Sua figura turva e desfeita.

Quando temos a vista turva, quando os olhos se enevoam, precisamos de ir à luz. E Cristo disse: ego sum lux mundi (Jo VIII, 12)!, Eu Sou a luz do mundo. E acrescenta: o que Me segue não anda nas trevas; mas terá a luz da vida. (Via Sacra, 6ª Estação nº 1)


Esta semana, que o povo cristão tradicionalmente chama Santa, oferece-nos uma vez mais a possibilidade de considerar - de reviver - os momentos em que se consuma a vida de Jesus.

Tudo o que as diversas manifestações de piedade nos trazem à memória nestes dias se encaminha decerto para a Ressurreição, que é o fundamento da nossa fé, como escreve S. Paulo. Mas não percorramos este caminho demasiado depressa; não deixemos cair no esquecimento alguma coisa muito simples, que por vezes parece escapar-nos: não poderemos participar da Ressurreição do Senhor se não nos unirmos à sua Paixão e à sua Morte. Para acompanhar a Cristo na sua glória no final da Semana Santa, é necessário que penetremos antes no seu holocausto e que nos sintamos uma só coisa com Ele, morto no Calvário. (…)


Meditemos no Senhor, chagado dos pés à cabeça por amor de nós. Com frase que se aproxima da realidade, embora não consiga exprimi-la completamente, podemos repetir com um escritor de há séculos: O corpo de Jesus é um retábulo de dores. A vista de Cristo feito um farrapo, transformado num corpo inerte descido da Cruz e confiado a sua Mãe, à vista desse Jesus destroçado, poder-se-ia concluir que esta cena é a exteriorização mais clara de uma derrota. Onde estão as massas que O seguiram e o Reino cuja vinda anunciava? Contudo, não temos diante dos olhos uma derrota, mas sim uma vitória: está agora mais perto do que nunca o momento da Ressurreição, da manifestação da glória que Cristo conquistou com a sua obediência. (Cristo que Passa, 95)

Somos todos chamados a ter Alma Sacerdotal

«De todos os regenerados em Cristo, o sinal da cruz faz reis, a unção do Espírito Santo consagra sacerdotes, para que, independentemente do serviço particular do nosso ministério, todos os cristãos espirituais no uso da razão se reconheçam membros desta estirpe real e participantes da função sacerdotal. De facto, que há de tão real para uma alma como governar o seu corpo na submissão a Deus? E que há de tão sacerdotal como oferecer ao Senhor uma consciência pura, imolando no altar do seu coração as vítimas sem mancha da piedade?»

(São Leão Magno - Sermão 4, 1)