Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Temos de ser humildes

Não ponhas o teu "eu" na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás... Que coisa tão maçadora! Parece que te esqueceste que "tu" não tens nada, é tudo d'Ele. Quando ao longo do dia te sentires, talvez sem razão, humilhado; quando pensares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que a cada instante borbota o teu "eu", o teu, o teu, o teu..., convence-te de que estás a matar o tempo e que estás a precisar que "matem" o teu egoísmo. (Forja, 1050)

Pertransiit benefaciendo... Que fez Jesus para derramar tanto bem, e só bem, por onde quer que passou? Os Santos Evangelhos transmitiram-nos outra biografia de Jesus, resumida em três palavras latinas, que nos dá a resposta: erat subditus illis, obedecia. Hoje, que o ambiente está cheio de desobediência, de murmuração, de desunião, havemos de estimar especialmente a obediência.

Sou muito amigo da liberdade e precisamente por isso amo tanto essa virtude cristã. Devemos sentir-nos filhos de Deus e viver com o empenho de cumprir a vontade do nosso Pai, de realizar tudo segundo o querer de Deus, porque nos dá na gana, que é a razão mais sobrenatural.

O espírito do Opus Dei, que tenho procurado praticar e ensinar desde há mais de trinta e cinco anos, fez-me compreender e amar a liberdade pessoal. Quando Deus Nosso Senhor concede a sua graça aos homens, quando os chama com uma vocação específica, é como se lhes estendesse a mão, uma mão paternal, cheia de fortaleza, repleta sobretudo de amor, porque nos busca um a um, como filhas e filhos seus, e porque conhece a nossa debilidade. O Senhor espera que façamos o esforço de agarrar a sua mão, essa mão que Ele nos estende. Deus pede-nos um esforço, prova da nossa liberdade. E para conseguirmos isso, temos de ser humildes, temos de sentir-nos filhos pequenos e amar a bendita obediência com que respondemos à bendita paternidade de Deus. (Cristo que passa, 17) 

São Josemaría Escrivá

Discurso à Cúria a não perder sobretudo a parte relativa à pedofilia

«A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos, por isso, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz» (Rm 13, 12).

Envolvidos pela alegria e a esperança que irradiam do rosto do Deus Menino, também este ano nos encontramos para trocar entre nós as boas-festas natalícias, trazendo no coração todas as canseiras e alegrias do mundo e da Igreja.

Desejo sinceramente um Santo Natal a vós, aos vossos colaboradores, a todas as pessoas que prestam serviço na Cúria, aos Representantes Pontifícios e aos colaboradores das Nunciaturas. E quero agradecer-vos a dedicação com que servis diariamente a Santa Sé, a Igreja e o Sucessor de Pedro. Muito obrigado!

Permiti-me também dar calorosas boas vindas ao novo Substituto da Secretaria de Estado, o Arcebispo D. Edgar Peña Parra, que começou o seu serviço, delicado e importante, no dia 15 de outubro passado. A sua origem venezuelana reflete a catolicidade da Igreja e a necessidade de se abrir cada vez mais os horizontes até aos confins da terra. D. Edgar, bem-vindo e bom trabalho!

O Natal é a festa que nos enche de alegria, dando-nos a certeza de que jamais pecado algum será maior que a misericórdia de Deus e nunca poderá qualquer ato humano impedir à aurora da luz divina de despontar sempre de novo nos corações dos homens; é a festa que nos convida a renovar o compromisso evangélico de anunciar Cristo, Salvador do mundo e luz do universo. De facto, «enquanto Cristo, “santo, inocente, imaculado” (Heb 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2 Cor 5, 21) mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Heb 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja “prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus”, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 8).

Assim, apoiado na firme convicção de que a luz é sempre mais forte que as trevas, gostaria de refletir convosco sobre a luz que liga o Natal – a primeira vinda de Jesus na humildade – à Parusia – a segunda vinda na glória – e nos confirma na esperança que nunca dececiona e da qual depende a vida de cada um de nós e toda a história da Igreja e do mundo. Na realidade, Jesus nasce numa situação sociopolítica e religiosa carregada de tensão, agitação e obscuridade. O seu nascimento, aguardado por uma parte da humanidade e rejeitado por outra, resume a lógica divina que não se detém perante o mal, antes, transforma-o radical e gradualmente em bem, e também a lógica maligna que até o bem transforma em mal para manter a humanidade no desespero e nas trevas: «a Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam» (Jo 1, 5).

Cada ano, porém, o Natal vem lembrar-nos que a salvação de Deus, concedida gratuitamente a toda a humanidade, à Igreja e de modo particular a nós, pessoas consagradas, não atua sem a nossa vontade, sem a nossa cooperação, sem a nossa liberdade, sem o nosso esforço diário. A salvação é um dom que deve ser recebido, guardado e feito frutificar (cf. Mt 25, 14-30). Assim, ser cristão em geral e, para nós em particular, ser ungidos, consagrados do Senhor, não significa comportar-nos como um círculo de privilegiados que julgam ter Deus às suas ordens, mas como pessoas cientes de que são amadas pelo Senhor não obstante serem pecadoras e indignas. De facto, os consagrados não passam de servos na vinha do Senhor, que, na devida altura, devem dar conta dos frutos recolhidos ao Dono da vinha (cf. Mt 20, 1-16; 21, 33-42).

A Bíblia e a história da Igreja mostram-nos que, muitas vezes, os próprios eleitos, com o passar do tempo, começam a pensar, a crer e a comportar-se como donos da salvação e não como beneficiários, como controladores dos mistérios de Deus e não como humildes distribuidores, como alfandegários de Deus e não como servidores do rebanho que lhes está confiado.

Muitas vezes – por zelo excessivo e mal orientado –, em vez de seguir a Deus, atravessamonos diante d’Ele, como Pedro que criticou o Mestre e mereceu a advertência mais severa que alguma vez Cristo tenha feito a uma pessoa: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens» (Mc 8, 33).

Amados irmãos e irmãs! No mundo turbulento, a barca da Igreja viveu este ano e vive momentos difíceis, sendo acometida por tempestades e furacões. Muitos puseram-se a pedir a intervenção do Mestre, aparentemente adormecido: «Não te importas que pereçamos?» (Mc 4, 38); outros, aturdidos pelas notícias, começaram a perder a confiança nela e a abandoná-la; outros, por medo, por interesse, com segundas intenções, procuraram malhar no seu corpo, aumentando as suas feridas; outros não escondem o seu prazer por a verem abalada; mas muitíssimos outros continuam a agarrar-se-lhe com a certeza de que «as portas do Abismo nada poderão contra ela» (Mt 16, 18).

Entretanto a Esposa de Cristo prossegue a sua peregrinação entre alegrias e aflições, entre sucessos e dificuldades, externas e internas. Com certeza, as dificuldades internas continuam sempre a ser as mais dolorosas e destrutivas.

As aflições Muitas são as aflições! Quantos migrantes – forçados a deixar a pátria sob risco de vida – encontram a morte, ou quantos sobrevivem, mas acham as portas fechadas e os seus irmãos em humanidade apenas preocupados com ganhos políticos e com o poder! Quanto medo e preconceito! Quantas pessoas e quantas crianças morrem diariamente por falta de água, comida e remédios! Quanta pobreza e miséria! Quanta violência contra os frágeis e contra as mulheres! Quantos cenários de guerras declaradas e não declaradas! Quanto sangue inocente é derramado todos os dias! Quanta desumanidade e brutalidade nos rodeiam por todo o lado! Quantas pessoas são sistematicamente torturadas ainda hoje, em várias partes do mundo, nos comissariados da polícia, nas prisões e nos campos de refugiados! Na realidade, vivemos também uma nova era de «mártires». A cruel e atroz perseguição do Império Romano parece não conhecer fim. Continuamente nascem novos “neros” para oprimir os crentes, só por causa da sua fé em Cristo. Multiplicam-se novos grupos extremistas, tomando como alvo as igrejas, os lugares de culto, os ministros e os simples fiéis. Novos e velhos círculos e conventículos vivem nutrindo-se de ódio e hostilidade contra Cristo, a Igreja e os crentes. Quantos cristãos vivem ainda hoje, em tantas partes do mundo, sob o peso da perseguição, marginalização, discriminação e injustiça! Mas continuam corajosamente a abraçar a morte, para não renegar a Cristo. Ainda hoje, como é difícil viver livremente a fé em muitas partes do mundo, onde faltam a liberdade religiosa e a liberdade de consciência!

Entretanto o exemplo heroico dos mártires e de inúmeros bons samaritanos, ou seja, de jovens, famílias, movimentos sociocaritativos e de voluntariado e tantos fiéis e consagrados, não nos faz esquecer o contratestemunho e os escândalos dalguns filhos e ministros da Igreja.

Limito-me, aqui, apenas aos flagelos dos abusos e da infidelidade. Desde há vários anos que a Igreja está seriamente empenhada em erradicar o mal dos abusos, que clama por justiça ao Senhor, a Deus que nunca esquece o sofrimento vivido por muitos menores por causa de clérigos e pessoas consagradas: abusos de poder, abusos de consciência e abusos sexuais.

Pensando neste assunto doloroso, veio-me à mente a figura do rei David – um «ungido do Senhor» (cf. 1 Sam 16, 13; 2 Sam 11-12) –, de cuja linhagem provem o Deus Menino – chamado também o «filho de David». Aquele, não obstante fosse eleito, rei e ungido do Senhor, cometeu um triplo pecado, isto é, três graves abusos juntos: abuso sexual, abuso de poder e abuso de consciência. Três abusos distintos, que, todavia, convergem e se sobrepõem.

Como sabemos, a história começa quando o rei, embora sendo perito de guerra, ficou em casa entregando-se ao ócio em vez de ir para a batalha no meio do povo de Deus. David aproveitase, para seu comodismo e interesse, do facto de ser o rei (abuso de poder). O ungido, abandonandose ao comodismo, começa o irreprimível declínio moral e de consciência. É precisamente neste contexto que ele, do terraço do palácio real, vê Betsabé, mulher de Urias o Hitita, que toma banho e sente-se atraído para ela (cf. 2 Sam 11). Manda-a chamar e une-se a ela (outro abuso de poder, para além do abuso sexual). Assim abusa duma mulher casada e, para encobrir o seu pecado, chama a casa Urias e procura, em vão, convencê-lo a passar a noite com a esposa. E, sucessivamente, manda ao chefe do exército que exponha Urias a morte certa na batalha (outro abuso de poder, para além do abuso de consciência).

A cadeia do pecado alarga-se como uma mancha de óleo e torna-se rapidamente uma rede de corrupção. Das cintilações da acédia e da luxúria e do abrandamento da vigilância, começa a cadeia diabólica dos pecados graves: adultério, mentira e homicídio. Presumindo que, sendo rei, podia fazer e obter tudo, David procura também enganar ao marido de Betsabé, ao povo, a si próprio e até a Deus. O rei descuida a sua relação com Deus, transgride os mandamentos divinos, fere a integridade moral própria, não se sentindo sequer culpado. O ungido continuava a exercer a sua missão como se nada tivesse acontecido. A única coisa que lhe importava era salvaguardar a sua imagem e aparência. Pois, «quem não se dá conta de cometer faltas graves contra a Lei de Deus, pode deixar-se cair numa espécie de entorpecimento ou sonolência. Como não encontra nada de grave a censurar-se, não adverte aquela tibieza que pouco a pouco se vai apoderando da sua vida espiritual e acaba por ficar corroído e corrompido» (Francisco, Exort. ap. Gaudete et exsultate, 164). De pecador, acaba por se tornar corrupto.

Hoje, também existem «ungidos do Senhor», homens consagrados, que abusam dos fracos, valendo-se do seu poder moral e de persuasão. Cometem abomínios e continuam a exercer o seu ministério como se nada tivesse acontecido; não temem a Deus nem o seu juízo, mas apenas ser descobertos e desmascarados. Ministros, que dilaceram o corpo da Igreja, causando escândalos e desacreditando a missão salvífica da Igreja e os sacrifícios de muitos dos seus irmãos.

Também hoje tantos “davides” entram, sem pestanejar, na rede de corrupção, atraiçoam Deus, os seus mandamentos, a própria vocação, a Igreja, o povo de Deus e a confiança dos pequeninos e dos seus familiares. Muitas vezes, por detrás daquela sua desmedida gentileza, impecável atividade e angélica fisionomia, despudoradamente esconde-se um lobo atroz, pronto a devorar as almas inocentes.

Os pecados e crimes das pessoas consagradas matizam-se de cores ainda mais foscas de infidelidade, de vergonha e deformam o rosto da Igreja, minando a sua credibilidade. De facto, a própria Igreja, juntamente com os seus filhos fiéis, é vítima destas infidelidades e destes verdadeiros «crimes de peculato».

Amados irmãos e irmãs! Fique claro que a Igreja, perante estes abomínios, não poupará esforços fazendo tudo o que for necessário para entregar à justiça toda a pessoa que tenha cometido tais delitos. A Igreja não procurará jamais dissimular ou subestimar qualquer um destes casos. É inegável que no passado alguns responsáveis, por irreflexão, incredulidade, falta de preparação, inexperiência ou por superficialidade espiritual e humana, trataram muitos casos sem a devida seriedade e prontidão. Isto nunca mais deve acontecer. Esta é a opção e a decisão de toda a Igreja.

No próximo mês de fevereiro, a Igreja reiterará a sua firme vontade de prosseguir, com toda a sua força, pelo caminho da purificação. A Igreja, valendo-se também da ajuda dos peritos, questionar-se-á como proteger as crianças; como evitar tais calamidades, como tratar e reintegrar as vítimas; como reforçar a formação nos seminários. Procurar-se-á transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar este flagelo não só do corpo da Igreja, mas também do seio da sociedade. Com efeito, se esta calamidade gravíssima chegou a enredar alguns ministros consagrados, perguntamo-nos quão profunda poderá ser ela nas nossas sociedades e nas nossas famílias?

Por isso, a Igreja não se limitará a curar-se, mas procurará enfrentar este mal que causa a morte lenta de tantas pessoas a nível moral, psicológico e humano.

Amados irmãos e irmãs! Ao falar deste flagelo, alguns – mesmo dentro da Igreja – arremetem contra certos operadores da comunicação, acusando-os de ignorar que a maioria absoluta dos casos de abusos não é cometida pelos clérigos da Igreja e de querer intencionalmente dar uma imagem falsa, como se este mal tivesse atingido apenas a Igreja Católica. Eu, pelo contrário, gostaria de agradecer sinceramente aos operadores dos mass media que foram honestos e objetivos e que procuraram desmascarar estes lobos e dar voz às vítimas. Mesmo que se tratasse de um único caso de abuso – que de per si já constitui uma monstruosidade –, a Igreja pede que não seja silenciado mas o tragam objetivamente à luz, porque o maior escândalo nesta matéria é o de encobrir a verdade.

Todos nos lembramos de que David só compreendeu a gravidade do seu pecado, graças ao encontro com o profeta Natã. Hoje precisamos de novos “natãs” que ajudem os inúmeros “davides” a despertarem duma vida hipócrita e perversa. Por favor, ajudemos a Santa Mãe Igreja na sua tarefa difícil que é reconhecer os casos verdadeiros distinguindo-os dos falsos, as acusações das calúnias, os rancores das insinuações, os boatos das difamações. Uma tarefa bastante difícil, já que os verdadeiros culpados sabem esconder-se tão escrupulosamente que muitas esposas, mães e irmãs não conseguem descobri-los nas pessoas mais próximas: maridos, padrinhos, avós, tios, irmãos, vizinhos, professores…

As próprias vítimas, bem escolhidas pelos seus predadores, muitas vezes preferem o silêncio e, levadas pelo medo, tornam-se até subservientes à vergonha e ao terror de serem abandonadas. 

A quantos abusam dos menores, gostaria de dizer: convertei-vos, entregai-vos à justiça humana e preparai-vos para a justiça divina, lembrando-vos das palavras de Cristo: «se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo» (Mt 18, 6-7).

Amados irmãos e irmãs! Permiti que vos fale agora também doutra aflição, ou seja, da infidelidade daqueles que atraiçoam a sua vocação, o seu juramento, a sua missão, a sua consagração a Deus e à Igreja; aqueles que se escondem, por detrás de boas intenções, para apunhalar os seus irmãos e semear joio, divisão e perplexidade; pessoas que sempre encontram justificações, até lógicas e espirituais, para continuar a percorrer, imperturbáveis, o caminho da perdição.

Isto não é uma novidade na história da Igreja. Santo Agostinho, falando do trigo bom e do joio, diz: «julgais vós, meus irmãos, que o joio não possa elevar-se até às cátedras episcopais? Pensais talvez que aquele exista apenas nas classes inferiores e não nas superiores? Quisera o céu que nós não fôssemos joio! (…) Também nas cátedras episcopais há o trigo e há o joio; e, no meio das várias comunidades de fiéis, há o trigo e há o joio» (Sermão 73, 4: PL 38, 472).

As palavras de Santo Agostinho exortam-nos a lembrar o provérbio: «De boas intenções, está o inferno cheio»; e ajudam-nos a compreender que o Tentador, o Grande Acusador, é aquele que divide, semeia discórdia, insinua inimizade e convence os filhos a duvidar.

Na realidade, por trás destes semeadores de joio encontram-se quase sempre as trinta moedas de prata. E, assim, a figura de David leva-nos à de Judas Iscariotes, outro escolhido pelo Senhor que vende e entrega o seu Mestre à morte. David pecador e Judas Iscariotes estarão sempre presentes na Igreja, pois representam a fraqueza que faz parte do nosso ser humano. São ícones dos pecados e crimes cometidos por pessoas eleitas e consagradas. Embora unidos na gravidade do pecado, distinguem-se todavia na conversão. David arrependeu-se entregando-se à misericórdia de Deus, enquanto Judas se suicidou.

Por conseguinte todos nós, para fazer resplandecer a luz de Cristo, temos o dever de combater toda a corrupção espiritual, que «é pior que a queda dum pecador, porque trata-se duma cegueira cómoda e autossuficiente, em que tudo acaba por parecer lícito: o engano, a calúnia, o egoísmo e muitas formas subtis de autorreferencialidade, já que “também Satanás se disfarça em anjo de luz” (2 Cor 11, 14). Assim acabou os seus dias Salomão, enquanto o grande pecador David soube superar a sua miséria» (Francisco, Exort. ap. Gaudete et exsultate, 165).

As alegrias Foram numerosas este ano, como, por exemplo, o bom êxito do Sínodo dedicado aos jovens. Os passos realizados até agora na reforma da Cúria: os trabalhos de clarificação e transparência na economia; os louváveis esforços envidados pelo Departamento do Auditor Geral e pela AIF; os bons resultados alcançados pelo IOR; a nova Lei do Estado da Cidade do Vaticano; o Decreto sobre o trabalho no Vaticano, e tantas outras realizações menos visíveis. Recordamos os novos Beatos e Santos que são as «pedras preciosas» que adornam o rosto da Igreja e irradiam esperança, fé e luz sobre o mundo. Forçoso é mencionar aqui os recentes dezanove mártires da Argélia: «dezanove vidas entregues por Cristo, pelo seu Evangelho e pelo povo argelino, (...) modelos de santidade comum, a santidade “da porta ao lado”» (Tomás Georgeon, «Sob o signo da fraternidade», in: L’Osservatore Romano, 8/XII/2018, p. 6); o elevado número de fiéis que cada ano, ao receber o batismo, renovam a juventude da Igreja, como mãe sempre fecunda, e os inúmeros filhos que regressam a casa e reabraçam a fé e a vida cristã; as famílias e os pais que vivem seriamente a fé e a transmitem diariamente aos próprios filhos através da alegria do seu amor (cf. Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Amoris laetitia, 259–290); o testemunho de muitos jovens que escolhem corajosamente a vida consagrada e o sacerdócio. Um verdadeiro motivo de alegria é também o grande número de consagrados e consagradas, bispos e sacerdotes, que vivem diariamente a sua vocação com fidelidade, em silêncio, na santidade e abnegação.

São pessoas que iluminam a escuridão da humanidade, com o seu testemunho de fé, esperança e caridade. Pessoas que, por amor de Cristo e do seu Evangelho, trabalham pacientemente a favor dos pobres, oprimidos e marginalizados, sem procurar aparecer nas primeiras páginas dos jornais nem ocupar os primeiros lugares. Pessoas que, deixando tudo e oferecendo a sua vida, levam a luz da fé aonde Cristo está abandonado, sequioso, faminto, preso e nu (cf. Mt 25, 31- 46). Penso de modo particular nos numerosos párocos que dia-a-dia dão bom exemplo ao povo de Deus, sacerdotes próximos das famílias, que conhecem o nome de todos e vivem a sua vida com simplicidade, fé, zelo, santidade e caridade. Pessoas esquecidas pelos mass media, mas sem as quais reinaria a escuridão.

Amados irmãos e irmãs! Falando da luz, das aflições, de David e de Judas, quis colocar em destaque o valor da circunspeção que se deve transformar num dever de vigilância e custódia por parte de quem, nas estruturas da vida eclesiástica e consagrada, exerce o serviço do governo. Na realidade, a força de toda e qualquer instituição não reside em ser composta por homens perfeitos (isto é impossível), mas na sua vontade de se purificar continuamente; na sua capacidade de reconhecer humildemente os erros e corrigi-los; na aptidão para se levantar das quedas; reside em ver a luz do Natal que parte da manjedoura de Belém, percorre a história e chega até à Parusia.

Por isso, é necessário abrir o nosso coração à verdadeira luz: Jesus Cristo. Ele é a luz que pode iluminar a vida e transformar as nossas trevas em luz; a luz do bem que vence o mal; a luz do amor que supera o ódio; a luz da vida que vence a morte; a luz divina que transforma tudo e todos em luz; a luz do nosso Deus: pobre e rico, misericordioso e justo, presente e escondido, pequeno e grande.

Lembremos as palavras estupendas de São Macário o Grande, um padre do deserto egípcio do século IV, que, ao falar do Natal, afirma: «Deus fez-Se pequeno! O inacessível e incriado, na sua bondade infinita e inimaginável, assumiu um corpo e fez-Se pequeno. Na sua bondade, desceu da sua glória. Ninguém, nos céus e sobre a terra, pode compreender a grandeza de Deus e ninguém, nos céus e sobre a terra, pode compreender como Deus Se faz pobre e pequeno para os pobres e os pequenos. Tal como é incompreensível a sua grandeza, assim o é também a sua pequenez» [Homilias IV, 9-10; XXXII, 7, in Spirito e fuoco. Omelie Spirituali, Coleção II (Qiqajon-Bose, Magnano1995), pp. 88-89; 332-333]. Lembremo-nos de que o Natal é a festa do «Deus grande que Se faz pequeno e, na sua pequenez, não cessa de ser grande. E, nesta dialética do grande ser pequeno, está a ternura de Deus. O grande que Se faz pequeno e o pequeno que é grande» (Francisco, Homilia em Santa Marta, 14/XII/2017; cf. Homilia em Santa Marta, 25/IV/2013).

Cada ano, o Natal dá-nos a certeza de que a luz de Deus, não obstante a nossa miséria humana, continuará a brilhar; a certeza de que a Igreja sairá destas tribulações, ainda mais bela, purificada e esplêndida. Com efeito, todos os pecados, as quedas e o mal cometido por alguns filhos da Igreja não poderão jamais obscurecer a beleza do seu rosto; antes, são até a prova certa de que a sua força não se encontra em nós, mas está sobretudo em Cristo Jesus, Salvador do mundo e Luz do universo, que ama a Igreja e deu a sua vida por ela. O Natal prova que os graves males cometidos por alguns não poderão jamais ofuscar todo o bem que a Igreja faz gratuitamente no mundo. O Natal dá-nos a certeza de que a verdadeira força da Igreja e do nosso trabalho diário, tantas vezes escondido, está no Espírito Santo que a guia e protege através dos séculos, transformando até os pecados em ocasiões de perdão, as quedas em ocasiões de renovamento, o mal em ocasião de purificação e vitória.

Muito obrigado e feliz Natal a todos!

"A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou"

O fundamento em que nos apoiamos é a fé. Sem fé, inútil esperar conseguir qualquer conforto espiritual... Que suporte poderia dar a Sagrada Escritura a alguém que não acreditasse que ela é a Palavra de Deus e que essa Palavra é verdadeira? Encontra-se nela bem pouco proveito se não se acredita que é a Palavra de Deus ou se, mesmo admitindo-o, se pensa que ela pode conter erros! Segundo a fé é mais ou menos forte, assim as palavras da Sagrada Escritura farão mais ou menos bem. Esta virtude da fé, nenhum homem a pode adquirir por si mesmo, nem a pode dar a outro... A fé é um dom gratuito de Deus e, tal como diz S. Tiago: "Todo o bem, toda a perfeição vem-nos do alto, do Pai das luzes" (Tg 1,17). É por isso que nós, que por muitas  razões sentimos que a nossa fé é fraca, Lhe pedimos que a fortaleça.

(São Tomás Moro - Diálogo do Reconforto nas Tribulações)

O catecismo do meu pai - Na audiência geral Bento XVI recordou que o ensinamento de São Pedro Canísio formou gerações de cristãos (absolutamente a não perder)

Catequistas e pregadores saibam harmonizar "fidelidade aos princípios dogmáticos" e "respeito devido a cada pessoa", exortou o Papa durante a audiência geral de quarta-feira 9 de Fevereiro, na sala Paulo VI. Continuando as catequeses dedicadas aos doutores da Igreja, meditou sobre São Pedro Canísio, jesuíta e teólogo holandês do século XVI.

Prezados irmãos e irmãs!

Hoje gostaria de vos falar sobre São Pedro Kanis, Canísio na forma latinizada do seu sobrenome, uma figura muito importante no século XVI católico. Nasceu a 8 de Maio de 1521 em Nimega, na Holanda. O seu pai era burgomestre da cidade. Quando era estudante na Universidade de Colónia, frequentou os monges cartuxos de Santa Bárbara, um centro propulsor de vida católica, e outros homens piedosos que cultivavam a espiritualidade da chamada devotio moderna. Entrou na Companhia de Jesus a 8 de Maio de 1543 em Mogúncia (Renânia-Palatinado), depois de ter seguido um curso de exercícios espirituais sob a guia do Beato Pedro Favre, Petrus Faber, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola. Ordenado sacerdote em Junho de 1546 em Colónia, já no ano seguinte como teólogo do Bispo de Augsburgo, o cardeal Otto Truchsess von Waldburg, esteve presente no Concílio de Trento, onde colaborou com dois coirmãos, Diogo Laínez e Afonso Salmerón.

Em 1548, Santo Inácio fez-lhe completar em Roma a formação espiritual e enviou-o depois ao Colégio de Messina para se exercitar em humildes serviços domésticos. Obteve em Bolonha o doutorado em teologia a 4 de Outubro de 1549 e foi destinado por Santo Inácio ao apostolado na Alemanha. Em 2 de Setembro desse ano, visitou o Papa Paulo III em Castelgandolfo e depois foi à Basílica de São Pedro para rezar. Aí implorou a ajuda dos grandes Santos Apóstolos Pedro e Paulo, que dessem eficácia permanente à Bênção apostólica para o seu grande destino, para a sua nova missão. No seu diário, anotou algumas palavras desta prece. Diz: "Ali senti que uma grande consolação e a presença da graça me eram concedidas por meio de tais intercessores [Pedro e Paulo]. Eles confirmavam a minha missão na Alemanha e pareciam transmitir-me, como apóstolo da Alemanha, o apoio da sua benevolência. Vós sabeis, Senhor, de quantos modos e quantas vezes nesse mesmo dia me confiastes a Alemanha, pela qual depois eu continuaria a ser solícito, pela qual desejaria viver e morrer".

Temos que ter presente o facto de que estamos no tempo da Reforma luterana, no momento em que a fé católica nos países de língua germânica, diante do fascínio da Reforma, parecia definhar. Era quase impossível a tarefa de Canísio, encarregado de revitalizar, de renovar a fé católica nos países germânicos. Só era possível em virtude da oração. Só era possível a partir do centro, ou seja, de uma profunda amizade pessoal com Jesus Cristo; amizade com Cristo no seu Corpo, a Igreja, que deve nutrir-se da Eucaristia, sua presença real. Continuando a missão recebida de Inácio e do Papa Paulo III, Canísio partiu para a Alemanha e sobretudo para o Ducado da Baviera, que por vários anos foi o lugar do seu ministério. Como decano, reitor e vice-chanceler da Universidade de Ingolstadt, cuidou da vida académica da Instituição e da reforma religiosa e moral do povo. Em Viena, onde por um breve período foi administrador da Diocese, desempenhou o ministério pastoral nos hospitais e nas prisões, tanto na cidade como no campo, e preparou a publicação do seu Catecismo. Em 1556 fundou o Colégio de Praga e, até 1569, foi o primeiro superior da província jesuíta da Alemanha superior. Nesse ofício, criou nos países germânicos uma densa rede de comunidades da sua Ordem, especialmente de colégios, que foram pontos de partida para a reforma católica, para a renovação da fé católica. Nessa época, participou também no diálogo de Worms com os dirigentes protestantes, entre os quais Filipe Melantone (1557); desempenhou a função de Núncio pontifício na Polónia (1558); participou nas duas Dietas de Augsburgo (1559 e 1565); acompanhou o Cardeal Estanislau Hozjusz, legado do Papa Pio IV junto do Imperador Ferdinando (1560); interveio na Sessão final do Concílio de Trento, onde falou sobre a questão da Comunhão sob as duas espécies e da Lista dos livros proibidos (1562).

Em 1580 retirou-se em Friburgo, na Suíça, dedicando-se inteiramente à pregação e à composição das suas obras, e ali faleceu em 21 de Dezembro de 1597. Beatificado pelo beato Pio IX em 1864, foi proclamado segundo Apóstolo da Alemanha pelo Papa Leão XIII em 1897, e pelo Papa Pio XI canonizado e proclamado Doutor da Igreja em 1925.

São Pedro Canísio transcorreu boa parte da sua vida em contacto com as pessoas socialmente mais importantes da sua época e exerceu uma influência especial com os seus escritos. Foi editor das obras completas de São Cirilo de Alexandria e de São Leão Magno, das Cartas de São Jerónimo e das Orações de São Nicolau de Flüe. Publicou livros de devoção em várias línguas, biografias de alguns santos suíços e muitos textos de homilética. Mas os seus escritos mais divulgados foram os três Catecismos, compostos de 1555 a 1558. O primeiro Catecismo destinava-se aos estudantes capazes de entender noções elementares de teologia; o segundo, aos jovens do povo para uma primeira instrução religiosa; o terceiro, aos jovens com uma formação escolar a nível de escolas secundárias e superiores. A doutrina católica era exposta com perguntas e respostas, brevemente, em termos bíblicos, com muita clareza e sem comentários polémicos. Só durante a sua vida houve 200 edições deste Catecismo! E sucederam-se centenas de edições até ao século XX. Assim na Alemanha, ainda na geração do meu pai, as pessoas chamavam o Catecismo simplesmente o Canísio: foi deveras o Catequista da Alemanha, formou a fé de pessoas durante séculos.

Eis uma características de São Pedro Canísio: saber compor harmoniosamente a fidelidade aos princípios dogmáticos com o devido respeito por cada pessoa. São Canísio distinguiu entre a apostasia consciente, culpável, da fé, da perda da fé inculpável, nessas circunstâncias. E declarou, em relação a Roma, que a maior parte dos alemães que tinham passado para o Protestantismo não tinha culpa. Num momento histórico de fortes contrastes confessionais, evitava - é algo extraordinário - a aspereza e a retórica da ira - algo raro, como disse nessa época, nos debates entre os cristãos - e visava somente à apresentação das raízes espirituais e à revitalização da fé na Igreja. Para isto serviu o conhecimento vasto e incisivo que ele tinha da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja: o mesmo conhecimento que sustentou a sua relação pessoal com Deus e a espiritualidade austera que lhe derivava da devotio moderna e da mística originária da Renânia.

É característica para a espiritualidade de São Canísio uma profunda amizade pessoal com Jesus. Por exemplo, a 4 de Setembro de 1549 escreve no seu diário, falando com o Senhor: "No final Vós, como se me abrisses o coração do Sacratíssimo Corpo, que me parecia ver diante de mim, ordenastes-me para que bebesse daquela nascente, convidando-me por assim dizer a haurir as águas da minha salvação das vossas fontes, ó meu Salvador". E depois, vê que o Salvador lhe oferece um indumento com três partes que se chamam paz, amor e perseverança. E com este indumento composto de paz, amor e perseverança, Canísio desempenhou a sua obra de renovação do catolicismo. Esta sua amizade com Jesus - que é o centro da sua personalidade - alimentada pelo amor à Bíblia, pelo amor ao Sacramento, pelo amor aos Padres, esta amizade estava claramente unida à consciência de ser continuador da missão dos Apóstolos na Igreja. E isto recorda-nos que todo o evangelizador autêntico é sempre um instrumento unido, e por isso mesmo fecundo, com Jesus e com a sua Igreja.

Na amizade com Jesus, São Pedro Canísio formou-se no ambiente espiritual da Cartuxa de Colónia, onde vivera em íntimo contacto com dois místicos cartuxos: João Lansperger, latinizado em Lanspergius, e Nicolau van Hesche, latinizado em Eschius. Sucessivamente, aprofundou a experiência daquela amizade, familiaritas stupenda nimis, com a contemplação dos mistérios da vida de Jesus, que ocupam uma boa parte nos Exercícios espirituais de Santo Inácio. A sua intensa devoção ao Coração do Senhor, que culminou na consagração ao ministério apostólico na Basílica Vaticana, encontra aqui o seu fundamento.

Na espiritualidade cristocêntrica de São Pedro Canísio arraiga-se uma profunda convicção: não há alma solícita da própria perfeição que não pratique todos os dias a oração, prece mental, meio comum que permite ao discípulo de Jesus viver a intimidade com o Mestre divino. Por isso, nos escritos destinados à educação espiritual do povo, o nosso santo insiste sobre a importância da Liturgia com os seus comentários aos Evangelhos, às festas, ao rito da Santa Missa e dos outros Sacramentos, mas ao mesmo tempo preocupa-se em mostrar aos fiéis a necessidade e a beleza que a oração pessoal diária acompanhe e impregne a participação no culto público da Igreja.

Trata-se de uma exortação e de um método que conservam intacto o seu valor, especialmente depois que foram repropostos de modo autorizado pelo Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum concilium: a vida cristã não cresce, se não for alimentada pela participação na Liturgia, de modo particular na Santa Missa dominical, e pela oração individual quotidiana, pelo contacto pessoal com Deus. No meio das mil actividades e dos múltiplos estímulos que nos circundam, é preciso encontrar todos os dias momentos de recolhimento diante do Senhor, para O ouvir e falar com Ele.

Ao mesmo tempo, é sempre actual e de valor permanente o exemplo que São Pedro Canísio nos deixou, não somente nas suas obras, mas sobretudo com a sua vida. Ele ensina com clareza que o ministério apostólico só é incisivo e produz frutos de salvação nos corações, se o pregador for testemunha pessoal de Jesus e souber ser instrumento à sua disposição, unido intimamente a Ele pela fé no seu Evangelho e na sua Igreja, por uma vida moralmente coerente e por uma prece incessante como o amor. E isto é válido para cada cristão que quiser viver com empenhamento e fidelidade a sua adesão a Cristo. Obrigado!

No final da audiência geral, o Papa saudou os diversos grupos de fiéis presentes na sala Paulo VI, transmitindo em português as seguintes expressões.

Amados peregrinos de língua portuguesa, para todos a minha saudação amiga e encorajadora! Antes de vós, veio peregrino a Roma Pedro Canísio para invocar a intercessão dos Apóstolos São Pedro e São Paulo sobre a missão que lhe fora confiada na Alemanha, o seu campo de apostolado mais longo. No seu diário, descreve como aqui sentiu a graça divina que fazia dele um continuador da missão dos Apóstolos. Como ele, todos nós, cristãos, somos enviados a evangelizar, mas para isso precisamos de permanecer unidos com Jesus e com a Igreja. Sobre vós e as vossas famílias desça a minha Bênção.

(© L'Osservatore Romano - 12 de Fevereiro de 2011)

São Pedro Canísio, modelo de pregador e testemunha cristã

O anúncio cristão, e o ministério dos padres e fiéis, “é incisivo e produz nos corações frutos de salvação, só se o pregador for testemunha pessoal de Jesus e souber ser instrumento de vida moral, através da oração incessante e do amor; isto vale para qualquer cristão que queira viver com empenho e fidelidade a sua adesão a Cristo”. Considerações do Papa Emérito Bento XVI, na audiência geral de quarta-feira dia 09.02.2011, dedicada a São Pedro Canísio (1521-1597), “doutor da Igreja”, jesuíta holandês que actuou sobretudo na Alemanha, nos tempos da Reforma protestante.

“A vida cristã não cresce – sublinhou o Papa Emérito – se não for alimentada pela participação na liturgia e pela oração pessoal quotidiana, pelo contacto pessoal com Deus: no meio das mil actividades e dos múltiplos estímulos do dia a dia, é necessário encontrar cada dia momentos de recolhimento perante o Senhor, para O escutar e falar com Ele” – recomendou.

Bento XVI explicou as características de pregador de São Pedro Canísio, cujos catecismos formaram gerações e gerações de católicos, ao longo de séculos. “Em tempos de fortes contrastes confessionais (observou), ele evitava asperezas e a retórica da ira”, expondo a doutrina o mais possível numa linguagem bíblica e sem tons polémicos. Revelando um amplo e penetrante conhecimento da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, as obras de São Pedro Canísio, de uma austera espiritualidade, visavam propor simplesmente os conteúdos da fé católica, revitalizando a fé da Igreja.

(Bento XVI - Audiência geral de 09-II-2011) 

S. Pedro Canísio, presbítero, Doutor da Igreja, †1597

Nasceu em 1521, em Nimega (Holanda). Estudou em Colónia e entrou na Companhia de Jesus. Foi ordenado sacerdote em 1546. Destinado à Alemanha,trabalhou denodadamente na defesa da fé católica com seus escritos e pregação. Publicou numerosas obras, entre as quais se destaca o seu Catecismo. Morreu em Friburgo (Suíça), no ano de 1597.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 21 de dezembro de 2018

Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que, logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe no ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo; e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Donde a mim esta dita, que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão-de cumprir as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor».

Lc 1, 39-45