Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Quem é feliz?

A festa de Natal no Vaticano foi o encontro das famílias dos que lá trabalham com o Papa Francisco. Festejou uma bisavó de 93 anos, saudou mil e uma crianças e contou-lhes um segredo: que fazer para ser feliz?

– «O Natal é uma festa de alegria, no entanto, por vezes damo-nos conta de que as pessoas (talvez nós próprios) estão presas a tanta coisa que afinal não têm alegria, ou é muito superficial? Porquê?».

Francisco recordou o escritor francês Léon Bloy – «só há uma tristeza, (...) a de não ser santos» – e deduziu: «Portanto, o oposto da tristeza, isto é, a alegria, deriva de ser santo».

Arrancou assim uma lição de catequese viva, divertida, adaptada ao vocabulário dos mais pequenos.

«Olhemos para o presépio. Quem é feliz no presépio? Pergunto-vos a vós, crianças, que gostais de admirar as figuras... e talvez mexer-lhes um bocadinho, mudá-las de sítio, aborrecendo o pai, que as tinha colocado com tanto cuidado!»

«Então, quem é feliz no presépio? Nossa Senhora e S. José estão cheios de alegria: olham o Menino Jesus e estão felizes porque, depois de mil preocupações, acolheram este Presente de Deus com tanta fé e tanto amor. Estão “carregadinhos” de santidade e portanto de alegria (“sono ‘straripanti’ de santità e quindi di gioia”). Dir-me-ão: claro! São Nossa Senhora e S. José! Sim, mas não pensemos que as coisas foram fáceis para eles: não se nasce santo,
fazemo-nos santos, e isto também se aplica a eles».

«Depois, os pastores estão cheios de alegria. Também os pastores são santos, é evidente, porque responderam ao anúncio dos anjos, correram logo para a gruta e reconheceram o sinal do Menino na manjedoura. Não era óbvio. Muitas vezes, nos presépios há um pastorinho jovem que olha embevecido para dentro da gruta, encantado: aquele pastor expressa a alegria extasiada de quem acolhe o mistério de Jesus com alma de criança. Isto é uma característica da santidade: conservar a capacidade de se deslumbrar, de se maravilhar diante do dom de Deus, das suas “surpresas”, e o maior dom, a surpresa sempre nova é Jesus.  A grande surpresa é Deus!».

«Nos presépios maiores, com muitas personagens, estão os ofícios: o sapateiro, o distribuidor de água, o artesão, o padeiro... e quem tiver mais figuras, meta-as lá. E estão todos felizes.

Porquê? Porque estão “infectados” pela alegria (...) do Nascimento de Jesus. Assim, também o seu trabalho se santifica pela presença de Jesus, a sua vinda ao meio de nós».

«(...) Isto faz-nos pensar no nosso próprio trabalho. (...) Também no ambiente do trabalho existe “a santidade ao-pé-da-porta”. Também aqui no Vaticano: sou testemunha disso.

Conheço alguns de vós que são exemplo de vida: trabalham para a família, sempre com um sorriso, com uma laboriosidade sã, bela. A santidade é possível. É possível. Este é o meu sexto Natal como bispo de Roma e devo dizer que conheci vários santos e santas que trabalham cá. Santos e santas que vivem bem a vida cristã e, se fazem uma coisa mal feita, pedem desculpa. Mas continuam, com a família. Pode viver-se assim. É uma graça e é tão belo. (...) São pessoas alegres; não é que estejam sempre a rir, não, mas têm uma grande serenidade interior e sabem transmiti-la aos outros. Donde é que vem? Sempre dEle, de Jesus, o Deus-connosco. Ele é a fonte da nossa alegria, quer pessoal, quer na família ou no trabalho».

«Os meus votos são isto: ser santos, para ser felizes. Mas não santos como as pinturas dos santinhos, nada disso! Santos normais. Santos e santas de carne e osso, com o nosso carácter, os nossos defeitos, até os nossos pecados – pedimos perdão e vamos para a frente –, sempre prontos a deixarmo-nos “infectar” pela presença de Jesus no meio de nós, prontos a correr para Ele como os pastores, para ver este Menino, este Sinal incrível que Deus nos deu. O que é que os anjos disseram? “Eis que vos anuncio uma grande alegria, para todo o povo” (Lc 2,10). Vamos vê-Lo? Ou estamos presos com outras coisas?»

«Caros irmãos e irmãs, não tenhamos medo da santidade. Garanto-vos que é o caminho para a alegria». Tomo nota, porque esta informação vale mais que instalar o GPS.
José Maria C.S. André

Diante de Deus tu és uma criança

Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança mais pequena do que, diante de ti, um miúdo de dois anos. E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças. (Caminho, 860)

Se reparardes bem, é muito diferente a queda de uma criança e a queda de uma pessoa crescida. Para as crianças, uma queda, em geral, não tem importância; tropeçam com tanta frequência! E se começam a chorar, o pai lembra-lhes: os homens não choram. Assim se encerra o incidente com o empenho do miúdo por contentar o seu pai.

(…) Se procurarmos portar-nos como eles, os tropeções e os fracassos – aliás inevitáveis – na vida interior, nunca se transformarão em amargura. Reagiremos com dor, mas sem desânimo, e com um sorriso que brota, como a água límpida, da alegria da nossa condição de filhos desse Amor, dessa grandeza, dessa sabedoria infinita, dessa misericórdia, que é o nosso Pai. Aprendi durante os meus anos de serviço ao Senhor a ser filho pequeno de Deus. E isto vos peço: que sejais quasi modo geniti infantes, meninos que desejam a palavra de Deus, o pão de Deus, o alimento de Deus, a fortaleza de Deus para se comportarem de agora em diante, como homens cristãos. (Amigos de Deus, 146)

São Josemaría Escrivá

Tentar fintar a morte

«O optimismo ideológico é uma tentativa de esquecer a morte com o contínuo decorrer duma história virada para a sociedade perfeita. Aqui esquece-se de falar de algo autêntico e o homem é aclamado com uma mentira; isto vê-se sempre que a própria morte se avizinha. Ao contrário, a esperança da fé abre caminho para um verdadeiro futuro além da morte, e só assim os verdadeiros progressos existentes se tornam futuro também para nós, para mim, para todos».

(Joseph Ratzinger - Olhar para Cristo)

A visão de Deus

«Poderás então ver-Me por detrás. Quanto à face, ela não pode ser vista»

(Livro do Êxodo, 33, 23)

«Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único que está no seio do Pai é que O deu a conhecer.»

(Jo 1,18)

«Em Jesus, cumpriu-se a promessa do novo profeta. N’Ele realizou-se agora plenamente o que em Moisés se encontrava apenas de modo imperfeito: Ele vive na presença de Deus, não apenas como amigo, mas como Filho; vive em profunda unidade com o Pai».

(Joseph Ratzinger / Bento XVI - “Jesus de Nazaré”)

A nós, enquanto peregrinarmos na Terra, só saber que Ele existe e O podermos amar além dialogar através da oração, é um grande consolo, mas maior é ainda a esperança/certeza de que está ao nosso alcance conhecê-Lo no Seu Reino se de tal formos tidos como merecedores.

JPR

Santos Inocentes, mártires, séc. I

A Igreja honra como mártires este coro de crianças, vítimas do terrível e sanguinário rei Herodes, arrancadas dos braços das suas mães para escrever com o seu próprio sangue a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e merecer a glória eterna, segundo a promessa de Jesus:"Quem perder a vida por amor a mim há-de encontrará-la." Para eles a liturgia repete hoje as palavras do poeta Prudêncio: "Salvé, ó flores dos mártires, que na alvorada do cristianismo fostes massacrados pelo perseguidor de Jesus, como um violento furacão arranca as rosas apenas desabrochadas! Vós fostes as primeiras vítimas, a tenra grei imolada, num mesmo altar recebestes a palma e a coroa."

O episódio é narrado somente pelo evangelista Mateus, que se dirigia principalmente aos leitores hebreus e, portanto, tencionava demonstrar a messianidade de Jesus, no qual se realizaram as antigas profecias: "Quando Herodes descobriu que os sábios o tinham enganado ficou furioso. Mandou matar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios. Foi assim que se cumpriu o que o profeta Jeremias tinha dito: Em Ramá se ouviu um grito: coro amargo, imensa dor. É Raquel a chorar seus filhos; e não quer ser consolada, porque eles já não existem."

A origem desta festa é muito antiga. Aparece já no calendário cartaginês do século IV e cem anos mais tarde em Roma no Sacramentário Leonino. Hoje, com a nova Reforma Litúrgica, a celebração tem um carácter jubiloso e não mais de luto, como o era antigamente, e isto em sintonia com os simpáticos costumes medievais, que celebravam nestas circunstâncias a festa dos meninos do coro e do serviço do altar. Entre as curiosas manifestações temos aquela de fazer descer os cónegos dos seus lugares ao canto do versículo: "Depôs os poderosos do trono e exaltou os humildes."

Deste momento em diante, os meninos, revestidos das insígnias dos cónegos, dirigiam todo o ofício do dia. A nova liturgia, embora não querendo ressaltar o carácter folclórico que este dia teve no curso da história, quis manter esta celebração, elevada ao grau de festa por São Pio V, muito próxima da festa do Natal. Assim colocou as vítimas inocentes entre os companheiros de Cristo, para circundar o berço de Jesus Menino de um coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência, pequena vanguarda do exército de mártires que testemunharão, com o sangue, a sua pertença a Cristo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 28 de dezembro de 2018

Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: «Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe, foge para o Egipto, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para O matar». ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e Sua mãe, e retirou-se para o Egipto. Lá esteve até à morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta: “Do Egipto chamei o Meu filho”. Então Herodes, percebendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo, e mandou matar, em Belém e em todos os seus arredores, todos os meninos de idade de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Cumpriu-se então o que estava anunciado pelo profeta Jeremias: “Uma voz se ouviu em Ramá, pranto e grande lamentação; Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem”. 

Mt 2, 13-18