Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A luta contra a soberba há-de ser constante

“Grande coisa é saber-se nada diante de Deus, porque é assim mesmo” (Sulco, 260)

O outro inimigo, escreve S. João, é a concupiscência dos olhos, uma avareza de fundo que nos leva a valorizar apenas o que se pode tocar. Os olhos ficam como que pegados às coisas terrenas e, por isso mesmo, não sabem descobrir as realidades sobrenaturais. Podemos, portanto, socorrer-nos desta expressão da Sagrada Escritura para nos referirmos à avareza dos bens materiais e, além disso, àquela deformação que nos leva a observar o que nos rodeia - os outros, as circunstâncias da nossa vida e do nosso tempo - só com visão humana.

Os olhos da alma embotam-se; a razão crê-se auto-suficiente para compreender todas as coisas, prescindindo de Deus. É uma tentação subtil, que se apoia na dignidade da inteligência, da inteligência que o nosso Pai, Deus, deu ao homem para que O conheça e O ame livremente. Arrastada por essa tentação, a inteligência humana considera-se o centro do universo, entusiasma-se de novo com a falsa promessa da serpente, sereis como deuses, e, enchendo-se de amor por si mesma, volta as costas ao amor de Deus.

(...) A luta contra a soberba há-de ser constante, pois não se disse já, dum modo tão gráfico, que essa paixão só morre um dia depois da morte da pessoa? É a altivez do fariseu, a quem Deus se mostra renitente em justificar por encontrar nele uma barreira de auto-suficiência. É a arrogância que conduz a desprezar os outros homens, a dominá-los, a maltratá-los, porque, onde houver soberba aí haverá também ofensa e desonra(Cristo que passa, 6).

São Josemaría Escrivá

Seja a Luz do Mundo

Novena da Imaculada Conceição com textos de São Josemaría Escrivá - 3 de dezembro

Maria, Mulher de fé

Amigos de Deus, 284 Maria cooperou com a sua caridade para que nascessem na Igreja os fiéis membros da Cabeça de que é efectivamente mãe segundo o corpo. Como Mãe, ensina; e, também como Mãe, as suas lições não são ruidosas. É preciso ter na alma uma base de finura, um toque de delicadeza,para compreender o que nos manifesta,mais do que com promessas,com obras. Mestra de fé! Bem-aventurada és tu, porque acreditaste! Assim a saúda Isabel, sua prima, quando Nossa Senhora sobe à montanha para a visitar. Tinha sido maravilhoso aquele acto de fé de Santa Maria: eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra. No nascimento de seu Filho contempla as grandezas de Deus na terra; há um coro de Anjos e tanto os pastores como os poderosos da terra vêm adorar o Menino. Mas depois a Sagrada Família tem de fugir para o Egipto, para escapar às intenções criminosas de Herodes. Depois, o silêncio; trinta longos anos de vida simples, vulgar, como a de qualquer lar, numa pequena povoação da Galileia.

Amigos de Deus, 204 Ao terminar agora esta nossa meditação, digamos-lhe com as mesmas palavras: Senhor, eu creio! Eduquei-me na tua fé, decidi seguir-te de perto. Ao longo da minha vida, implorei insistentemente a tua misericórdia. E, repetidas vezes também, pareceu-me impossível que pudesses fazer tantas maravilhas no coração dos teus filhos. Senhor, creio! Mas ajuda-me, para que eu creia mais e melhor!

Cristo que passa, 173 A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efectivamente. Porque nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus.

Cristo que passa, 172 Mas reparai: se Deus quis, por um lado exaltar a sua Mãe, por outro, durante a sua vida terrena, não foram poupados a Maria a experiência da dor, nem o cansaço do trabalho, nem o claro-escuro da fé. Àquela mulher do povo, que, certo dia, irrompe em louvores a Jesus, exclamando Bem aventurado o ventre que te trouxe e os peitos a que foste amamentado, o Senhor responde: Antes bem aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a põem em prática. Era o elogio da sua Mãe, do seu fiat, do faça-se, sincero, entregue, cumprido até às últimas consequências, que não se manifestou em acções aparatosas, mas no sacrifício escondido e silencioso de cada dia.

Oração
Mãe! – Chama-a bem alto. – Ela, a tua Mãe Santa Maria, escuta-te, vê-te em perigo talvez, e oferece-te, com a graça do seu Filho, o consolo do seu regaço, a ternura das suas carícias. E encontrar-te-ás reconfortado para a nova luta.
Caminho, 516

A diferença

A independência de Portugal comemora-se anualmente no dia 1 de Dezembro, sem grande entusiasmo. Num recanto aconchegado da capital, discursam três ou quatro personalidades, comparecem uns populares patriotas e espreitam os turistas. Que é aquilo? Que faz ali aquela meia dúzia de pessoas com gravata? Há muitos anos que a cerimónia deixou de ser notícia e a maioria dos lisboetas ignora aquela tradição.

Na história que se ensinava nas escolas há umas décadas, a Restauração da Independência, a 1 de Dezembro de 1640, parecia uma gesta gloriosa, devida à clarividência de um punhado de heróis. Hoje, passada essa época em que se atribuía carácter divino à soberania nacional, sabe-se melhor o que aconteceu: a Catalunha e a Andaluzia revoltaram-se contra o domínio de Castela e o Rei de Espanha teve de escolher. Como optou pela Catalunha, o parêntese aberto em 1581 fechou-se em 1640 e Portugal voltou a ser independente. E assim se conservou, até hoje.

A história é feita de diferenças, de independências e de amizades. Faz parte do plano divino que cada pessoa, cada família, cada cidade, cada nação, tenha o seu próprio estilo. Pedro Aguiar Pinto, promotor de um conhecido blogue intitulado «Povo», inspirou-se numa frase da radiomensagem de Pio XII no Natal de 1944: «O povo opõe-se à massa, vive da liberdade e da consciência de cada um». De facto, a verdadeira multidão não é a massa indistinta – marchando ao estilo das paradas comunistas, com fatos de macaco da mesma cor –, num povo livre, a espontaneidade individual harmoniza-se com o contributo dos outros para enriquecer o conjunto.»
Santo Agostinho notou que cada espécie animal actua invariavelmente de maneira uniforme. Conhecem-se os pássaros pela forma dos seus ninhos, os animais pelas suas tocas, mas as construções humanas são todas diferentes. Porquê? A razão é que Deus nos criou livres para que a diversidade acontecesse. Nas sociedades humanas, a uniformidade é o fruto da preguiça, da desistência de fazer render os próprios talentos. As mentes catalogadas, repetitivas, são asfixiantes. Não sentimos uma rejeição instintiva quando entramos num bairro em que todos os edifícios são iguais? Numa praça em que todas as pessoas vestem da mesma maneira?

Há uma razão para não dar valor à cópia de uma obra de arte. É verdade que, com um pouco de técnica, é possível pintar quadros iguais às maiores obras-primas, esculturas indistintas das melhores esculturas do mundo. Há cópias tão perfeitas que os próprios especialistas ficam com dúvidas sobre qual das versões é verdadeira. Fazer um museu com peças copiadas seria baratíssimo... Contudo, Deus não nos criou livres para fazermos cópias mas para sermos originais. Cada um de nós está chamado a dar um contributo singular, que só ele pode dar.

Alguns amigos recordam um almoço com S. Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei, que, sendo espanhol, no final, brindou com eles por Aljubarrota, símbolo da independência portuguesa. Do ponto de vista dele, foi graças a essa independência que a mensagem do Evangelho se estendeu-se por mais regiões do mundo. Realmente, a visão dos santos supera a perspectiva dos pequenos interesses, acolhe a diversidade das pessoas e das sociedades como fonte de riqueza espiritual e cultural. Os santos vêem o mundo com os olhos de Deus e, também por isso, Deus revê-Se neles.

Foi este um dos temas da viagem apostólica do Papa Francisco a Myanmar:
– «Que belo, ver os irmãos unidos. Unidos não significa iguais. A unidade não é uniformidade (...). Cada um tem os seus próprios valores, as suas riquezas e também as suas carências. (...) A paz constrói-se com o coro das diferenças».

– «A paz é isto: a harmonia, a harmonia. Neste nosso tempo, experimentamos uma tendência mundial para a uniformidade, para fazer tudo igual. Isso é matar a humanidade. É uma colonização cultural. Temos de compreender a riqueza das nossas diferenças e perceber que dessas diferenças surge o diálogo».

– «Não devemos ter medo das diferenças. Um é o nosso Pai. Nós somos irmãos. E se discutimos, discutamos como irmãos. Estimemo-nos como irmãos. Penso que só assim se constrói a paz. Procurai construir a paz. Não vos deixeis uniformizar pela colonização cultural. A verdadeira harmonia divina faz-se com as diferenças».

Resumindo tudo isto, algumas agências de comunicação noticiaram que o Papa se tinha esquecido de falar de paz em Myanmar.
José Maria C.S. André
03-XII-2017
Spe Deus

Preparação para o Natal

Começámos o Advento com estas semanas ditosas e impacientes de preparação para o Natal. Uma vez mais, me vêm à memória palavras de S. Josemaria, nos últimos meses do seu caminhar pela Terra, a propósito desta grande solenidade cristã. Ao contemplar os planos redentores de Deus, patentes já em Belém e em Nazaré, levava-nos a considerar que Deus ensina cada um a abandonar-se por completo. Vede bem como é o ambiente em que Cristo nasce. Tudo ali nos insiste nesta entrega sem condições (…).
Seria suficiente recordar aquelas cenas para que nos enchêssemos de vergonha e de santos propósitos. Precisamos de absorver esta lógica nova, que Deus inaugurou descendo à Terra. Em Belém, ninguém reserva nada para si. Lá, não se ouve falar da minha honra, nem do meu tempo, nem do meu trabalho, nem das minhas ideias, nem dos meus gostos, nem do meu dinheiro. Ali, põe-se tudo ao serviço do grandioso jogo de Deus com a humanidade, que é a Redenção. Rendida a nossa soberba, declaramos ao Senhor, com todo o amor de um filho: ego servus tuus, ego servus tuus, et fílius ancíllae tuae (Sl 115, 16): Eu sou o Teu servo, sou o Teu servo, filho da Tua escrava, Maria. Ensina-me a servir-Te [1].
Este amor infinito de Deus pela humanidade, volta a apresentar-se também de forma especial no Ano da Misericórdia, que o Papa vai inaugurar no próximo dia 8, Solenidade da Imaculada Conceição. Apressemos o passo nestes últimos dias, para que a abertura do Porta Santa, símbolo da indulgência divina, nos encontre bem preparados para acolher nos nossos corações tantos dons de Deus. Imitemos a devoção e a necessidade com que S. Josemaria, desde muito jovem, se refugiava no amor e na proximidade de Deus com as Suas criaturas.
A Encarnação e o Nascimento de Cristo acendem uma grande luz sobre o destino da humanidade, chamada à união mais íntima com Deus. A instituição da família, em cujo seio o Senhor decidiu nascer, mostra um claro reflexo da íntima comunhão das três Pessoas da Santíssima Trindade na unidade de um só Deus verdadeiro. S. Paulo afirma que toda a família, nos Céus e na Terra, recebe o nome de Deus Pai [2]. A Santíssima Trindade eleva-se como o Modelo sublime da união que deve reinar entre os homens, também em cada família. Para nos facilitar e incentivar a cuidar desta união, decidiu abrir-nos um caminho concreto, com a Sagrada Família de Belém, para nele caminharmos diariamente. Não vos parece admirável a ternura de Deus com os seus filhos? Poderia ter-se revelado de mil maneiras diferentes, mas escolheu aquela que mostra com mais destaque a ternura do Seu Coração. Como diz o livro dos Provérbios, já desde antes da Criação, a Sabedoria divina estava com Ele e era o seu encanto todos os dias, jogando sobre o orbe da Terra, e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens [3].
A luz do nascimento de Jesus traz consigo a força para dissipar as trevas deste nosso mundo que, de tantas formas, luta por se afastar de Deus. Lembra-nos o esplendor anunciado pelo profeta, que nada nem ninguém será capaz de obscurecer: o povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz. Aos que habitavam na região de sombras da morte, apareceu uma grande luz [4]. Essa grande luz continua agora a brilhar em toda a sua bondade, mesmo no meio dos trágicos acontecimentos que ocorrem em muitas partes do mundo, como recentemente lamentámos. Ilumina-nos com a mesma clareza diáfana que iluminou a noite em Belém, há dois mil anos. A liturgia da Noite Santa torna-nos esse facto particularmente presente em cada ano, com o Natal, concedendo­‑nos paz e serenidade, mesmo nos momentos que podem parecer mais obscuros. A presença do Senhor no meio do seu povo – pregava o Papa Francisco – cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria.
Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus, atravessando as trevas que envolvem a Terra, mas guiados pela chama da fé, que ilumina os nossos passos, e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele Menino-Sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte [5].

[1]. S. Josemaria, Carta 14-II-1974, n. 2.
[2]. Ef 3, 15.
[3]. Pr 8, 30-3l.
[4]. Is 9, 1.
[5]. Papa Francisco, Homilia, 24-XII-2014.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de dezembro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Deus é exigente…

... mas infinitamente misericordioso e ama-nos mais do que nós na nossa pequena dimensão terrena conseguimos imaginar, ainda assim, se Lhe remetermos todas as graças que nos concede, poderemos vislumbrar uma ínfima parte da Sua bondade e generosidade, tudo quanto Lhe oferecermos e dedicarmos será sempre pouco, mas Ele, apesar disso, compreende as nossas fraquezas e debilidades e continua a amar-nos.

JPR

Não vos contenteis com uma religiosidade externa. Deus não Se contenta com um povo que O venera com os lábios. Ele quer o coração e, em troca, dá-nos a sua graça, desde que não nos afastemos ou separemos d’Ele

(Bento XVI - Discurso aos Bispos da Áustria em visita ‘ad limina’ – 02/XI/2005)

São Francisco Xavier †1552

Francisco nasceu no castelo de Xavier, na Espanha, a 7 de Abril de 1506, e sofreu com a guerra, onde aprendeu a nobreza e a valentia; com 18 anos foi para Paris estudar, tornando-se doutor e professor.

Vaidoso e ambicioso, buscava a glória de si até conhecer Inácio de Loyola, com quem fez amizade, e que sempre repetia ao novo amigo: “Francisco, que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” Com o tempo, e intercessão de Inácio, o coração de Francisco foi cedendo ao amor de Jesus, até que entrou no verdadeiro processo de conversão. E tornou-se com Santo Inácio co-fundador da Companhia de Jesus.

A Igreja, que na sua essência é missionaria, teve no século XV e XVI um grande impulso do Espírito Santo para evangelizar a América e o Oriente. Já como padre, e empenhado no caminho da santidade, São Francisco Xavier foi designado por Inácio a ir em missão para o Oriente. Na Índia, fez frutuoso trabalho de evangelização que abrangeu todas as classes e idades; ao avançar para o Japão, submeteu-se a aprender a língua e os seus costumes, a fim de anunciar Cristo Vivo e Ressuscitado. Foi de tal modo o seu zelo missionário, que ficou conhecido como o “S. Paulo do Oriente”. Veio a falecer a caminho da China que sonhava evangelizar. Entrou no Céu com quarenta e seis anos de idade, com dez anos de apostolado, e tornou-se o Patrono Universal das Missões ao lado de Santa Teresinha.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 3 de dezembro de 2018

Tendo entrado em Cafarnaum, aproximou-se d'Ele um centurião, e fez-Lhe uma súplica, dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre muito». Jesus disse-lhe: «Eu irei e o curarei». Mas o centurião, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; diz, porém, uma só palavra, e o meu servo será curado. Pois também eu sou um homem sujeito a outro, mas tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: “Vai”, e ele vai; e a outro: “Vem”, e ele vem; e ao meu servo: “Faz isto”, e ele o faz». Jesus, ouvindo estas palavras, admirou-Se, e disse para os que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não achei fé tão grande em Israel. Digo-vos, pois, que virão muitos do Oriente e do Ocidente, e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus.

Mt 8, 5-11