Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

domingo, 2 de dezembro de 2018

UMA HISTÓRIA DE NATAL, ACONTECIDA

Quando chega o Natal recordo sempre uma história, que parece de Saint-Exupéry, mas de que fui autor involuntário.

Há muitos anos. A editora pretendia ilustrações para um livrinho meu sobre o Natal. Enviei uns esboços para inspiração do artista lá de casa… e imprimiram os esboços! Imagens simples, tradicionais, mais uma, esquisita, a sugerir o Natal no nosso tempo: o Menino enfaixado, dormindo na pobre manjedoura, rodeado de ovelhas; uns arranha-céus lá ao fundo; e um homem aproximando-se, cansado, com um pesado saco às costas: o peso da atribulada vida moderna – e, afinal, talvez de todos os tempos.

Quem mais vezes o «leu», foi uma menina que ainda nem sabia ler: percorria as figuras, uma vez e outra. – «Mãe! O Menino está sozinho, no meio de bichos e perto de um homem com um saco!»

Bem tentou a mãe sossegá-la. Em vão. Desenhou então ela, a lápis, uma Nossa Senhora a proteger o Menino. E bem desenhada, por sinal. - Não!, tinha de ser a tinta! (Como é que uma Nossa Senhora que se pode apagar podia defender o Menino daqueles perigos?)


Lá tive eu de acrescentar, a nanquim, a Santa Mãe de Deus, e fiz mais: desenhei a menina, ajoelhada, a adorar o Menino Jesus. Ai, que alegria a dela! Só que a mana inseparável também queria lá estar; e então combinaram: umas vezes era ela, outras vezes a mana.

Há no episódio uma interessante mensagem: a importância que devemos dar aos nossos sentimentos e como jogar com eles devidamente. Na verdade, a inteligência depende deles mais do que nos apercebemos. Há sentimentos errados e sentimentos certos: alegrar-me com o mal dos outros, ser indiferente para com alguém, rezar com aborrecimento e só para «cumprir», irritar-me quando me aconselham bem, guardar rancores contra quem me incomodou, sentir-me superior a quem teve menos condições de cultura ou educação, etc.; ou os sentimentos contrários de pena, amor, gratidão, confiança, apreço, perdão…

Quando os sentimentos acertam, a inteligência ilumina-se; quando não, a razão tropeça, afunila-se, envenena-se.

Aquelas meninas amavam Jesus, confiavam na sua Mãe Santíssima, temiam que tratassem mal o Filho, e não queriam separar-se d’Ele nem d’Ela. Sentimentos certíssimos, mais importantes do que as benditas investigações dos biblistas… que, aliás, só o são quando estudam a Palavra de Deus com rigor científico - e coração de meninos.

H. A.
(«Celebração Litúrgica», nº 1 - 2018-19)

N. Spe Deus: texto copiado do mural no Facebook do autor, Mons. Hugo de Azevedo, seleção de imagens do blogue

A vida matrimonial, um caminhar divino pela Terra

Vê quantos motivos para venerar S. José e para aprender da sua vida: foi um varão forte na fé...; sustentou a sua família – Jesus e Maria – com o seu trabalho esforçado...; guardou a pureza da Virgem, que era sua Esposa...; e respeitou – amou! – a liberdade de Deus que fez a escolha, não só da Virgem como Mãe, mas também dele como Esposo de Santa Maria. (Forja, 552)

Ao pensar nos lares cristãos, gosto de imaginá-los luminosos e alegres, como foi o da Sagrada Família. A mensagem de Natal ressoa com toda a força: Glória a Deus no mais alto dos Céus e paz na terra aos homens de boa vontadeQue a Paz de Cristo triunfe nos vossos corações, escreve o Apóstolo. Paz por nos sabermos amados pelo nosso Pai, Deus, incorporados em Cristo, protegidos pela Virgem Santa Maria, amparados por S. José. Esta é a grande luz que ilumina as nossas vidas e que, perante as dificuldades e misérias pessoais, nos impele a seguir animosamente para diante. Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade, em que se notassem, por cima das pequenas contrariedades diárias, um carinho e uma tranquilidade, profundos e sinceros, fruto de uma fé real e vivida.

Para o cristão o matrimónio não é uma simples instituição social e menos ainda um remédio para as fraquezas humanas: é uma autêntica vocação sobrenatural. Sacramento grande em Cristo e na Igreja, como diz S. Paulo, é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, contrato que um homem e uma mulher fazem para sempre, pois, quer queiramos quer não, o matrimónio instituído por Jesus Cristo é indissolúvel, sinal sagrado que santifica, acção de Jesus, que invade a alma dos que se casam e os convida a segui-Lo, transformando toda a vida matrimonial num caminhar divino pela Terra. (Cristo que passa, 22–23)

São Josemaría Escrivá

Bom Domingo do Senhor!

Nunca descuremos a nossa vida espiritual e procuremos viver como bons filhos de Deus, estejamos sempre atentos e preparados para a Sua vinda conforme nos fala o Senhor no Evangelho de hoje (Lc 21, 25-28.34-36).

O Senhor é bom e misericordioso para com aqueles que O amam e seguem!

Novena da Imaculada Conceição com textos de São Josemaría Escrivá - 2 de Dezembro

Maria, Mestra de oração

Cristo que passa, 174 O Senhor ter-vos-á feito descobrir muitos outros aspectos da correspondência fiel da Santíssima Virgem, que por si mesmos já são um convite para que os tome- mos como modelo: a sua pureza, a sua humildade, a sua fortaleza, a sua generosidade, a sua fidelidade... Eu gostaria de falar sobre um aspecto que engloba to- dos os outros, porque é o clima do progresso espiritual, isto é, a vida de oração. Para aproveitar a graça que nos concede a Nossa Mãe no dia de hoje e para secundar também, em qualquer momento, as inspirações do Espírito Santo, pastor das nossas almas, devemos estar seriamente comprometidos numa actividade que nos leve a ter intimidade com Deus. Não podemos esconder-nos no anonimato, porque a vida interior, se não for um encontro pessoal com Deus, não existe. A superficialidade não é cristã. Admitir a rotina, na nossa luta ascética, equivale a assinar a certidão de óbito da alma contemplativa. Deus procura- nos um a um, e precisamos de Lhe responder um a um: eis-me aqui, pois Tu me chamaste. Oração, sabêmo-lo todos, é falar com Deus. É possível, porém, que alguém pergunte: falar, de quê? Do que há-de ser, senão das coisas de Deus e das que enchem o nosso dia? Do nascimento de Jesus, do seu caminhar por este mundo, da sua vida oculta e da sua pregação, dos seus milagres, da sua Paixão Redentora, da sua Cruz e da sua Ressurreição... E na presença de Deus, Uno e Trino, tendo por Medianeira Santa Maria e por advogado S. José, Nosso Pai e Senhor – a quem tanto amo e venero – falaremos também do nosso trabalho de todos os dias, da família, das relações de amizade, dos grandes projectos e das pequenas coisas sem importância.

Cristo que passa, 174 Recordai na oração estes temas, aproveitai-os precisamente para dizer a Jesus que o adorais, e assim, estareis a ser contemplativos no meio do mundo, no meio do ruído da rua, em toda a parte. Essa é a primeira lição, na escola da intimidade com Jesus Cristo. Dessa escola, Maria é a melhor professora, porque a Virgem manteve sempre essa atitude de fé, de visão sobrenatural, perante tudo o que sucedia à sua volta: conservava todas estas coisas ponderando-as no seu coração.

Amigos de Deus, 241 A nossa Mãe meditou longamente as palavras das mulheres e dos homens santos do Antigo Testamento, que esperavam o Salvador, e os acontecimentos de que foram protagonistas. Admirou o cúmulo de prodígios e o excesso da misericórdia de Deus com o seu povo, tantas vezes ingrato. Ao considerar esta ternura do Céu, incessantemente renovada, brota o afecto do seu Coração imaculado: a minha alma glorifica o Senhor; e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador. Porque lançou os olhos para a baixeza da sua escrava. Os filhos desta boa Mãe, os primeiros cristãos, aprenderam com Ela, e nós também podemos e devemos aprender.

Oração

Supliquemos hoje a Santa Maria que nos torne contemplativos, que nos ajude a compreender os contínuos apelos que o Senhor nos dirige, batendo à porta do nosso coração. Peçamos-lhe: Mãe, tu trouxeste ao mundo Jesus, que nos revela o amor do nosso Pai, Deus; ajuda-nos a reconhecê-lo, no meio das preocupações de cada dia; remove a nossa inteligência e a nossa vontade, para que saibamos escutar a voz de Deus, o impulso da graça.
Cristo que passa, 174

Tempo de preparação para o Natal

Chegou o Advento. Que bom tempo para remoçar o desejo, o anelo, as ânsias sinceras pela vinda de Cristo!, pela sua vinda quotidiana à tua alma na Eucaristia! Ecce veniet!, está a chegar!, anima-nos a Igreja.
Forja, 548

Começa hoje o tempo do Advento e é bom que tenhamos considerado as insídias destes inimigos da alma: a desordem da sensualidade e a leviandade; o desatino da razão que se opõe ao Senhor; a presunção altaneira, esterilizadora do amor a Deus e às criaturas.

Todas estas disposições de ânimo são obstáculos certos e o seu poder perturbador é grande. Por isso a liturgia faz-nos implorar a misericórdia divina: a ti elevo a minha alma, Senhor, meu Deus. E em ti confio; não seja eu confundido! Não riam de mim os meus inimigos (Sal 24, 1-3) rezamos no intróito. E na antífona do ofertório iremos repetir: espero em ti,; que eu não seja confundido!

Agora que se aproxima o tempo da salvação, dá gosto ouvir dos lábios de S. Paulo: depois de Deus, Nosso Salvador, ter manifestado a sua benignidade e o seu amor para com os homens, libertou-nos, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por sua misericórdia (Tit 3, 5).
Cristo que passa, 7

Olhai e levantai as vossas cabeças porque está próxima a vossa redenção (Lc 21, 28), lemos no Evangelho. O tempo do Advento é o tempo da esperança. Todo o panorama da nossa vocação cristã, a unidade de vida que tem como nervo a presença de Deus, Nosso Pai, pode e deve ser uma realidade diária.

Nada mais queria dizer-vos neste primeiro domingo do Advento, quando já começamos a contar os dias que nos aproximam do Natal do Salvador. Vimos a realidade da vocação cristã, ou seja, como o Senhor confiou em nós para levar as almas à santidade, para as aproximar d'Ele, para as unir à Igreja e estender o reino de Deus a todos os corações. O Senhor quer-nos entregues, fiéis, dedicados, com amor. Quer-nos santos, muito seus.
Cristo que passa, 11

Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei (Act. II, 11), uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2, 14), a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.

É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé, aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.
Cristo que passa, 13

Procura a união com Deus e enche-te de esperança - virtude segura! -, porque Jesus te iluminará, mesmo na noite mais escura, com a luz da sua misericórdia.
Forja, 293

São Josemaría Escrivá

O Advento

S. Josemaria dizia que cada Natal tem de ser para nós um novo e especial encontro com Deus, deixando que a sua luz a sua graça entrem até ao fundo da alma. Apresentamos alguns textos do fundador do Opus Dei relacionados com o Advento, tempo de preparação para o Natal.

Chegou o Advento. Que bom tempo para remoçar o desejo, o anelo, as ânsias sinceras pela vinda de Cristo!, pela sua vinda quotidiana à tua alma na Eucaristia! Ecce veniet!, está a chegar!, anima-nos a Igreja.
Forja, 548

Olhai e levantai as vossas cabeças porque está próxima a vossa redenção (Lc 21, 28), lemos no Evangelho. O tempo do Advento é o tempo da esperança. Todo o panorama da nossa vocação cristã, a unidade de vida que tem como nervo a presença de Deus, Nosso Pai, pode e deve ser uma realidade diária.
Cristo que passa, 11, 4

Procura a união com Deus e enche-te de esperança – virtude segura! –, porque Jesus te iluminará, mesmo na noite mais escura, com a luz da sua misericórdia.
Forja, 293

Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei (Act. II, 11), uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2, 14), a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.

É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé, aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.
Cristo que passa, 13

O Advento explicado por Bento XVI em 20 breves textos selecionados

"Se falta Deus, falha a esperança. Tudo perde sentido", diz o Papa Emérito. Nesta seleção de textos de homilias pronunciadas no início do Advento, fala de esperança, de alegria e de preparação.

I Domingo do Advento 2006 

1) A primeira antífona desta celebração vespertina aparece como abertura do tempo do Advento e ressoa como antífona de todo o ano litúrgico: "Transmiti aos povos este anúncio: eis que vem Deus, o nosso Salvador". Detenhamo-nos um momento a refletir: não usa o passado – Deus veio -_ nem o futuro – Deus virá – mas o presente: “Deus vem”. Como podemos comprovar, trata-se de um presente contínuo, ou seja, uma ação que se realiza sempre: está a acontecer, acontece agora e acontecerá também no futuro.A todo o momento “Deus vem”.

2) O Advento exorta os fiéis a tomarem consciência desta verdade e a agirem coerentemente. Ressoa como um apelo saudável, que se repete com o passar dos dos dias, das semanas e dos meses: Acorda! Recorda que Deus vem! Não ontem, não amanhã, mas hoje, agora! 

3) O único Deus verdadeiro, "o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob", não é um Deus que está no céu, desinteressando-se de nós e da nossa história, mas é o Deus-que-vem. É um Pai que nunca deixa de pensar em nós e, respeitando totalmente a nossa liberdade, deseja encontrar-se connosco e visitar-nos; quer vir, habitar no meio de nós, permanecer connosco. Vem porque deseja libertar-nos do mal e da morte, de tudo o que impede a nossa verdadeira felicidade. Deus vem para nos salvar.

4) De uma forma que só Ele conhece, a comunidade cristã pode apressar a sua vinda final, ajudando a humanidade a ir ao encontro do Senhor que vem. E fá-lo antes de tudo, mas não só, mediante a oração. 

I Domingo do Advento 2007

5) A esperança cristã está ligada inseparavelmente ao conhecimento do rosto de Deus, aquele rosto que Jesus, o Filho unigénito, nos revelou mediante a sua encarnação, através da sua vida terrena e da sua pregação e, sobretudo, com a sua morte e ressurreição.

6) Como se pode apreciar no Novo Testamento, especialmente nas cartas dos Apóstolos, desde o início uma nova esperança distinguiu os cristãos daqueles que viviam a religiosidade pagã. Escrevendo aos Efésios, São Paulo recorda-lhes que, antes de abraçar a fé em Cristo, eles viviam "sem esperança e sem Deus neste mundo" (2, 12). Esta expressão parece mais atual do que nunca, por causa do paganismo dos nossos dias: podemos referi-la de modo particular ao niilismo contemporâneo, que corrói a esperança no coração do homem, induzindo-o a pensar que dentro dele e ao seu redor reina o vazio: nada antes do nascimento, nada depois da morte.

7) Quando falta Deus, falta a esperança. Tudo perde sentido. É como se viesse a faltar a dimensão da profundidade e todas as coisas obscurecessem, desprovidas do seu valor simbólico, como se não se “destacassem” da simples materialidade.

8) Deus conhece o coração do homem. Sabe que quem O rejeita não conheceu o seu verdadeiro rosto, e por isso não cessa de bater à nossa porta, como peregrino humilde em busca de acolhimento. O Senhor concede um novo tempo à humanidade: precisamente para que todos possam chegar a conhecê-lo!

9) A minha, a nossa esperança é precedida pela expectativa que Deus cultiva a nosso respeito! Sim, Deus ama-nos e precisamente por isso espera que voltemos para Ele, que abramos o nosso coração ao seu amor, que coloquemos a nossa mão na sua e nos recordemos que somos seus filhos. Esta expectativa de Deus precede sempre a nossa esperança, exatamente como o seu amor nos alcança sempre primeiro.

10) Cada um dos homens é chamado a esperar, correspondendo ao que Deus espera dele. De resto, a experiência mostra-nos que é precisamente assim. O que é que faz progredir o mundo, a não ser a confiança que Deus tem no homem? É uma confiança que se reflete nos corações dos pequeninos e dos humildes quando, através das dificuldades e das provações, se esforçam todos os dias para fazer o melhor que podem, para realizar um bem que parece pequeno, mas que aos olhos de Deus é muito grande: na família, no lugar de trabalho, na escola e nos vários âmbitos da sociedade. A esperança está escrita no coração do homem de forma indelével, porque Deus nosso Pai é vida, e é para a vida eterna e bem-aventurada que nós fomos criados.

I Domingo do Advento 2008

11) Todo o povo de Deus volta a pôr-se a caminho, atraído por este mistério:  o nosso Deus é "o Deus que vem" e que nos convida a ir ao seu encontro. De que modo? Em primeiro lugar, naquela forma universal da esperança e da espera, que é a oração, que encontra a sua expressão eminente nos Salmos, palavras humanas em que o próprio Deus pôs e põe continuamente nos lábios e nos corações dos fiéis a invocação da sua vinda.

12) "Senhor, vem depressa…" (v. 1). É o grito de uma pessoa que se sente em grave perigo, mas também é o grito da Igreja, no meio das múltiplas insídias que a rodeiam, que ameaçam a sua santidade, a integridade irrepreensível da qual fala o Apóstolo Paulo, que, pelo contrário, deve ser conservada para a vinda do Senhor. E nesta invocação ressoa também o grito de todos os justos, de todos aqueles que querem resistir ao mal, às seduções de um bem-estar iníquo, de prazeres que ofendem a dignidade humana e a condição dos pobres.

I Domingo do Advento 2009

13) Advento. Meditemos brevemente sobre o significado desta palavra, que sepode traduzir por "presença", "chegada" e "vinda". Na linguagem do mundo antigo, era um termo técnico utilizado para indicar a chegada de um funcionário, a visita do rei ou do imperador a uma província. No entanto, podia indicar também a vinda da divindade, que sai do seu encobrimento para se manifestar com poder, ou que é celebrada presente no culto. Os cristãos adotaram a palavra "advento" para expressar a sua relação com Jesus Cristo: Jesus é o Rei, que entrou nesta pobre "província" denominada terra para visitar todos; convida a participar na festa do seu advento  todos aqueles que nele crêem, todos aqueles que acreditam na sua presença na assembleia litúrgica. Com a palavra adventus queria dizer-se dizer substancialmente: Deus está aqui, não se retirou do mundo, não nos deixou sozinhos. Embora não O possamos ver nem tocar, como acontece com as realidades sensíveis, Ele está aqui e vem visitar-nos de múltiplos modos.

14) O significado da expressão "advento" abarca também o de visitatio que quer dizer simplesmente "visita"; neste caso, trata-se de uma visita de Deus: Ele entra na minha vida e quer dirigir-se a mim. Na existência quotidiana, todos temos a experiência de ter pouco tempo para o Senhor e pouco tempo também para nós. Acabamos por ser absorvidos pelo "fazer". Não é verdade que, com frequência, é precisamente a atividade que nos domina, a sociedade com os seus múltiplos interesses que monopoliza a nossa atenção? Não é verdade que dedicamos muito tempo ao ócio e a distrações de vários tipos? Às vezes, coisas "submergem-nos".

15) O Advento, este tempo litúrgico forte que estamos a começar, convida-nos a determo-nos para captar uma presença. É um convite a compreender que os acontecimentos de cada dia são gestos que Deus nos dirige, sinais da atenção que Ele tem por cada um de nós. Quantas vezes Deus nos faz sentir algo do seu amor! Escrever, por assim dizer, um "diário interior" deste amor seria uma tarefa bonita e saudável para a nossa vida! O Advento convida-nos e estimula-nos a contemplar o Senhor que está presente. A certeza da sua presença não deveria ajudar-nos a ver o mundo com olhos diferentes? Não deveria ajudar-nos a considerar toda a nossa existência como uma "visita", um modo em que Ele pode vir ter connosco e estar ao nosso lado em cada situação?

16) Na sua vida, o homem está constantemente à espera: quando é menino, quer crescer; quando é adulto, procura a realização e o sucesso; na idade avançada, aspira ao merecido descanso. Mas chega o momento em que descobre que esperou demasiado pouco se, para além da profissão ou da posição social, nada mais lhe resta para esperar. A esperança marca o caminho da humanidade, mas para os cristãos é animada por uma certeza: o Senhor está presente ao longo da nossa vida, acompanha-nos, e um dia enxugará também as nossas lágrimas. Um dia, não distante, tudo encontrará o seu cumprimento no Reino de Deus, Reino de justiça e de paz.

17) Existem modos muito diferentes de esperar. Se o tempo não está cheio de um presente carregado de sentido, a espera pode tornar-se insuportável; se se espera algo, mas neste momento não há nada, ou seja, se o presente está vazio, cada instante que passa parece exageradamente longo, e a espera transforma-se num peso demasiado grande, porque o futuro é totalmente incerto. Pelo contrário, quando o tempo está carregado de sentido, e em cada instante apercebemo-nos de algo específico e positivo, então a alegria da espera torna o presente mais valioso. Queridos irmãos e irmãs, vivamos intensamente o presente, no qual já nos alcançam os dons do Senhor, vivamo-lo projetados para o futuro, um futuro cheio de esperança. Deste modo, o Advento cristão torna-se ocasião para despertar de novo em nós o autêntico sentido da espera, voltando ao coração da nossa fé que é o mistério de Cristo, o Messias esperado durante longos séculos e nascido na pobreza de Belém.

18) Quando veio ao meio de nós, trouxe-nos e continua a oferecer-nos o dom do seu amor e da sua salvação. Presente entre nós, fala-nos de muitas maneiras: na Sagrada Escritura, no ano litúrgico, nos santos, nos acontecimentos da vida quotidiana e em toda a criação, que muda de aspecto consoante Ele se encontra por detrás dela, ou se está ofuscada pela neblina de uma origem incerta e de um futuro inseguro.

19)  Podemos dirigir-lhe a palavra, apresentar-lhe os sofrimentos que nos afligem, a impaciência e as perguntas que brotam do nosso coração. Estamos certos de que nos ouve sempre! E se Jesus está presente, já não existe tempo algum sem sentido e vazio. Se Ele está presente, podemos continuar a esperar mesmo quando os outros já não conseguem garantir-nos qualquer apoio, mesmo quando o presente está cheio de dificuldades.

I Domingo do Advento 2010

20) Durante o tempo de Advento, sentiremos que a Igreja que nos toma pela mão e, à imagem de Maria Santíssima, manifesta a sua maternidade fazendo-nos a experimentar a espera gozosa da vinda do Senhor, que a todos nos abraça no seu amor que salva e consola.

(Fonte: site do Opus Dei – Portugal em http://www.opusdei.pt/art.php?p=46495)

Advento

O Advento significa a presença iniciada do próprio Deus. Por isso, recorda-nos duas coisas: primeiro, que a presença de Deus no mundo já começou, e que Ele já está presente de uma maneira oculta; em segundo lugar, que essa presença de Deus acaba de começar, ainda não é total, mas está em processo de crescimento e maturação.

A sua presença já começou, e somos nós, os seus fiéis, que, por sua vontade, devemos torná-lo presente no mundo. É por meio da nossa fé, esperança e amor que Ele quer fazer brilhar a luz de forma contínua na noite do mundo. Assim, as luzes que acendermos nas noites escuras do inverno serão ao mesmo tempo consolo e advertência: certeza consoladora de que "a luz do mundo" já se acendeu na noite escura de Belém e transformou a noite do pecado humano na noite santa do perdão divino; e, por outro lado, a consciência de que essa luz só pode - e só quer - continuar a brilhar se for sustentada por aqueles que, por serem cristãos, continuam através dos tempos a obra de
Cristo.

A luz de Cristo quer iluminar a noite do mundo através da luz que somos nós; a sua presença já iniciada deve continuar a crescer por nosso intermédio. Quando, na Noite Santa, ressoar uma e outra vez o hino Hodie Christus natus est, devemos lembrar-nos de que o começo que se deu em Belém há-de ser em nós um começo permanente, que aquela noite santa volta a ser um "hoje" cada vez que um homem permite que a luz do bem faça desaparecer nele as trevas do egoísmo [...]. O Menino-Deus nasce onde se atua por inspiração do amor do Senhor, onde se faz algo mais do que trocar presentes.

Advento significa presença de Deus já começada, mas também apenas começada. Isto implica que o cristão não olha somente para o que já foi e já passou, mas também para o que está por vir. No meio de todas as desgraças do mundo, tem a certeza de que a semente da luz continua a crescer oculta, até que um dia o bem triunfará definitivamente e tudo lhe estará submetido: no dia em que Cristo voltar. O cristão sabe que a presença de Deus, que acaba de começar, um dia será presença total. E essa certeza torna-o livre, presta-lhe um apoio definitivo.

(Cardeal Joseph Ratzinger em Licht, das uns leuchtet. Besinnungen zu Advent und Weihnachten‘, 5a- ed., Herder, Friburgo, 1978)

Os três adventos de Cristo

Pierre de Blois (c. 1130-1211), arquidiácono em Inglaterra
Sermão 3 para o Advento


Há três adventos do Senhor: o primeiro pela carne, o segundo pela alma e o terceiro pelo julgamento. O primeiro aconteceu a meio da noite, segundo as palavras do Evangelho: «A meio da noite, ouviu-se um brado: 'Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!'» (Mt 25,6). E esse primeiro acontecimento já se deu, pois Cristo foi visto na terra e conversou com os homens (cf Br 3,38).

Estamos agora no segundo advento, desde que estejamos de forma que Ele possa vir até nós, pois Ele disse que se O amarmos Ele virá e fará de nós Sua morada (cf Jo 14,23). Este segundo advento está pois, para nós, envolto em incerteza, pois quem, senão o Espírito de Deus, conhece aqueles que são de Deus? (cf 1Co 2,11) Aqueles em quem o desejo das coisas celestes transporta para fora de si próprios sabem bem quando Ele virá; contudo, eles «não sabem de onde vem nem para onde vai» (Jo 3,8).

Quanto ao terceiro advento, é certo que acontecerá, mas é muito incerto quando, pois nada é mais certo que a morte e nada mais incerto que o dia da morte. «Quando disserem: 'Paz e segurança', então se abaterá repentinamente sobre eles a ruína, como as dores de parto sobre a mulher grávida e não poderão escapar» (cf 1Ts 5,3). Assim, o primeiro advento foi humilde e escondido, o segundo é misterioso e cheio de amor, o terceiro será estrondoso e terrível. No seu primeiro advento, Cristo foi julgado injustamente pelos homens; no segundo faz-nos justiça, através da Sua graça; no último julgará todas as coisas com equidade — Cordeiro no primeiro advento, Leão no último, Amigo cheio de ternura no segundo.